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120 TABLO 75. Merkezi Yönetim Bütçesi (Bin TL) (2014)

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120 TABLO 75. Merkezi Yönetim Bütçesi (Bin TL) (2014)

Chantagem como Meio de Dominação

As Relações de dominação e de posse do homem sobre a mulher ficaram expressas nos relatos de todas as entrevistadas. As ameaças e a violência psicológica se configuraram como mecanismo de demonstração do poder hierárquico sobre sua dominada.

(...) trabalho de segunda a sexta e também de sábado e domingo, ficou ouvindo ofensa dele, ele fala que depois do trabalho eu vou pro motel; para ele é uma ofensa, ele fica falando para minha filha que eu tenho outro, ela fala: pai, você não tem nada com ela, eu fico irritada com isso, estou trabalhando, não tem nada a ver, eu posso ter outros relacionamentos. Ele está no trabalho dele eu não peço

nada para ele, quem abandonou foi ele, ele não ajuda em nada. (COR DE ROSA)

A fala de Cor de Rosa exprimiu sua necessidade de estar sempre com a justificativa para o seu ex- companheiro e para a sociedade de que nada está “fora do normal”. O aprisionamento à cultura patriarcal e seus julgamentos estão arraigados na depoente, como se fosse errado para ela como “mulher separada” ir ao motel com outro homem, depois do trabalho; esse tipo de preconceito são as amarras do machismo, que expõem essa atitude como proibida, ocasionando desonra e ofensa ao homem, perante a sociedade, mesmo no caso da separação. Esse discurso gera questões como bater, humilhar, ameaçar, é permitido? Essa atitude não é desonrosa e humilhante para a mulher também?

Para entender um pouco da história da depoente, faz-se necessário destacar que foram muitos seus anos de casada e no mesmo tempo exposta a violência psicológica e física, acarretando a naturalização de padrões de comportamentos que só o tempo poderá corrigir e libertá-la desse jugo.

Três entrevistadas expuseram suas experiências com as armadilhas da violência psicológica e da chantagem.

(...) eu arrumei uma advogado e coloquei ele na justiça, já resolvemos, fizemos a audiência, partilhamos tudo, no final das contas eu abri mão da empresa que nós tínhamos; no dia da audiência, eu fiquei com a casa e o carro e ele com a empresa; ele olhou para mim e disse: você ainda vai ser minha empregada, você é o que é hoje graças a mim, senão você não seria isso. (PINK)

Ele chegou a ligar no CEAMO, para saber o que estava acontecendo, e ir atrás de mim; ele foi chamado lá, ela (profissional) perguntou o que estava acontecendo e explicou que eu já estava separada. (LARANJA)

(...) foi indo, ele começou a simular muitas coisas, doenças, ficava doente, começou a beber, sempre desconfiava que ele estivesse usando drogas (...) sempre conversava com ele, mas eu não tenho nada a ver com a vida de ninguém, desde de que isso não atinja a minha família e não me envolva, minha integridade física, a minha saúde, minha vida e a vida dos filhos, aí é diferente eu tenho a opção de não querer conviver com isso, aí eu falei com ele que não queria mais, queria me separar e que estava indo embora (...). Isso não chegou a acontecer, porque ele começou a fazer chantagem,

Nota-se com os depoimentos que a chantagem é utilizada para ocultar a dor da separação, principalmente para o homem que perde seu poder sobre aquela mulher, impulsionando o sentimento de impotência e derrota. Como diz Saffioti:

O poder apresenta duas faces: a da potência e a da impotência. As mulheres são socializadas para conviver com a impotência; os homens – sempre vinculados à força – são preparados para o exercício do poder. Convivem mal com a impotência. Acredita-se ser no momento da vivência da impotência que os homens praticam atos violentos, estabelecendo relações deste tipo (SAFFIOTI E ALMEIDA, 1995, p.52).

A dificuldade de lidar com a perda do poder, como se refere a autora, aparece também nas falas das depoentes abaixo, com a utilização dos filhos como meio de obscurecer a impotência.

(...) ele não pega as crianças, e quando eu ligo para ele pegar as crianças ele diz: pra que? Para você biscatear, não vou pegar, se vira!(...). Eu levo meus filhos para o meu trabalho meu ex-marido fala que vai me processar, vai na policia pegar as crianças de mim, eu falo pode ir, eu não estou fazendo nada de errado, eu simplesmente estou trabalhando para sustentar a casa (...) ele levou as crianças e o combinado era ele me devolver às seis horas, já era sete e meia e nada, aí eu liguei para ele. Eu preciso das crianças, para ir trabalhar! Aí ele falou; passa o seu endereço do trabalho que eu vou com a polícia lá, quero ver se você e tão poderosa assim (...). Então, isso vai mudando muito a gente, agora eu não ligo mais, quer pegar as crianças, ele liga. Eles (filhos) são pequenos e não entendem. (PINK) (...) o meu ex liga paras os meninos para especular se eu estou em casa, porque ele quer vir; se os meninos falam não, a mãe saiu, ele não vem; eu evito encontrar com ele, para ele me ver, está bom demais. (COR DE ROSA)

(...) chantagem emocional, de ficar pressionando, de ficar fingindo, manipulando, ou jogando uns contra os outros, meus filhos contra mim, minha filha mais velha contra mim, isso gerava muito atrito dentro de casa (...). Começou com essas conversas que se mataria, além disso, começou a colocar meus filhos nisso, que mataria meus filhos, porque queria vingança, assim se vingaria de mim e, por último, a conversa dele era: matar os meus filhos, me matar e depois se matar, aí nos últimos dias ele estava simulando um comportamento muito diferente. (LILÁS)

Conforme as falas das entrevistadas, o sentimento de perda do status do poder é tão frustrante que os homens não mediram esforços para reconquistá-lo, usando como artifício e instrumento os próprios filhos, como meio de atingir e ferir as mulheres.

Essas estratégias marcam e ferem os filhos, ao ponto da rejeição paterna por estes. Vejamos os depoimentos:

(...) eles não sentem a falta do pai, eles nem querem ver pai, eles falam que quem saiu foi ele. (COR DE ROSA)

(...) a minha menina tem 13 anos e já entende; ela veio falar que queria namorar, eu levei aquele choque, nossa, o que vou fazer agora? Resolvi ligar para o pai dela (...). Aí, ele ligou imediatamente para ela (filha), disse para ela que ela era vagabunda, que para ele ela tinha morrido e não era mais filha dele, ele disse; não esperava isso de você, está no mesmo caminho da sua mãe. O que ele não sabia é que eu estava na frente dela, ela ficou quietinha ouvindo e colocou no viva voz, ela ficou quietinha, só escorria lágrima, ela ficou três meses sem falar com o pai. (...) ela fica falando para a gente que o pai dela fica xingando nós de biscate, de vagabunda, ele que abandou nós, mãe, ele não tem direito. (PINK)

Fica claro com os relatos que a violência doméstica contra a mulher abarca todos os membros da família, ocasionando dor e revolta nos filhos e o sentimento de impotência diante da situação.

Uma das depoentes ressalta sua escolha em abandonar sua vida em função da proteção dos seus filhos, submetendo-se à violência para garantir a sobrevivência de todos.

(...) a mais velha ouviu ele falando que ia me matar ou matar minha menina. Isso me desanimou mais ainda, eu já estava com medo, aí eu não fiquei mais com medo, fiquei apavorada. Comecei a ficar atenta, observar as coisas, com a vontade de ir embora, mas eu ainda não podia, tenho esse compromisso com o meu filho, ele tem problema de saúde, faz tratamento aqui, na UNICAMP e em São Paulo - ele é transplantado crônico, não podia ir embora, se fosse embora, como ficaria meu filho, ele ia morrer, então eu tinha que suportar os xingamentos e as agressões por ele e os meus outros filhos. (LILÁS)

A entrevistada sujeitou-se à violência e ao risco de morte para garantir o tratamento de saúde do filho, abdicando de sua vida para salvar a de sua prole. O instinto maternal prevaleceu; por esse e outros motivos que preconceitos acerca da violência contra a mulher precisam ser combatidos, ninguém se submete às agressões porque “gosta de apanhar”. Esse depoimento elucida bem essa afirmação.

A dor da traição e do abandono levou a entrevistada a questionar o amor paternal. Na sua constatação, o sentimento só existe na constância do casamento; após a ruptura dos laços matrimoniais, a relação entre pai e filhos é rescindida e torna-se escassa.

(...) uma coisa que eu falo: o homem só ama o filho enquanto ama a mulher, quando ele deixa de amar a mulher, ele deixa de amar os filhos; enquanto eles vão convivendo com a mulher e os filhos, eles amam, depois que separa, é um pouco diferente. (PINK)

Essa postura da depoente Pink não é a mesma da entrevistada Laranja, que também sofreu com a violência e, entretanto, a sensibilidade e o bom senso prevaleceram na conversa com seu filho. Laranja optou por enfatizar as qualidades que a levaram a escolher aquele homem para ser o pai de seu filho e ocupar seu coração.

Quando conversei com o meu filho: filho, está acontecendo algumas coisas com o seu pai, ele tem algo de bom, ele não é sempre ruim, ele tem algo de bom. Ele tem qualidade porque um dia ele me encantou, um dia eu amei seu pai e escolhi seu pai. Ele foi excelente, não foi à toa minha escolha. O mínimo que devo é falar para meu filho: filho, seu pai foi bom, e que tem uma diferença, ora ele está bem e depois... eu convivi bem com ele, conversei muito com os familiares dele porque ele precisa de ajuda, conversar com ele, ele precisa de ajuda, ele não está bem. Ele é um ser humano. (LARANJA)

Nesse caso, o sentimento de ajuda e solidariedade é repassado ao seu filho, como meio de amenizar os impactos da violência cometida pelo seu pai contra sua família.

Nesses dois depoimentos podemos perceber o amor em duas fases; Pink transformou seu amor em dor, e está imbuída da postura de vítima. As marcas causadas pela traição estão abertas em processo de cicatrização, porém, somente o tempo será capaz de fechar a ferida da depoente.

Enfim, parece ser um passo importante e uma decisão, muitas vezes, difícil, conflituosa e ambígua a de denunciar as agressões e buscar ajuda, principalmente quando o agressor é um inimigo íntimo, em que, na relação, amor e ódio se misturam ( GUERRA,1997; apud JACOBUCCI, 2004, p. 91)

Em relação à participante Laranja, a dor causada pelas atrocidades cometidas pelo seu marido não foram capazes de apagar o sentimento de amor e respeito por ele; embora esteja, hoje, separada, o sentimento existe em seu coração. Entretanto, a violência abalou esse amor, rompendo com as possibilidades, no momento, de viverem juntos como casal.

Contextualização da Violência e a Indignação com os Serviços de

Proteção

À título de esclarecimento, define-se que os serviços de proteção são a Delegacia de Defesa da Mulher – DDM, o Ministério Público, o Judiciário, o Sistema de Saúde (centro de saúde, hospitais, pronto atendimento), a Assistência Social – rede de proteção básica (CRAS), média (serviços de atenção) e de alta complexidade (os abrigos, nesse caso, de mulheres vítimas de violência e seus filhos).

Esses serviços precisam trabalhar juntos, com perfeita sincronia entre si, tendo como objetivo preservar a vida em casos de extrema emergência e urgência, além de tratar, coibir e prevenir para qualquer manifestação de violência e desigualdade social.

Em seu depoimento, a entrevistada Lilás relatou sua indignação com todos os serviços de proteção, e denunciou a negligência sofrida ao longo do tempo em que viveu com sua família sob o terror da violência.

(...) então eu vejo com tudo isso, eu tentei buscar ajuda não foi a primeira vez, houve outras vezes, eu fui agredida não foi a primeira vez, foram várias vezes, eu já tentei me separar, não foi a única vez, foram várias vezes, todas as vezes barravam sempre nas mesmas coisas e na mesma dependência e a ineficiência da ajuda. (...) numa família vitima de uma violência, sofre uma inversão no quadro, as vítimas passam que são reféns, elas se tornam bandidos, e o bandido fica livre pra fazer o que quer. Isso me deixa muito nervosa, porque a justiça não existe e eu não entendo, eu fico irritada, o que eu vejo como que pode uma pessoa colocar a vida da outra em risco, fala que vai matar os filhos, tentar matar a esposa várias vezes, manter a família trancafiada em casa sob uma faca, tentar o suicídio e ficar livre. Eu e meus filhos temos que ficar escondidos como se eu fosse uma criminosa, como se eu tivesse feito alguma coisa errada. Para mim, isso me deixa indignada, indignadíssima! Eu não consegui entender como funciona o sistema de segurança para a mulher; se ele tentar te matar, se ele tentar te agredir, aí é configurado uma ameaça e uma tentativa de assassinato, então quer dizer que eu só

seria socorrida a partir do momento que meu marido me matasse, me furasse, ou matasse e furasse um dos meus filhos, aí sim que a justiça ia vir até a minha casa e tirar meu marido daqui? Eu queria evitar isso, eu acho que essas coisas têm que ser mudadas, porque eu não vejo que tem que ser dessa forma, porque ninguém perde um dia de trabalho, porque ninguém deixa suas obrigações pra ir numa delegacia, ficar a manhã ou o dia inteiro, plantada lá de conversa fiada. Eu acho que os profissionais que estão do outro lado, seja aqui do CEAMO, seja de onde for, têm que criar uma forma de atendimento para investigar a vida daquela pessoa, talvez, não interferir na vida daquela pessoa, mas ter uma escuta melhor, um entendimento da situação. (LILÁS)

A entrevistada relatou ter buscado auxilio na saúde, com intuito de proporcionar um tratamento adequado para seu ex-marido, por tentativa de suicídio, alucinações e consumo de drogas ilícitas. Lilás tinha certeza que uma internação poderia evitar o agravamento da situação, entretanto, os serviços buscados não estavam preparados para acolher e ouvir os relatos reais das situações vivenciadas pela participante e sua família.

No dia que eu levei ele no posto de saúde, ele chegou aqui e saiu, quando voltou, voltou com a cara cheia de droga, subiu aqui em cima e aprisionou todos nós. Aí você pensa, levei ele lá pra ser atendido, pra ver se alguém conseguia fazer alguma coisa, eu fico indignada de novo com tanta coisa, mesmo eu contando o que estava acontecendo, não fizeram nada, absolutamente nada; eu falei do que estava acontecendo, que era um caso de internação, que era um caso da saúde, porque não era um caso de policia, não era, era da saúde, de internação (...) ele tinha esse comportamento desequilibrado, mas pra outras pessoas, lá no trabalho, na rua com os amigos ele era uma pessoa perfeita, era inteligente, ele era um pai amoroso, ele era um marido perfeito, e quando eu contava essas coisas ninguém acreditava, quando eu falava tá acontecendo isso e isso na minha casa, então eles não falavam que não era verdade, mas não fazia nada, não tinha nada que eu provasse. Eu queria que eles realmente vissem a situação daquela pessoa, porque eu acho que existem diversos tipos de problemas mentais, porque eu acho que meu marido tava precisando de uma ajuda psicológica, não discordo disso que ele estava totalmente perturbado, desequilibrado. O dia quando ele saiu do hospital (internação) foi (diagnosticado) distúrbio psicológico, distúrbio de personalidade e amor patológico, o que foi feito com isso? Não foi feito nada, ele saiu do hospital fazia o tratamento se ele quisesse, continuou ameaçando, continuou fazendo as mesmas coisas que ele fez, tentou o suicídio de novo, ameaçou todo mundo novamente, tava usando drogas a Deus dará, depois que saiu do hospital, todo mundo sabia, eu, meus filhos sabiam. Aí que ele não fazia mais questão de esconder de ninguém, aí os remédios que o médico prescrevia para ele usar como medicamento ele estava usando como drogas, eu flagrei ele depois do serviço: ele tava vindo na dispensa, primeiro ele tava vindo

escondido, depois que eu flagrei virou uma coisa natural, ele amassava o comprimido, pra tornar pó pra usar como droga. Ele oferecia o comprimento pra mim, oferecia para meu filho, ofereceu pra minha filha, ele dizia que não era droga, era só remédio. Ele queria que a gente soubesse o que aquele negócio causava nele, porque que ele usava, a um ponto que eu cheguei do meu serviço, ele me fechou no banheiro, porque ele queria provar pra mim que ele não era usuário de drogas, que ele não era dependente químico, e ai, para ele me mostrar ele me fechou, porque eu não queria ver, não queria saber, eu falei: não quero saber - ele pegou um vidro que tinha no banheiro, encheu de droga em cima e no fundo do vidro, abaixou e introduziu aquele vidro na minha frente. Cheguei a falar no posto de saúde: ele ta usando drogas, ele ta fazendo o remédio como drogas, tira a camisa e olha o peito dele pra você ver, ta cheio de pontada de faca, porque toda noite ele fica com a faca ameaçando que vai morrer que vai me matar e ele ainda não chegou a me esfaquear, mas há possibilidade (...) Ai a médico falou assim: ele tem que vir aqui, ele tem que fazer tratamento e, em último caso, a gente tenta uma internação pra ele, mas eu avalio que o seu marido está numa condição boa. O que ele não entendia é que ele manipulava todo mundo, ele manipulava as outras pessoas e aqui dentro de casa mesmo. A nossa vida era para mim uma vida de mentira e desespero. (LILÁS)

A depoente também considera que a proteção policial e judiciária também negligenciou sua família.

Ele chegou ser pego em flagrante, foi preso, saiu da cadeia e não aconteceu nada (...) a solução para o meu problema era afastar meu marido da gente e para isso a delegacia da mulher entrou com uma Medida Protetiva que demorou oito dias, mas ninguém me garantiu segurança nenhuma, meu marido passava aqui nada frente, fazia o que ele queria, pintava os canecos e eu tinha que me proteger do meu jeito, me esconder, ficar me escondendo (...) então, eu só não morri e meus filhos só não morreram porque se eu dependesse de qualquer outra pessoa ou ajuda policial eu estaria morta. Ele tem que ser chamado na delegacia para falar o que aconteceu, tem que ter investigação do que está acontecendo, tudo tem que mudar, quem tem que sofrer é quem agride a mulher e os filhos. É crime! A gente busca ajuda achando que é crime, busca a delegacia achando que é crime, toma todas as providências cabíveis, de direto, porque a gente acha que está correto, só que para a mulher, ela continua no foco, ela continua exposta, sem proteção, porque o ex-marido vai lá, fica vinte dias na cadeia, sai e vai lá, e mata a mulher, eu pensei que isso ia acontecer comigo, eu tenho medo que isso aconteça comigo, não tenho mais sossego, eu não durmo mais, tenho pesadelo direto. Quem me garante que ele não pega a gente aí disfarçado? Que proteção, o que policia está fazendo, faz um ano e ninguém me chamou para me ouvir para que ele pagasse pelo que fez, nada. Eu queria muito que a policia investigasse, ouvisse a gente, meus filhos, para que realmente soubesse o que aconteceu, quem é que sabe o que esta acontecendo entre quatro paredes é a mulher. É a palavra da mulher contra a palavra desse vagabundo que está na rua, a

minha palavra contra a dele, tenho mais filhos como testemunhas, quando isso vai acontecer? Talvez a justiça esteja esperando ele matar a gente. Infelizmente, não posso ser positiva nessa situação, na real a proteção existe só no papel e tem que ter proteção na real, isso só vai ter efetividade quando tirar aquela pessoa de circulação imediatamente. (LILÁS)

Cabe esclarecer as novas diretrizes da assistência social para compreensão da continuidade do relato da depoente.

A Assistência Social como “política de proteção social significa garantir a todos, que dela necessitam, e sem contribuição prévia, a provisão dessa proteção” (POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, 2004). A Política Nacional de Assistência Social dividiu em três níveis a proteção: Proteção Social Básica, Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade. Nesse sentido, faz-se relevante destacar brevemente a Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade.

A depoente Lilás foi orientada pela delegacia, e depois pelos serviços de