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391.1.5.4.1 Turizm Arzının Tanımı

1.1.5.4.2. Turizm Arzının Özellikler

O documento do PTDRSAJ serviu para a institucionalidade do território rural e do posterior Cidadania do Alto Jequitinhonha, como se observou no trabalho de campo, sempre referendado, e por vezes lembrado, como algo dinâmico que precisa ser revisto, pois já se vai uma década de sua realização.

É um documento criado em parcerias territoriais, pois não se notou a contratação de um grupo alheio à realidade territorial com propostas desvinculadas da prática. A elaboração do documento ficou sob o controle do então poder do território, o CIAT, e posteriormente do colegiado territorial.

Esse documento objetiva a intensificação das atividades já desenvolvidas, associadas aos agricultores familiares que de alguma forma se acham sitiados,

impossibilitando o avanço no sentido político, bem como as necessidades sociais, quer seja por fatores locais/regionais ou mesmo associadas a outras escalas de articulação do sistema mundo. Desse modo, o documento é uma provocação a uma solvência de pendências territoriais no campo da agricultura familiar que podem resultar em um avanço nas relações sociais e, consequentemente, com forte repercussão na inclusão social.

O documento é o princípio do território que já mostra as ações e conjugações dos atores para compor o que seria a evolução do Território da Cidadania do Alto Jequitinhonha. Não foi algo apenas arquitetado com boas e reais práticas, mas sim criado e instituído a partir de uma realidade de necessidades sociais, um instrumento criado a partir do território para atuação neste, que pode ser de uso nessa política ou em outras devido a sua abrangência.

A sua existência como um documento feito na busca de características de incorporação por si só já mostra como uma novidade e reforça o avanço na identidade- lugar, mas longe de significar uma prática ou uma institucionalização capaz de fazer territorialização ou mesmo institucionalização capaz de trazer mudanças socioespaciais, como um desenvolvimento territorial.

Essa avaliação, feita por meio da observação e das práticas dos atores territoriais, pode ser reforçada por uma avaliação externa do PTDRSAJ, o relatório qualitativo da gestão do plano territorial de desenvolvimento rural sustentável do Território do Alto Jequitinhonha (FAVARETO, 2008), e que ainda aponta questões importantes de acompanhamento e execuções:

De uma maneira geral, podemos avaliar que houve um esforço do Colegiado Territorial em seguir as orientações constantes no PTDRS para a elaboração dos projetos e captação de recursos, porém, há sérios problemas de gestão dos equipamentos já existentes, comprometendo o monitoramento e avaliação das ações contidas no plano (FAVARETO, 2008, p. 31).

A avaliação sobre o fortalecimento da gestão social no Território Alto Jequitinhonha é bastante positiva, embora tenham observado que ainda há muito que abranger não apenas na captação de recursos, mas também em uma consciência territorial. A ideia geral que permeou a discussão é a de que quando há maior participação social, há também um grande avanço nas áreas de produção, pois as pessoas passam a ter noção da importância que elas têm no cenário do desenvolvimento

territorial, que segue de certa forma as orientações dadas pela politcy-making, da qual originou o projeto do MDA.

Pode-se perceber que o Plano Territorial não apenas serviu como princípio, mas acompanhou a instalação do projeto, um avanço nas relações sociais; trouxe mudanças para o território e articulou territorialmente questões como: integração entre instituições, fortalecimento de entidades, participação social, aprimoramento do conhecimento, criação de organismos, incorporação de novos parceiros e atores, acesso a financiamento, construção de unidades produtoras coletivas, debates sobre diversos problemas sociais e a disponibilidade de equipamentos. Assim, ele auxilia as possíveis mudanças com a perspectiva de inserção em uma rede territorial de ações que podem provocar a repercussão no todo, no espaço.

É um território em construção, onde ainda existem muitos desafios, como revela a sentença final do documento, e muita esperança de uma vida melhor para todos os agricultores do Vale Jequitinhonha.

Temos ainda muitos obstáculos a serem superados para atingir os objetivos propostos: aprimorar a gestão dos projetos coletivos; manter a articulação entre as instituições/ atores sociais que compõem o território; melhorar a comunicação e o sistema de informações no território, contribuindo para socialização dos problemas e a construção de soluções para os mesmos; avançar em propostas e executar ações que visam regularizar a situação fundiária de muitos agricultores familiares para que possam ter acesso a políticas públicas de incentivos ao desenvolvimento sustentável; buscar fomentos para aplicação em novos eixos aglutinadores; perseguir melhores índices de desenvolvimento humano, dentre outros (PTDRSAJ, 2006, p. 290).

Pela visão das lideranças do território sendo esta do movimento social ou do governo sobre o PTDRSAJ, os debates são orientados para formulação de estratégias e linhas de ação de políticas públicas locais desenvolvidas pelo território. Também, um modelo além do tradicional do agricultor familiar subordinado aos fatores naturais e, por isso, credor de assistência social ou de apoio à inovação, centrado exclusivamente em temas tecnológicos e produtivos. Mas o projeto inclui outros âmbitos relevantes da vida social, como espaços de criação de governança e empoderamento social.

Após a análise desse plano, associada à perspectiva apontada pelos atores, concluiu-se que o Plano Territorial trouxe muitas questões levantadas pela agricultura familiar e é uma elaboração a partir da base, assim endógeno, alicerçado em ações que não são de uma ontologia econômica, clientelista e paternalista. Ele visa até a forma de

viver no Vale, com fortes tradições e organizações sociais, a busca por um por uma ontologia comunitária. Como afirmam a liderança do território (movimento social):

Nosso plano territorial de desenvolvimento rural sustentável foi um processo construído também com empoderamento social com grande envolvimento das pessoas, e ele foi construído em conjunto. Ali aconteceu também um empoderamento social muito bacana, sabe, o envolvimento das pessoas, o envolvimento das instituições, dos conselhos municipais, das instituições de governo, tanto federais quanto governo estadual (entrevistado).

Assim, incorporar a memória de um espaço, ou suas próprias necessidades, bem como as origens destas, é um instrumento de transformação ao ser elaborado partir de envolvimento de bases sociais de atores locais. Desta forma, um dos atributos positivos na construção de uma nova cidadania é a constatação de um forma de viver e projetos para futuro de relacionar de uma comunidade local – uma utopia no sentido da construção de algo novo e possível.

Constitui-se, portanto, em um princípio amplo ao analisar elementos sociais, culturais e ambientais; uma tecnologia social, um caminho de novidades, de combate ao medo da utopia e uma afirmação do direito ao desenvolvimento na política pública do Território da Cidadania, lembrando que a cidadania não se restringe à política pública. Então, uma institucionalidade concebível para mudanças nas relações sociais com repercussões nas lógicas e também territoriais e espaciais caracteriza uma inovação socioespacial e nova conjuntura a ser analisada.

Porém, já aponta uma estratégia de contorno frente a uma exigência do governo Federal, com poderes locais em disputa do movimento social e das prefeituras e ainda órgãos do governo do estado de Minas Gerais para estabelecer áreas prováveis para a inovação socioespacial.

5 DIMENSÃO POLÍTICA DO DESENVOLVIMENTO

TERRITORIAL

O território é uma constituição espacial envolvida em relações de poder, pois elas moldam e são moldadas por políticas, opções e decisões dos atores sociais. Sendo assim, a tomada de decisão, integração entre os grupos territoriais (MOULAERT, 2008) e o empoderamento são elementos importantes para o entendimento de um desenvolvimento territorial crítico, ao qual a governança dá um sentido, pois ela é o conjunto de processos e instituições que intervém em uma sociedade local, articulado em escala (DI MÉO; BULÉON, 2005).

Essas relações que envolvem negociação e disputa de poder, e que são também amalgamadas por relações existenciais e produtivas podem ser apresentadas como territorialidades não negligenciadas, e serão focalizadas a partir desta parte do trabalho, pois, de acordo com Raffestin:

(...) os homens “vivem”, ao mesmo tempo, o processo territorial e o produto territorial por intermédio de um sistema de relações existenciais e, ou, produtivistas. Quer se trate de relações existenciais ou produtivistas, todas são relações de poder, visto que há interação entre os atores que procuram modificar tanto as relações com a natureza como as relações sociais. Os atores, sem se darem conta disso, se auto modificam também. O poder é inevitável e, de modo algum, inocente. Enfim, é impossível manter uma relação que não seja marcada por ele (RAFFESTIN, 1993, p. 158-159).

A análise deste capítulo versará sobre a ação dos atores sociais considerados lideranças na região focalizada nesta pesquisa e suas intencionalidades, pois é necessário um relato das iniciativas dos agentes da inovação, suas interpretações, de sua posições na instituição, lógicas de ação e desafios e interações de atores, modos de legitimação, recursos mobilizados, as trajetórias históricas e assimetrias de posições, para que se possa realizar uma abordagem integral de desenvolvimento, já que o local e suas relações são geradores de laços sociais e ação coletiva com relação aos movimentos sociais, por meio de estratégias socialmente inovadoras.