3.11 Pedagojik Danışma Kurulu’nun Etkileri
3.11.2 Ulusal Düzeydeki Etkileri
A coleta de dados nesta pesquisa deu-se por meio de entrevistas abertas ou não diretivas (BOGDAN; BIKLEN, 2010; THIOLLENT, 1982). Segundo Bogdan e Biklen (2010, p. 17), “o caráter flexível deste tipo de abordagem permite aos sujeitos responderem de acordo com a sua perspectiva pessoal, em vez de terem de se moldar a questões previamente elaboradas”.
Em educação, o contínuo questionamento dos sujeitos de investigação tem como objetivo perceber “aquilo que eles experimentam, o modo como eles interpretam as suas experiências e o modo como eles próprios estruturam o mundo social em que vivem” (PSATHAS apud BOGDAN; BIKLEN, 2010, p. 51, grifos do autor).
Lüdke e André (1986) mencionam a importância do caráter de interação que permeia a entrevista, apontando que
na entrevista a relação que se cria é de interação, havendo uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde. Especialmente nas entrevistas não totalmente estruturadas, onde não há a imposição de uma ordem rígida de questões, o entrevistado discorre sobre o tema proposto com base nas informações que ele detém e que no fundo são a verdadeira razão da entrevista. Na medida em que houver um clima de estímulo e de aceitação mútua, as informações fluirão de maneira notável e autêntica. (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 33-34).
Olhando sob a perspectiva da abordagem histórico-cultural, a entrevista se constitui como uma relação entre sujeitos, onde a pesquisa é construída com os sujeitos a partir de suas experiências sociais e culturais. Freitas (2003b, p. 36) aponta que “pesquisador e pesquisado passam a ser parceiros de uma experiência dialógica conseguindo se transportarem da linguagem interna de sua percepção para a sua expressividade externa, entrelaçando-se por inteiro num processo de mútua compreensão”.
Este foi o norte para a realização de nossas entrevistas, permitindo que a construção do conhecimento e das inter-relações se estabeleça em um diálogo constante na busca por construir sentidos para os processos que envolviam as questões de investigação.
Apesar da grande flexibilidade permitida pelas entrevistas do tipo aberto ou não diretivo, propusemos um protocolo para guiar a condução da mesma. Este protocolo teve como objetivo apontar alguns tópicos importantes a serem identificados na interação com os sujeitos da pesquisa, permitindo que pudéssemos melhor conduzir a entrevista e, por fim, guiar-nos a responder às questões da investigação. Porém, evidenciamos que não há, de forma alguma, a necessidade da condução de um ordenamento dos temas e itens sugeridos no decorrer da entrevista, como já mencionado nos apontamentos de Lüdke e André (1986). O
protocolo para a entrevista também foi elaborado em diálogo com o grupo de pesquisadores envolvido com a pesquisa BUKETS e segue como apêndice (APENDICÊ A) deste trabalho.
Antes de iniciar as entrevistas com os sujeitos selecionados, realizamos uma entrevista piloto, que nos permitiu compreender a dinâmica para uso do protocolo e nos auxiliou a estabelecer uma postura frente à entrevista. Idealizamos, assim, um caminho que pudesse no primeiro momento, explicitar a essência do que estávamos buscando na pesquisa, especialmente partindo de como eles identificavam as experiências que os mobilizavam para o encontro com as ciências da natureza, com a temática ambiental e com os ideais políticos; e, num segundo momento, solicitando que eles próprios buscassem estabelecer relações entre suas trajetórias e suas experiências enquanto docentes. Por este motivo, procuramos durante o processo da entrevista dedicar um tempo inicial que pudesse inserir os sujeitos na pesquisa e criar uma atmosfera de cumplicidade e compromisso com o trabalho. Também por conhecermos ou termos alguma relação de proximidade com os sujeitos escolhidos este momento anterior foi usado para nos atualizarmos sobre as ações e práticas atuais tanto da pesquisadora, quanto das entrevistadas.
As entrevistas foram realizadas em contextos diferentes com os sujeitos e foram gravadas apenas em áudio. A seguir buscamos descrever estes momentos na ordem em que as entrevistas foram realizadas.
A primeira entrevista foi realizada, em 24 de novembro de 2012, com a Professora A em uma sala reservada da universidade, na qual ela participa do grupo de pós-graduação. Por ter sido em um sábado, o local estava muito tranquilo e tivemos bastante privacidade, tendo oportunidade de conversar sem interrupções. Foram gravadas, aproximadamente, duas horas de entrevista.
Realizamos a segunda entrevista com a Professora B, no dia 07 de dezembro de 2012, sexta-feira, em seu local de trabalho, uma universidade localizada no território delimitado pela pesquisa. O local escolhido pela própria professora foi o laboratório de pesquisa onde ela realiza as atividades com os alunos. Estavam presentes duas pesquisadoras bolsistas no momento da entrevista, uma delas não se envolveu no diálogo e a outra ficou conosco, observando. Apesar de a entrevista ter sido realizada no final do semestre letivo, sem a presença dos alunos na universidade, tivemos algumas interrupções que necessitaram da atenção da entrevistada, mas que podemos indicar que não afetaram o diálogo e a Professora B foi bastante cuidadosa em manter o foco de sua narrativa. Gravamos um pouco mais de duas horas de entrevista, contando as pequenas interrupções, que não excederam 15 minutos.
A terceira entrevista foi realizada após o exame de qualificação, em 05 de junho de 2013, com a Professora C. O local da entrevista foi a Diretoria de Ensino de São Bernardo do Campo, onde a professora atua profissionalmente e por este motivo tivemos uma conversa bastante objetiva. Utilizamos uma sala reservada, na qual pudemos conversar tranquilamente, com apenas uma interrupção, para que a professora pudesse passar uma informação a outra funcionária do local. Gravamos cerca de uma hora e vinte minutos de entrevista.
A quarta e última entrevista foi realizada com a Professora D, também após o exame de qualificação, em 24 de setembro de 2013. O local da entrevista foi a Escola Estadual Professor Giulio David Leoni, onde a professora atua como vice-diretora. Foi escolhido pela Professora D o horário da noite para a entrevista, por ser mais tranquilo, e realmente tivemos bastante privacidade e tranquilidade para a conversa, sem interrupções. Utilizamos a sala da diretoria para a entrevista, gravando cerca de uma hora e meia de diálogo.