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TÜRKĠYE’DE YEREL YÖNETĠMLERĠN YASAL VE ANAYASAL ÇERÇEVESĠ

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Assim como a maioria das palavras que compõe o léxico da língua portuguesa, o termo divórcio também deriva do Latim (“divortium”), e quer dizer “separação” ou “seguir por diferentes caminhos”. Esta palavra deve ser utilizada para caracterizar a separação judicial e a dissolução do casamento, ou a cessação dos seus efeitos civis (BRASIL, 1977; CANO et al., 2009). Contudo, informalmente, ela costuma a ser utilizada para caracterizar o rompimento entre um casal que, um dia, tenha confirmado seus votos de união eterna diante de suas testemunhas, autoridades religiosas, e um juiz.

Somente há 38 anos, em 1977, o divórcio foi instituído pela Emenda Constitucional nº 09, de 28 de junho, e nacionalmente regulamentado pela Lei nº 6.515, de 26 de dezembro, reguladora dos casos de dissolução da sociedade conjugal e do casamento, além dos seus efeitos e respectivos processos. Entretanto, como explica Cano et al. (2009, p. 214) “de fato, o divórcio e o recasamento já ocorriam, antes

mesmo da regulamentação pela via de lei. O problema, é que nenhum dos dois era reconhecido ou socialmente aceito”, principalmente, por confrontarem os costumes patriarcalistas e os dogmas religiosos que conduziam a sociedade com maior afinco naquela época (BOTTEGA, 2015; ARAÚJO, 2015).

Apesar de significar “separação”, de acordo com a perspectiva jurídica do conceito, entende-se que a separação judicial anula a obrigatoriedade de que os casais coabitem, mantenham fidelidade recíproca e permaneçam validados os arranjos do acordo matrimonial de bens. Porém, a separação não extingue o casamento. Ao invés disso, ela estabelece o prazo de um ano, no mínimo, para que o casal em conflito possa repensar a decisão, ou confirmá-la de vez, havendo, então, a dissolução real do matrimônio (o verdadeiro divórcio) e a possibilidade de que ambos estabeleçam um novo casamento civil (BRASIL, 1977).

Esta leve confusão entre os termos, principalmente os de cunho jurídico, é bastante comum no linguajar popular. Para facilitar o entendimento, o leitor pode encontrar um pequeno glossário com as expressões mais utilizadas no contexto em questão no Anexo 1.

Retomando o debate, desde sua regulamentação, sucessivos avanços foram introduzidos na lei para melhorar seus aspectos caracterizadores ou facilitar o processo de obtenção de um divórcio. O Quadro 8 apresenta de forma simplificada esta evolução, estando em destaque os eventos mais marcantes ocorridos no processo.

Quadro 8 - Principais eventos relacionados ao divórcio no Brasil

ANO EVENTO

1893 Surge, por meio do deputado Érico Marinho, a primeira proposição divorcista, renovada em 1896 e 1899, porém sem sucesso. Em 1900 o deputado Martinho Garcez renovou a proposta divorcista, porém, ela também foi rejeitada.

1916

O anteprojeto de Código Civil proposto pelo jurista e legislador Clóvis Beviláqua em 1901 é aprovado consolidando, assim, o direito ao “desquite” no Brasil. Lembrando que o desquite não autorizava novo casamento, mas tão-somente autorizava a separação dos cônjuges e o encerramento do regime de bens.

1934 A Constituição de 1934 apresentou dispositivo constitucional acerca da indissolubilidade do casamento no Brasil, conforme previsão no artigo 14414. 1946 Durante a vigência da Constituição de 1946 foi apresentado um projeto para retirar a expressão “vínculo indissolúvel” do texto legal, porém tal projeto sequer foi apreciado. 1969 A Constituição de 1969 determinou que qualquer projeto de divórcio somente poderia ser aprovado através de emenda constitucional.

14 BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 16/07/1934. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao34.htm>. Acesso em: 29 de abril de 2015.

1975 Apresentada a Emenda Constitucional nº 5, de 12/03/1975, que permitia a dissolução do vínculo conjugal após cinco anos de desquite ou sete anos de separação de fato. Essa emenda não foi aprovada em razão da não obtenção do quórum mínimo exigido.

1977

Divórcio foi instituído pela Emenda Constitucional nº 09, de 28/06/1977, de autoria do senador Nelson Carneiro. Essa emenda sofreu muitas críticas e gerou uma enorme polêmica para a época, pois tornava o casamento solúvel e propiciava às pessoas divorciadas a possibilidade de um novo casamento.

1977 A Emenda Constitucional nº 09 foi regulamentada pela Lei do Divórcio (Lei nº 6.515/1977) que inicialmente permitia apenas mais um casamento e alterava o nome do antigo instituto denominado “desquite” para o que conhecemos, hoje, como separação judicial.

1988 A Constituição Federal de 1988 instituiu o divórcio sem limitação numérica, mais precisamente no seu art. 226, § 6º.

1989

A Lei nº 7.841 (17/10/1989) revogou o art. 38 da antiga lei do Divórcio, excluindo assim a restrição numérica do pedido de divórcio. Porém, a separação judicial foi instituída como uma fase intermediária para a dissolução definitiva do casamento, como se fosse um estágio para saber se realmente era essa a vontade dos ex-cônjuges.

2007 Publicação da Lei nº 11.441, de 04/01/2007 que permitiu a realização do procedimento de separação e divórcio consensuais pela via extrajudicial, através de escritura pública perante o tabelião de notas, sem interferência do Poder Judiciário.

2008

A Lei nº 11.698, de 2008, promoveu alteração radical no modelo de guarda dos filhos, até então dominante no direito brasileiro, ou seja, da guarda unilateral conjugada com o direito de visita.

2010

Aprovação da Emenda Constitucional nº 66, de 13/07/2010, cuja nova redação do parágrafo 6º do Art. 226 da Constituição Federal, passou a prever que o casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. A emenda apenas suprimiu a parte final do dispositivo, quanto à exigência do lapso temporal, não existindo mais qualquer contagem de tempo, e possibilitando o rompimento do vínculo conjugal pelo divórcio direto.

2015

Sancionada a Lei nº 13.105, de 16/03/2015, que, por exemplo, aumentou para dez dias o prazo para pagamento de pensão alimentícia e instituiu que a sentença estrangeira de divórcio consensual produza efeitos no Brasil, independentemente de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça, dentre outras ações para agilizar o tempo de duração de um processo de divórcio.

Fonte: Elaboração própria (2016).

É possível verificar pelo histórico apresentado que “a evolução da forma de dissolução da sociedade conjugal e do vínculo matrimonial se deu de forma lenta e conforme as mudanças sociais” (BOTTEGA, 2015, p. 34). Tal reforma, foi fruto de um movimento legislativo que, há anos, vem reduzindo o intervencionismo estatal na vida privada dos cônjuges, notadamente, no que se refere à dissolução do matrimônio. Sempre buscando promover alterações que implicam na facilitação de sua obtenção. Com esta evolução percebe-se que as mudanças sociais e familiares são fortes aspectos que pressionam o sistema comunitário por respostas mais rápidas e objetivas, principalmente, quando se trata de um processo que discorre sobre a dignidade humana, e a complexa passagem por fases de ruptura na vida.

Contudo, mais do que somente entender o conceito e a evolução do divórcio, este estudo pretende apropriar-se do reconhecimento de seus efeitos sobre a família, para compreender melhor como os aspectos de consumo são modelados dentro

das novas estruturas familiares e, assim, buscar evidências das experiências de vulnerabilidade.

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