2.2 Birleşmiş Milletler Antlaşması’nda Meşru Müdafaa
2.2.1 Bireysel Meşru Müdafaa Kavramı
2.2.2.1.3 Nikaragua’ya Karşı Askeri ve Yarı-Askeri Faaliyetler Davası Kapsamında
Um uso frequente do verbo FAZER51 são as chamadas “construções causativas”. Nesta
seção, abordam-se tais construções, tendo em vista, principalmente, o trabalho minucioso de Vanda Bittencourt em sua tese de Doutoramento de 1995 e em artigo mais recente (2001) da mesma autora. Em ambos os trabalhos, Bittencourt procura estabelecer uma classificação para todos os tipos de estruturas causativas.
Antes de apresentar sua classificação, Bittencourt (2001, p.171-172) mostra como a ideia de causatividade, considerada por filósofos e por diferentes correntes linguísticas, “implica uma relação entre duas fases distintas, Causadora e Causada, e a coparticipação de duas entidades básicas, o causador e o causado”. No entanto, essa noção é por ela criticada, porque é superficial, limitada e circular. Mais adiante no seu texto, Bittencourt, procurando ampliar essa noção, introduz a ideia de que o Causador pode configurar-se como entidade voluntária ou não. Nesse sentido, o processo causativo é multifacetado, com um vasto leque de padrões semânticos e sintáticos, que se definem por traços como (±humano) (±animado) (±voluntariedade), relativos aos seus participantes básicos, que são causador e causado.
50 Machado Vieira (2003) defende que existem diferentes níveis de integração de fazer+SN, dependendo da existência e do tipo de elemento interveniente entre o verbo leve e o elemento não verbal.
A autora, baseada nos estudos de Gívon (1975), ainda afirma que, no processo causativo, há a ocorrência de dois eventos. Há também uma outra característica do processo causativo chamada por Bittencourt (2001) de “superposição (ou autoencaixe) de relações causativas”, ou seja, o segundo momento do processo causativo é constituído de um novo processo causativo que comporta também outros dois elementos: Causador e Causado. Essa propriedade de encaixe pode ser percebida facilmente com ocorrências causativas com o verbo FAZER, exemplificadas em (69) e (70) por Bittencourt (1995, p. 206).
(69) Os seguranças fizeram com que os caras-pintadas saíssem do recinto.
Nesse exemplo, é evidente que há dois processos causativos. O primeiro expresso pelo verbo FAZER e o outro expresso na oração subjuntiva. Esta superposição também é possível com construções sintéticas:
(70) Os seguranças fizeram eles/os caras-pintadas sair(em) do recinto.
Todas essas peculiaridades do processo causativo fizeram com que Bittencourt (2001, p.172-173) re-elaborasse a noção de causatividade da seguinte forma:
Causatividade é um processo que compreende: a) dois eventos (ou uma situação e um evento) – causador e causado –, que podem ser expressos separadamente em duas orações distintas, ou num evento único, superposto, ou não, a uma outra relação causativa; b) dois protagonistas, Causador e Causado, que, qualificados como (±animado), apresentam um grau variável de participação na efetivação da ação, processo, ou acontecimento. (BITTENCOURT, 2001, p.172-173)
Em seu Dicionário de Linguística, Dubois et al (1986), ao tratarem do verbete “Causativo”, afirmam que o verbo FAZER é o verbo causativo mais comum da língua portuguesa. Na classificação apresentada, os autores distinguem cinco formas causativas; entre elas, estão as construções perifrásticas, que são geralmente formadas pelos verbos mandar/FAZER + verbos no infinitivo com sujeito diverso (expresso ou não). Na coleta feita para esta tese, encontraram-se ocorrências deste tipo:
(71) FSP950715-008: Recentemente, o economista Dalmo Reis, em artigo publicado em jornal carioca, destacou uma série de observações pertinentes, fazendo surgir das supostas evidências as distorções que a hegemonia de São Paulo provocou no sistema tributário. (Dado do Corpus Linguateca)
Ainda no verbete “Causativo”, os autores do Dicionário especificam um tipo de Causativo que é o “causativo existencial”, que é “uma classe de verbos transitivos (o mais comum em português é o verbo FAZER) cujo objeto é o resultado da ação do verbo”. (p.106). Na nossa análise, esse tipo foi classificado como parte do grupo de FAZER pleno52.
Contudo, o grupo do FAZER causativo também contempla usos do FAZER causativo em orações simples. Isso pode ser ilustrado pelo seguinte dado:
(72) FSP940401-095: «Ele fez do São Paulo um campeão mundial», disse Maluf na posse de José Eduardo Mesquista Pimenta. (Dado do corpus Linguateca)
Esse uso corresponde à diátese III.b da descrição feita na seção 2.2.2 baseada na metodologia de Perini. Nesse uso, apesar de FAZER ter uma valência autônoma, não há uma individualidade semântica de FAZER, pois o significado causativo depende da configuração dos complementos: preposição (de) + SN e um outro SN.
Ainda em relação aos usos de FAZER causativo em orações simples, temos o seguinte exemplo:
(73) Os presentes fizeram muitas crianças felizes.
Nesse caso, tem-se a seguinte construção: SN+V+SN+SAdj. Nota-se que só a leitura causativa é possível com a restrição de que “felizes” seja um predicativo de “muitas crianças”.
Outros usos de FAZER causativo também foram incluídos neste grupo:
(74) O remédio me fez mal.
(75) Aquela medicação faz bem para ansiedade.
Nesses casos, o significado causativo não vem apenas do verbo FAZER, mas sim de toda a configuração dos elementos na construção e, novamente, FAZER não mantém totalmente sua individualidade semântica. Na verdade, há de se discutir se não se estaria diante de um caso de expressão fixa ou não. Um argumento para se manterem esses casos neste grupo é uma comparação com os casos anteriores em que FAZER vem acompanhado de um infinitivo.
(76) O remédio me fez (sentir) mal.
(77) Aquela medicação faz (melhorar) a ansiedade.
Assim, reconhecemos os seguintes tipos de FAZER causativo:
Quadro 6 – Tipos de FAZER causativo
FAZER +de+SN+SN ou FAZER+SN + de+SN O assaltante fez o padre de refém/O assaltante fez de refém o padre.
FAZER + SN+ SAdjetival Os brinquedos fizeram muitas crianças felizes.
FAZER+com que+ SO (ORAÇÃO COM VERBO NO
SUBJUNTIVO) O policial fez com que o assaltante se rendesse.
FAZER+ verbo no infinitivo (sujeito expresso ou não) O policial fez o assaltante largar a arma. Fonte: Elaborada pela autora.
Há um estudo dentro da abordagem cognitiva de Fauconnier e Turner (1996) em que as construções causativas do francês com o verbo faire são consideradas construções que se formulam por meio do processo de mesclagem. No capítulo 3, esse foi o tratamento dado aos usos causativos de FAZER.