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2.7. Atık ve Artık Materyallerin Doğal Malzeme (Taş, ahşap, toprak, cam)

2.7.2. Taş –Toprak Ürünler

A contribuição da Teoria Semiolinguística, no estudo dos atos de linguagem, para que se dê conta de todos os aspectos relativos ao desempenho dos parceiros de uma troca linguageira, representa, conforme Mendes,

[...] um avanço no domínio dos estudos sobre a linguagem, visto que pretende ser um modelo radicalmente integrador das diferentes dimensões que constituem o processo enunciativo, contemplando de forma orgânica, não só os elementos que se situam numa dimensão estritamente lingüística, mas também os elementos inseridos numa instância extralingüística e, sobretudo, as relações que se estabelecem entre uns e outros. (MENDES, 2001, p. 316).

Nesse sentido, o contrato de comunicação, proposto por Charaudeau, pode ser considerado, conforme Mendes (2001), um “lugar central” no modelo de análise da Semiolinguística.

De acordo com Charaudeau (2008), para que a comunicação se estabeleça é preciso, em primeiro lugar, que haja um contrato de comunicação simbólico entre as pessoas. O autor explica que esse contrato “resulta das características próprias à situação de troca, os dados externos, e das características discursivas decorrentes, os dados internos” (CHARAUDEAU, 2006a, p. 68). Segundo ele, é por meio do contrato de comunicação que os sujeitos empregam componentes tomados do dispositivo sócio-linguageiro com a finalidade de produzir efeitos no seu parceiro. Por esse motivo, trata-se de um espaço fundamental para o estabelecimento do ato comunicativo. Tal ato de comunicação é formado pela instância de produção, composta pelo que Charaudeau (2008) denomina de Eu-comunicante (EUc) e Eu- enunciador (EUe), e pela instância de recepção, composta pelo Tu-destinatário (TUd) e Tu-interpretante (TUi). Essas duas instâncias podem ser melhor visualizadas no esquema de representação dos circuitos do ato de linguagem abaixo:

Figura 2 – Contrato de comunicação

Fonte: Charaudeau, 2008, p. 52.

A partir desse quadro, podemos dizer que há, de um lado, um Eu comunicante e um Tu interpretante, que são seres sociais, isto é, vivem no mundo real, no espaço externo da situação de comunicação. Eles possuem uma finalidade específica para acionar a fala. De outro lado, há um Eu enunciador e um Tu destinatário, que são seres de palavra, e portanto ocupam o circuito interno da situação de comunicação, em que encenam o “dizer”.

Locutor EUc (Sujeito Comunicante -ser social Receptor TUi (Sujeito Interpretante -ser social Dizer Espaço interno EUe Enunciador (Ser de fala) TUd Destinatário (Ser de fala) (Finalidade) (Projeto de fala) SITUAÇÃO DE COMUNICAÇÃO

O sujeito comunicante – ser empírico que tem uma identidade psicossocial projeta um ser de fala – enunciador que transmite a palavra ao sujeito destinatário idealizado –, a partir das hipóteses que faz sobre a instância de recepção, mas quem vai interpretar essa palavra é o sujeito interpretante – alguém que possui uma identidade psicossocial.

O contrato de comunicação leva em conta duas dimensões e três níveis, quais sejam: dimensão externa, formada pelo nível situacional e a dimensão interna, composta pelo nível comunicacional e pelo discursivo.

O nível situacional, conforme dissemos, se refere ao espaço externo do quadro enunciativo, no qual os sujeitos sociais são ao mesmo tempo seres que interagem e parceiros de um ato de comunicação. Esse espaço de troca comunicativa se estabelece pelas condições psicológicas, físicas e sociais de produção do discurso e é caracterizado pelos componentes a seguir:

i) identidade dos parceiros, que consiste em responder: “Quem fala para quem?”. Ou seja, refere-se à posição social do Eu/Tu, em que um parceiro pode ser, por exemplo, um chefe de uma empresa e o outro, um empregado.

ii) finalidade do ato de comunicação. Esta é a condição de enunciação da produção linguageira, que parte do princípio de que o ato de linguagem é ordenado em função de um objetivo. Assim, neste momento, a questão que deve ser respondida é: “Estamos aqui para dizer o quê?”. A resposta a essa pergunta é dada em termos de visadas, ou seja, dos objetivos que os parceiros têm na comunicação linguageira. As quatro visadas consistem em fazer fazer, fazer saber, fazer crer e fazer sentir. A primeira visada consiste em levar o interlocutor a agir de determinada maneira; a segunda consiste em transmitir uma informação partindo do pressuposto de que o outro não a conhece; a terceira é mostrar a ele que aquilo que está sendo dito é verdadeiro; e a quarta visada consiste em produzir nele “um estado emocional agradável ou desagradável (visada do pathos)” (CHARAUDEAU, 2006a, p. 69).

iii) assunto do ato de comunicação, que consiste em responder à seguinte questão: “A propósito do que se fala?” O tema pode ser, por exemplo, educação, cultura, segurança no trabalho, etc.

iv) dispositivo em que se dá o ato, que consiste em responder à pergunta: “Em que circunstâncias materiais se dá a troca?” Assim, tendo como exemplo o jornalismo

organizacional, uma mesma notícia é dada de maneira diferente quando a mídia é a TV e quando é o jornal impresso.

A partir do nível situacional, é preciso considerar ainda condições comunicacionais que tornam possível um ato de linguagem. Tais condições referem- se aos papéis comunicacionais que os sujeitos assumem na troca linguageira. Desse modo, o nível comunicacional, como explica Mendes,

[...] define o modo específico de funcionamento do contrato, havendo uma relação de complementaridade dialética entre identidade situacional dos sujeitos, enquanto parceiros da comunicação, e os seus respectivos papéis enunciativos, enquanto protagonistas da enunciação, no sentido de que a identidade constitui uma condição de existência para os papéis, mas, ao mesmo tempo, aquela só pode se efetivar através destes. (MENDES, 2001, p. 330).

Por fim, o terceiro nível em que se estrutura o modelo de Charaudeau, o discursivo, também referente ao espaço interno do contrato de comunicação, é aquele que os interlocutores colocam em prática o discurso por meio de processos de produção e interpretação de cada um desses parceiros. É constituído pelos componentes semiológicos (signos), semânticos (representações supostamente partilhadas) e discursivos (enunciativos, narrativos, descritivos e argumentativos).

Nesse nível discursivo, situam-se os dados internos do contrato de comunicação, divididos em três espaços de comportamentos linguageiros: o espaço de locução, o de relação e o de tematização. O espaço de locução é onde o locutor deve perceber o momento de “tomar a palavra”, apresentando-se como sujeito comunicante e identificando o seu receptor. O espaço de relação é aquele em que, após o falante ter “resolvido o problema” de iniciar o discurso, estabelecerem-se relações diversas, “[...] relações de força ou aliança, de exclusão ou de inclusão, de agressão ou de conivência com o interlocutor” (CHARAUDEAU, 2006a, p. 71). Por último, o autor apresenta o espaço de tematização, no qual o sujeito comunicante coloca em cena o tema ou assunto que quer desenvolver e, caso o interlocutor mude a temática, o locutor pode rejeitá-lo, mudá-lo ou aceitá-lo, escolhendo o modo de organização discursivo de acordo com os fins a que visa (descritivo, narrativo ou argumentativo).

Desse modo, Charaudeau (2008) propõe a investigação no âmbito discursivo por intermédio dos modos de organização do discurso: enunciativo, descritivo, narrativo e o argumentativo, que veremos no próximo item.

Benzer Belgeler