1.3 Yasağın Kapsamı
2.1.2 Şartları
2.1.2.3 Orantılılık
2.1.2.3.2 Terörle Mücadelede Orantılılık
Na seção 2.1, sobre as acepções do verbo FAZER, foram citadas algumas expressões (chamadas somente assim pelos dicionaristas), entre elas: FAZER hora / FAZER de conta / FAZER por onde/ FAZER corpo mole. Essas expressões são comumente chamadas de “expressões idiomáticas”. No entanto, o termo expressão idiomática não é o mais adequado para nomear esse grupo de construções, já que a definição mais comum para expressão idiomática é restrita ao caráter não transparente da expressão, ou seja, uma expressão idiomática seria um grupo de palavras que, quando usadas juntas, têm um significado diferente do que o significado de cada palavra individualmente e sua interpretação depende do conhecimento que o falante tem desse fato.
O termo “expressões fixas”, por outro lado, tal como é definido por Fulgêncio (2008) e adotado nesta tese, engloba as expressões idiomáticas, mas não se limita a esse tipo de expressão:
As expressões fixas se apresentam como sequências solidárias que se repetem sistematicamente no mesmo formato, apresentando em muitos casos um comportamento idiossincrático e não previsível. Sua composição interna nem sempre segue os padrões gramaticais, nem do ponto de vista semântico nem do ponto de vista formal. Tendo em vista a convencionalidade e a imprevisibilidade estrutural e semântica que marcam a sistematicidade e a unidade do grupo, as expressões precisam ser listadas no léxico de forma individualizada, como um item léxico. (FULGÊNCIO, 2008, p.67).
44 Nos casos em que FAZER for acompanhado de sintagma adjetival e adverbial (como argumento principal do verbo), teremos o uso “FAZER causativo” (tipo D) ou “FAZER estativo” (Tipo F).
Assim, para Fulgêncio (2008), a exigência para que se tenha uma expressão fixa (EF) não reside no fato da não composicionalidade do significado, como é o caso das expressões idiomáticas. O critério mais importante para a identificação de uma expressão fixa é, na verdade, o fato de a estrutura ser recorrente na língua, ser conhecida por falantes, ser recuperada em bloco da memória lexical e ser pré-existente à situação de fala.
A partir disso, Fulgêncio (2008) identifica seis tipos de expressões fixas. A seguir citam-se os tipos e alguns exemplos com o verbo FAZER:
- Expressões idiomáticas: “fazer tempestade em copo d’água”/ “fazer gato e sapato” - Colocações: “fazer as pazes”/ “fazer e acontecer”
- Expressões transparentes cristalizadas: “A união faz a força”
- Provérbios: “O hábito não faz o monge”/ “Aqui se faz aqui se paga”/ “A ocasião faz o ladrão”.
- Fórmulas sociolinguísticas: “O jeito é a gente se conformar – fazer o quê?”
- Expressões fixas mistas: “bem fazer + SO (sintagma oracional)”: “Bem fiz eu quando fui embora”
No que diz respeito às construções com o verbo FAZER, somente a definição e a classificação em tipos não possibilitam a identificação de todas as expressões fixas com esse verbo. Isso porque, além de diferenciá-las das construções com o verbo FAZER pleno, temos ainda que estabelecer a distinção entre as expressões fixas e as construções com o verbo FAZER leve. Assim, para a identificação dessas expressões, seguindo ainda as orientações do trabalho de Fulgêncio (2008), alguns aspectos precisam ser considerados.
Fulgêncio (2008) afirma que a expressão fixa pode ter uma composição mista em que alguns elementos são fixos e outros não (expressões fixas mistas). No caso de nossa descrição, consideraram-se expressões fixas com o verbo FAZER aquelas em que FAZER é um dos elementos fixos da expressão. Assim, a frase:
(62) O menino fez de propósito.
não pode ser considerada uma expressão fixa com o verbo FAZER, já que o que é fixo aqui é “de propósito” e não “fazer de propósito”. Tem-se, por exemplo, a frase:
Por outro lado, ocorrências em que FAZER expressa tempo decorrido e também condições meteorológicas foram incluídas no grupo do FAZER em expressões fixas. Essas ocorrências, apesar de ter o período de tempo como elemento variável em sua composição, possuem uma configuração bastante especificada. Vejamos uma ocorrência do corpus:
(64) FSP950402-183: E, coincidentemente, hoje faz seis anos que ele me operou. (Dado do corpus Linguateca).
Nesse caso, vemos que a configuração é:
FAZER + período de tempo + que + SO (sintagma oracional)
Um outro aspecto importante é a questão da produtividade da construção. Segundo Fulgêncio (2008), a expressão fixa é não produtiva, ou seja, as expressões fixas não são produzidas por uma regra geradora. Nas palavras de Fulgêncio (2008),
Nesse particular as EFs se diferenciam das palavras da língua. As regras de formação de palavras são produtivas, são usadas sincronicamente na produção de novas formas e podem auxiliar o ouvinte na decodificação de itens cujo significado não é sabido. Mas isso não ocorre no caso de expressões idiomáticas, uma vez que as EFs não envolvem nenhuma regra de formação regular que possa ser utilizada na depreensão do significado de outros grupos desconhecidos. Por exemplo, não se pode usar a estrutura sintático-semântica das EFs de fio a pavio ou é chegada a hora como base para a formação de novas EFs. O processo de formação de uma expressão, ao contrário do processo de formação de palavras, não é replicável e, portanto não é produtivo. (FULGÊNCIO, 2008, p.148).
Esse aspecto, como se perceberá na próxima seção, é um critério para se distinguirem as expressões fixas com FAZER do verbo FAZER leve ou suporte.
Nesse sentido, construções do tipo FAZER + N, em que o verbo FAZER é esvaziado semanticamente; N é o elemento predicador e, por isso, o significado da construção depende praticamente de N, não são expressões fixas e sim construções com FAZER leve, apesar de “aparentemente” termos elementos fixos. Na verdade, tais construções são formuladas a partir da combinação de um tipo de N (com certos traços em comum) com FAZER e não são pré- existentes à situação de fala, portanto, são produtivas, como em (65).
(65) O jurista fez a revisão ao artigo 9º da Constituição.
Aqui temos o verbo FAZER combinado ao nome “revisão”, que estabelece o conteúdo semântico da construção que corresponde ao verbo simples “revisar”. Na próxima seção, apresenta-se a caracterização das construções com verbo FAZER leve.