3. Gayr-ı Munsariflik İlletleri
3.2. İki İlletle Gayr-ı Munsarif Olan İsimler
3.2.2. Vasfiyet
Transação envolvendo o crédito tributário é transação que implica em disponibilidade de bens e direitos públicos pela Administração Tributária. Ocorre
52 ARAÚJO, Nadja Aparecida Silva de. A transação do direito tributário: relações sistêmicas
para controle de uma especialidade. 2006. 237f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco. CCJ. Recife, 2006, p. 67-68.
que em tema de Administração Pública vigora o princípio da indisponibilidade de bens, direitos e interesses públicos.
Todavia, a indisponibilidade do interesse público não se confunde com indisponibilidade ou alienabilidade deste ou daquele bem ou crédito público. A rigor, são coisas bastante distintas e não só agora que se relativizam conceitos do Direito Público.
Por ser um termo plurissignificativo e indeterminado, conceituar o interesse público é um trabalho de difícil definição. Apenas a título de contextualização, importante se traçar alguns de seus significados:
a) interesse público significa um conjunto de interesses ou valores amplamente compartilhados que refletem moralidade, eficiência, justiça, tradição ou o bem-estar e sobrevivência do Estado; b) o interesse público é um interesse que, pela indiscutível desejabilidade e pela sabedoria que lhe são atribuídas, recebe prioridade sobre todos os outros interesses. Dentro dessa definição seriam do interesse público a conservação dos recursos naturais, a erradicação de favelas, a construção de escolas etc.; c) o interesse público está associado aos padrões morais que orientam as ações públicas e individuais. Assim, seria do interesse público a busca de altos padrões éticos como liberdade, justiça, direito de propriedade, equidade; d) o interesse público não tem conteúdo definido: é produto da competição, acomodação e compromisso entre grupos diferentes. Reconhece Sorauf que cada tipo de definição tem sérias limitações e conclui que a expressão carece de definição intelectual reconhecidamente válida.54
De outro lado, tomando-se o ponto de vista prático-jurídico, interesse público é aquilo que a lei, segundo a Constituição, assim defina. Neste sentido: “será interesse público a solução que seja adotada pela Constituição ou pelas leis quando editadas em consonância com as diretrizes da Lei Maior”55. Entretanto, não há como negar que, uma vez definido, o interesse público é sempre incontestavelmente indisponível.
No entanto, há que se diferenciar aquilo que se convencionou chamar de interesse público primário e secundário. Sobre o tema preleciona Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 65):
54 DICIONÁRIO de ciências sociais. 2. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 1987, p. 629
apud OLIVEIRA, Vânia Aparecida Rezenda de, e PEREIRA, José Roberto. Interesse público:
significados e conexões. Cadernos Gestão Social, v.4, n.1, p.13-23, jan./jun. 2013.
Uma vez reconhecidos que os interesses públicos correspondem à dimensão pública dos interesses individuais, ou seja, que consistem no plexo dos interesses dos indivíduos enquanto partícipes da sociedade (entificada juridicamente no Estado), nisto incluído o depósito intertemporal destes mesmos interesses, põe-se a nu a circunstância de que não existe coincidência necessária entre interesse público e interesse do Estado e
demais pessoas de Direito Público.56
Diz o referido autor, em síntese, que, quando o Estado subjetiva estes interesses e passa a tê-los como seus em concorrência com todos os demais sujeitos de direitos, estes interesses públicos tornam-se similares aos interesses privados, similares mas não iguais, porque serão sempre públicos e sempre identificados com sua matriz primária, sob pena de corromper-se sua natureza. A estes interesses públicos similares aos privados convencionou-se nominar interesses públicos secundários.
No novo cenário de Estado Democrático Fiscal, não mais se identifica com a preservação do interesse público – nem mesmo com o interesse secundário - a conduta estatal tendente a tributar desmesuradamente os administrados ou a que tente protelar ao máximo a solução de litígios nos quais figure como parte. Ora, tais condutas são condutas distantes deste fim, pois objetivam unicamente a preservação do interesse privado dos governantes de plantão, visando encobrir uma possível situação de “déficit” público, de má administração, de desvio de recursos, ou de mero desequilíbrio fiscal, o que é inadmissível nesta nova conjuntura.
Ademais, não se coaduna mais com o interesse público fazendário o recebimento, a qualquer custo, de qualquer crédito tributário pelo simples fato de ser tributário e sua dispensa ser injusta ou inconstitucional diante do princípio da igualdade e da solidariedade.
Há outros créditos fazendários tão nobres, tão indisponíveis e tão importantes na preservação da igualdade e da solidariedade quanto os tributários, a exemplo das multas eleitorais, as de Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT e as de reparação de danos ao Erário por ato de improbidade, que são constantemente tolhidos por anistias, remissões, renúncias e outras modalidades de perdão.
Pior ocorre quando estes créditos são tolhidos por razões que decorrem da própria inadequação da máquina estatal, a exemplo da decadência e da prescrição, os quais acabam com qualquer possibilidade de recuperação destes créditos, independentemente de sua origem ou valor.
Dessa forma, conclui-se que a insistência em cobrar créditos públicos a qualquer preço pode significar, na realidade, um afrontamento à preservação do interesse público do Estado.
Neste contexto, Anna Carla Duarte Chrispim aponta uma série de fatores em que a cobrança de créditos públicos pode ser antieconômica:
i) pela incerteza jurídica da interpretação do direito subjacente a este crédito; ii) pela incerteza jurídica na interpretação do fato a que se pretende aplicar a norma; iii) pela situação econômica do sujeito passivo; iv) pela situação territorial do sujeito passivo; v) pela situação temporal do crédito; vi) pela falta de instrumentos técnicos e jurídicos hábeis para a indicação de bens que possam sofrer constrição; vii) pela falta de aparelhamento humano e material dos órgãos encarregados da cobrança; e viii) por dois
ou mais destes fatores conjugados.57
Somem-se a isso, todos os outros fatores apontados no início do presente estudo.
Conclui-se, portanto, que tanto a arrecadação do crédito fazendário resultante da incidência tributária quanto a pacificação social, a segurança jurídica e o ganho de tempo que se podem obter pela via da transação, ainda que resulte em um recebimento parcial do crédito, consistem em interesse público. O juízo de valor entre a possibilidade de recebimento parcial do crédito e a pacificação social, mediante a eliminação do conflito interpretativo já foi feito pelo legislador do Código Tributário Nacional, quando admitiu o instituto como forma de extinção do crédito tributário.
Repise-se: o interesse público tutelado pela transação não visa, sobretudo, à recuperação imediata dos créditos fazendários, tributários ou não, e sim a oferecer maior índice de segurança jurídica e pacificação social às relações
57 CHRISPIM, Anna Carla Duarte. Transação tributária no paradigma do Estado Democrático de
Direito socioeconômico cultural: o tênue limite entre a afronta ao dever fundamental de pagar
tributos e a mutação da legalidade estrita rumo a juridicidade consensual dialógica. 2009. 187f. Dissertação (Mestrado). Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pós- Graduação em Direito. Belo Horizonte, 2009, p. 102.
jurídicas tributárias. Desse modo, o Estado passaria a cumprir igualmente seu fim institucional, apesar da redução do crédito a ser recebido.