2.1. Nurettin Topçu’nun Felsefesi
2.1.4. Tasavvuf Felsefesi
Para a análise dos dados obtidos utilizamos Análise Textual Discursiva (ATD). Moraes e Galiazzi (2013) informam que pesquisas qualitativas cada vez mais têm se utilizado de análises textuais.
Seja partindo de textos já existentes, seja produzindo o material de análise a partir de entrevistas e observações, a pesquisa qualitativa pretende aprofundar a compreensão dos fenômenos que investiga a partir de uma análise rigorosa e criteriosa desse tipo de informação. Não pretende testar hipóteses para comprová-las ou refutá-las ao final da pesquisa; a intenção é compreensão, reconstruir conhecimentos existentes sobre os temas investigados (idem, 2013 p. 11).
Esta metodologia de análise qualitativa é enquadrada, segundo os autores, como intermediária à Análise de Discurso e Análise de Conteúdo. Tem a finalidade de compreensão dos fenômenos e discursos a partir das falas dos sujeitos de pesquisa e a imersão em seus discursos. Conforme os autores:
É um processo integrado de análise e de síntese que se propõe a fazer uma leitura rigorosa e aprofundada de conjuntos de materiais textuais, com o objetivo de descrevê-los e interpretá-los no sentido de atingir uma compreensão mais complexa dos fenômenos e dos discursos a partir dos quais foram produzidos (idem, 2013, p. 114).
A ATD requer uma sequência de etapas, partindo de textos já produzidos (textos de opinião, editoriais) ou a partir de entrevistas, questionários e observações, sendo desconstruídos em unidades de significado e, posteriormente, agrupados em categorias conforme as concepções do pesquisador, em categorias definidas anteriormente à análise (a priori), ou por meio indutivo, chamadas categorias emergentes.
Este modelo de análise propõe alguns passos a serem seguidos pelo pesquisador: (a) desconstrução dos textos (unitarização): as ideias trazidas pelos
sujeitos são divididas no que de denomina unidades de significado; (b) relacionamento de ideias (categorização): estabelecimento de relações entre as unidades de significado base, a partir de ideias comuns/próximas, resultando num sistema de categorias; (c) construção de metatextos: as ideias significantes emergidas da segunda etapa são transformadas em textos formados a partir dos textos trazidos pelos sujeitos, surgindo assim o que se denomina metatextos.
Em uma trama construída com as interlocuções dos sujeitos (empíricas) e entre os teóricos que abordam o mesmo tema de pesquisa, o autor vai descrevendo, interpretando as falas dos sujeitos, mesmo aquilo que está implícito no discurso e, com maestria, vai argumentando, embebendo o texto com suas próprias teorias. As teorias do pesquisador, mesmo estas não estando expostas no início de sua pesquisa, intuitivamente vão sendo utilizadas no decorrer de suas análises, ao passo que, durante o processo, o pesquisador se assume como intérprete e autor (MORAES; GALIAZZI, 2013). Os autores desta metodologia de análise afirmam:
A qualidade e a originalidade das produções se dão em função da intensidade de envolvimento nos materiais da análise dependendo ainda dos pressupostos teóricos e epistemológicos que o pesquisador assume ao longo do trabalho (idem, 2013, p. 46).
Os textos emergidos desta construção dependem tanto dos seus autores quanto do próprio pesquisador, pois na sua não neutralidade estão implícitas também suas ideias nesses metatextos construídos, por meio de suas teorias impregnadas, estando elas explicitamente ou implicitamente inseridas nesta leitura.
Neste caso, as produções textuais que irão compor o corpus serão as devolutivas dos questionários e entrevistas transcritas. Na análise do corpus e na construção do metatexto entende-se que a saturação dos dados ocorre quando a introdução de novas informações não modifica os resultados (idem, 2013, p. 17). Com isso, o pesquisador precisa delimitar seu corpus, objetivando em sua análise a saturação.
O pesquisador passa por processo transformativo, onde após a pesquisa, ou mesmo em meio a ela, estará impregnado não apenas por suas teorias a priori, mas pelas ideias carregadas pelos sujeitos, pelos novos referenciais com os quais teve que dialogar. Não é apenas o texto que irá sofrendo, ao longo do processo, construções, desconstruções e novas reconstruções. O próprio pesquisador
necessitará se desconstruir e reconstruir. Os autores afirmam que o pesquisador em meio ao turbilhão, após reflexões, poderá dar-se conta de uma reconstrução de sua identidade, num processo de “abandonar posturas menos adequadas ou desnecessárias ao tempo atual” (MORAES; GALIAZZI, 2013, p. 191). Mais importante que transformar os outros, a pesquisa deve transformar o pesquisador. Como Moraes e Galiazzi expõem “talvez a metamorfose mais importante ao longo de todo processo” (idem, 2013, p. 191) seja realmente a do próprio pesquisador.
Após a análise dos questionários e entrevistas, por meio da ATD, realizamos o processo da análise das questões abarcadas pelos instrumentos de coleta de dados, tendo por intenção atingir os objetivos específicos e responder às questões de pesquisa. Sendo assim, analisamos as respostas de todos os sujeitos de pesquisa, agrupando-as – todas as respostas à questão 1, todas respostas à questão 2, etc. – e, por fim, as transformando em unidades de significado.
No passo seguinte, seguimos na busca pela interpretação às unidades que obtivemos, sempre aos olhos da pergunta que originou tais respostas e, a partir de então, categorizamos estas respostas, inicialmente com as nossas interpretações às unidades de significado emergidas. Obtivemos, assim, o que chamamos de categorização inicial. Durante todo o processo de categorização optamos por categorias emergentes, com o objetivo de não engessar as ideias trazidas pelos sujeitos desta pesquisa.
Em seguida a esta etapa observamos nossas interpretações, verificando sempre se eram o mais fidedignas possíveis em relação às unidades de significado que as originaram. As agrupamos por semelhanças, sem que se perdesse a riqueza dos dados iniciais, as nominamos e originamos as categorias intermediárias.
Por fim, devido à gama de categorias intermediárias, realizamos novo agrupamento e atingimos as categorias finais. A fim de não perdermos a riqueza dos dados e depoimentos que tramaram este processo procuramos, na construção dos textos, trazer à emersão a voz das categorias intermediárias e unidades de significado representativas que as originaram.
Nem todas as respostas sofreram o processo de categorização tal como aqui descrito, porém o conjunto da obra nos auxiliou a compreender o cenário onde estes professores atuam, como entendem e como realizam suas práticas assim como quais as dificuldades que enfrentam ao tentar realizar seu trabalho em uma perspectiva interdisciplinar. Segundo Morin (2000) a visão global é muito mais que
somente o contexto, e há complexidade quando elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo. Sendo assim, perdemos, inevitavelmente, quando buscamos analisar as partes desse todo, porém o olhar para o conjunto faz com que tenhamos novas interpretações sobre o objeto de estudo.
Temos consciência que todo processo envolve perdas, bem como a visão do pesquisador e suas experiências e leituras podem influenciar as interpretações dos discursos. Moraes e Galiazzi (2013, p. 187) alertam que “pesquisar deixa de ser um processo neutro e desligado da afetividade, exigindo reconstruir relações”. Porém, tais considerações fazem parte do processo da pesquisa e não podem ser desvinculados o autor de sua obra.