1.3 Yasağın Kapsamı
2.1.2 Şartları
2.1.2.2 Aciliyet
O trabalho de Machado Vieira (2003a), o artigo “A caracterização do comportamento multifuncional de Fazer”27, baseia-se, entre outros trabalhos, nos estudos de Giry-Schneider
(1986, 1987) e também no entendimento de Heine et al (1991) de que a gramaticalização é “um processo gradual e contínuo de transferência de categoria lexical a categoria gramatical ao qual formas linguísticas se podem sujeitar ao longo do tempo ou num mesmo recorte temporal” (MACHADO VIEIRA, 2003a, p.2). Para estabelecer a classificação do verbo FAZER, Machado Vieira pressupõe, pautada no conceito de categorização funcional de Taylor (1995), que os membros de uma categoria linguística apresentam-se em diferentes graus que se estabelecem em um continuum e que se entrecruzam por pontos similares parciais e se diferenciam por limites imprecisos. Nesse sentido, a autora classifica o verbo FAZER em cinco grandes tipos:
a) O verbo predicador
Ex: Você faz o barco com madeira?
26 Giry-Schneider, 1987, p.23, tradução nossa.
27 O artigo é uma síntese da tese de Doutoramento, Sintaxe e semântica de predicações com verbo fazer (2001) da mesma autora.
O verbo predicador, para Machado Vieira (2003a, p.4), “requer dois argumentos nucleares, que se manifestam como termos com as funções de Sujeito e Objeto”. No que diz respeito aos aspectos semânticos, é “uma predicação que condensa as noções de ação e causalidade” e os papéis temáticos envolvidos são de agente (entidade controladora) e meta/efeito (entidade inanimada controlada). Ainda segundo Machado Vieira, nesse grupo, são incluídos também outros exemplos de FAZER em que o sentido lexical básico (criar, dar existência/forma a, construir, fabricar) não transparece apesar de o verbo manter a sintaxe transitiva desta categoria e funcionar como verbo predicador “não pleno”. Nesses casos, ocorre uma “extensão semântica” de FAZER, que funciona como um “substituto” de verbos com sentidos mais específicos, mas que preservam a noção geral de atividade: preparar (comida), frequentar, elaborar, arrumar, etc. A autora argumenta que, a partir desses casos, em que há um “enfraquecimento lexical” do verbo FAZER, este pode passar a funcionar como verbo-suporte ou (quase auxiliar) quando em adjunção a estruturas não verbais.
b) Verbo-suporte: operandum auxiliar ou operador de verbalização28
Ex: Aconselha-se ao articulista fazer a sugestão da alteração na programação. Para Machado Vieira (2003a), nesse tipo, o verbo FAZER tem seu sentido parcialmente esvaziado semanticamente, por isso assume um comportamento léxico- gramatical, contribuindo para a formação semântica do predicado complexo e partilhando com o elemento não verbal a função de definir a estrutura argumental. Além disso, o elemento não verbal não é um termo pleno, ou seja, não tem a função de estabelecer referência ou indicar especificamente uma entidade. Em seu estudo sobre FAZER suporte, Machado Vieira apresenta ainda as propriedades dos elementos não verbais e identifica três tipos de elemento não verbal nos predicados complexos (“predicado nominal”, “predicado adjetival”, “pseudo-termo”).
c) Marcador causativo: operandum ou operador de causatividade
28 Machado Vieira (2003, p.2), em nota de rodapé, define operandum e operador da seguinte forma: “Operandum corresponde a um item da língua fonologicamente especificado, que pode ser primário (pertencer ao léxico) ou auxiliar (localizar-se no eixo léxico-gramática e indicar uma informação léxico-gramatical, conforme certos “verbos (semi-) auxiliares”) e sobre o qual pode atuar uma regra de expressão linguística. Operador responsabiliza- se por uma distinção gramaticalmente expressa na língua (marca de caso, gênero ou número; modalidade, voz ou aspecto verbal, por exemplo); consiste num elemento morfossintático (afixo, partícula gramatical, verbo auxiliar, entre outros) que influencia a forma de um constituinte da cláusula, como, por exemplo, num elemento auxiliar que opera sobre outro (forma input), formando com este uma unidade compósita, e que é responsável por uma distinção gramatical específica”.
Nesse tipo, o verbo FAZER codifica “causalidade/causação”, estabelecendo a relação evento-causador e um evento-causado/efeito. As duas configurações básicas para esse tipo são: (1ª) Fazer + predicado verbal no subjuntivo (precedido de “(com) que”) ou no infinitivo.
Ex: “(...) acho que já chega de fazer com que vocês contratem um tradutor português para ajudar-lhes a ler-me hoje.” (O Globo, 30/01/2000, “Estou mesmo em fanicos”) Ex: “Esse negócio de a Globo, em suas novelas, fazer as mulheres gritarem como desesperadas na hora do parto mostra como os dentes de suas atrizes são bem tratados.” (Jornal do Brasil, 12/03/2000, “A verdade no cinema americano”)29. Os exemplos mostram que os complementos de FAZER são predicações explicitadas sintaticamente por verbos plenos na sua forma finita ou não finita. Para Machado Vieira (2003), nessa configuração, o comportamento de FAZER pode oscilar entre operandum (não auxiliar, verbo predicador não pleno) em algumas ocorrências e operador (quase auxiliar) em outras.
(2ª) Fazer + elemento adjetival ou nominal
Ex. “(...) Os deuses que fazem os homens fanáticos nunca foram crianças, (...)” (Jornal de Notícias, 09/01/1955, “Meditação sobre os ‘autos pastoris’
portugueses”).
Esse tipo corresponde, ao que parece, ao tipo 5 da classificação de faire apresentado na seção anterior, em que Giry-Schneider (1986) interpreta o verbo como um operador causativo, considerando que haja uma pequena oração, na qual um verbo está elíptico (ser, ficar, tornar-se, ter, haver): ... fazem os homens ficarem/serem/tornarem-se fanáticos. Por outro lado, de acordo com Machado Vieira, FAZER, nesses casos, é tratado como um Vpredicador não pleno em que se “percebe significado ligado ao domínio semântico da causalidade, ou seja, apenas como uma extensão de sentido do domínio-fonte de ação/causalidade”. (MACHADO VIEIRA, 2003, p.15).
d) Elemento de coesão: de Vpredicador a marcador de “foricidade”
Nesse tipo estariam incluídas ocorrências em que FAZER seria um pro-verbo, substituindo outros verbos por regras de aplicação de extensão semântica, e assim funcionaria como verbo predicador não pleno (também um subtipo do tipo “a”). No entanto, a autora afirma
que, ao “dessemantizar-se”, FAZER passa a exercer o papel de elemento de coesão, relacionando-se com outros itens ou expressões e torna-se, assim, um marcador de “foricidade”. Como exemplos desse tipo, ela lista:
Ex: Que irá fazer Guterres? Para já apoia o ministro do Ambiente. Mas pode, à boa maneira de Pôncio Pilatos, deixar o assunto morrer no Parlamento e lavar as mãos (...)” (Diário de Notícias, 22/05/2000, “Coincinerações”)
Ex:“Em saúde e educação é preciso investir para progredir. Quem está fazendo isso no Brasil?” (Jornal do Brasil, 10/03/00, “Gastar em saúde e educação”)
e) Operandum auxiliar temporal: de Vpredicador a marcador de tempo cronológico Segundo Machado Vieira (2003a), nesse tipo estão inseridas as construções tradicionalmente chamadas de “impessoais” em que FAZER vem acompanhado de sintagmas nominais com sentido cronológico:
Ex. “Amanhã faz muitos anos que nasceu Joanita.” (Jornal do Brasil, 07/03/65, “História de Joanita”)
Ex.“(...) comprei uma mezinha faz mais de um mês (...)” (O Globo, 30/01/00, “Estou mesmo em fanicos”)30
Para a autora, FAZER, nessas ocorrências, tem um caráter semigramaticalizado, com algumas propriedades de verbo predicador pleno, tais como: significado específico e comportamento sintático de verbo “transitivo” semelhante ao FAZER “pessoal”. Mantém, por outro lado, características de um auxiliar temporal: configuração sintática é relativamente fixa (FAZER+ SN temporal+ que); o verbo FAZER não admite todas as formas de flexão de pessoa e número, ocorrendo na terceira pessoa e singular; FAZER sempre indica “tempo decorrido”. Além disso, FAZER, nesse tipo de construção, teria um vínculo com o marcador causativo, baseado no conceito de que o tempo é um efeito gerado por uma causa.
A caracterização de Machado Vieira (2003a) tem na gramaticalização um de seus pilares para a descrição de FAZER. Embora muito pertinente e sem descartar a ideia de que FAZER passa por processo de gramaticalização, não é esse o viés que adotamos para nossa descrição. Como se verá no próximo capítulo, descreveremos o verbo FAZER em termos de construções.
Na próxima seção, apresentamos a classificação de Barbosa da Silva (2006), em que a noção de categorias prototípicas, embora com um enfoque diferente, também é adotada. Barbosa da Silva também utiliza a noção de “extensão metonímica e metafórica” do verbo FAZER semelhante ao que faz Machado Vieira (2003a) para alguns casos.
2.2.3 A classificação de BARBOSA DA SILVA (2006) para as manifestações discursivas do