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2.4. FĠNANSAL YAPI VE ÖNEMĠ

3.1.2. Teminat Sorunu

De acordo com BALLOU (2001), a tomada de decisão quanto à abertura de um novo empreendimento, no caso a agroindústria, consiste em determinar o número, a localização e o tamanho das instalações a serem abertas; sendo consideradas instalações quaisquer nós de uma rede logística, como plantas, portos, fornecedores, armazéns, filiais de varejo e outros serviços, em que os produtos permanecem por algum tempo no trajeto até o consumo. Na localização de instalações, freqüentemente haverá um fator preponderante aos demais, e observa-se que os fatores econômicos geralmente são os dominantes, e a disponibilidade de matéria-prima é uma variável relevante que auxilia a tomada de decisão.

Um dos primeiros pesquisadores a reconhecer a importância das matérias- primas na decisão locacional foi Alfred Weber. Em alguns processos, como a fabricação de aço, há perda de peso, e busca-se uma localização mais próxima das fontes de matérias-primas, de modo a minimizar custos de transporte. Processos como o engarrafamento de refrigerantes, no entanto são ganhadores de peso, devendo estar localizados tão próximos dos mercados quanto possível. No caso das operações de montagem, não há mudanças entre o peso das matérias- primas e o peso do produto acabado, de tal modo que tais processos não estão limitados nem às fontes de matérias-primas nem ao mercado consumidor.

No que diz respeito aos produtos agroindustriais, em especial suínos e aves, SABOYA (2001) caracterizou-os como produtos que não estão nem no extremo da máxima dependência de fatores locacionais tradicionais (mão-de- obra, matérias-primas e transporte) nem no outro extremo, como no caso das prestadoras de serviço que se orientam, exclusivamente, para os grandes centros urbanos. Assim, as agroindústrias avícolas e suinícolas são atividades que necessitam de uma abordagem especial quanto à problemática locacional.

Na Região Sul, como já apontado anteriormente, concentram-se a produção e as agroindústrias de aves e suínos. O Estado de Santa Catarina, berço da avicultura industrial do país e segundo maior produtor de aves, concentra

unidades das principais agroindústrias avícolas, além de uma gama de empresas fornecedoras de insumos e prestadoras de serviços para o referido setor. Esse estado foi responsável, em 2002, por 18% da produção e 38,4% da exportação brasileira de aves, sendo, ainda, o maior produtor brasileiro de suínos, respondendo, em 2002, por 34,3% da produção e por 37% da exportação nacional (AVICULTURA INDUSTRIAL, 2002). O Estado do Paraná, por sua vez, é o maior produtor de aves, 20,4% do total nacional, e o terceiro maior produtor de suínos, com 17,8% da produção brasileira. O Rio Grande do Sul é outro estado tradicional na produção de aves e suínos, visto que, em 2002, foi o terceiro maior produtor de carne de aves e o segundo de carne suína, sendo responsável por 17 e 21% da produção nacional. Em razão da qualidade de seu plantel de aves e do status sanitário, esse estado tem sido responsável por mais de 25% das exportações brasileiras, mostrando-se altamente qualificado para o atendimento do mercado internacional (IBGE, 2004a).

Tem-se observado, no entanto, uma nova orientação na produção agroindustrial de aves e suínos da região tradicional (Sul) para a Centro-Oeste, nos últimos 10 anos. Essa nova orientação não deve ser entendida como uma migração em massa da produção de aves e suínos, visto que a produção sulina cresceu no período. As taxa de crescimento das produções avícola e suinícola têm sido superiores na Região Centro-Oeste, comparativamente com a Região Sul. No período de 1997 e 2002, enquanto a Região Sul apresentou crescimento da produção de carne de aves de 80% e do efetivo do rebanho suíno de 14%, no Centro-Oeste essas taxas foram de 132 e 30%, respectivamente (FNP, 2003). Entretanto, cabe ressaltar que, em termos de valores absolutos, o crescimento das atividades supracitadas, no período mencionado, foi maior na Região Sul. Tal fato dá-se em razão das bases de cálculo do Sul, ou seja, de os valores iniciais de produção de aves e de rebanho suíno serem muito superiores aos do Centro- Oeste.

De acordo com HELFAND e REZENDE (2003a), o crescimento do complexo das carnes na Região Centro-Oeste brasileira pode ser explicado por inúmeros fatores que a diferenciam das regiões tradicionais. Em se tratando da produção de grãos, principalmente milho e soja, que são a base das rações de

suínos e aves, verificou-se que o Sul apresenta maior variabilidade de rendimentos físicos em relação ao Centro-Oeste. Essa característica, que acarreta problemas de competitividade para a produção animal, tem sido apontada como crucial nas decisões de grandes empresas do Sul de planejarem suas expansões para o Centro-Oeste.

O argumento de que o milho mais barato estaria atraindo a produção de aves e suínos para o Centro-Oeste pode não estar de todo correto. Pode haver economia de custos com a transferência da produção de animais do Sudeste para o Centro-Oeste. No entanto, o mesmo não vale para a Região Sul, uma vez que, na maioria dos anos da década de 1990, os preços do milho no Paraná tenderam a ser menores que em Goiás e, com exceção de alguns anos, não apresentaram grande diferença em relação aos preços de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Assim, relataram que migrações de produção animal do Sul para o Centro-Oeste podem ser explicadas por outras variáveis que não o preço do milho, por exemplo as de caráter ambiental; os benefícios fiscais concedidos pelos estados; fatores que afetam os custos de abertura e ampliação das plantas; ou questões relacionadas com a mão-de-obra (HELFAND e REZENDE, 2003a)

Estima-se, de acordo com ARANTES (1998), que 90 milhões de hectares estariam aptos a produzir grãos, na região dos cerrados, de um total de 150 milhões de hectares a serem explorados. MACEDO (1995) avaliou que, levando- se em conta a restrição que a legislação prevê (manutenção de 80% das terras como reserva) e o potencial do uso das diferentes classes de solo, 136 milhões de hectares poderiam ser incorporados ao processo produtivo como um todo.

De acordo com CUNHA et al. (1994), o dinamismo da soja nos cerrados deveu-se não só ao fato de esse ser uma fronteira de produção, mas aos preços favoráveis por alguns anos, fruto de uma crescente demanda internacional, atrelados a políticas de incentivo à agricultura de fronteira. MAFFIOLETI (2000) ressaltou ainda, em seu trabalho, que a soja cresceu em função do avanço das técnicas de adubação e calagem adotados para solucionar os problemas da elevada acidez e da baixa fertilidade dos solos da região.

Outros fatores que permitiram o Centro-Oeste superar a Região Sul na produção de soja foram a instalação de plantas de esmagamento de soja, o

desenvolvimento de infra-estrutura e as novas alternativas de escoamento da safra através dos rios Madeira e Amazonas. Ressalta-se ainda, quanto ao milho, que o crescimento dessa cultura nas áreas de cerrado deveu-se, dentre outras, à sinergia com a cultura da soja, tendo destaque como opção para rotação de culturas. Atribui-se, então, uma grande importância a essas culturas enquanto fatores locacionais, na atração e sustentação das atividades agroindustriais, notadamente as do complexo grãos–carne no Centro-Oeste brasileiro.