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TEDARİK ZİNCİRİ YÖNETİMİNİ ETKİLEYEN FAKTÖRLER 49 

2. TEDARİK ZİNCİRİ YÖNETİMİ 15 

2.17. TEDARİK ZİNCİRİ YÖNETİMİNİ ETKİLEYEN FAKTÖRLER 49 

Os anos de 1970 foram marcados principalmente pelas conquistas esportivas no futebol (Tricampeonato Mundial) e pelo cinema colorido (Macunaíma, 1969) e seus vistosos cartazes, que fizeram a música sinfônica perder espaço na imprensa. Finalmente, em 14 de março de 1971, durante o “milagre econômico” dos anos de chumbo, no governo de Rondon Pacheco (1971-1975), a perspectiva de ter um Teatro passou do transitório ao permanente com a inauguração do “Palácio das Artes”. O complexo foi inaugurado com um concerto da cantora lírica Maria Lúcia Godoy e da Orquestra Sinfônica Brasileira, regida pelo maestro Isaac Karabtchevsky.

O Palácio das Artes23 transformou-se em cartão postal de Belo Horizonte e,

sem dúvida, na mais importante casa de espetáculos do Estado, abrigando ainda a

Fundação Clóvis Salgado24 e posteriormente a orquestra sinfônica, o corpo de baile,

o coral lírico, o centro de formação artística (Escola de música, balé e teatro), cinema e biblioteca.

Trata-se de um notável conjunto arquitetônico, com 18.500 metros quadrados de área construída em um local nobre do centro da cidade. Uma realidade resultante de uma velha e frustrada aspiração popular, que deu origem à arrojada ideia de construir-se em Minas um templo de cultura e arte nas suas mais diversas manifestações. A inauguração do Palácio das Artes, catedral da arte belo- horizontina, marcou o término do ciclo heroico do “Francisco Nunes” e abriu uma nova perspectiva para as artes no Estado. Para além do espaço físico, este fragmento branco (figura 5) no meio de uma grande paisagem verde representou o maior investimento do poder público dedicado às artes no Estado.

23 Palácio das Artes. Construído dentro da área do Parque Municipal, o prédio teve projeto inicial de

Niemeyer. A planta definitiva ficou a cargo do engenheiro Hélio Ferreira Pinto. O Palácio das Artes, inaugurado em 1971, ocupa uma área de 18,5 mil metros quadrados. Integram o seu conjunto arquitetônico o Grande Teatro, o Teatro João Ceschiatti, a Sala Juvenal Dias, o Cine Humberto Mauro e as Galerias de Arte (Galeria Alberto da Veiga Guignard, Galeria Genesco Murta, Galeria Arlinda Corrêa Lima, Espaço Mari'Stella Tristão e Espaço Fotográfico). (Foto provavelmente da década de 1970, da Sra. Eli - Saudade Sampa)

Disponível em: http://belo-horizonte.fotoblog.uol.com.br/photo20110726121843.html Acesso em: 16/10/2015.

24 Em homenagem ao ex vice-governador Clóvis Salgado, depois ministro da Educação e Cultura do

Figura 5. Palácio das Artes. Fonte: Fundação Clóvis Salgado, 2015.

Em sua inauguração, o construtor e primeiro gestor da casa, Pery Rocha

França, revelou que a implantação do Palácio das Artes25 teve origem no Le Palais

des Beaux-Arts, de Bruxelas, na Bélgica, também conhecido como BOZAR, inaugurado no final do século XIX.

No Brasil, esse nome foi utilizado em outros estados, como no Teatro Estadual Palácio das Artes, de Rondônia, cuja construção teve início em 1998, inaugurado em 25 de outubro de 2014. Trata-se do maior teatro da Região Norte, superando o Teatro Amazonas, de Manaus, e o Theatro da Paz de Belém do Pará. Outro exemplo como o nome Palácio das Artes é o complexo cultural inaugurado em 11 de setembro de 2008, que surgiu já como um dos mais importantes da Região Metropolitana da Baixada Santista. O prédio, de 6 mil metros quadrados, conta com museu, teatro, biblioteca, galeria de artes e salão de eventos.

Criada pela Lei n. 5.455, de 10 de janeiro de 1970, a Fundação Palácio das Artes passou a se chamar Fundação Clóvis Salgado em 1978. Sua inauguração ocorreu em 30 de janeiro de 1970, com a abertura da exposição “O Processo Evolutivo da Arte em Minas de 1900 a 1970”, realizada na Grande Galeria e com curadoria da artista plástica e crítica de arte Mari'Stella Tristão. A exposição, que

25 Palácio das Artes é também o nome de uma Fundação, situada no Largo de S. Domingos, em

pleno Centro Histórico da cidade do Porto, classificado como Patrimônio Urbanístico da Humanidade pela UNESCO. Em 2005, na cidade de Budapeste, Hungria, foi construído o Palácio da Arte (ou Museu de Exposições Artísticas).

homenageava Genesco Murta (1885-1967), apresentava obras de Arlinda Corrêa Lima e de outros alunos de um dos maiores pintores modernos: Alberto da Veiga Guignard (1896-1962). A mostra também apresentava uma tela de Manoel da Costa Athayde, cedida pelo Colégio Caraça, e uma imagem de Aleijadinho, cedida pelo Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas.

O Palácio das Artes faz parte do “modernismo arquitetônico” que foi

introduzido no Brasil através da atuação e influência de estrangeiros adeptos do movimento, como o arquiteto russo Gregori Warchavchik, que assinou o projeto da “Casa Modernista” (construída entre 1929-1930) – sua própria residência –, a primeira casa em estilo modernista construída em São Paulo.

Em seus projetos, os arquitetos modernistas tentavam abandonar as tradições seguidas até então, contrapondo o estilo neocolonial dominante e seguindo os ideais de inovação e brasilidade. O movimento propunha trabalhar formas geométricas definidas, sem ornamentos, separação entre estrutura e vedação, uso de pilotis a fim de liberar o espaço sob o edifício, panos de vidro contínuos nas fachadas em vez de janelas tradicionais, integração da arquitetura com o entorno pelo paisagismo e com as outras artes plásticas através do emprego de painéis de azulejo decorados, murais e esculturas. Entre os arquitetos que se destacaram no Movimento Moderno brasileiro estão Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Affonso Eduardo Reidy, Attilio Correa Lima, os irmãos Marcelo e Milton Roberto, entre outros.

A primeira obra moderna de repercussão nacional foi o prédio do Ministério da Educação e Saúde (MES), cujo projeto foi realizado em 1936, no governo de Getúlio Vargas, pela equipe de arquitetos composta por Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira e Ernani Vasconcelos, liderados por Lúcio Costa.

Costuma-se dizer que Oscar Niemeyer era um escultor do concreto, escrevia como médico e desenhava seus rabiscos como criança. Em seu projeto do Palácio das Artes, Niemeyer ainda não empregava plenamente os recursos da curva e das linhas estranhas que definiriam sua obra.

Do projeto para o Teatro Municipal, encomendado por Juscelino Kubitschek a Oscar Niemeyer, apenas as fundações foram executadas. O projeto foi substituído por outro, elaborado pelo arquiteto Hélio Ferreira Pinto, que aproveitou as estruturas do projeto e se baseou nos croquis de Niemeyer (Figuras 6-7). A silhueta sinuosa do edifício com predominância de curvas presta homenagem ao mestre Niemeyer. A curva, como a trajetória de um ponto móvel, modelou e deu movimento ao cenário belo-horizontino graças à parceria de Kubitschek e Neimeyer. Em seu Poema da

Curva, que consta no livro As Curvas do Tempo26, Niemeyer descreve a fonte de

inspiração de sua obra:

Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem.

O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas

montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas nuvens do céu, no corpo da mulher amada.

De curvas é feito todo o Universo. O Universo curvo de Einstein.

Após o incêndio que destruiu o interior do teatro em 1996, a grande sala de espetáculos foi redesenhada por um grupo de arquitetos mineiros coordenado por Lizandro Melo Franco. Tempos depois, seus espaços de acolhimento e infraestruturas de apoio tiveram uma intervenção arquitetônica conduzida pelos arquitetos Alvaro Hardy e Mariza Machado Coelho. Desta forma, a passarela que liga o espaço de entrada ao foyer do teatro se abriu e o parque entrou no edifício. A transparência e a elevação do pé-direito, pleno de luz natural proveniente das aberturas zenitais, reforçaram a ideia de ponte, recuperando a leitura do pavilhão frontal e das placas ornamentais anguladas da fachada interna, que repete o desenho da fachada para a avenida. Novas bilheterias foram implantadas e generosos bancos de granito preto agora abrigam os convidados em dias de espetáculo, e se oferecem aos transeuntes para um agradável momento de descanso.

26 Niemeyer, Oscar, 2000, As Curvas do Tempo: as memórias de Oscar Niemeyer. Londres: Phaidon,

O estatista británico Winston Churchill disse numa ocasião: “Nós moldamos

nossos edifícios; depois eles nos moldam.” Depois de sua demorada construção, o

Palácio das Artes passou por inúmeras reformas seguindo a constante mutação modernista. A sinuosidade das curvas dos altos e baixos econômico-políticos como as ondas que Neimeyer viu das janelas de seu apartamento no Rio de Janeiro, fizeram com que as políticas culturais nunca andassem em linha reta. Nas últimas décadas do século XX e ínicio do século XXI, os momentos de crise e progresso momentâneo andaram lado a lado impossibilitando acelerar a curva de crescimento das atividades culturais.

Figura 7. Planta do Palácio das Artes. Desenho de Oscar Niemeyer. Fonte: Biblioteca do Palácio das Artes.

Usamos desta abordagem descritiva para demonstrar que a população de Belo Horizonte precisou esperar um longo período pela definição de políticas públicas para a cultura, e que a modernidade, como promessa de progresso, não atendeu às expectativas de forma imediata. O período do desenvolvimento econômico brasileiro registrado no início da década de 1970 estava no auge e havia instaurado um pensamento geral ufanista de "Brasil potência" que fazia acreditar que as coisas iriam dar certo daquele momento em diante. Porém, o desenvolvimento econômico não acarretou o desenvolvimento que faz da população uma grande nação.

De acordo com Pereira (2008), os governos militares de 1964 a 1985:

[...] realizaram ações em todo âmbito da vida social – do econômico ao político e cultural – com objetivo de criar condições necessárias ao florescimento do setor privado, nacional e imperialista. Isto significava, de um lado, proporcionar a máxima extração de mais-valia absoluta e relativa da força de trabalho assalariada industrial e agrícola, com forte arrocho salarial – congelamento dos salários e queda do seu valor real. O congelamento salarial foi possível graças a uma eficaz política de controle da força de trabalho, seja com bruta violência estatal – a proibição de manifestações e greves – seja com a criação de uma profunda insegurança no emprego [...]. (PEREIRA, 2008. p. 109)

A partir da década de 1970, o sistema capitalista mundial começa a apresentar um quadro de profunda crise devido ao subconsumo e ao advento da inovação tecnológica (como a robótica, a automação e a eletrônica), que permitiu

que o “trabalho vivo” fosse gradativamente substituído pelo “trabalho morto”. Diante

desse quadro, o capital pautado no padrão fordista, de produção fabril em série, de massa, na lógica taylorista de organização do trabalho e na política Keynesiana de pleno emprego e proteção social expressada no Welfare State, foi substituído pelo regime de acumulação flexível. Sobretudo, surgiram na indústria novos processos de trabalho, como a flexibilização da produção, a “especialização flexível”, novos padrões de busca de produtividade e novas formas de adequação da produção à lógica de mercado que foram mudando a maneira de pensar (ANTUNES, 1999).

Para enfrentar a crise, houve na sociedade uma diminuição do investimento no setor produtivo e o reordenamento dos investimentos para o setor monetário. O capital se volta então para o setor financeiro, obtendo um crescimento especulativo dentro da economia. Do ponto de vista ideológico, a burguesia tenta impor suas

teses conservadoras, denominadas de ideologia neoliberal, afirmando uma concepção de humanidade competitiva e empreendedora, com o consequente desmonte das políticas públicas e um aumento das privatizações e da mercantilização dos serviços, como será analisado no capítulo 3 deste trabalho. Configura-se, desta forma, um forte ataque aos direitos sociais conquistados pela classe trabalhadora, pois “um sistema de produção flexível supõe direitos de trabalho também flexíveis, ou de forma mais aguda, supõe a eliminação dos direitos de trabalho” (ANTUNES, 1996, p. 81).

Diante desse panorama, o que ocorreu foi um enorme retrocesso e privação de direitos, afetando também a classe dos artistas-trabalhadores. O fim da ditadura e o retorno à democracia marcaram uma época de profunda crise econômica para o país. Belo Horizonte viu o crescimento demográfico se concentrar na região metropolitana, pois os cidadãos, não podendo viver na capital, passaram somente a usá-la como local de trabalho.

O processo de neoliberalização do Estado brasileiro foi uma tendência iniciada na década de 1990 cujas consequências no meio artístico veremos a seguir.