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BÖLÜM 2: TEORİK AÇIDAN YOKSULLUK OLGUSU VE TÜRKİYE’DE

2.8. Türkiye’de Gelir Dağılımı Ve Yoksulluğu Etkileyen Faktörlerin Genel Görünümü

2.8.3. Kamu Maliyesine İlişkin Faktörler

2.8.3.3. Vergi Gelirleri

Partindo do princípio de que o trabalho aqui proposto pretende fazer uma investigação a partir da análise das obras literárias e autobiográficas do escritor, torna-se relevante entendê-las dentro de suas especificidades produtivas e como fruto das perspectivas literárias e sociais do Brasil no século XIX.

A utilização das produções literárias como uma fonte potencial para a história da educação surgiu a partir da necessidade de ampliação das fontes tradicionais e oficiais de pesquisas pautadas principalmente sobre o discurso de verdade e legitimidade que os documentos oficiais parecem nos fornecer. Para se trabalhar com literatura e história é preciso “primeiro convencer-se de que a obra literária, como, aliás, qualquer manifestação artística, é uma fonte fidedigna e segura para o estudo de fatos sociais, desde que devidamente abordada e compreendida.” (CARVALHO, 1988).

Embora possamos, a partir da leitura devidamente mediada, depreender determinados fatos da época e determinados contextos da obra literária, não devemos, por outro lado, desconsiderar o grau de subjetividade e de invenção que por vezes transparecem na obra de ficção. Devemos, portanto, considerar o contexto de produção como algo que “necessariamente antecede a obra, que guarda em relação a ela uma anterioridade inevitável, mundo do qual parte e ao qual se destina, mesmo que seus fins sejam intransitivos e seu exercício seja exclusivamente o do símbolo” (CAMILOTTI; NAXARA, 2009). Em outras palavras, as histórias produzidas pelo escritor não são retiradas e

inventadas aleatoriamente e totalmente alheias ao seu tempo, são narrativas e discursos retirados a partir de um contexto pré-existente que acabam influenciando o escritor. Ou seja, a obra final do escritor, pode ser considerada como uma espécie de “coautoria involuntária”, uma obra construída por várias mãos, determinações de maior ou menor grau assinaladas devidamente por Barthes (1998) quando afirma que o texto é “um espaço de dimensões múltiplas onde se casam e se contestam escrituras variadas, das quais nenhuma é original: o texto é um tecido de citações, saídas dos mil focos da cultura”.

A potencialidade dessas fontes é indiscutível na medida em que nos fornece novas possibilidades de análise baseadas na especificidade que caracteriza essas produções e podem nos fornecer diferentes ângulos de percepção da realidade ou do verossímil a partir do ponto de vista de determinado autor. Portanto, para se desenvolver esse trabalho “é preciso ter a sensibilidade para apreender o aspecto da realidade sobre o qual o documento se refere.” (MORAES, 2009). É necessário enfatizar que as análises e conclusões nesse campo não trazem nenhuma resposta indiscutível ou indubitável. Os documentos em si não esclarecem a intenção real ou a realidade, as questões estabelecidas e colocadas preliminarmente para pesquisa é que nos mostram os caminhos a serem percorridos e as possíveis interpretações são colocadas baseadas nos argumentos plausíveis por elas produzidos e provocados, pois a literatura como manifestação cultural é um registro histórico dos anseios e visões de mundo do homem em sua historicidade.

Diante da questão, BRESCIANI (2008) salienta a existência de inúmeras pesquisas com fontes literárias que são desenvolvidas sem “a necessária mediação”, como se houvesse a possibilidade de se alcançar um “retrato da época” ou um “espelho” de uma imagem verdadeira ou representações verídicas das principais questões do século XIX. Pensando-se nas problematizações inerentes ao trabalho com fontes literárias e autobiográficas, o presente trabalho tem como objetivo analisar e depreender os possíveis discursos e posicionamentos de Alencar na área educativa e mais especificamente em relação à instrução dos escravos, a partir da análise e da aproximação entre os discursos parlamentares, sua obra de ficção e os textos autobiográficos produzidos pelo escritor.

José de Alencar expressa claramente, em sua pequena produção autobiográfica intitulada Como e porque sou romancista (1873), algumas influências que ventilaram sua produção literária:

Há na existência dos escritores fatos comuns, do viver cotidiano, que todavia exercem uma influência notável em seu futuro e imprimem em suas obras o cunho individual [...] formam na biografia do escritor a urdidura da tela, que o mundo somente vê pela face do matiz e dos recamos. (p. 125)

A partir das ideias expostas no trecho acima citado, Alencar deixa claro que os fatos, o mundo, o contexto enfim, acabam por influenciar notavelmente o escritor e consequentemente sua produção literária. Entretanto, o que nos é permitido ver são apenas os recamos dessa jornada, ou seja, o que o autor viveu e o que depois ele nos relata são apenas os relevos, uma pequena ponta sobressalente de um grande iceberg. A metáfora utilizada por Alencar para descrever sua biografia é bem esclarecedora. A urdidura, o ato de tecer os fios para se formar um tecido, representa as influências recebidas pelo meio social e cultural, em outras palavras, esses fios que inevitavelmente se ligam a outros e dão formas ao trabalho final do ato de tecer e de criar é que formam a biografia de um escritor.

José de Alencar se utiliza de sua vasta produção bibliográfica com o intuito de divulgar ideias, dessa forma suas obras serão apreendidas dentro das concepções de Moraes (2006) sobre a singularidade da obra literária, pois esta “traz para o campo da história da educação informações sobre os sentimentos, representações, pontos de vista peculiares, específicos, não encontrados em outras fontes históricas” (p. 1042).

O próprio Alencar entendia sua obra literária como uma representação da vida social, pois, como escreveu no jornal O Protesto em 1877, “a literatura sempre foi a mais eloquente fisiologia de um povo, e há de sê-lo também no Brasil”. Seguindo esse objetivo, as duas obras regionalistas retomam o possível retrato dos costumes e das belezas naturais brasileiras que Alencar tentou pintar de norte a sul do país.

Os dois romances apresentam personagens escravas e suas características além de mostrarem as relações entre senhores e cativos, permitem estabelecer uma comparação entre os mesmos na década de 50 (tempo narrativo) e na década de 70 (contexto histórico) no qual Alencar escreve.