1.2. Tarihsel Gelişimi
2.1.2. Vergi İncelemesi
2.1.2.4. Vergi İncelemesinin Türleri
As federações são caracterizadas, segundo Jorge Miranda, por assentarem numa
estrutura de sobreposição a qual recobre os poderes políticos locais, em que cada cida-
dão fica sujeito a duas constituições e sujeito a atos e poderes de dois aparelhos de ór- gãos legislativos, governativos, administrativos e jurisdicionais109. Assim, na base do
Estado federal encontra-se o Estado-membro110, cuja característica principal é possuir
um ordenamento constitucional próprio, estabelecido no exercício de um poder sobe- rano111.
Uma das características mais importantes do sistema federal é o facto de os Esta- dos federados também participarem na elaboração e revisão da constituição federal112,
pelo que constituem eles próprios um elemento essencial da formação da vontade de cons-
tituir a federação. Tal como defende Jorge Miranda, ainda que os Estados federados não
109 Teoria… op. cit. pp. 155-156.
110 Fernando Amâncio Ferreira, As regiões autónomas na Constituição portuguesa, 1980, p. 12. 111 Ibid.
tenham soberania externa, possuem soberania em face do seu direito interno e até face ao
direito do Estado federal113, detendo ainda supremacia política, que é originária, uma
vez que tanto o Estado federado como o Estado federal tem poder próprio e cada um cria
um sistema jurídico que é fonte de todos os que nele estão incorporados114.
Assim, num sistema federal existe não só uma pluralidade de poderes, como tam- bém uma pluralidade de ordenamentos jurídicos, que coexistem no âmbito de um mesmo Estado e aos quais os cidadãos estão diretamente vinculados. A existência de ordenamen- tos jurídicos distintos nos sistemas federais tem, muitas vezes, por consequência, a exis- tência de poder jurisdicional próprio, que coexiste com tribunais federais, com responsa- bilidade de administrar a justiça no que ao direito federal diz respeito.
O sistema federal assenta numa ideia de concorrência de poderes, quanto à sobe- rania interna, verificando-se um desdobramento da jurisdição pessoal e territorial entre
o Estado federado e a Federação115. Isto é, os três poderes do Estado existem quer ao
nível federal, quer ao nível estadual, cabendo à constituição federal delimitar as compe- tências reservadas à federação, cabendo à federação o exercício da soberania externa, que consiste, desde Vestfália, na «[…] igualdade soberana dos Estados que não reconhecem qualquer poder superior acima deles (superiorem non recognoscem).»116. Nessa medida,
apenas a Federação possui personalidade jurídica de Direito Internacional, tendo a exclu- sividade de exercer os direitos e os deveres que os Estados soberanos têm em face do direito internacional117.
Da ideia de soberania externa decorre, necessariamente, que matérias intimamente ligadas com essa soberania externa devam ser exercidas pela Federação, pelo que é habi- tual que sejam restringidas a esta os poderes relacionados com política externa, bem como a defesa nacional, os redutos de soberania da Federação, enquanto detentora de soberania externa, ou seja, insuscetível de ser exercido pelos Estados Federados.
113 Jorge Miranda, Teoria… op. cit. p. 125. Na presente secção utilizamos o binómio soberania interna/ex- terna, no sentido de afirmar que se a supremacia política é partilhada entre o Estado federado e a Federação, a supremacia no contexto das relações internacionais cabe apenas à Federação.
114 Ibid. 115 Ibid.
116 José Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 2003, p. 90. 117 Jorge Bacelar Gouveia, Manual de Direito Internacional Público, 2013, p. 485.
Iremos recuperar esta ideia infra, dado que o conceito de soberania surge como importante limitativo no exercício dos poderes das RRAA na gestão do mar. A participa- ção na gestão está dependente, como veremos, da não intrusão no campo soberania que ao Estado central compete. Se aqui é assim, por maioria de razão tal também será no caso das RRAA portuguesas, que não dispõem de soberania interna. Dispondo os Estados fe- derados de soberania interna e estando a relação com a federação sujeita a uma ideia de concorrência de competências, são poucas as situações em que se mostra possível aos Estados federados participarem no processo decisório no âmbito de competências que lhes são alheias.
A Alemanha é um exemplo de integração dos governos dos Estados federados118
no processo decisório federal. Tal ocorre através da participação, no Bundesrat, dos go- vernos dos Estados na legislação e administração da Federação e nos assuntos que di-
gam respeito à União Europeia119, sendo que, em muitos casos é exigido o consentimento
do Bundesrat aos diplomas adotados pelo Bundestag120. Mesmo nas situações que não
seja exigido consentimento do Bundesrat, o mesmo pode efetuar objeções e exigências, cuja ultrapassagem depende de nova votação no Bundestag121.
Nas situações em que estão em causa poderes exclusivos da federação (ou dos Estados federados) existe um princípio de direito constitucional alemão denominado Bun-
destreue, ou princípio da lealdade federal, que se traduz no dever de ter um comporta-
mento amigável na Federação122. O Bundestreue é um princípio constitucional, de ori-
gem jurisprudencial123, que implica a necessidade de a federação e os Estados federais
respeitarem os interesses uns dos outros, no exercício dos seus poderes124. A ideia de
lealdade (treu) que se retira não constitui um mero dever de não interferência nos assuntos
118 A especificidade do sistema alemão que justifica a nossa análise é o facto de os representantes dos Estados no Bundesrat serem representantes nomeados pelos governos estaduais, carecendo de independên- cia, como ocorre na generalidade dos outros sistemas federais.
119 Art.º 50.º da Grundgesetz (GG), disponível em http://www.gesetze-im-internet.de/englisch_gg/en-
glisch_gg.pdf. 120 Art.º 78.º da GG.
121 Art.º 77.º §2, §3 e §4 da GG.
122 Fabian Wittreck, die Bundestreue, in: Ines Härtel (coord.), «Handbuch Föderalismus – Föderalismus als demokratische Rechtsordnung und Rechtskultur in Deutschland, Europa und der Welt - Band I», 2012, p. 498.
123 David P. Currie, The Constitutuion of the Federal Republic of Germany, 1994, p. 78. 124 Ibid, p. 77.
dos restantes Länder ou da Federação (e vice-versa) mas sim, na necessidade de realizar
assistência efetiva quando a ocasião assim o exija.125
Esse princípio pode ser visto como uma vertente reforçada dos princípios consa- grados na CRP da solidariedade nacional e da cooperação, pelo que as implicações que o mesmo tem no exercício de poderes do Estado (Governo Federal, neste caso) podem ser tidas como exemplo na relação entre a RAA e o Governo da República.