C. Sosyal Beğeni Özellikler
3. ARAġTIRMA BULGULARININ DEĞERLENDĠRĠLMESĠ
3.3. Toplumsal Cinsiyet Kalıpyargıları Ġle Ġlgili Veriler 1 Cinsiyet Rolü Kalıpyargıları Ġle Ġlgili Veriler
Essas são as bases e o início do processo específco de formação do valor no qual se funda e no qual se realiza a economia moderna. As consequências desse processo de portam o sentido do dinheiro – isto é: o sentido do dinheiro se baseia nas consequências desse processo fundamental e inicial de formação do valor e de seu correlatoD o desejo. Mas o que aparece inicialmente como uma teoria do valor é tambémD na verdadeD uma eeoria da relação social. Dados esses pressupostosD condições e fundamentosD Simmel volta-se então para a realização do valor econômico enquaneo práeica social ou
forma de vida.
DASUBJETIVIDADEÀOBJETIVIDADE DATROCAECONOMICA
As passagens entre os momentos do valor subjetivoD valor intersubjetivo e valor objetivoD estabelecidas até aqui apenas analiticamenteD se realizam na realidade por força da própria forma da troca econômica. Em decorrência do processo de objetivação do valorD a “forma técnica da circulação econômica cria um reino [objetivoD A.B.] de valores que se separa mais ou menos completamente de sua infraestrutura subjetivo-pessoal” (PdG: 55). A partir deste pontoD trata-se entãoD portantoD de abordar a troca tal como se dá “em uma economia completamente desenvolvida” (PdG: 55). Um processo que resultaD como vimosD na passagem do sacrifício para o sacrifício mútuo eD fnalmenteD para o sacrifício pelo sacrifício – que é também a passagem do desejo para o desejo mutuamente inverso eD fnalmenteD para o desejo pelo desejo.
Na medida em que a circulação econômica resulta em um reino autônomo de valoresD apartado de sua dimensão subjetivo-pessoalD a troca acaba por modifcar o próprio processo da valoração: mediante a trocaD o processo subjeeivo – no qual a diferenciação e a crescente tensão entre “função” (isto éD cada uma das formas do sacrifícioD do desejo e do valor) e “conteúdo” cria o objeto enquanto valor (subjetivo) – se transforma numa relação objeeivaD suprapessoal entre objetos. Na forma desenvolvida dessa relaçãoD embora o indivíduo compre porque ele valoriza e quer consumir um objetoD sua demanda efetivamente se expressa apenas por um objeeo que dá em troca. AssimD diz SimmelD “[a]s pessoasD que são estimuladas por seus desejos e avaliações a efetuar ora umaD ora outra trocaD realizam desse modo para sua consciência somente relações de valor cujo conteúdo seria inerente às próprias coisas” (PdG: 55): “o quaneum de um objeto corresponde em valor a um determinado quaneum de outro objeto e essa proporção aparece como algo objetivamente mensurado eD por assim dizerD com o caráter de lei (Geseezliches) em relação aos motivos pessoais – dos quais
deriva e nos quais se encerra” (PdG: 55). Assim se apresenta tal fenômeno do processo de valoração e do desejo em uma economia completamente desenvolvida. Nas palavras de Simmel:
Nessa economiaD os objetos circulam de acordo com normas e medidas determinadas a cada momentoD mediante as quais esses objetos se colocam diante do indivíduo como um domínio objetivo; o indivíduo pode ou não tomar parteD masD quando querD só o pode fazer como portador (Träger) ou executor (Ausführender) dessas determinações que estão além dele (PdG: 55).
No entantoD essa é uma representação ideal da economia monetária desenvolvidaD somente uma exposição de suas tendências imanentes – as quaisD entretantoD nunca são realizadas de maneira completa. Para SimmelD há sempre um “resto” de tensão não resolvida entre função – segundo a qual “as coisas determinam reciprocamente suas medidas de valor como um mecanismo automático” (PdG: 55) – e coneeúdo – isto éD o quanto “esse mecanismo absorveu de sentimento subjetivo como premissa ou conteúdo material” (PdG: 55). Esse resto de tensão entre função e conteúdo apresenta como consequência o fato de que a “economia tende a um nível de desenvolvimento – nunca
eoealmenee irreal e nunca eoealmenee realizado” (PdG: 55).
Nesse processo progressivo “de sacrifício de um objeto por outro”D o valor chega a níveis cada vez mais elevados de “visibilidade e tangibilidade” (PdG: 55). A “reciprocidade da compensação”D mediante a qual todo objeto da economia expressa seu valor em outro objetoD retira ambos os objetos de seu mero signifcado sentimental subjetivo ou mesmoD como vimosD intersubjetivo: “a relatividade da determinação do valor signifca sua objetivação” (PdG: 56). “A relação fundamental com as pessoasD em cuja vida sentimental (Gefühlsleben) se dão decerto todos os processos de valoraçãoD é aqui pressuposta” (PdG: 56). Em sua forma objetivaD a troca decerto pressupõe o desenvolvimento subjetivo do valor – processo levado também adianteD como vimosD em nível intersubjetivo. Mas esse processo de valoração originalmente dado na vida emocional do indivíduoD e em seguida entre dois ou mais sujeitosD “é por assim dizer absorvido pelas coisasD queD providas com ele [o processo de valoraçãoD A.B.]D entram naquela compensação recíprocaD a qual não é a consequência de seu valor econômicoD mas já sua portadora ou conteúdo” (PdG: 56).
TROCAECONOMICAEABSTRAÇÃO
ÉD portantoD a troca econômica que faz isso com os objetosD ao liberá-los de sua ligação com a “pura subjetividade dos sujeitos” e investi-los com a “função econômica” e fazer com elesD assimD se determinem reciprocamente. O objeto adquire seu valor não apenas diretamenteD por ser ele
mesmo demandadoD mas também indiretamenteD por meio da demanda por outro objeto. O valor é determinado não apenas pela relação com o sujeito desejante (ou sejaD por um sacrifício meramente subjetivo)D mas pelo fato de que essa relação “depende do custo de um sacrifício queD para a outra parteD aparece como um valor a ser desfrutado ao passo que o seu próprio objeto aparece como um sacrifício” (PdG: 56). A troca econômica é um sacrifício de segunda ordem, recíprocoD e também de
eerceira ordem, objeeivo: “Assim os objetos adquirem uma reciprocidade da compensação que faz
aparecer o valor de modo totalmente particularD como uma qualidade objetivaD inerente ao objeto” (PdG: 56). Com a trocaD modifca-se o signifcado das coisas: “Enquanto o objeto é negociado – ou sejaD enquanto o sacrif́cio que ele representa é determinado – seu signifcado parece ser muito mais algo externo aos contratantes do que se o indivíduo só sentisse o objeto em sua relação consigo mesmo (PdG: 56). SeD por um ladoD o desejo subjetivo permanece aí “como a força motriz”D o valor
em sua forma objeeivaD por outroD não advém mais daíD mas da “compensação recíproca dos objetos
entre si” (PdG: 56). Assim defne Simmel a particularidade da economiaD nesse estágio de desenvolvimento:
A economia guia o fuxo das avaliações através da forma da trocaD criando de algum modo um domínio intermediário entre o desejoD que é a fonte de todo movimento que anima o mundo humanoD e a satisfação do gozoD na qual elas desembocam. O específco da economia como uma forma particular de comunicação e de comportamento (als einer besonderen Verkehrs- und Verhaleungsform) consiste – se não tememos uma expressão paradoxal – não no fato de que ela troque valores e sim de que eroque valores (PdG: 57).
Em outras palavras: a especifcidade da economia como forma de vida não está no fato de que nela circulem valores (para os indivíduos)D mas na troca – ou melhorD em uma modalidade particular de troca – e em sua objeeividade (na objetividade da troca). Com a economia monetária desenvolvidaD o ser humano criou para si uma forma de permanecer nesse domínio intermediário “entre o desejoD que é a fonte de todo movimento que anima o mundo humanoD e a satisfação do gozoD na qual elas desembocam” (PdG: 57) – em sumaD uma forma de “morar numa ponte” (GmK: 189).
O desejo e o sentimento do sujeitoD que constituem o início dos processos de valoração e formam o valor em seu estado subjetivoD de algum modo se mantêm: “CertamenteD o signifcado que as coisas adquirem na e com a troca não está jamais totalmente separado de seu signifcado subjetivo imediatoD decisivo na origem para o estabelecimento de uma relação” (PdG: 57). No entantoD o processo de troca econômica é um processo de abstração: promove-se aí uma equivalência
as relações de grandeza entre as coisasD sem incluir suas substânciasD queD apenas elasD fazem com que essas relações existam realmente” (PdG: 57). Na prática da troca econômicaD o “processo objetivoD que muitas vezes governa também a consciência do indivíduoD abstrai o fato de que seu material é constituído de valores e adquire sua essência mais própria da equivalência desses valores” (PdG: 57).
Esse éD no entantoD para o Simmel da Filosofa do dinheiroD um processo de abstração que se dá igualmente em todos os domínios sociais. Seja na ciênciaD na ação prática ou no sentimentoD “[a]s forçasD as relaçõesD a qualidade das coisas – das quaisD em certa medidaD nossa própria essência é também parte integrante – constroem objetivamente um todo unitário que tem de ser fracionado por nossos interesses em uma multiplicidade de séries autônomas ou motivos para que possamos lidar com ele” (PdG: 57).Essa é “uma das fórmulas em que se pode colher a relação do ser humano com o mundo”: “nessa unidade absolutaD nesse entrelaçamento geral das coisasD em que cada uma carrega a outra e todas têm os mesmos direitosD nossa práticaD assim como nossa teoriaD abstrai continuamente elementos singulares para fazer deles unidades e totalidades relativas (PdG: 58).
Na vida prática como na teóricaD na prática do dinheiro como na flosofa do dinheiroD é apenas em sentimentos muito gerais que temos alguma ligação com a totalidade do ser. Em termos teórico-flosófcosD isso tem as implicações que Simmel desenvolve no prefácio do livro.15 Em termos
práticosD isso signifca queD do ponto de vista da flosofa do dinheiroD só podemos nos relacionar com o mundo na medida em queD em um processo de abseraçãoD extraímos de sua totalidade certos elementos singulares que podem tanto operar (no âmbito teórico) como símbolos dessa totalidade (da vida)D como ser (no âmbito da prática) formas com as quais podemos agir no mundo. Esses elementos particulares constituemD portantoD símbolos dessa totalidade que permitem tanto pensá-la quanto agir no interior dela:
só alcançamos uma relação com o mundo determinada em sua singularidade na medida em queD de acordo com as necessidades de nosso pensamento e de nossas açõesD retiramos dos fenômenos abstrações dando a elas a autonomia relativa de um nexo puramente interno que a continuidade dos movimentos do mundo recusa a seu ser objetivo (PdG: 58).
O dinheiro é uma dessas abstraçõesD ele é o símbolo da “autonomia relativa de um nexo puramente interno que a continuidade dos movimentos do mundo recusa a seu ser objetivo” (PdG: 58). O sistema econômico – como outros tantos universos sociais – “é certamente fundado sobre uma abstração” (PdG: 58). Trata-se da abstração contida na “relação de reciprocidade da trocaD
sobre um equilíbrio entre sacrif́cio (Opfer) e ganho” (PdG: 58) – embora o desenvolvimento no qual se realizam de fato essa relação de reciprocidade da trocaD esse equilíbrioD esteja “inseparavelmente fundido a seus fundamentos e a seus resultados: os desejos e os gozos”D respectivamente (PdG: 58). Tal processo se dáD no entantoD como desejo por desejo e como gozo contínua e progressivamente protelado ou insufciente: no puro gozo do puro meioD como é desenvolvido no capítulo sobre teleologia.
Como afrmado anteriormenteD na Filosofa do dinheiroD o domínio econômico é pensado do mesmo modo que os outros domínios sociais: estuda-se a esfera autônoma da economiaD mas os resultados dessa investigação são estendidos para todos os âmbitos sociais. Em cada um delesD dá-se igualmente um processo de abstração; daí que a economia como “forma de existência” ou “forma de vida” não se distinga nesse aspecto dos “outros domínios em que dividimos a totalidade dos fenômenos de acordo com nossos interesses” (PdG: 58).16 A abstração é vistaD no livro de 1900D como
uma parte constitutiva dos processos gerais de valoração e constituição de domínios sociais particulares no âmbito da vida espiritualD isto éD cultural. Tal como Simmel o vêD contudoD o resultado – no caso da economia e dos outros – é uma “abstração real” (PdG: 57); ela se dá por meio da (e na) “vivacidade da interação” (PdG: 91). A economiaD como tais outros domíniosD é o lugar da relatividade característica da própria sociedadeD seja em qual de suas formas. Ver o dinheiro como símbolo da vida cultural eD com issoD das formas de vida signifca vê-las como inseridas nesse processo (mais claro e radical na economia) de abstraçãoD na medida em que “o fazer humanoD no interior de eoda província anímicaD conta com abstrações” (PdG: 57).
Isso signifca que esse processo de abstração dado na economiaD uma “forma de existência [que] não se distingue dos outros domínios em que dividimos a totalidade dos fenômenos de acordo com nossos interesses” (PdG: 58)D não é aqui visto como problemático. Trata-se de uma forma de vidaD uma forma de existênciaD ou aindaD uma forma da socialização que nessa qualidadeD como a própria sociedadeD é constituída pela relatividade eD assimD constitui um universal que contêmD no entantoD uma “vivacidade concreta” (PdG: 91). Certas consequências paradoxais dessa forma de existênciaD no entantoD serão objeto central de análise para Simmel no capítulo seguinte da Filosofa
do dinheiroD dedicado à noção de ação – o implica ver a ação humana a pareir das análises sobre o
dinheiro.
Simmel equiparaD na forma econômica do valorD a objetividade do valor do objeto com sua “validade para o sujeito em geral”:
O que é determinante para a objetividade do valor econômico e que delimita o campo econômico 16 Isso se modifcará nos escritos posteriores de flosofa da cultura e de flosofa da vida (cf. o capítulo 4 e os seguintes).
como autônomo é o fato de sua validade ser fundamentalmente independente do sujeito individual O fato de termos de dar um objeto por outro demonstra que esse objeto é algo que possui valor não apenas para mimD mas também em si mesmoD ou sejaD também para outra pessoa (PdG: 58-9).
Essa equivalência (“que só ganha consciência e interesse na troca”) não apenas encontra na forma econômica do valor uma de suas mais claras justifcativasD mas também a objetividade dada pela forma econômica do valor representaD na Filosofa do dinheiroD a forma mais clara do universalD o mais signifcativo símbolo da totalidade da vida concebida como ineeração.
A troca econômica pressupõe “uma medição objetiva de avaliações subjetivas” (PdG: 59)D mas não no sentido de uma anterioridade no tempoD pois esta medição tampouco poderia existir sem a troca econômica: uma pressupõe a outraD “de tal forma que ambas se constituem no mesmo ato” (PdG: 59). AssimD o “fato de que entre si eles [os objetos] sejam iguais constitui um momento objetivo que não é inerente a nenhum desses elementos e nem está fora deles” (PdG: 59): a economia enquanto forma da relatividade não consiste nem pode ser compreendida – assim como a própria sociedade – nem em seus elementos singulares (os indivíduos) nem como algo que lhes é externo (tal como em conceitos abstratos de sociedade). Embora esse processo de “abstração real” se dêD para o Simmel de 1900D em todos os domínios sociaisD a economia é o seu exemplo mais claro: ela abstrai os conteúdos (subjetivos) dos quais ela se originaD a ponto de parecer completamente independente em relação a tais elementosD embora continue ligada a eles.
TIPOSDEINTERAÇÃO: TROCAETROCA-SACRIFÍCIO
A trocaD para SimmelD é uma categoria mais ampla do que a troca econômica (troca- sacrifício)D à qual ela não pode ser reduzida. Para o autor da Filosofa do dinheiroD a “maioria das relações dos seres humanos entre si podem ser vistas como troca” (PdG: 59); isso faz da troca “a mais pura e a mais desenvolvida (geseeigere) interação que constitui a vida humanaD na medida em que esta pretenda adquirir matéria e conteúdo” (PdG: 59)D isto éD na medida em que ela se concretize.17 A
ineeração, por sua vezD constitui um conceito ainda mais amplo do que o de troca; ela possui validade
também fora da esfera das relações sociaisD aparecendo mesmo em ações que aparecem como unilateraisD constituídas pela atividade de um sujeito e a passividade de outro:
Em primeiro lugarD deixamos muitas vezes de ver o quanto issoD que à primeira vista parece uma
17
Mas isso signifcaD entãoD que não são eodas as relações humanas que se constituem como troca: não basta haver uma relação (Beziehung) entre seres humanos para que haja troca. É nisso que se baseia a distinção simmeliana entre eroca e ineeração.
ação realizada de maneira meramente unilateralD compreende na verdade uma interação: o orador diante do auditórioD o professor diante da turmaD o jornalista diante do públicoD parecem ser o líder solitárioD aquele que a todos infuencia; na verdadeD todos nósD na mesma situaçãoD sentimos a reação determinante e condicionante da massa aparentemente passiva; para os partidos políticosD vale a palavra: “Sou seu líderD devoD portantoD segui-los”; um eminente hipnotizador disse recentemente que na sugestão hipnótica – portanto o caso mais claro de pura atividadeD de um ladoD e de total passividadeD de outro – há um efeitoD dif́cil de ser descritoD do hipnotizado sobre o hipnotizadorD sem o qual não se alcançaria tal resultado (PdG: 59).
“Toda interação deve ser considerada uma troca” (PdG: 59) – com essa afrmaçãoD Simmel parece igualar os dois conceitos. “Cada conversaD cada amor (mesmo quando ele é respondido por sentimentos de outro tipo)D cada jogoD cada olhar mútuo” (PdG: 59)D todas essas modalidades de interação devem ser viseas como troca. EntretantoD não são eodas as relações humanas que se constituem como troca: não basta haver uma relação (Beziehung) entre seres humanos para que haja troca. É nisso que se baseia a distinção simmeliana entre eroca e ineeração.
E quando a diferença parece se constituir no fato de queD na interaçãoD damos aquilo que não temos eD na trocaD aquilo que temos – ela não se sustenta. Em primeiro lugar porque o que ocorre (ausübe) na interaçãoD aquilo que está em jogo nelaD é sempre “a própria energia (Energie)D a entrega (Hingabe) de sua própria substância” (PdG: 60). Em segundo lugar porque a trocaD por sua vezD não tem a ver simplesmente “com um objeto que o outro possuía antes” (PdG: 60). Como vistoD Simmel considera a troca em termos a princípio não só objetivosD como também subjetivosD emocionais. Não se trata (somente ou sempre) da troca de objetosD mas da aquisiçãoD da produçãoD do surgimento de novos sentimentos – queD como taisD não poderiam ser “posse” prévia de nenhum dos participantes da troca. Como o valor equivale subjetivamente a um desejo a ser satisfeitoD a troca signifca assim que cada um dos sujeitos sintaD entre o antes e o depois da trocaD um ganho em termos de sentimentoD um “refexo sentimentalD que […] não possuía antes” (PdG: 60). E isso se dá em ambos os lados da relação: em toda trocaD os participantes sacrifcam um valor – isto éD sacrifcam algo em termos emocionaisD um “refexo sentimental”D sacrifcam-se emocionalmente – para adquirir um valor maior – tambémD necessariamenteD pensado em termos emocionais. Como isso se dá com eodos os participantes da trocaD esta não podeD evidentementeD ser pensada como uma troca entre coisas antes possuídas que apenas trocam de “mãos”D passando de um sujeito a outroD e vice-versa. Nesse casoD o valor total envolvido na transação permaneceria o mesmo. No entantoD na medida em que todos os participantes obtêm um ganho de valorD tem-se como resultado de queD na trocaD “a soma de valor seja maior depois que antes” (PdG: 60). Isso signifca que “damos mais ao outro do que nós mesmos possuíamos” (PdG: 60)D e o outro nos dá mais do que ele mesmo possuía.
Na troca há um aumento de valorD logoD uma criação de valor.18
A distinção entre interação e trocaD portantoD tem que ter outro fundamento. Diz Simmel: “CertamenteD interação é o conceito mais amplo e trocaD o mais restrito; só que nas relações (Verhälenissen) humanas a interação emergeD de maneira preponderanteD em formas que permitem considerá-la como troca” (PdG: 60). A interaçãoD conceito mais amploD signifca em termos humanos “o destino naturalD que a cada dia se compõe de um contínuo de ganhos e perdasD de fuxos [Zufließen] e de refuxos [Abserömen] dos conteúdos vitais” (PdG: 60). A trocaD conceito mais restritoD designa esse processo a partir do momento em que ele se torna “espiritualizado”D isto éD culeuralD na medida em que agora interação ou troca entre um conteúdo vital e outro ocorre de maneira consciente.
A troca éD portantoD interação espirieualizadaD a interação entre consciências. As interações se tornam troca na medida em que os “fuxos e refuxos de conteúdos vitais” se realizam não somente entre corposD mas entre seres conscientes. Não se trata aqui meramente do fato de que esse processo
pode se tornar consciente; a troca é a interação no sentido de um contínuo fuxo e refuxo de