1.11. ĠNSAN KAYNAKLARI YÖNETĠMĠNĠN ĠġLEVLERĠ
1.11.2. ĠĢe Alma ve Personel Seçme Süreci
Apesar da expansão das exportações verificada nos últimos anos, o consumidor interno é ainda o maior demandante da produção de carne bovina no Brasil. Segundo MICHELS et al. (2001), o modo de ocupação do território nacional, em que a formação de grandes regiões produtoras era vinculada ao mercado interno, com fornecedoras, no início, de charque para núcleos urbanos em formação e, posteriormente, de gado em pé para abate nas regiões próximas aos centros urbanos, explica a orientação do setor para o mercado interno.
Em 2003, o mercado interno consumiu 6.479 toneladas de equivalente- carcaça dos 7.629 produzidos, o que representou, aproximadamente, 84,9% da produção (ANUALPEC, 2004). Contudo, é interessante ressaltar que, embora a maior parcela da produção de carne bovina seja destinada ao mercado interno, esta vem apresentando tendência de decréscimo nos últimos anos, devido, principalmente, ao incremento observado no mercado externo nos últimos anos.
Em 1996, cerca de 97,9% da produção visava suprir as necessidades da população brasileira.
De acordo com o INSTITUTO EUVALDO LODI – IEL (2000), a resposta do consumo a variações no nível de renda da população tende a ser diferente entre distintos estratos de renda. O consumo de carne bovina no Brasil acompanha as disparidades de renda existentes no país; os grupos de pessoas que possuem nível de renda mais elevado apresentam taxas de consumo semelhantes às dos maiores consumidores mundiais, que consomem mais de 50 kg/habitante/ano, enquanto as camadas de baixa renda apresentam consumo semelhante ao de terceiro mundo, menos de 10 kg/habitante/ano. A disponibilidade interna situa-se, atualmente, em torno de 36 kg/habitante/ano.
Quanto ao desempenho brasileiro no mercado internacional de carne bovina, o Brasil ocupou, em 2003, o segundo lugar no ranking dos maiores exportadores de carne bovina, atrás da Austrália. Em 2001, as exportações de carne bovina registraram aumento de 113% em relação a 1998, visto que passaram de 370 mil toneladas equivalente-carcaça para 789 mil (Figura 3). Seguindo a mesma tendência de comportamento, em 2002 as exportações atingiram 928 mil toneladas equivalente-carcaça, aumento de 17,64% em relação a 2001. Em 2003, houve expansão de 30% nas exportações, em relação ao ano anterior, que atingiram 1,208 milhão de toneladas. Deste total, 805,9 mil foram de carne in natura e 401,9, de carne industrializada (ANUALPEC, 2004).
Embora haja inúmeros entraves sanitários, tarifários e políticos por parte dos países desenvolvidos, a carne brasileira ainda consegue ser exportada para alguns dos principais mercados consumidores, sobretudo para a União Européia, atendendo às rigorosas exigências de qualidade.
Segundo IEL (2000), a grande instabilidade nas exportações, retratada na Figura 3, deve-se aos diversos planos econômicos adotados no país, os quais afetaram diretamente o poder de compra dos consumidores e, conseqüentemente, as exportações. Verifica-se que, logo após os anos de 1986 (Plano Cruzado), 1990 (Plano Collor) e 1994 (Plano Real), as exportações caíram drasticamente,
devido ao aumento do poder de compra pela fixação de preços e, ou, salários e à conseqüente expansão na demanda interna do produto.
Fonte: Anualpec (2003).
Figura 3 – Evolução das exportações brasileiras de carne bovina, 1982 a 2003.
Atualmente, os maiores compradores de carne bovina in natura do Brasil são Chile (15%), Rússia (13%) e Egito (12%), e os maiores compradores de carne bovina industrializada são Reino Unido e Estados Unidos, que participam de, respectivamente, 34% e 31% das exportações mundiais.
Segundo HARADA et al. (2004), os frigoríficos aptos a exportar carne bovina concentravam-se na região Sudeste, e o porto de Santos era o mais viável para o embarque do produto, visto que respondia por, aproximadamente, 73% do volume exportado. Outras vias de embarque que se destacavam eram Dionísio Cerqueira e Itajaí, localizados em Santa Catarina, com participação de 11% e 6%, respectivamente, nas exportações mundiais.
0 100000 200000 300000 400000 500000 600000 700000 800000 900000 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 toneladas
Segundo LOPES (2004), o processo de expansão das exportações de carne bovina no país evidenciou-se a partir de 1994, quando a pecuária nacional sofreu importantes alterações. O efeito renda do Plano Real, gerado por meio do controle inflacionário, provocou, de imediato, a ampliação no consumo interno de carne bovina, capitalizando o setor frigorífico nacional. Nos anos seguintes, o aumento na concorrência de preço com outras carnes, sobretudo a de frango, e a baixa taxa de crescimento econômico do país acarretaram a diminuição na demanda interna de carne bovina, o que obrigou o setor a procurar novos mercados.
LOPES (2004) enfatizou que o sucesso das exportações brasileiras de carne bovina foi decorrente da associação de diversos fatores, dentre os quais os preços competitivos internacionalmente, o investimento em marketing, a abertura de novos mercados, as medidas para ampliar a sanidade do rebanho e a criação do Sistema de Rastreamento e Controle do Rebanho (SISBOV), bem como a ocorrência de doenças e problemas climáticos, que afetaram o rebanho de alguns desses países, e a ampliação do mercado mundial.
A alta competitividade da carne bovina brasileira nos mercados mundiais, sobretudo nos mais sensíveis a preços, como os do Oriente Médio, da Rússia, do Leste Europeu e dos países da América Latina, foi um dos fatores responsáveis pelo sucesso das exportações brasileiras. Essa alta competitividade da carne brasileira pode ser resultante da predominância da criação de bovinos no pasto, atualmente denominado “boi verde”, o que permite produzir com menor custo. Além disso, essa característica confere ao produto a imagem de saudável, uma das exigências do mercado consumidor atual.
Outro fator que favoreceu a recente expansão das exportações brasileiras foi a ocorrência da encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como mal da “vaca louca”, em alguns países exportadores, sobretudo na Europa. Os primeiros casos da doença surgiram no Reino Unido em 1986 e, em 1991, surgiram novos casos em mais de quinze países da Europa, dentre os quais Alemanha, França, Polônia, Portugal e Espanha, o que levou estes mercados a importarem carne de
outras localidades. A ocorrência de seca na Austrália, desde 1999, forçou-a a reduzir o seu rebanho, o que também contribuiu para reduzir a oferta de carne.
O investimento em programas de marketing e promoção do produto brasileiro junto a mercados estrangeiros, com destaque para criação do selo
Brazilian Beef, também pode ser apontado como fator de estímulo às
exportações, na medida em que promoveu a identificação e o reconhecimento da carne brasileira pelo consumidor estrangeiro.
As medidas adotadas para ampliar a sanidade do rebanho nacional, como o Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa, que intensificou as vacinações do rebanho, aliado à criação, em 2002, do SISBOV, também têm auxiliado no desempenho favorável das exportações.
As exigências da União Européia para a importação de carne, aliada às mudanças recentes nos hábitos do consumidor brasileiro, têm obrigado produtores, frigoríficos e supermercados a exercerem um controle mais efetivo sobre a cadeia produtiva da carne, rastreando o produto desde a sua origem na fazenda e garantindo a qualidade final. Essa exigência de rastreabilidade do rebanho tem requerido uma reestruturação do setor, com vistas na manutenção e na expansão da sua competitividade.
Segundo VICTORELLI NETO (2004), a rastreabilidade tornou-se hoje
conceito irreversível, que veio para incorporar-se a todos os sistemas de produção, principalmente nos da cadeia alimentar, e rapidamente será pré- requisito para todo e qualquer mercado mundial. Esse autor afirmou que o
atendimento às exigências de rastreabilidade será condição básica para produtos de países que queiram permanecer no mercado.
Outro fator adicional para ampliação do mercado mundial de carne bovina foi a ocorrência de elevadas taxas de crescimento econômico em países extremamente populosos, como Rússia e China, o que os levou ao consumo de elevadas quantias de proteínas de origem animal.