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113 TABLO 71. Sigortalı Türlerinin Türkiye Sıralaması

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113 TABLO 71. Sigortalı Türlerinin Türkiye Sıralaması

O tempo é vivido, é pensado, é sentido, interfere diretamente em nossas ações e na nossa vida. O tempo cronológico (kronos para os gregos) foi criado e construído e, a partir disso, vivemos, planejamos e estruturamos nossa rotina de vida. Aprendemos desde muito cedo como reconhecer as horas, como planejar nossos dias, meses e anos. Esse tempo definido, que causa a imperfeita sincronia entre os pólos cronológico e emocional, causa a perda da capacidade da maturação das idéias, da avaliação dos sentimentos, do escolher de acordo tanto com a emoção quanto com a razão.

Nos dias atuais percebemos a falta dessa sintonia, que desperta em algumas pessoas os sentimentos mais devassos da sociedade como a intolerância, a irritação, a ira, a perda do controle, o ódio, a vingança e, acima de tudo, a busca pelo poder destruidor.

As marcas deixadas nas vítimas decorrentes da relação afetiva curam-se através do tempo emocional. Respeitando e destacando que esse tempo é único e individual. Essa questão foi fala recorrente nas narrativas das participantes dessa pesquisa, que ressaltaram a importância fundamental desse entendimento, para compreensão das múltiplas facetas do tempo, bem como as nuanças da violência.

Cada experiência é única, mas com pontos em comum sobre sua importância, sua intensidade e seu valor. Essa deferência ao tempo possibilitou sua categorização analítica, revelando a linha dos acontecimentos, com sua evolução

positiva e negativa, antes dos atendimentos prestados pelos serviços de atenção, durante e após.

As histórias construídas e vividas pelas mulheres vítimas de violência doméstica, alocadas na linha do tempo cronológico, permitiu a visualização e a compreensão do inicio, meio e fim desse ciclo da vida e de suas relações. Essa abrangência apontou a fragilidade das relações entre o amor, a família, sua prioridade, sua sobrevivência, os sentimentos de proteção, obrigação, sofrimento, medo, dor, dentre muitos outros, que são responsáveis pela guerra travada entre a emoção e a razão.

Os serviços de atenção SOS e CEAMO têm em suas atribuições a função de propiciar a razão às vítimas de violência, ao mesmo tempo respeitando e demonstrando que as emoções são importantes para este processo e que o tempo de superação e maturação é diferente para cada pessoa.

O depoimento das Participantes sobre o Antes, Durante e Após os Atendimentos - Linha do Tempo dos Acontecimentos.

Então, o que me levou pro CEAMO foi uma agressão física do meu ex-marido, foi a primeira vez que ele me bateu, mas verbalmente sempre. Ele me falava vou te matar vou te matar, levantava e ficava falando. Terminamos por três meses, mesmo assim ele continuava ameaçando, ai eu fiquei com medo e acabei voltando, um mês junto, ele voltou com as mesmas atitudes, ai eu procurei a delegacia e depois o CEAMO (LARANJA).

A violência psicológica sutilmente se disseminou na vida de Laranja, causando o medo que a fez retornar para o marido, como meio de amenizar os impactos da violência. O relógio interno de cada pessoa trabalha no seu ritmo, no caso da depoente foram necessárias idas e vindas para buscar o atendimento especializado, até que estivesse aberta a ouvir e construir alternativas para coibir a violência.

Então, não tinha nenhuma noção do que fazer na delegacia, como proceder, porque ele não bebia, não usava drogas, aquilo mais pesado ele não fazia; olha, cheguei até a perguntar o que eu estava fazendo aqui, porque ele nunca bebeu, ele apenas fazia uma grande pressão psicológica, ameaçava, eu não sabia o que era violência (LARANJA).

A compreensão da violência para a depoente é atrelada ao uso de drogas lícitas e ilícitas, como fator determinante e justificável aos atos violentos. Laranja retrata o não conhecimento das facetas da violência, tratando como algo não natural e errôneo a procura dos serviços de proteção, uma vez que não existe uso de entorpecentes. Minimizando os efeitos devastadores da violência psicológica e o risco eminente sobre sua vida, no caso é tido como natural e normal suportar as agressões verbais.

Esse trecho da participante Laranja retrata como a cultura patriarcal está arraigada em nossa sociedade de papéis impostos e construídos para os gêneros.

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(...) cheguei na DDM32 e me senti estranha de chegar e contar. Você não conhece as pessoas é muito ruim de contar. Contar sua história para outra pessoa, você se sente envergonhada, você se sente não digna, você se sente culpada pelo que aconteceu. A gente assume toda a culpa e não a pessoa que fez todo o mal, você se sente mal. Depois você aprende que são os dois, não anulando um ou outro (...) a gente se sente assim, ter que tomar uma atitude depende da gente (LARANJA).

Laranja, em seu depoimento, destaca que a violência é tratada como de fórum privado e, quando parte para o público, a sensação de culpa e o pré- julgamento são pesos que impedem a compreensão e busca pelos serviços de proteção.

O rompimento com o privado possibilitou à depoente a percepção de que o poder de rescindir com a violência estava em suas mãos, tendo encontrado essa clareza no decorrer dos atendimentos prestados pelos serviços de atenção.

Eu senti um alivio de poder falar daquilo que estava sentindo e passei a ver que ele dentro de casa estava gerando muito sofrimento, entendi o porquê e também me senti mais segura para tomar a decisão; se não fosse lá (CEAMO) eu ia entrar em um buraco e não ia conseguir sair (...) foi basicamente uma escola, elas (profissionais do CEAMO) mostraram o caminho a seguir (LARANJA).

No relato da entrevistada percebemos que o seu problema, antes de fórum privado e agora público, resultou na quebra e no entendimento do ciclo da violência, evidenciando o papel fundamental das profissionais do CEAMO, que a acolheram e

a orientaram na perspectiva de desconstruir a cultura enraizada em Laranja, gerando, assim, coibição da violência no tempo da depoente.

A participante Verde, atendida pelo SOS, ressalta a necessidade do tempo para romper com as barreiras ideológicas da cultura. Verde precisou de 20 anos para romper com o privado.

Fiquei pensando e imaginando um pouco minha imagem lá no preto e no branco, durante 20 anos, praticamente. Quando eu conheci meu marido, as coisas eram fortes emoções. Ora pra cima e ora pra baixo com a mesma rapidez que subia, descia - e eu lá, puxando. Violência, principalmente verbal, era como se aquilo fosse normal, claro que doía! Cada vez mais me sentia menorzinha (...) aquele homem fazendo o que queria (...) aí, dois minutos depois ele era o melhor homem do mundo, então fiquei naquele balaço total, eu meio que fui acostumando – ah, não tem problema não! Não estava mais conseguindo trabalhar, era um refúgio o trabalho, às vezes tinha que levar as crianças, elas ficavam até 12 horas (as crianças ficavam no hospital, seu local de trabalho)33 no meu trabalho e ficavam na recepção sentadas na cadeira o resto da noite, enquanto eu trabalhava. (...) ficava pensando, será que meus filhos estão vivos - tinha medo de entrar no quarto. Sabe, ficava imaginando se eles estavam vivos ou mortos, uma coisa maluca. Não podia sair, virou uma loucura, perdeu limite as coisas com ele, eu não conseguia sair daquela situação de jeito nenhum. A família, a minha família, sempre foi assim “a gente te apóia”, mas eu nunca sabia o que eu queria (VERDE).

A participante Verde foi atendida pela equipe do SOS, onde a pesquisadora trabalhava na época, sendo de seu conhecimento a história de vida da usuária e, por este fato, complementa o relato da sujeita.

Nesse caso, Verde tinha muito medo de ser assassinada por seu marido ou que este matasse as crianças, pois as ameaças de morte eram constantes. Como ele tem traços de bipolaridade, seu humor varia de acordo com o tempo, facilitando, assim, a possibilidade do cometimento de tal tragédia. Esse diagnóstico é de conhecimento da sujeita, inclusive ela própria informou à equipe do serviço a gravidade da situação.

O pai das crianças não tinha condições reais de cuidar dos filhos, oferecendo risco iminente às crianças e aos adolescentes.

33 Complemento atribuído pela pesquisadora que na época era profissional da equipe do SOS e técnica do atendimento à Verde.

Até que um dia eu disse chega, mesmo que seja a última coisa que eu faça, mas eu vou até a DDM. Eu fui, mas não queria que o prendessem, ele estava com transtorno bipolar, eu estava sabendo, mas já estava tranquilo (...). Na DDM recebi um papelzinho para vir ao SOS. Fiquei “ligo ou não ligo”, porque para mim assim, primeiro não tinha o que falar, depois achei que fossem chamar a policia. Ai meu Deus! Como vai ser se ele for preso, como vai ser? Aí marquei primeiro para falar com a assistente social34. A gente conversou sobre tudo, sabe a história da Luluzinha35? Pareceu aquela luzinha, não esperava aí! Ela quer mesmo me ajudar, sabe aquela acolhida? (VERDE)

Verde buscou atendimento no seu tempo e na sua disponibilidade em construir estratégias internas para sua transformação.

(...) já tentei milhões de vez me separar dele, mas não consegui, até que chegou o dia. Agora é possível viver, tenho, tipo, um irmão, não sei o que é, um irmão não é! A gente não dorme junto com irmão, mas assim, dormindo do lado, não sinto ódio, nem beijo na boca, mas assim dá para conviver, agora acabaram as brigas, então está assim. Eu acho que é por ai mesmo (VERDE).

Constata-se que essa construção de convivência foi aprimorada ao longo dos atendimentos prestados pela equipe de atenção.

Agora é possível conviver assim, advogada agora não, por exemplo; é possível conviver agora, por enquanto a situação não é essa, de fazer o divórcio, assim, é completamente diferente a imagem que eu tinha de advogado. Advogado é aquela coisa fria que vai lá e escreve, não, ela (profissional do atendimento) vibrou porque aquilo foi crescendo dentro de mim, eu falei gente, não é o momento, ele estava doente, porque eu não quero o divorcio, não é isso, sabe? (VERDE).

O acolhimento e o respeito às estratégias encontradas pela participante para romper com a violência é destacada como eixo fundamental para o sucesso do trabalho profissional que foi desenvolvido.

34 Participante usou o nome da profissional, foi substituído pela pesquisadora pela profissão da técnica mencionada.

35 Luluzinha: desenho animado criado em 1953, é uma menina muito esperta e teimosa, sua idade é

entre 8 a 10 anos e gosta de aprontar várias peripécias, principalmente manter na linha seu amigo Bolinha e a turma do clube dos meninos. Lulu nas horas vagas inventa histórias de aventura enquanto toma conta do terrível Alvinho. Nas histórias sempre usa cabelos cacheados atrás e enrolados na frente, vestido e boina vermelhos, calção branco, e sapatos cor de caramelo. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Little_Lulu

O apoio, a instrução, além do carinho, do calor de gente, de ser humano, que a gente recebe aqui (SOS). Tem um profissional mesmo, são preparados para isso, à medida que vai melhorando, um caso outro caso, vai se aprimorando mais ainda o profissionalismo, então assim, o SOS é de suma importância na minha vida, mesmo(...). Cresci aqui dentro, agora tenho consciência; me respeita, agora você não vai mais mexer assim comigo, não vai desencadear mais isso, não vou fazer aquilo que não era legal. Sabe, acho que é isso mesmo, a gente precisa de profissional que a gente encontrou, aqui é um trabalho importantíssimo (VERDE).

Percebe-se que o trabalho da equipe de atenção e vínculo que se estabeleceu entre profissional e sujeita, possibilitou o rompimento do ciclo da violência, dentro das condições e em seu tempo para maturação da situação.

A percepção de que a força para superar os obstáculos está dentro de cada pessoa, atribui à depoente uma qualidade na convivência conjugal, destacando que o trabalho executado pelas profissionais é de extrema importância nesse processo de conhecimento de si própria e de suas possibilidades de libertação do jugo.

Entretanto, o depoimento da entrevistada Lilás retrata a ineficiência dos órgãos de proteção e dos atendimentos prestados a si. Com fortes traços de violência sofrida, a depoente expõe sua opinião sobre os serviços recebidos.

Eu vinha passando diversos problemas com o meu marido, eu desconfiava que ele estivesse usando drogas e recentemente eu descobri; devido a isso, a nossa convivência, doença do meu filho, minha ausência por causa da doença do meu filho, depois minha saída do trabalho, isso só foi piorando, piorando de certa forma que as agressões não eram mais agressões psicológicas, mas físicas. Chamei a policia, ele foi preso, ai ele saiu e voltou, ele parou de agredir fisicamente, mas ai começou o terror, começou as chantagens psicológicas, sempre comigo e com as crianças, queria me separar. (...) estava tentando ir para Mato Grosso, tentando arrumar um trabalho lá, porque meu irmão mora lá, mas isso não chegou a acontecer, porque ele (companheiro) começou a falar de suicídio, de morte, todo dia falando que ele ia se matar. Minha filha chegou a ouvir ele planejando matar uns dos meus filhos para se vingar de mim, eu tinha muito medo disso, porque numa das tentativas de separação, ele me fez ameaça contra a minha mãe, meu irmão e minha família que morava aqui, caso eu saísse de casa. Ele ameaçava muito, envolvia seus amigos, uns tais de irmãos36, os irmãos sabem aonde encontrar sua mãe, seu irmão, você não vai querer perder as pessoas que você fala que ama, ficava com essas conversas. Ele estava com um comportamento muito diferente, fazendo coisas inacreditáveis, coisas que a gente só vê e imagina,

36 Nesse caso, os irmãos que a sujeita está se referindo são pessoas envolvidas no trafico de drogas, assassinatos e roubo. A própria trouxe na entrevista que seu companheiro estava envolvido com drogas e com o trafico.

na ficção, na televisão ou em filmes de terror, e tudo isso aconteceu com a gente de verdade. Primeiro ele dizia que via coisas, e depois que tinha feito um pacto demoníaco, e essa coisa dizia para ele que ele tinha que me matar; chegava à noite ele ficava conversando com essa coisa, dialogando e negociando com essa coisa, essa coisa falava com ele mata ela, mata ela, e ele falava - a parte de que ele falava eu ouvia – não, eu não vou matar ela, não! Nós fizemos um acordo, eu entreguei minha vida em troca da dela, você prometeu pra mim que você daria ela, e você não está cumprindo o que prometeu, como se tivesse conversando com alguém, então eu acordava a noite e ele estava falando isso. Eu observava que ele sempre tinha uma faca ou um objeto pontiagudo debaixo do travesseiro, ele chegou a cortar uma parte do meu cabelo para fazer ritual de magia negra. Então, aí toda semana, todo dia à noite ele pegava uma faca e escondia embaixo da cama, embaixo do travesseiro, ou escondia em algum lugar. Ai ficou nisso, ficando uma rotina, toda noite ele com aquela faca no peito e se perfurando, assim no peito, não eram furos grandes, mas tipo de quem está tentando se matar sabe? Ficava gemendo e falando que doía, que a pele era muito dura, que não sei o que, depois colocava no pescoço, enfim. Ele ia mudando de lugar, mas o único lugar que ele chegava a fazer força pra furar era no peito. Ele ficava tipo meio de gozação comigo, porque eu fazia curso de enfermagem, e às vezes ele debochava de mim: não sei porque você esta fazendo esse curso de enfermeira, você não precisa desse curso, pra onde nós vamos (...) você deve saber qual o melhor lugar, onde que morre mais fácil, no peito ou no pulso? Onde morre mais fácil, é no peito, é aqui? E apontava a faca nesse lugar, e não me entregava, eu sempre conversando e tentando tirar a faca dele, aconselhava bastante e rezava bastante, falava bastante com ele em nome de Jesus, as palavras que tinham, era sempre falar em nome de Jesus, ele não ia consegui fazer o que ele pretendia, porque o Sangue de Jesus tem poder e ia proteger minha família, me proteger e proteger meus filhos. Ele debochava da minha fé, às vezes ele elogiava que meu Deus era muito forte, que não deixava (...). Quando eu contava essas coisas, ninguém acreditava, eu não tinha como provar. Minha vontade era dizer olha, tira a camisa e olha no peito dele pra você ver, está cheio de pontada de faca, porque toda noite ele fica com a faca ameaçando que vai morrer, que vai me matar, e ele não chegou a me esfaquear, mas há um tempo atrás ele tentou me matar por duas vezes, uma vez me asfixiou, que eu cheguei a desmaiar, ele mesmo que socorreu, ele me deixou no quarto, e travou a porta, e não deixava eu sair, e eu lá dentro; me jogou contra as paredes, me jogou na cama e me asfixiou, só que a intenção não era me matar, era para assustar, porque ele não teve coragem de terminar de me matar, mas a intenção dele era de fazer

isso; quando voltei a si, ele estava me socorrendo, pedindo desculpas e pedindo perdão. Na outra semana(...) foi diferente, porque na ida ele ameaçou o motorista também, ele sacou uma arma e queria matar o motorista, e aí, graças a Deus ele não fez nada. (LILÁS)

Lilás tem um filho transplantado de rim, sendo acompanhado em um Hospital na Capital de São Paulo. Nessas situações em que o tratamento não é oferecido na

cidade de residência, a Secretaria de Saúde do Município de Campinas disponibiliza transporte para essa finalidade. Lilás e seu filho eram frequentadores desse transporte duas vezes por semana, passando o dia todo no Hospital; esse fato despertou o ciúme do seu marido ao ponto de ameaçar o motorista da condução. A depoente, nesse episódio, estava em uma fase complicada e delicada, seu filho havia passado pelo transplante e estava no processo de recuperação e adaptação do novo órgão. Portanto, dependia completamente desse recurso para garantir a saúde do seu filho. Após essa situação, Lilás precisou contornar a situação com o motorista para não perder esse recurso. Como o ocorrido aconteceu na ida para São Paulo, e seu filho começou a passar mal no interior do veiculo, Lilás seguiu viagem e, na volta, seu esposo a esperava para puni-la.

Quando cheguei, ele estava me esperando, fez igual as vezes anteriores. Fechou-me no quarto e estava com a mala dele arrumada, ele estava com uma arma e dizia que ia me matar com a arma na mão, ele não deixava eu sair de casa, me ameaçando. Minha filha, que estava do lado de fora, ouviu um pequeno barulho. O quarto ficava no fundo e não tem como ouvir, as pessoas que estavam do lado de fora não ouviam nada, então, gritar lá, ninguém ia escutar. Minha filha estava dentro de casa, foi no banheiro e ouviu o barulho e começou a bater na porta, eu comecei a gritar e pedir ajuda. Quando ele se distraiu com outras coisas, eu tentei sair do quarto, abri a porta, mas não consegui, ele chegou primeiro, mas ele abriu a porta pra falar para minha filha que estava tudo bem, que não estava acontecendo nada. Mas minha filha entrou no quarto, quando ela entrou, ele não deixou mais ela sair. Ai veio meu outro filho, que entrou no quarto também e ele não deixou sair, ele fechou todo mundo no quarto. (...) ele segurava na minha cabeça e queria que eu olhasse nos olhos deles, falava as mesmas coisas para as crianças, olha no olho dela, ficava segurando, forçando minha cabeça. A minha outra filha, não estava dentro de casa e não sabia o que estava acontecendo. Como não ouviu nada e não viu nenhuma das crianças andar pela casa, um silêncio muito grande, ela foi ao quarto e também ouviu barulhos. Como na semana anterior ele tinha tentado me matar asfixiando, eu tinha falado para ela: filha, se você ouvir algum barulho e você ver essa porta fechada, você chama ajuda. Eu contei pra ela, porque até então eu não contava para os meus filhos o que estava acontecendo, eles presenciavam nossas brigas. Não queria que eles soubessem que estava naquele ponto. Minha filha veio viu a porta fechada, ouviu as conversas e as ameaças dele, ela não bateu na porta, saiu chorando para fora. (...) chamamos a polícia, quando a polícia chegou pegou ele em flagrante, ele foi preso, ficou vinte ou vinte e dois dias preso, saiu da