1.3 Yasağın Kapsamı
2.1.2 Şartları
2.1.2.1 Gereklilik
Passamos agora ao registro de outras acepções encontradas em transcrições de conversações espontâneas18
,
e também em frases avulsas retiradas de diversas fontes, entre elas,
17 O termo “verbalizador” parece corresponder ao que chamamos de verbo- suporte ou verbo-leve; isto é, verbos semanticamente esvaziados que se combinam com um SN para lhes atribuir significado.
18O material das transcrições pertence ao banco de dados do GREF −Grupo de Estudos Funcionalistas da Linguagem– (CNPq).
jornais, revistas, programas e propagandas de TV, palestras, canções. Foram também mostrados alguns usos de FAZER extraídos de frases de introspeção. Se examinarmos, ainda que preliminarmente, algumas ocorrências, podemos perceber alguns usos não incluídos nas obras de Fernandes, Borba, Hollanda nem tampouco no dicionário da ABL.
Um deles é uso do verbo FAZER em perguntas que buscam uma informação sobre ações diversas. Este tipo de ocorrência é muito frequente nas conversações analisadas e é interessante, porque, na resposta, o verbo FAZER geralmente não ocorre e nem pode ser “recuperado” implicitamente; dessa forma, ele tem um significado inespecífico, e só se poderia dizer que, nesse caso, FAZER indica ação, nos termos de Borba (1990). Na verdade, tal acepção poderia ser denominada como FAZER “curinga”19. Observemos o exemplo ( ):
(1) L1 – o que que você e a Jolene fizeram? L2 – nós fomos ao shopping...
o B. quis ir pra lá...20
Percebemos que a resposta à pergunta poderia ser qualquer tipo de ação ou processo. Pode-se dizer também que FAZER aqui se associa a um elemento catafórico (“a ação de ir ao Shopping”).
Esse caráter de significado inespecífico também parece ocorrer na acepção associada a duas expressões jurídicas com o verbo FAZER: obrigação de FAZER e obrigação de não FAZER. O dicionário jurídico de Plácido e Silva (2007, p. 970)21 define esses dois termos da
seguinte maneira:
Obrigação de fazer é a que consiste na feitura ou prestação de um fato ou execução de alguma coisa, consistente assim num trabalho, num serviço ou numa missão. Obrigação de não fazer é a que consiste no dever assumido em não ser feito aquilo que se convencionou ou que a lei não permite que se faça. É aquela cujo objeto consiste na abstenção de um ato, dizendo-se, assim, negativa, em distinção às de dar ou de fazer que se dizem positivas.
Pela definição acima, podemos ver que o significado de FAZER, neste caso, é também inespecífico, mas indica uma ação.
Ao observarmos um trecho de outra transcrição do banco de dados do GREF, reproduzido a seguir, podemos identificar uma ocorrência interessante com o verbo FAZER que foge um pouco das acepções já listadas:
19A denominação FAZER “curinga” é utilizada também Célia Maria Medeiros Barbosa Silva (2006) em seu trabalho sobre as manifestações discursivas do verbo FAZER.
20 Dado retirado de transcrições pertencentes ao banco de dados do GREF. 21 A 1ª edição deste dicionário foi publicada em 1963.
(2) L2 eh:: a partir da leitura... a gente volta a conversar... e eu né?... penso em alguma outra coisa...
se tiver alguma ideia de algum outro filme... né?
ou ou... né? como fazer... de uma forma mais::... mais AMpla... ou até sei lá... redirecionar...22
Nesse exemplo, o verbo FAZER aparece sem “objeto” e parece que, nesse caso, o verbo FAZER contempla o significado de “agir ou realizar de algum modo”.
Ao que parece, a ocorrência (2) é da mesma natureza de outras com o verbo FAZER junto a advérbios e expressões adverbiais de modo. Na canção “Nada por mim” de Paula Toller e Herbert Vianna (1985), pode-se observar esse uso do verbo FAZER:
(3) ....Você sorriu e me propôs que eu te deixasse em paz Me disse vá e eu não fui.
Não faça assim
A frase “Não faça assim” é também um exemplo desse grupo que poderia ser chamado “FAZER + modo de fazer”. Outros exemplos que parecem pertinentes a esta acepção são:
(4) L1....éh... pois é... ainda hoje:: estão trocando a calha... L2 olha ... acho que você está fazendo de propósito.23
(5) Prefeitura de BH: fazendo direito, fazendo bem-feito. (publicidade da prefeitura de BH, veiculada na TV e Rádio em abril e maio de 2009)
Há ainda uma instância de FAZER, que foi usada, primeiramente, em referência ao político Paulo Maluf, quando pessoas que queriam defendê-lo diziam:
(6) Ele rouba, mas faz.
Nesse exemplo, o verbo “faz” está sem complemento e pode ser entendido como “age”, no sentido de que Paulo Maluf, para o enunciador, é um homem de ação, um político que realiza obras de interesse público. Um exemplo semelhante, anotado em um debate na Escola de Direito da UFMG, seria:
22 Dado retirado do banco de dados do GREF. 23 Dado retirado do banco de dados do GREF.
(7) “Existem três tipos de pessoas, quais sejam, as pessoas que fazem, as pessoas que pensam e as que fazem e pensam” (Maurício Campos Júnior, 02/09/2009)
Um outro sentido para FAZER, muito frequente em nosso cotidiano, mas que aparentemente não está previsto nos dicionários analisados, seria o de “submeter-se” principalmente quando o complemento esteja relacionado a procedimentos médicos. Observemos estas frases:24
(8) O pai vai fazer um exame de DNA com um médico confiável. (9) O jogador fará com um médico experiente a cirurgia no joelho (10) Ela fez cesariana porque o neném estava sentado.
(11) A menina fez uma tomografia.
O interessante nesses casos é que o significado do verbo FAZER se alteraria caso os sujeitos fossem os agentes diretos das ações:
(8a) Vamos fazer um exame de DNA nele.
(9a) O ortopedista fará uma cirurgia no joelho do jogador. (10a) A obstetra fez a cesariana porque o neném estava sentado. (11a) O radiologista fez uma tomografia na menina.
Aqui o significado de FAZER passa a ser “realizar, executar”, acepção contemplada nos três dicionários analisados. No entanto, os estudos dos dicionários não têm a pretensão de tentar responder quais as razões para a alteração de significado em contextos tão semelhantes. Por isso, vamos voltar a essa discussão no próximo capítulo à luz das abordagens cognitivo funcionais.
A investigação até aqui mostra que o verbo FAZER pode assumir diversos significados e é usado de várias formas. É evidente a necessidade de uma sistematização e de uma abordagem mais abrangente, mas, ao mesmo tempo, mais simples, que possa contribuir para a realização do propósito desta tese: descrever o comportamento sintático-semântico-pragmático do verbo FAZER.
Uma das maneiras de se descrever um verbo é listar as estruturas formais possíveis com tal verbo, relacionando-as com os significados do verbo e cumprir o que Perini (2008, p. 184) define como as duas “tarefas básicas” da gramática: “explicitar as estruturas formais possíveis na língua; relacionar cada uma dessas estruturas (e cada detalhe de cada estrutura) com interpretações semânticas correspondentes”.
Nesse sentido, é importante resgatar de que maneira o verbo FAZER já foi descrito por outros autores, para que possamos, então, dar a nossa contribuição nessa empreitada. Antes de mostrar a nossa proposta de classificação mais geral dos usos do verbo FAZER, apresentamos na próxima seção um resumo bem sucinto de algumas abordagens para o verbo FAZER. São eles: Giry-Shneider (1986, 1987) para o verbo faire (FAZER em francês) assim como as sínteses das propostas de Machado Vieira (2003a) e de Barbosa da Silva (2006) para o verbo FAZER. Além desses, será apresentado um estudo do verbo FAZER seguindo a metodologia das diáteses verbais proposta por Perini (2008) elaborado por esta pesquisadora.