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BÖLÜM 1: AĠLE ġĠRKETLERĠ KAVRAMI

1.3. Aile ġirketlerinin Güçlü ve Zayıf Yönleri

1.3.2.3. Tutuculuk

A prática do aleitamento materno exige a presença constante da família ainda durante a internação do prematuro, o que é reforçado pela demonstração de que, no processo assistencial, a participação dos pais nos cuidados ao bebê prematuro trazem resultados bastante positivos na adaptação da família com o bebê de alto risco, durante e após a alta hospitalar.

Já no início do século XX, o pai da Neonatologia, Pierre Budin, descrevia, em seu livro The Nursling, algumas observações feitas junto às mães que tiveram bebês cuidados nos primeiros centros de prematuros, aludindo para o fato de que certo número de mães abandonava as crianças cujas necessidades elas não tiveram que atender, perdendo o interesse pelas crianças. Budin incentivava as mães a amamentarem e a participarem do cuidado dos seus filhos nos berçários que chefiava (KLAUS; KENNELL, 1995).

Reforçamos então, a importância do envolvimento da família no preparo da alta e na tomada de decisão, processo este que deve ocorrer durante todo o período de internação do bebê. Neste sentido, torna-se relevante as atividades de Educação em Saúde, instrumentalizando os pais para se inserir no processo assistencial e desenvolver habilidades para a amamentação.

A Educação em Saúde (ou educação e saúde) é um conjunto de técnicas, métodos, conhecimento teórico e prática político/social, que fundamentam e orientam o pensar em saúde, ao nível do seu processo educativo. Esta guarda em seu interior duas concepções e práticas de educação. A primeira prioriza o elemento educativo em uma abordagem ahistórica e apolítica. Nessa concepção os problemas de saúde, em sua grande maioria, ocorrem apenas pela “ignorância”, “desinformação”, “atraso cultural”, “tabus e crendices” da população e, portanto, se resolveriam pela Educação em Saúde. Esse projeto de educação para a saúde não pretende mudanças maiores na estrutura social vigente; propõe-se apenas a acomodação das

classes subalternas para continuação e manutenção do sistema social estabelecido (MEDEIROS, 1995).

Nesta concepção, as questões da higiene e dos cuidados básicos de saúde são de responsabilidade exclusiva do indivíduo e de sua família, aceitando-se que por meio da educação deles poder-se-ia mudar comportamentos de risco e obter saúde, concepção que descontextualiza os determinantes sociais do processo saúde-doença. Portanto, sendo as pessoas submetidas à informação sobre esses cuidados, elas mudam de conduta: elas se educam.

A segunda concepção de Educação em Saúde, segundo Medeiros (1995), considera que as categorias saúde e educação são duas categorias sociais, portanto, historicamente determinadas e socialmente construídas. Neste projeto educativo, não há proposta de educação para a saúde, mas de articulação entre as categorias sociais educação e saúde na leitura da sociedade na qual estão inseridas. Nesta concepção, a solução para a problemática da saúde é social e econômica e necessariamente vai questionar, propor e encampar lutas para a transformação das estruturas sociais e do modelo econômico que produz as desigualdades sociais e determina formas de adoecer, mapeando com seus emblemas o tecido social.

Neste sentido, Medeiros (1995) coloca que a ação transformadora ou reprodutora da educação (incluindo aqui a da educação em saúde) perpassa as várias instituições da sociedade (escola, família, religião, meios de comunicação social, entre outras). As instituições de saúde e os seus profissionais também estão lidando diretamente com essas possibilidades políticas, na sua forma de intervir no social.

Torres e Enders (1999) apontam para a necessidade de se estimular a prática da Educação em Saúde comprometida com a transformação social dos indivíduos envolvidos no processo educativo, de forma coerente, contínua e sensibilizada com o desenvolvimento social e político da população.

Desde a década de 90, um novo enfoque vem sendo proposto pela área da Educação em Saúde, em uma linha de planejamento participativo, a Educação para a Participação em Saúde (BRASIL, 1990a; 1990b).

A proposta de Educação para a Participação em Saúde objetiva suscitar o envolvimento da população em geral nos programas de saúde; promover transformações conceituais na compreensão da saúde, relacionando-a com a qualidade e o compromisso com a vida e não, simplesmente, a ausência de enfermidades; e gerar atitudes e procedimentos novos frente aos problemas da doença, de modo que a saúde seja encarada como responsabilidade de todos e não somente atribuição governamental. Essa abordagem concebe

o homem como sujeito principal, responsável por sua realidade; suas necessidades de saúde são solucionadas a partir de uma ação consciente e participante (BRASIL, 1992).

Assim, em uma perspectiva participativa, a Educação em Saúde, deve se comprometer a assistir uma clientela de crescente complexidade, como a dos prematuros e suas famílias, que temos particular interesse, e cuja demanda aos serviços de saúde e necessidades de cuidados caracterizam em problemas de saúde pública, no Brasil e em diversos países.

Procurando-se desenvolver habilidades e a aquisição de conhecimentos específicos para esse cuidado, a enfermagem tem papel fundamental. Ao permanecer maior tempo em contato com o bebê e sua família depara-se frequentemente com a problemática de capacitá- los para assumir os cuidados do filho prematuro, tornando-se necessário a organização de novas estratégias de intervenção (SCOCHI, 2000).

Neste sentido, destacamos o trabalho de Brazy et al. (2001) que buscaram identificar o processo pelo qual os pais de prematuros buscam informações, os tipos de informações que procuram e os recursos que usam para satisfazer as suas necessidades de apoio educativo. Por meio de entrevista, os pais apontaram que passam de dez a vinte horas por semana coletando informações, principalmente relacionadas à saúde do bebê, cuidados e enfrentamento, durante o primeiro mês de internação do bebê. A principal fonte de apoio antes do nascimento e imediatamente após a alta é a família, porém, após este período, a enfermeira passa a ser a principal fonte de apoio e ajuda para os pais na compreensão e adaptação ao seu bebê. Os pais apontaram o desejo de um recurso, pelo computador, para obter estas informações.

Diante desta possibilidade de utilização do computador para fornecer informações e apoio aos pais de recém-nascido pré-termo, os pesquisadores apresentam o desenvolvimento do Baby Care Link. Esta é uma ferramenta de telemedicina, multifacetada, a fim de fornecer informação individualizada e apoio às famílias de baixa renda, com bebês de muito baixo peso. Prevê um reforço do apoio emocional, informações mais abrangentes sobre serviços disponíveis para as famílias, apoio educacional e médico às famílias com recém-nascidos de risco, tanto durante a internação quanto após a alta. A ferramenta utiliza páginas Web individualizadas (com acesso individual a cada membro da família), contendo banco de dados com informações específicas sobre o paciente, com vídeos, áudios e videoconferência, além de uma interface com um hospital, que permite às famílias acesso a atualizações diárias de dados clínicos do bebê durante sua internação. As famílias inscritas no programa recebem um computador com o mínimo de recursos exigidos para a ferramenta de telemedicina (BRAZY et al., 2001).

Na unidade de terapia intensiva neonatal, 75 enfermeiros, assistentes sociais e médicos foram treinados para acessar e utilizar as estações de trabalho disponíveis no CareLink, citado acima. Além disso, a equipe de enfermagem foi treinada para configurar e operar a câmera à beira do leito do recém-nascido. Cada família inscrita no grupo de intervenção requer treinamento também. Geralmente, para cada pai ou casal é fornecido uma sessão de treinamento de duas horas que demonstra o uso do computador, o acesso ao site CareLink e a utilização da videoconferência em casa.

Assim, a utilização do computador pode auxiliar nos processos educativos, podendo ser utilizada como uma estratégia valiosa para promover a educação em saúde.