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Elif-i Memdûde İle Biten Alemler

1. Kur’ân’da Tek İlletle Gayr-ı Munsarif Olan İsimler

1.2. Elif-i Memdûde İle Biten Alemler

Além das temáticas já abordadas, aponta-se como fator legal supostamente impeditivo à implantação e operacionalização da transação como meio de resolução das controvérsias tributárias, o artigo 14, §1º, da Lei de Responsabilidade Fiscal, haja vista o questionamento se o instituto implicaria vez por outras em renúncia fiscal.64

Vale refletir, inicialmente, sobre o que configuraria renúncia fiscal. Segundo os termos da lei, além dos pressupostos de redução discriminada de obrigações tributárias ou tratamento não isonômico na concessão de benefícios desta natureza, temos como hipóteses de renúncia fiscal a anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo.

63 Idem.

64 Confira-se o que dispõe o referido dispositivo legal:

Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: (Vide Medida Provisória nº 2.159, de 2001) (Vide Lei nº 10.276, de 2001)

I - demonstração pelo proponente de que a renúncia foi considerada na estimativa de receita da lei orçamentária, na forma do art. 12, e de que não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo próprio da lei de diretrizes orçamentárias;

II - estar acompanhada de medidas de compensação, no período mencionado no caput, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição.

§ 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de

isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a

tratamento diferenciado.

§ 2o Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou benefício de que trata o caput deste

artigo decorrer da condição contida no inciso II, o benefício só entrará em vigor quando implementadas as medidas referidas no mencionado inciso.

§ 3o O disposto neste artigo não se aplica:

I - às alterações das alíquotas dos impostos previstos nos incisos I, II, IV e V do art. 153 da Constituição, na forma do seu § 1o;

II - ao cancelamento de débito cujo montante seja inferior ao dos respectivos custos de cobrança.

Veja-se que qualquer uma dessas previsões demandará uma análise orçamentária que justifique a relevante renúncia de receita, do contrário, serão vedadas do ponto de vista da responsabilidade e solvabilidade das contas públicas.

Quanto ao ponto, são pertinentes as observações de Hugo de Brito Machado, que analisa a possibilidade da transação ser considerada renúncia de receita, a ser incluída nas limitações do art. 14 da Lei Complementar n. 101/2000:

Atento ao elemento literal, o intérprete há de considerar que o § 1º do art. 14 da aludida lei define a abrangência do conceito de renúncia fiscal, afirmando que esta “compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação da base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado”. A transação é instituto jurídico previsto no próprio Código Tributário Nacional, tem características próprias, entre as quais a bilateralidade, de sorte que não pode ser considerada abrangida pela expressão outros benefícios. Não estando especificamente referida, como não está, nem cabendo na referência genérica a outros benefícios, até porque a rigor não é propriamente um benefício, tem-se de concluir que o elemento literal desautoriza a aplicação do art. 14 da Lei de

Responsabilidade Fiscal às transações.65 (grifo do autor)

Com essa mesma linha de pensamento, Heleno Taveira Torres, por sua vez, afasta a hipótese prescrita pela LRF em relação à matéria de transação, valendo-se dos princípios da verdade material, eficiência administrativa e economicidade, ao referir que: “Em se aplicando a transação no Brasil, não se daria, pois, qualquer espécie de ‘renúncia’ de crédito tributário; ao contrário, serviria para reforçar o princípio da verdade material, como meio para se alcançar, conjuntamente, solução célere e econômica para controvérsia que poderia ocupar lustros em pendências administrativas ou judiciais.”66

Ainda sobre o tema, importante colher reflexão de Fábio Artigas Grillo: Na verdade, confunde-se a transação tributária com a hipótese de renúncia de receita pública prescrita pela lei complementar, situação esta que, conforme fundamentos a seguir, não se sustenta do ponto de vista jurídico.

65 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional. Vol. III, São Paulo:

Atlas, 2005. p. 521.

66 TORRES, Heleno Taveira. Princípios da segurança jurídica e transação em matéria tributária

:os limites da revisão administrativa dos acordos tributários. In: SARAIVA FILHO, Oswaldo

Othon de Pontes; GUIMARÃES, Vasco Branco (Orgs.). Transação e arbitragem no âmbito

tributário: homenagem ao jurista Carlos Mário da Silva Velloso. Belo Horizonte: Fórum, 2008, p.

O primeiro fundamento é de ordem interpretativa; vale dizer, a partir de uma interpretação sistemática restritiva, e aplicável à transação, na forma de interpretação exigida pelo regime jurídico administrativo, não se aplica a vedação do artigo 14, §1º, da LRF. Suficiente a leitura de referido dispositivo normativo para que o intérprete perceba que, dentre as hipóteses nele listadas, não se encontra aquela atinente à transação tributária. É certo que lá se encontram alguns dos mecanismos conformadores da transação tributária, mas que, não se pode negar, também são modalidades específicas de extinção do crédito tributário listadas pelo artigo 156 do CTN. Portanto, sob esse aspecto, meramente no contexto interpretativo da norma, que deve ser restritiva e não extensiva, ausente a concretização da hipótese legal da renúncia de receita. [...] Existe um segundo aspecto insuperável quanto à inaplicabilidade desse dispositivo como impeditivo aos procedimentos de transação em matéria tributária. O sentido de renúncia de receita pública entabulado na previsão legal em comento, não guarda correspondência no sistema com o próprio conceito e natureza jurídica do instituto da transação. Efetivamente, como decorrência direta da natureza jurídica bilateral da transação, tem-se como requisito essencial à sua validade jurídica a existência de concessões recíprocas, concretizadas pela declaração de vontade das partes relacionadas, na forma delimitada e condicionada pela lei. Se uma das partes renunciar em favor da outra, sem

reciprocidade, não se qualifica o instituto da transação.67

Assim leciona Ricardo Lobo Torres, atestando que: “Renúncia ao litígio fiscal sem a correspectiva concessão é mera desistência, e, não, transação”.68

Conforme o acima exposto e as lições extraídas do Direito Privado, temos que o negócio jurídico transacional não configura renúncia, haja vista o sacrifício recíproco, de modo que não lhe é aplicado as vedações do art. 14, § 1º da LRF.