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80 TABLO 41. Konya’da Üretilen Tarımsal Ürünler (2014)

6.4. TARIMSAL KREDİLER

21 Nesse caso, irei denominar os primeiros atendimentos de preliminares.

utilizaram-se das melhores armas para impor o poder: ameaça, espancamento, abuso e terror, no intuito de provocar dor e, assim, manter o controle da situação.

A gravidade da exposição, tanto a esse poder de destruição emocional quanto ao controle psicológico, dificultam a compreensão e a orientação, por este fato, o acolhimento e escuta qualificada é importante para vítima como para profissional.

Cabe ressaltar que na dinâmica dos serviços, as orientações acerca dos direitos civis, criminais e sociais são de práxis desde o primeiro até o último contato com a vítima.

O SOS e o CEAMO executam seus trabalhos em parceria com a rede de proteção Delegacia de Defesa da Mulher – responsável pela elaboração do Boletim de Ocorrência, investigação e aplicação de Medidas Protetivas, Policiais Civis e Guarda Municipal e Judiciário, em especial a Defensoria Pública, responsável pela entrada e andamento dos processos judiciais. Embora as instituições tenham em suas equipes advogadas, estas não realizam o ingresso de ação judicial, em função do tempo desprendido. Portanto, são integradas nos atendimentos com a especificidade de orientar as mulheres sobre a legislação, direitos, realizar os encaminhamentos devidos e, em casos especiais. Discutir posicionamentos com os colegas de profissão responsáveis pelo processo, e/ou promotor de justiça. As redes sócio-assistenciais e de saúde compõem e tecem as estratégias de intervenção junto às vítimas, em conjunto com serviços de atenção; assim, a atuação contempla as causas e a prevenção da violência.

Constata-se que a complexidade da violência necessita ser contextualizada individualmente, respeitando-se o tempo e a história de cada mulher, além do trabalho ser realizado articulado com todos os meios que possam contribuir para amenizar suas repercussões e preveni-la.

2.3. O PAPEL DAS PROFISSIONAIS DO SERVIÇO DE ATENÇÃO

Conforme se desenhou até aqui, sobre os desdobramentos da questão da violência, apresentando suas complexidades e seus desafios para o seu enfrentamento. Torna-se necessário retomar aos procedimentos preliminares, instituído por ambas as instituições como meio de atuação, englobando a observação e a análise de dois pontos fundamentais para a construção de

estratégias de intervenções, que serão utilizadas posteriormente nos acompanhamentos sistemáticos.

Vale salientar que a posição assumida nesse trabalho está baseada na autora Saffioti (2007, p.79-138), que entende a violência contra a mulher constituída das relações entre homens e mulheres, construídas e fundadas historicamente na ordem patriarcal, ocorrendo, em sua maioria, no âmbito doméstico e dentro das relações afetivas.

Em consonância com a definição, as equipes do SOS e do CEAMO delinearam os primeiros atendimentos pautados em dois pontos norteadores de ações posteriores.

O primeiro ponto é a percepção do estado físico e mental que a vítima se encontra. Essa investigação pauta-se na coerência e consistência do relato e no comportamento por ela apresentado.

Como na maior parte das mulheres que procuraram os serviços de atenção, a violência é oriunda da relação de afeto, o segundo ponto consiste na identificação da codependência da mulher em relação à submissão ao homem e permanência no relacionamento, considerando fatores emocionais e sociais.

Uma pessoa codependente é alguém que, para manter uma sensação de segurança ontológica, requer outro indivíduo, ou um conjunto de indivíduos, para definir as suas carências; ela ou ele não pode sentir autoconfiança sem estar dedicado às necessidades dos outros. Um relacionamento codependente é aquele em que o indivíduo está ligado psicologicamente a um parceiro, cujas atividades são dirigidas por algum tipo de compulsividade. Chamarei de relacionamento fixado aquele em que o próprio relacionamento é objeto do vício (GIDDENS, 1992, p.101).

Acredita-se que as mulheres que suportam a violência de seus parceiros por um longo tempo estabelecem essa relação viciosa. Para Giddens (1992, p.102), esse relacionamento fixado tem uma de suas causas a falsa impressão de segurança no parceiro, não sendo capaz de sentir-se segura fora dessa relação ou por si mesma. O autor complementa: “Os relacionamentos fixados em geral

presumem uma divisão de papéis”.

Os fatores econômicos e sociais estão presentes nessa relação de codependência. O segundo ponto é crucial, pois a compreensão e identificação

dessa situação requerem da profissional cuidados referentes à condução no atendimento e nos futuros.

Na maioria dos casos, a usuária tende a transferir a relação de dependência para a equipe, buscando um porto seguro pertinente aos direcionamentos existentes para sua situação tais como definições do seu lugar e, principalmente, tomadas de decisões, sem que tenha a preocupação e a responsabilidade nas soluções resultantes. É comum a vítima, ao se deparar com as diversas possibilidades para que escolha seu próprio modo a seguir, esperar pela solução externa, sem que tenha que tomar nenhuma decisão sobre a condução da sua vida.

Para compreender melhor a questão, recorremos a Vieira (1969, p.52) que define: “todos os casos, em sua essência, têm características “internas” e “externas” e abrangem pessoas, situações e realidade objetiva, e o que significa esta realidade para quem experimenta”. Vieira aponta caminhos a percorrer no atendimento a casos sociais:

(...) ajuda o individuo a examinar suas dificuldades, analisa com ele as possibilidades de removê-las, informa sobre os recursos materiais, legais, jurídicos etc. e a maneia de utilizá-los; leva o cliente a escolher a solução e adotar os meios para executá-las (VIERA, 1969, p.52).23

Neste sentido, as duas equipes de atenção desenvolvem um trabalho de sensibilização para esclarecer que a função do atendimento é pautada na orientação e no direcionamento. Assim, a escuta qualificada possibilita apurar os recursos internos e externos de cada usuária para criar mecanismos de orientação que enfatizem pequenos detalhes, relatados e percebidos no decorrer do atendimento, como estratégia de fortalecimento e conscientização sobre a sua autonomia, enquanto sujeita da sua história e da sua vida.

Entende-se por autonomia ter liberdade, poder fazer suas próprias escolhas. Segundo o dicionário Aurélio “A autonomia é a faculdade de se governar por si mesmo (...) é a condição pela qual o homem escolhe as leis que regem sua conduta

com autodeterminação, liberdade, independência moral ou intelectual”, sendo este

um elemento primordial para a libertação do jugo da violência.

23 Por tratar-se de uma literatura com 46 anos, alguns termos foram substituídos, como “ajuda” e “cliente”;

Para ter eficácia e promover mudanças concretas nas condições de violência, principalmente em casos graves – crônicos,24o vínculo entre profissional e

usuária é essencial para a libertação da codependência e, consequentemente, das amarras da violência. Giddens explica: “A decisão de agir envolve, em geral, a garantia da ajuda de outras pessoas externas ao próprio relacionamento viciado, pois este é um modo fundamental para vencer a distancia inicial e, também de apoio” (1992, p.104). Podemos afirmar que os serviços de atenção funcionam como ponte (suporte) que empodera a mulher para que possa, assim, atravessar e conquistar sua autonomia e rescindir com o ciclo da violência.

Faz-se necessário destacar que o SOS e CEAMO executam e entendem o empoderamento como ferramenta e intervenção que proporciona a transformação na relação e na vida da mulher vítima de violência.

Empoderamento é o mecanismo pelo qual as pessoas, as organizações, as comunidades tomam controle de seus próprios assuntos, de sua própria vida, de seu destino, tomam consciência da sua habilidade e competência para produzir, criar e gerir (COSTA, 2008).

O conceito de empoderamento – Empowerment surgiu com os movimentos de direitos civis nos Estados Unidos na década de setenta. Segundo Costa (2008), o termo foi incorporado pelo movimento de mulheres na mesma época, compreendendo o empoderamento como meio de “alteração radical dos processos e estruturas que reduzem a posição de subordinada das mulheres como gênero. As mulheres tornam-se empoderadas através da tomada de decisões coletivas e de

mudanças individuais”, proporcionando, assim, sua libertação.

O conceito tomou proporções internacionais com o movimento feminista, sendo emitidos documentos sobre as discussões acerca do empoderamento como; III Conferência sobre a Mulher na ONU, realizada em Nairobi, em 1985, nesse evento o conceito de empoderamento aparece como uma estratégia conquistada por

24 Casos considerados graves: Quando a mulher e sua família correm risco iminente de vida, sofreu ou sofre violências sexuais e físicas com ou sem lesão, tentativa de assassinato, ameaças de morte constantes, está presa ao controle psicológico do agressor, não tem rede de apoio (familiares, amigos e vizinhos), têm agravantes tanto por parte do agressor como da vítima (álcool, drogas, tráfico, antecedentes criminais e transtornos psiquiátricos) e, é reincidente;

Casos crônicos: Quando a mulher está há muito tempo exposta à violência, chegando ao ponto de naturalizar a violência sofrida - classificação elaborada pelo SOS e disponível em documentos na entidade.

mulheres do Terceiro Mundo para mudar as próprias vidas, ao mesmo tempo em que isso gera um processo de transformação social.

Na IV Conferência Mundial das Mulheres realizada em Beijing (1995), houve uma evolução, considerado como marco histórico para o movimento de mulheres na medida em que passou a chamar a responsabilidade dos governantes sobre a desigualdade de gênero. Apontando como estratégia para alcançar à democracia a incorporação pelos Estados da transversalidade de gênero nas políticas públicas, prevendo a equidade em todas as áreas, tendo como finalidade melhorar as condições de vida e o status das mulheres possibilitando assim, seu empoderamento. Em 2005 a Conferência Mundial de Pequim sobre as mulheres traz o foco aos esforços para o empoderamento. Entre os “Objetivos do Milênio da ONU”25, consta no objetivo terceiro: “promover a igualdade entre os gêneros e dar

mais poder às mulheres”.

No mesmo ano, Fórum Econômico Mundial (FEM), comprometido com a melhoria das condições do mundo, elaborou o documento “Empoderamento das Mulheres - Avaliação das Disparidades Globais de Gênero” (FEM, 2005, apud LISBOA, 2008), definindo cinco dimensões importantes para o empoderamento e oportunidade das mulheres: 1- Participação Econômica; diz respeito à presença das mulheres no mercado de trabalho em termos quantitativos e igualdade de salários entre homens e mulheres; 2- Oportunidade Econômica; qualidade do envolvimento econômico, Lisboa complementa:

(...) Internacionalmente, as mulheres estão concentradas, na maioria dos casos em profissões consideradas “femininas” como enfermagem, serviço social, magistério, cuidado de idosos e enfermos - e tendem a permanecer nas categorias trabalhistas inferiores às dos homens: faxineiras, domésticas, serviços de limpeza e outros. coberto); trabalhadoras profissionais e técnicas (em relação ao percentual total)das empoderamento político; conquistas educacionais; saúde e bem-estar (FEM, 2005, apud LISBOA, 2008).

3- Empoderamento Político - diz respeito à representação equitativa de mulheres em estruturas de tomada de decisão, tanto formais quanto informais, e também ao seu direito à voz na formulação de políticas que afetam a sociedade na

25 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Disponível em:

qual estão inseridas; 4- Conquistas Educacionais - é o requisito fundamental para o empoderamento das mulheres em todas as esferas da sociedade; 5- Saúde e Bem- Estar.

Empoderamento na perspectiva feminista é um poder que afirma, reconhece e valoriza as mulheres; é precondição para obter a igualdade entre homens e mulheres; representa um desafio às relações patriarcais, em especial dentro da família, ao poder dominante do homem e a manutenção dos seus privilégios de gênero. Implica a alteração radical dos processos e das estruturas que reproduzem a posição subalterna da mulher como gênero; significa uma mudança na dominação tradicional dos homens sobre as mulheres, garantindo-lhes a autonomia no que se refere ao controle dos seus corpos, da sua sexualidade, do seu direito de ir e vir, bem como um rechaço ao abuso físico e as violações (LISBOA, 2008).

Retomando, as profissionais do SOS e do CEAMO compreendem que para se empoderarem, as mulheres devem melhorar a autopercepção que têm sobre si mesmas, acreditar que são capazes de mudar suas crenças em relação à submissão, e despertar para os seus direitos. Para isso, o oferecimento de orientações e encaminhamentos pontuais não é suficiente, sendo necessária a intervenção contínua em todos os níveis - cultural, social e familiar.

Também é utilizado o acompanhamento sistemático, como já visto. Essa técnica é pautada nos atendimentos contínuos, sendo realizada sempre por duplas de profissionais de disciplinas diferentes. Com isso são construídos, em conjunto com a mulher, planos de ação embasados nos parâmetros do empoderamento de Stromquist (apud, COSTA, 2008)26, que são:

Construção de uma auto-imagem e confiança positiva; Desenvolvimento da habilidade para pensar criticamente; Construção da coesão de grupo;

Promoção da tomada de decisões; Ação.

Esse processo de avanço da mulher se dá através de cinco níveis de igualdade27:

26 Apud: Ana Alice Costa: Gênero, poder e empoderamento das mulheres. Disponível: http://www.adolescencia.org.br/empower/website/2008/imagens/textos_pdf/Empoderamento.pdf

Ainda segundo esta autora, uma perfeita definição de empoderamento deve incluir os componentes cognitivos, psicológicos, políticos e econômicos.

O componente cognitivo refere-se à compreensão que as mulheres têm da sua subordinação, assim como com as causas desta em níveis micro e macro da sociedade; envolve a compreensão de ser e a necessidade de fazer escolhas, mesmo que possam ir de encontro às expectativas culturais e sociais.

O componente psicológico inclui o desenvolvimento de sentimentos que a mulher pode por em prática a nível pessoal e social para melhoria de sua condição, assim como a ênfase na crença de que pode ter êxito nos seus esforços por mudanças: autoconfiança e autoestima são fundamentais.

O componente político supõe analisar o meio em termos políticos e sociais. O componente econômico supõe a independência econômica das mulheres. Esses componentes são trabalhados pelas profissionais das instituições em dois níveis, individual e grupal.

Em nível individual, transcorrem nos atendimentos com aplicação de instrumentais28 como, por exemplo, anaminese, composta por história de vida pessoal, do agressor, intergeracional e relacionamentos anteriores. Este instrumental é utilizado com intuito de identificar padrões de repetição e, paralelamente, fortalecê-la através de apontamentos que foram positivos na sua trajetória de vida, e assim reforçar sua capacidade de superar e romper com a violência.

Em nível grupal, são abordadas questões sobre a cultura patriarcal, seus padrões de submissão, controle e machismo; com esses grupos educativos as mulheres se encontram e percebem que seus problemas não são privados, e suas

28 Os instrumentais foram e são elaborados por cada equipe, ou seja, o SOS tem o seu roteiro assim como o CEAMO, esses dados foram colhidos a partir da comparação do em comum contido.

formas de educação aprendidas estão enraizadas na propagação da cultura patriarcal. Essa reflexão tem como objetivo desconstruir estereótipos de comportamento e sucessivamente propagar a possibilidade de mudança através de ações educativas.

O componente econômico é trabalhado no SOS com oferecimento de cursos de capacitação e geração de renda. No CEAMO, ocorre através de parcerias com instituições que ofereçam o serviço.

As duas instituições mantêm parceria com a rede sócio-assistencial para encaminhamentos e garantia de direitos que proporcionem melhores condições sociais para a mulher e sua família vitimas de violência.

Cabe ressaltar que as ações e intervenções descritas foram construídas e aprimoradas a partir do diálogo direto com as mulheres vitimas de violência, transformando-as em protagonistas de suas próprias histórias de vida, com melhores condições emocionais, econômicas e sociais. Como resultado desse processo, a entrevistada E-4 – profissional e advogada do CEAMO, relatou:

(...) um caso horrível de violência sexual do marido com ela, ela chegou aqui me contanto, atos sexuais dos piores, eu fiquei horrorizada. Expliquei que aquilo era crime, que aquilo não poderia acontecer, ela nem tinha muito consciência, porque achava que era marido. Ela estava se sentindo agredida, mas ela não sabia, eu expliquei para ela. Nem passou pela cabeça dela a possibilidade de fazer BO, muito menos ir na delegacia, e eu respeitei isso, nem encaminhei para delegacia, expliquei apenas os caminhos, porque eu via que ela não queria prejudicá-lo, morria medo de se expor, e ação da violência doméstica é privada, ou seja, só pode ser iniciada por ela. Portanto, não tem como, ela tem que querer, tem que respeitar a vontade dela. (...) eu atendi de primeira vez, então eu fiz o acolhimento e já orientei, mas ai eu marque com a psicóloga para ela fazer o acompanhamento. Na época ela declarou não querer, mesmo assim, eu agendei, mas ela faltou e reagendei, ela também faltou, tentei mais três vezes. Daí, comecei ligar no celular dela, para minha surpresa o celular não era dela. Ai eu fiquei super preocupada, liguei na rede de saúde - centro de saúde, expliquei para assistente social Como ela já conhecia a mulher e a complexidade da situação, há muitos anos que ela frequenta o posto com machucados, imediatamente pediu para agente de saúde ir ate casa dela. Passou dois dias ela (assistente social) ligou para mim e disse; olha chegamos lá e descobrimos que ela não esta morando mais lá, separou do marido. Imagina, ela nem chegou falar nada, ela não tinha essa decisão no atendimento. Depois a assistente social conversou comigo e passou o telefone atual dela, o que tinha acontecido. Na última vez que ele quis fazer relação sexual ela não aceitou e chamou a policia, quando a policia chegou lá prendeu ele e ela não voltou mais naquela casa. Arrumou um emprego de

cuidadora de idosos e estava morando no emprego. Mudou o celular para ele não ter mais contato com ela. Segundo ela, ele ficou preso preventivamente e o soltaram, está respondendo processo criminal. Ela pediu desculpas, relatou; minha vida melhorou tanto, mudou tanto, e eu fiz tudo o que você me falou, assim eu consegui resolver, não deu tempo de voltar ai (CEAMO), porque estou trabalhando. Ótimo, eu não preciso que ela me de o retorno, a gente quer que ela resolva o problema, e no caso dela está resolvido. Eu infelizmente não consegui que ela fizesse o acompanhamento aqui, porque ela disse que não tem tempo, porque fica 24 horas na casa da idosa; ela comentou que não está mais em risco, ele foi preso, ele não tá mais abordando; pois é, ela fez tudo isso com apenas um atendimento, às vezes a gente faz dez atendimentos e não tem resultado. Agora eu tenho certeza que ela está em segurança nesse momento, não sei se ela vai ficar em perigo, mas não temos como saber. Veja bem, ela demonstrou alguns indícios, ela me disse que quando falei que forçar a ter relação da maneira que ele quer e com objetos, qualquer coisa que seja contra a nossa vontade é crime, na primeira tentativa eu disse não aceito ele forçou eu chamei a policia, eu já sabia o que fazer, já estava orientada. Ela me contando, pedi uma medida protetiva e deu tudo certo. Isso foi uma coisa dela, se eu tivesse imposto alguma coisa, do jeito que ela estava se negando até em fazer um BO, ela não conseguiria fazer tudo, foi no tempo dela. Eu não fiz encaminhamento nenhum, só dei o endereço, caso ela precisasse, expliquei a situação e gravidade do caso, respeitei o tempo dela, tenho certeza que se tivesse imposto alguma coisa para ela, ela não voltaria a falar comigo e estava em risco (E-4).

Percebe-se no relato que a forma de atendimento dos dois serviços, tem uma repercussão na dinâmica de vida da vítima de violência, ressaltando que o empoderamento, aliado com os recursos sociais e econômicos, é capaz de coibir a violência contra mulher.

CAPÍTULO 3

PROCEDIMENTOS E CAMINHOS DA PESQUISA

As inquietações referentes a este estudo foram construídas ao longo da observação e atuação profissional da pesquisadora na ONG SOS Ação Mulher e Família.

Os estreitamentos e definições quanto ao objeto, tema e escolha das sujeitas foram sendo tecidos no decorrer do curso de mestrado, com as orientações e discussões proporcionadas nos Núcleos de Pesquisa Ensino e Questões Metodológicas em Serviço Social: Pesquisa e Transdisciplinaridade e Sistema Prisional Feminino (NEMESS), coordenado pela Profª. Drª. Maria Lucia Rodrigues, e Política Social Análise de Conjuntura: Dimensões Sociológicas da Política Social, coordenado pelo Prof. Dr. Evaldo Amaro Vieira. As disciplinas cursadas igualmente contribuíram para o aprimoramento: as aulas de Tendências Teóricas Metodológicas do Serviço Social (Módulo I e II) ministrado pela Profª. Drª. Maria Carmelita Yazbek, Paradigmas Contemporâneos, Transdisciplinaridade e Prática Profissional (Módulo I e II), coordenado pela mesma Professora do Núcleo de Pesquisa NEMESS, Política Social, ministrado pelo Professor do Núcleo de Política Social, Tópicos Avançados