BULGULAR VE YORUM
3. Çelişkiler: örgütteki söylentilere neden olan etkenlerden biri de çelişkilerdir
4.3. Üçüncü Alt Problemi İlişkin Bulgular ve Yorum
4.3.4. Toksik Eğitim Örgütlerinin Toksisiteden Arınma Yolları
Diante da fragilidade econômica da América Latina e do Brasil, percebe-se na análise das políticas públicas para o ensino superior um alto grau de subordinação em relação às orientações dos organismos internacionais, principalmente do Banco Mundial que orienta e assessora os países para ajudar os governos a desenvolver políticas públicas educativas adequadas ao desenvolvimento econômico e social.
As relações internacionais entre os países ocorrem por meio de diferentes canais com contato entre chefes de Estados, governos, ministros, especialmente das finanças e das relações exteriores, relações diplomáticas bilaterais; por embaixadas, consulados etc. E quando analisamos a biografia dos Ministros da Educação do Brasil do período de 1995 a 2008 percebemos que alguns já trabalharam netas organizações internacionais, o que facilita ainda mais o contato entre eles.
O Grupo Banco Mundial é uma agência multilateral de financiamento constituída por cinco instituições intimamente associadas:
• O Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento – BIRD, fundado em 1944, é o maior financiador de projetos de desenvolvimento para os países em desenvolvimento de renda média e é o principal catalisador de financiamento para o mesmo fim proveniente de outras fontes. O BIRD se capitaliza primordialmente por meio de capacitação de recursos nos mercados internacionais de capitais.
• A Agência Internacional de Desenvolvimento – AID, fundada em 1960, dá assistência aos países mais pobres por meio de créditos de financiamento sem juros com prazos de duração de 35 – 40 anos. A capitalização da AID se dá por aportes governamentais.
• A Corporação Financeira Internacional – CFI apóia o setor privado nos países em desenvolvimento por meio de empréstimos ou financiamento de capital, além de inúmeros serviços de consultoria.
• A Agência Multilateral de Garantias de Investimento – AMGI oferece garantia aos investidores estrangeiros contra riscos não-comerciais e auxilia os governos dos países em desenvolvimento atraírem investimentos externos.
• O Centro Internacional para Conciliação e Divergência nos Investimentos – CICDI assegura o fluxo de investimentos externos para os países em desenvolvimento por meio de instrumentos de arbitragem e conciliação.
Percebemos que a maioria destas instituições tem como objetivo auxiliar os países em desenvolvimento seja com financiamento direto de capital ou na ajuda em atrair investimentos estrangeiros. Esta ajuda tem sempre alguma orientação para estes países que muitas vezes influencia (ou como ocorre em alguns países que adere totalmente) nas políticas públicas sociais. No entanto,
Não duvidamos que no processo de negociação dos créditos do Banco existiram margens de liberdade, tanto naqueles diretamente associados à reforma da educação quanto nos que têm alguma relação com “meio ambiente” do sistema educativo, como a macroeconomia. Essas margens, entretanto, podem não ser aproveitadas pelos governos que não tenham projetos nem conhecimentos e que estejam mais interessados no ingresso de dólares novos para poder pagar serviço atrasado da dívida ou para obter o aval do Banco e do FMI e aceder ao mercado de capitais; governos, além do mais, confrontados por organizações sociais e políticas muito mais interessadas em provar que por trás de toda política encontra-se o rolo compressor neoliberal, do que interessados em pesquisar, experimentar e buscar alternativas válidas para o sistema educacional em crise (CORAGGIO, 2003, p. 102).
As propostas do BM são pautadas na reforma do Estado e do predomínio do mercado, assim suas orientações levam os países a fomentarem políticas sociais que minimizam o gasto público e que focalizem a pobreza. Para o BM o ataque à pobreza deve promover o uso produtivo mais abundante dos pobres que é o trabalho, além de fornecer aos pobres serviços sociais básicos como saúde primária, planejamento familiar, nutrição e educação primária. A educação na visão do Banco é a melhor forma de aumentar os recursos dos pobres.
A pergunta que fica é como o Estado que deve reduzir seus gastos com políticas sociais vai efetivar esta política de ataque à pobreza. Segundo Coraggio (2003),
É necessário não somente utilizar de modo mais eficiente os escassos recursos que o ajuste deixa para a política social, concentrando-os nos mais pobres, mas também extraí-los dos não-pobres, entendendo-se estes como as classes médias urbanas, apresentadas- junto com os setores corporativos historicamente associados ao modelo
industrializador (os sindicatos e o empresariado nacional) – como os grupos privilegiados que, no passado, aproveitaram-se indevidamente de sua influência no Estado levando-o à crise, ao aumentar a massa de subsídios indiscriminados. (CORAGGIO, 2003, p. 86 – 87).
Ainda segundo o autor, a política proposta pelo BM é definida pelo adjetivo básico que redefine a expressão “para todos”. Os pobres que necessitam dos serviços básicos e aqueles que podem obter os serviços por meio do mercado conseguem serviços de melhor qualidade, no entanto, esta política apresenta problemas de eficácia e eficiência. Na aparência do “para todos” estaria desenvolvendo um modelo dual, em que um direito pretendido universal é exercido de um modo por um cidadão de primeira (se obtido via renda) e de outro por um cidadão de segunda (se alcançado via ação pública), além de amarrar o Estado a um assistencialismo de custos crescentes, tornando inviável a minimização dos gastos públicos.
Torna-se evidente que a discussão não pode estar focada em termos da renda e de sua distribuição, tal como um jogo cuja resultante fosse zero. É necessário voltar a discutir a questão esquecida de como utilizar o excedente, relacionado diretamente o chamado investimento social como aumento na massa de renda real disponível. Não é suficiente considerar o investimento social como um mecanismo para conseguir maior igualdade de oportunidades; é preciso garantir efetividade para modificar a vida e as expectativas da população (CORAGGIO, 2003, p. 91).
Nesse sentido, a educação ganha destaque para o desenvolvimento econômico do País. As orientações fornecidas pelo BM consideram que as políticas educativas devem ser diferentes para cada país, no entanto, detém um saber que deve aplicado, ou seja, um pacote já pronto. Coraggio (2003) destaca este saber que o BM detém, dentre eles se destacam os principais aspectos:
¾ A indução dos sistemas de educação à descentralização, que desenvolva as capacidades básicas no ensino primário e no nível secundário inferior. Apenas isto contribui para desfazer a demanda de trabalhadores flexíveis.
¾ Alocação dos recursos, escassos, da educação superior e técnica para a educação básica.
¾ A iniciativa privada preencherá a lacuna deixada da retirada parcial do subsídio de outros níveis de educação pública.
¾ A avaliação dos estabelecimentos educacionais por seus resultados, em termos de aprendizado dos alunos, mas principalmente por sua eficiência em termos de custo por diplomado.
¾ Introduzir mecanismos de concorrência por recursos públicos, que reproduzam a concorrência no mercado por recursos privados, para incentivar as inovações e a eficiência.
¾ Dedicação de um tempo maior por parte dos professores ao ensino, maior oferta de livros didáticos, maior concentração naquelas matérias que fornecem habilidades consideradas básicas para o aprendizado futuro e, talvez, para as necessidades de desenvolvimento nacional: a língua, ciências (associadas à resolução de problemas), matemática.
¾ Capacitar professores, mas mediante programas paliativos e em serviço (se possível à distância).
Então a política educativa fica amarrada no conhecimento fornecido pelo BM que associa o sistema educativo ao sistema de mercado, a escola à empresa, os pais aos consumidores de serviços, as relações pedagógicas a relações de insumo-produto, a aprendizagem ao produto. A proposta básica consiste em deixar a atividade educacional a mercê do mercado e da concorrência para que a interação entre consumidores e fornecedores de serviços educacionais defina a quantidade de educação, seus conteúdos e pedagogias, suas formas de estruturação em que áreas e a que preços devem ser oferecida (CORAGGIO, 2003) 5.
Catani e Oliveira (2002) também analisam a reestruturação da educação superior a partir do debate internacional e analisam alguns documentos internacionais.6 Nos
5 Quando o modelo de política educacional proposta pelo BM não corresponde à necessidade dos países
em desenvolvimento, o BM tende a classificar essas incongruências em duas categorias: “[...] como resistências políticas (ou culturais) a uma mudança desejável ou como imperfeições no funcionamento do “mercado “educativo. A primeira delas causa-lhes preocupação, mas trata-se de assunto delicado, [...]. A segunda já é um terreno mais conhecido pelo banco; razão pela qual, para adequar a realidade ao modelo, além da privatização e da descentralização, as políticas são orientadas conjunturalmente para reformar, a partir do Estado, o funcionamento real do sistema educativo, para institucionalizar novas pautas de comportamento de seus agentes que se aproximem das que supõe o modelo de concorrência perfeita”.(CORAGGIO, 2003, p. 103 – 104).
6 Os documentos analisados foram: La enseñanza superior: las lecciones derivadas de la experiencia
(1995), do Banco Mundial; Documento de Política para el Cambio y el Desarrollo em la Educacion
Superior (1995), Educação; Um tesouro a Descobrir (1996) e conferência Mundial sobre Educação Superior (1198), da UNESCO; Pour um modele européen d’enseignement supérieur, do Relatório
quadros abaixo podemos visualizar como estes documentos fazem o diagnóstico da crise e quais são os desafios contemporâneos.
QUADRO 1
Diagnóstico da crise da educação
Itens Banco Mundial UNESCO
Recursos
Crise do financiamento (diminuição dos recursos públicos).
Uso ineficiente dos recursos. Custo-aluno elevado/baixa relação aluno/professor.
Elevados gastos com subvenção de serviços estudantis.
Desequilíbrio dos gastos existentes entre ensino primário, secundário e superior.
Recursos públicos
limitados.
Educação superior
Subutilização dos serviços acadêmicos.
Duplicação de programas. Crescimento da escolarização básica e pressão para aumentar vagas no ES.
Pouca flexibilidade às necessidades do mercado de trabalho.
Inadequação do modelo de universidade de pesquisa para o mundo em desenvolvimento. As instituições não-
universitárias são mais flexíveis no atendimento às demandas do mercado de trabalho.
Necessidade de ampliar a pertinência da ES, ou seja, seus nexos com o mundo do trabalho, com outros níveis e formas de educação, com o Estado, com o financiamento, com
a necessidade de
aprendizagem permanente, e com gestão eficiente dos recursos. Necessidade de cooperação e solidariedade internacional, decorrente da necessidade de integração econômica, política e de aprendizagem- investigação.
Crescente demandas à ES.
Qualidade do sistema de ensino
Baixa eficiência do sistema. Elevadas taxas de evasão e repetência.
Baixas taxas de matrículas.
Necessidade de verificar a qualidade do ensino e aprendizagem, objetivando melhorar os conteúdos, os métodos, a investigação, os programas, o pessoal docente, a infra-estrutura etc. Fonte: Catani (2002)
QUADRO 2 Desafios Contemporâneos
Item Banco Mundial Unesco
Desafios para a educação
Reduzir a pobreza no mundo em desenvolvimento.
Diversificar e diferenciar o sistema de ensino pós- secundário, objetivando que este funcione bem, seja diversificado e experimente crescimento, reduzindo gasto por estudante.
Definir um sistema de ES adequado:
a) aos processos simultâneos e
contraditórios de democratização, regionalização, polarização, marginalização e fragmentação. b) a um mundo em permanente mutação (sociedade do conhecimento); c) aos imperativos dos desenvolvimentos econômico e técnico. d) ao desenvolvimento humano sustentável. e) à massificação da ES. Fonte: Catani (2002)
A educação superior para o BM deve ser orientada nos princípios de eficiência, qualidade e equidade, tendo como pontos básicos da reforma:
¾ A diferenciação das instituições não-universitárias são consideradas mais flexíveis no atendimento das demandas do mercado de trabalho e o investimento nas instituições privadas poderia ampliar as oportunidades de forma eficiente e flexível. O Estado estabeleceria mecanismos de controle e avaliação das instituições.
¾ A diversificação das fontes de financiamento das instituições estatais para mobilizar mais fundos privados para o ensino superior.
¾ A redefinição da função do governo no seu relacionamento com as instituições, especialmente as estatais.
¾ A adoção de mecanismos eficientes de avaliação, estabelecendo vínculos efetivos com os setores produtivos da economia.
Os documentos da Unesco apontam para a expansão quantitativa das instituições de educação superior, a diversificação destas instituições e as restrições financeiras dos
Estados. As respostas apresentadas giram em torno de três princípios fundamentais: a pertinência que se refere na consideração nos funções da educação superior; a qualidade que implica em renovar o ensino e a aprendizagem na educação superior e a avaliação que se torna fundamental no estabelecimento da qualidade acadêmica e na internacionalização, ou melhor, na necessidade de cooperação entre os países.
Percebemos que as orientações dos organismos internacionais convergem no discurso da crise fiscal do Estado e que por isso não pode arcar com todos os níveis da educação, devendo dar prioridade à educação básica e deixando a educação superior ser preenchida pelo mercado.
As orientações do BM se pautam num discurso contraditório, por um lado considera a educação superior como mola propulsora do desenvolvimento econômico e por outro lado este nível de educação não deve ser prioridade nos investimentos das políticas publicas do País. Assim, o discurso do desenvolvimento não garante realmente o desenvolvimento suficiente para melhorar a qualidade de vida de toda a população e permitir que os países em desenvolvimento se libertem das amarras das dívidas externas. Claro que não podemos atribuir ao ensino superior à produtividade econômica de um país, pois essa depende de um grande número de fatores. No caso da educação superior, a discussão centrou-se basicamente nos aspectos econômicos, ou seja, na forma de financiar uma atividade em permanente expansão. Dada a demanda crescente e a falta de recursos financeiros públicos para o correto funcionamento, o Banco Mundial adotou uma postura reducionista sobre o tema, e centrou suas apreciações na necessidade de redefinir o papel do Estado em matéria de educação superior, questionando a excessiva participação dos governos neste setor, como foi observado na análise acima.
CAPITULO II
AS POLÍTICAS PÚBLICAS PROPOSTAS PARA A EDUCAÇÃO SUPERIOR