YILLAR Tarhiyat Önces
3.3. Vergi Denetiminde Etkinliğin Ölçülmes
O terceiro tema discutido nesta análise é o desenvolvimento do conteúdo e da natureza da sessão, isto é, da sessão de orientação teórica como um todo. Este tema emergiu da relação com as próprias alunas-orientadoras as quais, durante as sessões de mediação online comigo, se mostraram interessadas em discutir e desenvolver o modo pelo qual as sessões estavam sendo apresentadas aos alunos usuários do laboratório na época. Nesta seção, procurei, portanto, apresentar e analisar esta discussão que as alunas-orientadoras trazem sobre o desenvolvimento da sessão de orientação. É preciso ressaltar que os excertos que serão discutidos a seguir abordam muitos outros temas como reflexão ou autonomia. Contudo, por
questões metodológicas e de enfoque, serão discutidas, nesta seção, apenas questões pertinentes ao desenvolvimento da sessão de orientação.
Recordo que, na primeira sessão de mediação online com Maísa, eu estava muito interessada em investigar a natureza desta sessão de orientação, mais especificamente o porquê e para quê esta orientação prévia. Perguntei-lhe, então, sobre o conteúdo que era transmitido ao aluno, mais especificamente, o modo pelo qual o material que era utilizado nas sessões de orientação fora ou estava sendo organizado, a aluna-orientadora Maísa respondeu-me, então, da seguinte forma:
“Antes eu organizava com a Maria Luísa e...agora fica meio solto..a gente fica..é...monta as sessões de orientação, mas não reflete muito sobre o conteúdo, sobre a forma como a gente está
passando...e eu to percebendo que dá para melhorar...assim...é...baseando na última interação.” (SMOMaísa1−41− 19-22)
“(...)a gente não teve tempo ainda de se reunir e pensar o que precisa mudar, e tentar acrescentar mais alguma coisa.” (SMOMaísa1−42−127-128)
Estes excertos 41 e 42 de Maísa me levaram a refletir acerca de como as alunas- orientadoras percebiam a sessão de orientação, não só por meio de seus objetivos e de sua importância, mas a partir do modo pelo qual elas estavam sendo oferecidas aos alunos. A partir destes excertos, comecei a conjecturar que a aluna-orientadora Maísa parece possuir uma autoreflexão, presumindo que quanto à sessão de orientação: (a) é preciso ter mais ideias; (b) o conteúdo das sessões de orientação está solto; (c) é preciso pensar formas alternativas para de se “passar” o conteúdo para o praticante de teletandem; (d) é necessário refletir mais sobre as sessões de orientação que está dando.
Estas supostas reflexões de Maísa quanto ao desenrolar da sessão de orientação conduziram-me a me indagar: Será que a aluna-orientadora Lilian também reflete sobre o assunto? Será que Lilian também pensa que é necessário modificar a forma pela qual as sessões de orientação estão sendo oferecidas? Buscando responder estes questionamentos,
voltei-me aos dados de Lilian e encontrei em sua primeira sessão de mediação online comigo a seguinte declaração:
“(...) Queria, não sei, deixar uma coisa mais dinâmica, assim, né? Que eles, não sei, não sei como, assim, a gente poderia fazer, talvez, tem as idéias do vídeo, de pergunta, sabe? Mas..eu acho muito estranho assim, eu não gosto da sensação de eu ficar falando, falando, e as pessoas
ficarem anotando, prestando atenção.” (SMOLilian1−43−123-127)
Ao considerar as afirmações de Lilian neste excerto, acredito ser possível considerar a possibilidade de uma comunhão entre as reflexões das alunas-orientadoras Lilian e Maísa quanto ao desenvolvimento da sessão de orientação.
Comparando os excertos 41 e 42 de Maísa e 43 de Lilian, acredito que as suas visões quanto às necessidades para o desenvolvimento da sessão de orientação se tangenciam, permeando os seguintes tópicos: (a) é preciso pensar em formas alternativas para que o praticante de teletandem se conscientize dos conteúdos teóricos e procedimentais básicos deste contexto de aprendizagem, para que ele possa aproveitar, ao máximo, seu potencial; (b) é necessário refletir mais sobre as sessões de orientação e (c) é preciso fornecer mais exemplos práticos aos alunos de teletandem por meio de, por exemplo, gravações.
Esta possível harmonia entre as considerações das alunas-orientadoras me conduziram de volta aos dados em busca de mais referências. Quanto ao desenvolvimento da sessão de orientação, encontrei alguns excertos sobre os resultados da reunião dos orientadores30, que os alunos-orientadores decidiram realizar justamente para discutir como desenvolver as sessões de orientação:
“(...)algumas alterações nos slides foram feitas, com base na reunião que fizemos com os outros orientadores e em alguns comentários realizados pelo coordenador do projeto .(...)” (DRMaísa2−44−4-5)
“(...) Na semana seguinte, eu descobri na reunião dos orientadores a origem do problema de
vídeo, descobri que é apenas uma questão de configuração do programa, que não oferece o
recurso de vídeo para o módulo participante.” (DRMaísa1−45−7-9)
“(...) que eu precisava passar as informações do slide, precisava falar, só que...era um pouco
difícil conciliar isso com uma forma mais dinâmica, né? Talvez as sugestões mesmo, que foram dadas nas reuniões, de vídeos, de perguntas assim, sejam interessantes para quebrar essa coisa de só ficar passando os slides e falando, falando e transmitindo informação.”
(SMOLilian1−46−150-153)
Os excertos 44, 45 e 46 conduziram-me a acreditar que nas reuniões das sessões de orientação, os alunos-orientadores colocam suas sugestões, dividem suas opiniões, dúvidas e problemas quanto às sessões. Pelos excertos acredito também que, nestas reuniões específicas sobre as sessões de orientação, os alunos-orientadores buscam principalmente formas de complementar o conteúdo da sessão para torná-la mais dinâmica e menos expositiva.
Tentando compreender exatamente a que as alunas-orientadoras se referiam quando afirmam que gostariam de “acrescentar mais alguma coisa” (SMOMaísa1−42−127-128) para apresentar as sessões de orientação de “uma forma mais dinâmica” (SMOLilian1−46−150- 153), procurei nos dados referências específicas a estas mudanças. E encontrei na biografia de Maísa, uma asserção sucinta sobre este desejo de mudança e melhora no conteúdo e na forma da sessão de orientação pelos alunos-orientadores:
“(...)Foi uma grande dificuldade prepará-la porque eram muitas as informações que
julgávamos importantes e o tempo da sessão era curto, 1 hora mais ou menos para a sessão teórica e 1 hora a sessão prática. No começo a maior dificuldade era deixar a sessão ao mesmo tempo completa e não cansativa. Não queríamos que os alunos ficassem apenas ouvindo o tempo todo, mas pensávamos em apresentar situações problemas para que o aluno, utilizando sua autonomia pudesse refletir em como agiria em determinadas situações na interação com o
parceiro(...).”(BMaísa−47−87-94)
Encontrei também uma declaração da aluna-orientadora Lilian que remeteu a esta asserção da biografia de Maísa:“Eu achei interessante ver que as outras orientadoras acreditam que pode ser mais dinâmico, que a gente pode achar um jeito de melhorar as
sessões.” (SMOLilian1−48−426-430) Modificar a forma expositiva pela qual a sessão de
orientação era oferecida na época parece, então, o maior desafio e desejo das alunas- orientadoras. Analisando os excertos acredito que seja possível conjecturar que, para as alunas-orientadoras, a exposição é cansativa e desinteressante e é justamente o oposto da
dinâmica, que seria a forma melhor e mais interessante para os alunos alcançarem os objetivos da sessão de orientação. Procurando referências que fundamentassem essa hipótese, encontrei nas sessões de mediação online com a alunas-orientadoras, os seguintes segmentos:
“Como decorreu a sessão, porque eu falei o tempo todo, é...eu....tanto eu me canso de falar,
como dá uma idéia de que eles também cansam de ouvir, e quando você fala, dá algum exemplo engraçado assim já anima, eles ficam mais, conversam entre si, então, eu acho que fica mais
dinâmico.” (SMOMaísa1−49− 97-100)
“(...)isso de transmissão de informações(..)eu acho muito estranho assim, eu não gosto da
sensação de eu ficar falando, falando, e as pessoas ficarem anotando, prestando
atenção(...)porque eu não gosto de ficar eu o tempo todo falando” (SMOLilian1−50−123-
124/137)
Ainda buscando compreender ao que exatamente se referia o “acrescentar mais alguma coisa” (SMOMaísa1−42−127-128) e “uma forma mais dinâmica”
(SMOLilian1−46−150-153), busquei excertos específicos sobre estas mudanças almejadas pelas alunas-orientadoras:
“(...)eu tinha pensado assim, em colocar algo mais dinâmico, assim, uma coisa mais diferente, então, eu queria começar perguntando para eles, é...porque que eles faziam teletandem, porque que eles escolheram fazer, quais eram os objetivos deles no teletandem, e em cima disso, jogar o conceito da autonomia também, sabe? Então, isso que eu queria já começar falando com eles, assim, para eles falarem mesmo, e aí, em cima disso, talvez, jogar o conceito da teoria de autonomia e do tandem, assim. E aí, eu tinha pensado também, no vídeo, que eu ia
pegar um trecho meu e passar o vídeo.” (SMOLilian1−51−180-185)
“(...)eu acho que dá para melhorar e deixar a sessão mais dinâmica..é...trazendo mais
exemplos, exemplos práticos, gravações em vídeo.” (SMOMaísa1−52−25-29)
“(...)o primeiro recurso que a gente pensou foram os slides, mas deu para perceber que a gente poderia deixar mais...ah...mais dinâmico se a gente trouxer por exemplo uma gravação de...de vídeo, de uma interação em que tenha um conflito ou alguma dificuldade na explicação de alguma palavra assim para refletir junto como que poderia ser resolvido e assim...seria
isso...uma gravação de vídeo acho que ajudaria.” (SMOMaísa1−53−82-88)
Analisando estes excertos de Lilian e Maísa, acredito que a forma dinâmica a que as alunas-orientadoras se referem está basicamente em transformar a forma pela qual a teoria se relaciona com a prática. Considerando todos os excertos sobre o desenvolvimento da sessão de
orientação (excertos 44 a 53), acredito que a questão principal se encontra em aprimorar o modo pelo qual os exemplos de prática de teletandem são apresentados aos alunos. É possível conjecturar que, para as alunas-orientadoras, vídeos de gravações de interações de teletandem e perguntas que levassem os alunos a refletir sobre sua futura prática seriam as melhores formas de apresentar exemplos “reais” e práticos e relacionar teoria e prática:
“Talvez as sugestões de vídeos e perguntas assim, sejam interessantes para quebrar essa coisa de só ficar passando os slides e falando(...).” (SMOLilian1−46−150-153)
“(...)mais dinâmico se a gente trouxer por exemplo uma gravação de...de vídeo, de uma
interação em que tenha um conflito ou alguma dificuldade na explicação de alguma palavra assim para refletir junto como que poderia ser resolvido(...)” (SMOMaísa1−53−82-88)
Após algumas reuniões sobre as sessões de orientação, todos os alunos-orientadores chegaram a um consenso de que os slides das sessões de orientação deveriam ser complementados. Foi decidido, então, que antes de se apresentarem os conceitos teóricos, deveriam ser feitas algumas perguntas que levassem os alunos a refletir sobre o assunto. Os alunos-orientadores decidiram também que deveriam ser adicionados aos slides das sessões, vídeos de interações de teletandem para exemplificar claramente as partes de uma sessão de interação de teletandem que eles julgavam que poderiam ser mais difíceis para os alunos visualizarem, como por exemplo, o feedback31.
Esta discussão sobre o desenvolvimento da sessão de orientação com slides mais aprimorados e voltados a maior reflexão e compreensão dos alunos usuários do laboratório me levaram a indagar se é possível neste ponto dialogar com outro pesquisador do projeto TTB. Pesquisando outros trabalhos sobre teletandem, encontrei uma asserção de Garcia (2010) que tangencia esta questão das sessões de orientação discutida neste tema:
O mediador poderia, com slides ou, até mesmo, curtos vídeos, destacar os pontos de maior
relevância e (...) oferecer este subsídio antes do início das parcerias. (GARCIA, 2010, p.267, grifos meus)
31
Estes vídeos e estas perguntas podem ser verificadas no arquivo de Power Point com os slides das sessões de orientação que se encontra gravado no CD em anexo.
Estudando mais detalhadamente a pesquisa de Garcia (2010), é possível afirmar que a pesquisadora prevê a importância e o potencial de desenvolvimento das sessões de orientação, principalmente, no seu possível impacto direto sobre o sucesso ou insucesso das interações de teletandem. Considerando a necessidade de mais estudos futuros neste contexto de mediação de teletandem, Garcia (2010) compartilha harmoniosamente as reflexões e hipóteses acerca deste tema, ao afirmar que:
Como um encaminhamento futuro desta investigação consta a constituição de um grupo de orientadores no Laboratório de Teletandem para serem informados acerca dos processos de negociação entre os pares de teletandem para, sob minha supervisão, ministrarem sessões de orientação aos estudantes brasileiros e estrangeiros interessados nas práticas de teletandem. Estas sessões poderão ser dadas, de forma presencial, no referido Laboratório e, de forma virtual, aos professores e estudantes do exterior e têm por objetivo primordial agilizar o início das parcerias de modo a evitar transtornos e insucessos. Neste contexto, prevê-se a produção de material pedagógico, em slides no computador e em vídeo e os resultados desta tese poderão suprir embasamento teórico e prático para a produção de tal material, visto que ela elenca vários aspectos relevantes no que tange às negociações iniciais, processuais e mediação dos pares. Esses slides trarão algumas informações acerca do contexto teletandem e suas vertentes teóricas e questões de ordem tecnológica como os aplicativos de mensagem instantânea, seus recursos e possibilidades visando facilitar os processos de negociação e contribuir com o ensino/ aprendizagem de LEs (GARCIA, 2010, p.275- grifo meu)
A partir das discussões das alunas-orientadoras sobre o desenvolvimento da sessão de orientação, pude observar que há várias referências sobre as necessidades e dificuldades dos alunos. Esta observação me levou ao quarto tema desta análise de dados.