3.6. I I Pratik Eğitim Kongresi
3.6.3 III Pratik Eğitim Kongresi
A Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, onde se insere quase que inteiramente a Região Metropolitana de São Paulo, foi instituída a partir da Política Estadual de Recursos Hídricos (Lei n.º 7.663/91)16, que passou a adotar a bacia hidrográfica como unidade de planejamento e gestão das águas. A gestão destes territórios foi complementada mediante a criação do Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e, também, devido à sua complexidade, a formação dos Subcomitês de Bacia Hidrográfica, que abrangem cinco sub-regiões, conforme Figura 3, onde se encontram importantes municípios e mananciais de abastecimento público, são estas:
• Sub-região Juquery-Cantareira: Cajamar, Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato, Mairiporã e São Paulo.
• Sub-região Tietê-Cabeceiras: Guarulhos, Arujá, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Suzano, Biritiba Mirim, Salesópolis e São Paulo. • Sub-região Cotia-Guarapiranga: Cotia, Embu, Taboão da Serra, Itapecerica da
Serra, Embu-Guaçu, São Paulo, São Lourenço da Serra e Juquitiba.
• Sub-região Billings-Tamanduateí: Santo André, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e São Paulo. • Sub-região Pinheiros-Pirapora: Pirapora do Bom Jesus, Santana do Parnaíba,
Barueri, Itapevi, Jandira, Carapicuíba, Osasco e São Paulo.
16 Alguns anos depois, em 1997, foi instituída a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei n.º 9.433), que
Figu ra 3 – Ma p a d a Re gi ão M et ro p oli ta n a d e São Pau lo e Su b -re gi õe s H id ro grá fi ca s da B aci a do A lt o T ie tê Fo nt e: Sã o Pa ul o, 2 01 3.
É importante apontar que a institucionalização destes espaços de gestão das águas (comitês e subcomitês) teve um papel fundamental na construção de uma política pública descentralizada dos recursos hídricos, que até então era de responsabilidade total do Estado. Este novo quadro permitiu o envolvimento e a participação da sociedade civil organizada, juntamente com o estado e os municípios, para a discussão dos problemas da região e sua orientação para a construção coletiva e integrada de soluções para os problemas de cada território específico.
As experiências desta pesquisadora na articulação e no desenvolvimento de ações de educação ambiental, especialmente, na área da Sub-região Hidrográfica Billings-Tamanduateí foram consideradas como fator importante no processo de delimitação desta área para a realização da pesquisa.
3.2.1 Sub-região Hidrográfica Billings-Tamanduateí
Os municípios que compõem a Sub-região Hidrográfica Billings-Tamanduateí são: Santo André, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e São Paulo.
Historicamente, as primeiras ocupações da região, que incluem alguns municípios importantes do ABC paulista, foram marcadas pela presença das populações indígenas e portuguesas, em meados do século XVI. A partir do século XX, com o crescimento econômico acelerado da Região Metropolitana de São Paulo, o ABC ficou conhecido pela forte presença das indústrias automobilísticas brasileiras. Fato que acabou marcando o nascimento do movimento sindical brasileiro, tendo como resultado, no final da década de 1970, a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no início dos anos 1980.
O desenvolvimento econômico também acarretou em um intenso e acelerado crescimento populacional na região, criando demandas não apenas para a produção de energia destinada ao complexo industrial, mas também para o aumento do potencial de abastecimento de água.
Algumas medidas e decisões fizeram com que o Reservatório Guarapiranga, que até o ano de 1912 era utilizado apenas para a contenção de enchentes e reserva de água para alimentação das usinas hidroelétricas, se tornasse, no ano de 1928, uma das principais fontes de abastecimento público da Região Metropolitana de São Paulo. Em meados da década de 1920, uma forte estiagem provocou a redução, em cerca de 30%, do fornecimento de energia
elétrica e outros projetos passaram a ser desencadeados no sistema hídrico paulista. É nesta época que se dá início à construção do Reservatório Billings, planejado para integrar um audacioso projeto de produção de energia desenvolvido pela então empresa canadense The São Paulo Railway, Light and Power Company Limited. A proposta consistia na reversão das águas do Rio Tietê, por meio da inversão do curso do Rio Pinheiros para alimentar o Reservatório Billings e transpor suas águas para a movimentação das turbinas das Usinas de Henry Borden (uma delas subterrânea), localizadas em Cubatão. Desenhado pelo engenheiro Asa Withe Kenney Billings, o projeto tinha como principal estratégia o aproveitamento do desnível de mais de 700 metros da Serra do Mar para a produção de uma capacidade energética com potencial de 880 MW.
No entanto, com a consolidação do parque industrial no ABC paulista, as águas do Reservatório Billings passam, em 1958, a ser, também, utilizadas para o abastecimento público. Mas, na década de 1980, a crescente poluição dos Rios Tietê e Pinheiros acarretam na criação da Barragem Anchieta, ou também conhecida como Barragem do Rio Grande, com o objetivo de separar os braços do Reservatório Billings e garantir a qualidade da água que era encaminhada à população.
A preocupação com a qualidade da água, neste período, é intensificada com a criação, em 1983, do Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA); e, no início da década de 1990, o sistema passa a sofrer restrições rigorosas para a transposição das águas, que somente poderiam ocorrer em caso de ameaças de enchente e transbordamento dos referidos rios, em épocas de chuvas intensas. Deste fato decorrem inúmeros conflitos políticos, presentes até os dias atuais, e que envolvem, além da população e municípios atendidos pelo abastecimento da Billings, o poder público e a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE)17, que tem hoje a responsabilidade pelo gerenciamento do Reservatório Billings e pela produção de energia elétrica nas usinas de Henry Borden e outras usinas que compõem o sistema.
Uma das características marcantes destas áreas é o conflito latente entre a ocupação e o uso do solo da região e a preservação ambiental para garantir os usos múltiplos da água e o abastecimento público da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).
Assim como nas demais áreas do território da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, a ocupação e o uso do solo foram realizados de maneira desordenada, culminando em um processo que, até atualmente, enfrenta diversos problemas ambientais e sociais. Ponto
17 Várias mudanças ocorrem neste sistema, entre as quais a aquisição da Light pelo Governo de São Paulo em
1956, criando a Eletropaulo e, em 1996, houve uma reestruturação do Setor Energético Paulista a partir do Programa Estadual de Desestatização, cabendo à EMAE exercer as operações de geração de energia elétrica.
marcante deste desenvolvimento desenfreado, aliado a certo abandono pelas políticas públicas ambientais e sociais, é o surgimento de assentamentos urbanos nas áreas de proteção de mananciais, que acabaram por suprimir a vegetação local e por dar origem a outros problemas como a falta de saneamento básico, agravando o processo de poluição dos corpos d’água e dos reservatórios existentes.
Embora as legislações em vigor desde a década de 1970 (Leis Estaduais n.º 898/75 e n.º 1.172/76), já delimitassem os mananciais da RMSP e estabelecessem orientações e critérios para o uso e a ocupação do solo destas com a finalidade de controlar o adensamento populacional e a poluição das águas, a falta de políticas integradas entre os municípios e a fiscalização precária, somadas a um movimento de especulação imobiliária, e de desigualdade social e econômica, resultaram na ocupação urbana que hoje atinge uma população de mais de um milhão de habitantes em situações de risco social e ambiental.
Devido a estes graves problemas e, ainda, tendo em vista a necessidade de se atender à demanda de produção de água para a região, algumas políticas voltadas à proteção e recuperação dos recursos hídricos foram implementadas pelo Governo do Estado de São Paulo, a partir de 1990, entre elas a Política Estadual de Recursos Hídricos (Lei n.º 7.663/91), já mencionada, e a nova Política de Proteção aos Mananciais (Lei n.º 9.866 de 1997).
Um aspecto relevante destas novas leis, além da instituição dos comitês de bacia hidrográfica (também já apontado neste trabalho), foi permitir a criação de Leis Específicas para os Mananciais de interesse regional. Assim, foram criadas duas Áreas de Proteção e Recuperação de Mananciais na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, quais sejam, a Área de Proteção e Recuperação de Mananciais do Reservatório Guarapiranga (APRM-G), instituída pela Lei n.º 12.233, de 2006, e a Área de Proteção e Recuperação de Mananciais da Bacia Hidrográfica do Reservatório Billings (APRM-B), criada pela Lei n.º 13.579, de 2009. Esta última inserida na área delimitada para esta pesquisa, a Sub-região Hidrográfica Billings- Tamanduateí.
A criação da APRM-B criou uma nova demanda para o Estado, vinculada à articulação com os poderes municipais locais para compatibilização do zoneamento de todo o território, com a finalidade de retomar as restrições sobre a ocupação urbana e buscar orientar algumas possíveis soluções para o controle e contenção da poluição das águas.
Embora ainda seja recente a criação destas áreas e o processo esteja em pleno desenvolvimento, com suas fragilidades e conflitos presentes, é evidente notar que a descentralização da gestão das águas permitiu e criou a possibilidade de um maior
envolvimento da comunidade nas discussões sobre estes territórios e, especialmente, sobre os principais problemas que emergem em seu contexto local.
Neste sentido, entendemos que a delimitação da área para a investigação aqui apresentada pode contribuir imensamente com as questões que envolvem a pesquisa e o seu desenvolvimento, especialmente ao que tangem as questões e conflitos socioambientais presentes na região e a intensificação da participação pública nas propostas de solução para transformação desta realidade. Sem esquecer ou reconhecer, porém, as fragilidades que ainda estão presentes neste cenário.