2. TÜRKĠYE’DEKĠ VERGĠ DENETĠMĠNĠN ETKĠNLĠĞĠNĠN BAZI
2.6. VERGĠ CEZALARININ CAYDIRICILIĞI AÇISINDAN
Conforme discutido nas seções anteriores, o termo política é polissêmico e pleno de ambiguidade. Logo, seu estudo requer delimitações. Quanto ao que venha a ser Política Linguística ou Política de Línguas51 (PL), constata-se na literatura especializada da área que
não há um consenso (RICENTO, 1996, 2006; BAULDAUF, 2012) acerca do seu conceito, de forma que possamos, em torno dele, elaborar um quadro conceitual mais abrangente e homogêneo para tratar da complexidade das questões sociais que envolvem o uso das línguas na sociedade.
O campo de estudo denominado Política Linguística ou Política de Línguas é uma atualização do termo Planejamento Linguístico52. Essas denominações são bastante recentes
51 Nesta pesquisa, adoto o termo Política Linguística como sinônimo de Política de línguas. Embora eles se complementem, dou ênfase à Política de línguas, pois este construto diz respeito mais objetivamente, a meu ver, ao objeto aqui sob estudo e que está direcionado à investigação dos textos-discursos que entendo como as manifestações concretas das intervenções e/ou escolhas linguageiras feitas pelos agentes na sociedade, a partir da mobilização dos recursos estruturantes de uma língua natural em conformidade com as representações do mundo físico, social e subjetivo dos interactantes.
52 A noção de Planejamento Linguístico tradicionalmente utilizada na literatura remonta ao período da constituição da PL enquanto campo de pesquisa. Sua expressão iniciou-se com o primeiro modelo conforme a obra Planning for a standard language in Norway, de De Einar Haugen (1959), disposto em quatro fases de observação: seleção, codificação, aplicação e elaboração. Este trabalho serviu de base para que os estudiosos da época que estavam empenhados no desenvolvimento dos projetos das Organizações Internacionais direcionados à renovação das nações africanas, as quais no pós-guerra tornaram-se independentes e, a partir de então, estiveram suscetíveis a uma reconfiguração da identidade nacional. A questão das línguas foi uma constante essencial neste processo, cuja orientação foi o modelo de estado-nação (modelo de estado monolíngue) (TOLLEFSON, 2013), proposto pelos agentes dessas organizações e demais especialistas envolvidos em sua implementação (dentre eles, os linguistas). Para maiores informações sobre os
nos domínios das ciências sociais, e embora sua engenharia – o conjunto de práticas do qual as suas bases emergiram enquanto disciplina – tenha se dado nos anos que seguiram ao final da Segunda Guerra Mundial, foi somente na década de 1960 que ela passou a ter um caráter acadêmico (FISHMAN, 1968). Mas, suas origens filosóficas e práticas no mundo ocidental remontam ao século XVIII na França, quando da necessidade de uma língua única para gerenciar o Exército. Esse mesmo fato ocorreu, igualmente, com a onda de cientificismo do final do século XIX e início do século XX, no momento em que os estudiosos da Linguística de então estavam à procura de ferramentas conceituais para ajudá-los a compreender a legitimidade do nascimento do Estado nacional, que sustentou o mito de “uma nação e uma língua” (TOLLEFSON, 2013, p. 17). Esta tendência ainda é vigente nos documentos oficiais de diversos países, em programas e projetos atuais de PLE (BALDAUF, 2012).
Ao examinar a literatura especializada da área, constatei o grau de dificuldade de pesquisadores ao elaborar uma conceitualização mais precisa de PL. A definição do termo ganha destaque conforme atesta a constelação terminológica que circula nos estudos acadêmicos e nas instâncias educacionais do Estado, como, por exemplo, as denominações utilizadas53 nas múltiplas correntes em desenvolvimento nesse campo de estudo. A
abundância terminológica é decorrente, por um lado, das teorizações que vêm se desenvolvendo desde o início dos primeiros trabalhos inaugurais dessa área. Outra justificativa a este respeito está relacionada às inquietações de estudiosos da Linguística, em específico da Linguística Aplicada e Sociolinguística, que envidaram esforços no sentido de traçar objetivos para as investigações e delimitação de linhas de estudo (BALDAUF, 2012). Tudo isso demonstra que, mesmo com a ausência de consenso entre os pesquisadores quanto à necessidade de um quadro conceitual, teórico e metodológico que possibilitasse a sua evolução no campo das ciências sociais, muitos trabalhos vêm sendo desenvolvidos nesse domínio.
desdobramentos desta linha de pesquisa, sugiro consultar o modelo de Joshua A. Fishman (1968, 1972, 1991, 2001) intitulado Reversing Language Shift (RLS), no qual é proposta a escala denominada Graded Intergenerational Disruption Scale (GIDS), cujo objetivo foi indicar o grau de deslocamento da língua de uma dada comunidade verbal. Indico igualmente, o modelo de Cooper (1989), que propõe o entendimento do planejamento linguístico como sendo “os esforços deliberados para influenciar o comportamento de outrem com respeito à aquisição, à estrutura ou à atribuição funcional de seus códigos de língua” [tradução minha] (COOPER, 1989, p. 45). O modelo de Cooper está dividido em três componentes, quais sejam: o planejamento do corpus, o planejamento do status e o planejamento da aquisição de línguas.
53 Anglófona: language policy, language planning, language policy and planning; Francófona: l’aménagement linguistique, politique des langues, planification linguistique, glotopolitique; Hispanófonas: normalisación linguística; Lusófona: políticas linguistas, políticas de línguas, política e planejamento linguístico, dentre outros.
Ainda sobre os termos citados, é oportuno salientar a constatação da forte recorrência de seus usos como sinônimos em trabalhos de pesquisa realizados no âmbito das PL. Esta variedade terminológica provoca confusões de entendimento que, por vezes, adquire acepções diferenciadas dependendo do contexto ao qual elas se referem e/ou de como elas são usadas. Não obstante, constatei ainda na literatura casos que apresentam a tendência de uma conceitualização que visa a distinguir política linguística e planejamento como processos isolados e outros que concebem esses termos como indissociáveis, isto é, tratar-se-ia de uma forma única de planejamento. Porém, a finalidade que consiste na tomada de decisão dos pesquisadores está relacionada ao objetivo político de suas intervenções (TRUCHOT, 2008) e ao objetivo específico da pesquisa.
Nessa mesma direção, Blanchet e Boulot (2011, p. 20) opinam sobre outra tendência bastante recorrente na literatura: a conceitualização que distingue política e planejamento de gerenciamento (aménagement, em francês; management, em inglês). Para os autores, explicitar a distinção é necessário, pois os fenômenos sociolinguísticos assumem caracteres muito ativos e são decorrentes indiretos de outras esferas sociopolíticas. Assim, a planificação e a ação a serem empreendidas com vistas a colocá-la em prática “podem depender e provir” de outras intervenções que não sejam especificamente linguísticas (BLANCHET; BOULOT, 2011), tais como as políticas econômicas, educacionais, jurídicas etc.
A contribuição desses autores traz à tona implicações que sinalizam a necessidade de rever os conceitos postos na literatura que compreende desde os primórdios até os dias mais recentes, e que ainda sustentam uma definição uniderecionada de PL, como se esta existisse isolada de outras intervenções, isto é, isenta da interferência de outros tipos de políticas. Este fato atesta que uma PL é sempre híbrida, pois não se constitui sem intervenções outras (PORCHER, 1996). Revela, também, o grau de complexidade em defini-la por um único prisma, sem considerar o seu caráter interativo e mutante, porquanto a política é sempre incompleta. Por outro lado, a PL pode ser igualmente concebida como um processo contínuo que, para vir a se definir, depende das interpretações que delas se fazem (BALL, 1994), das práticas (SPOLSKY, 2007) e representações dos atores de um dado contexto social.
Além da problemática que envolve as questões terminológicas, os modelos de pesquisas no terreno das PL estão pautados por diferentes abordagens, conceitualizações e metodologias com o objetivo de estudá-las. Porém, tais abordagens ainda não apresentaram uma base conceitual e um consenso entre os pesquisadores que possibilite a elaboração de um quadro teórico-metodológico capaz de abranger as demais linhas de pesquisa desta área. Diante dessa dificuldade, como já advertiam muito bem Ricento e Homberger (1996, p. 402),
a ausência de um posicionamento coerente acerca dessas questões torna complexo seu estudo, pois não existe “nenhuma perspectiva para uma teoria unificada”54 de Política Linguística e
Planejamento.
Destarte, ao considerar que não há consenso para uma conceitualização clara e objetiva de PL, sigo as linhas de uma nova abordagem dessa atividade social propostas por Spolsky (2004, 2007) e Shohamy (2006, 2007, 2009). Suas contribuições acenam para uma integração dos termos política de línguas e planejamento de forma interconectada, pois um sem o outro traz entendimento menos eficiente para uma PL. Esses autores argumentam ainda que as definições anteriores são desnecessárias, posto que existem situações em que é preciso lidar com resultados suspeitos e duvidosos de uma PL não planejada. Além disso, há muitas situações inesperadas em todas as políticas e planejamentos em nível nacional (SPOLSKY; SHOHAMY, 2000; SHOHAMY, 2006). A seguir, trato mais precisamente de seus aportes.
2.2 Práticas, representações e gestão das línguas na socidade: o aporte de Política