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139 TABLO 95. Nüfus ve Abone Başına Üretilen/Satılan Su Miktarı
O Desgaste das Profissionais em Relação ao Tempo de Maturação da
Vítima, a Impotência Diante do Risco e da Urgência
As muitas facetas da violência doméstica e o contraste entre o tempo da urgência a necessidade da vítima são obstáculos e desafios para os profissionais dos serviços de atenção que ocupam, nessa trama, o papel de coadjuvantes, sendo as mulheres protagonistas e autoras de sua história de vida.
Aceitar esse papel secundário significa abdicar do tempo cronológico e passar a trabalhar com o ritmo interno de cada usuária, aprendendo a controlar a ansiedade e o desejo de resolver as questões, advindas dos atendimentos, de acordo com seus valores, estratégias ou verdades pessoais. Também, é importante que se passe a compreender que a violência é fruto da cultura patriarcal machista; dessa forma, é certo que não será combatida isoladamente por meio de políticas, serviços, técnicas, entre outros, mas pela incorporação da força do empoderamento da mulher, diante da sua capacidade interna de libertar-se do ciclo da violência e transformar sua vida, através de estratégias e caminhos traçados em conjuntos.
(...) a gente precisa aprender a lidar com a nossa ansiedade, é muito importante, porque no começo, quando eu comecei a trabalhar aqui, eu me sentia mais ansiosa no sentindo de achar que eu tinha que encaminhar, tinha que fazer e nada dava certo: os encaminhamentos que eu dava, nada, todo mundo que entra nesse trabalho acha que vai resolver. A gente achava que encaminhando para falar com a advogada, para ela fazer a separação ia resolver, mas aí a mulher não vinha, aí você ligava no dia seguinte ela dizia: não fui na advogada porque tive dor de barriga, dor de cabeça, porque tinha outras prioridades - as prioridades delas são outras, não são as nossas (E-1).
A depoente expôs sua dificuldade no inicio em entender que seus meios e o tempo para a solução não são os mesmos da usuária. E-4 também relata sua experiência em compreender esse impasse.
(...) tem uma coisa muito legal que aconteceu comigo, assim que eu entrei. A primeira coisa que você quer fazer é pegar a lei e aplicá-la seca, está escrito! Fui até a delegada, escuta, a minha usuária - claro que eu fui educada, porque senão, já viu - veio aqui para fazer a representação47, ela fez o BO e a representação vocês não fizeram,
está na lei, está escrito que é imediatamente. A delegada me respondeu: então, ela foi orientada sobre a representação, a mulher (usuária) me disse que falou com você e que você queria a representação, mas mesmo assim, ela marcou para daqui três meses para representar. Eu fiquei irada! Liguei lá, peguei a lei e ainda grifei, qualquer coisa eu vou mandar ela (usuária) ir lá e mostrar para a delegada. A delegada me respondeu assim: o que acontece, ela quer a medida (Protetiva) eu faço! Mas depois de um tempo eu comecei a ver o que acontecia quando eu fazia isso; pressionava a delegada a fazer a medida, a mulher ia lá, retirava a queixa, a delegada ficava irada. Uma me ligou no outro dia dizendo: como eu tiro aquilo (representação)? Eu disse: olha, agora não dá mais, só no juiz; ela respondeu, então eu quero, quero ir lá falar com o juiz. A delegada disse assim, elas (vítimas), no calor da emoção, dizem que querem mesmo, que na lei está escrito imediatamente, não é legal aplicar imediatamente para todos os casos, porque imediatamente, às vezes, não pode ser para aquela mulher, no calor da emoção ela diz que quer, minutos depois ela não quer mais. Aquele caso, o que aconteceu, ela fez, inclusive ela estava tão indignada que ela foi comigo, no caso ela tinha a medida protetiva e ele estava desrespeitando a medida, então ela não tinha conseguido fazer a representação, mas a medida protetiva eles fizeram (delegacia). Ela estava indignada, porque ele estava desrespeitando, estava ligando o dia todo. Expliquei para ela os procedimentos, então vamos lá! No fórum, a diretora da secretaria tomou o depoimento dela, no balcão. Vamos pedir prisão em flagrante dele! Ela contou toda a história na hora, a mulher (escrivã do fórum) ficou desesperada; vamos, vamos lá, hoje mesmo, ele vai ser preso. Ela assinou, e a mulher (escrivã do fórum) falou: agora mesmo vamos mandar esse pedido para delegacia, para eles prende-lo. A mulher pediu o endereço do serviço dele, ela passou, ela falou estou mandando a viatura lá, ela saiu toda contente de que ia uma viatura no outro dia no trabalho dele buscá-lo, ela assinou o depoimento e a representação na hora. Ela não foi coagida em momento nenhum, aliás, ela que estava incendiando as coisas, colocando cada vez mais fogo. Quando ela percebeu que a diretora (fórum) começou a dar ouvidos para ela, então ela começou, ele fez isso, isso... Ela começou a contar coisas que nem para mim ela contou. Ela saiu de lá comigo, nossa que legal! Agora qualquer coisa eu venho aqui. Ela
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achou um máximo olhar o processo, nossa que legal! O pessoal tratou ela muito bem, tomaram o depoimento dela ali, foi legal mesmo, porque isso não acontece normalmente, deu tudo certo. No outro dia, ela me ligou e disse; ai sabe o que eu estava pensando? Ele vai perder o emprego dele. Eu falei assim: não, ele vai ser preso! Eu expliquei tudo de novo, agora é assim, daí a pouco ela pensou um pouco e disse: não, não quero tirar nada não! Já mudou de idéia de novo, ela acabou não mudando de idéia, ele acabou sendo preso. Hoje em dia ela está bem fortalecida, mas assim, ela deu um passo para trás bem forte ali, ela ia voltar atrás. Então tem que ter aquele tempo para as mulheres pensarem, ai eu entendi o que a delegada me falou, não vou respeitar a lei do imediatamente, agora eu concordo com ela. (E-4)
O bom senso e o equilíbrio prevaleceram na fala da delegada, que mostrou a técnica de que o tempo da vítima não é o mesmo tempo das leis ou das políticas. A experiência adquirida nesse caso contribui para o aprimoramento e abriu várias possibilidades para a depoente repensar sobre seus conceitos a serem desenvolvidos com as vítimas de violência.
As depoentes também expuseram suas dificuldades em organizar as agendas de atendimento, pelo fato da disposição psicológica da mulher não ser a mesma do desejo das profissionais.
(...) então a gente aqui no CEAMO tem uma agenda, pois a gente trabalha com horário agendado. Às vezes as pessoas ligam para agendar, ou às vezes ela chega aqui querendo agendar vindo direto da delegacia ou da rua. A gente tem essa agenda que procuramos organizar o nosso dia de acordo com ela. Quando tem alguma demanda urgente (...) a gente vai acompanhando ou a mulher já esta em acompanhando e surgiu um fato novo, elas telefonam e a gente tem que remanejar os horários de acordo com demanda dela. Na nossa dinâmica tem dias que está super tranquilo, tem dia que não! A gente trabalha faz um tempo com organização da nossa agenda do dia, mas a gente já sabe quem vamos atender, só que tem dias que não dá pra seguir muito isso, tem que se organizar de outra maneira. Você fica lá e não começa outra coisa porque tem que ficar ali esperando a mulher. Quando a mulher falta é um negócio não produtivo porque você poderia ter adiantado outras coisas, mas você não está emocionalmente livre para pegar outra tarefa, tem que estar esperando a dona Maria que esta agendada para as duas, vai que ela chegar às duas e meia, ou ela pode chegar às três horas. (E-1)
(...) isso é bem cansativo eu considero, às vezes a gente marca atendimento, várias seguidas, e nenhuma aparece. (E-2)
Às vezes vêm todas e você não tem nem tempo pra fazer o relatório daquela que você acabou de atender. Daí acumula tudo, (...) você
fica envolvida naquele caso, aí você não consegue resolver o outro (E-4).
Nota-se que a dificuldade está em se conciliar ora a falta do tempo, ora a ociosidade causada pela falta da mulher aos atendimentos. Outra questão que apareceu nas falas foi o tempo gasto e a energia com casos complexos que exigem maiores envolvimentos profissionais.
(...) essa onda de esperar a vontade da mulher é muito angustiante. Dá aquela sensação de estar acumulando muita coisa, porque eu acho que essa sensação dos casos muito pesada, deixam a gente assim, meio exaurida, consome muita energia. (E-2)
Ás vezes o atendimento é tão angustiante, tão forte, que você não consegue fazer o relatório, tem que se distanciar daquela história, para depois você escrever, porque se não, é muita coisa. Às vezes te que demorar uns dois dias para respirar, é bem estressante. (E-1) (...) tem que parar, respirar, tomar uma água, senão não dá. (E-4) A complexidade em se trabalhar com as questões da violência interfere na vida pessoal das profissionais, sendo necessário que parem as atividades para maturar e separar as histórias, gerando o sentimento de impotência e frustração. A falta de concretização do resultado do trabalho executado e a espera do tempo de ação de cada usuária contribuem para que esses sentimentos ganhem força entre as profissionais dos atendimentos.
(...) a gente tem nossos valores, que não são os mesmos, então a gente tem que tomar cuidado mesmo, é uma coisa que o profissional sente, muitas vezes eu me sinto muito impotente; às vezes, eu fico pensando o que eu estou fazendo no meu trabalho que eu não vejo muito resultado; às vezes a gente vê, (...) às vezes você vê, mas na maioria das vezes você fica patinando (...), vou esperar mais dois anos para surgiu outra e me contar essa história, então a gente tem pouco alimento assim, no sentido de você ter energia e de falar pô, que bom, o meu trabalho valeu a pena!
Às vezes eu falo para o meu marido, me dá um arquivo para que eu coloque em ordem alfabética, porque é um trabalho mecânico, assim abc, quando eu chegar no z, ufa, acabei! O meu trabalho não tem fim, quando você acha que está no fim volta para o começo. Sabe, eu acho que é um trabalho que não tem como mensurar, o trabalho do médico ele vai fala: tem um tumor maligno, ele vai lá e arranca o tumor e ver o resultado concretamente, a gente não vê isso concretamente. (E-1)
(...) às vezes a gente nem vê que ela rompeu ciclo da violência, a gente não fica sabendo, a não ser quando ela voltar para contar. Não
é como o engenheiro que vai lá, projeta o prédio e ele vai ver pronto, ufa, acabei, olha aqui o resultado do meu trabalho. (E-4)
(...) isso que é interessante, nosso atendimento é de apoio, de conscientização, mas a ação depende exclusivamente dela, isso é angustiante. (E-2)
E-1 relatou sua experiência com o tempo de espera em obter o resultado do seu trabalho com uma usuária.
Agora mesmo eu acabei de atender uma pessoa, que eu atendi há muito tempo atrás, ela nunca cogitou a possibilidade de romper o casamento dela, assim ela ficou uns dois anos sem vir aqui no CEAMO. Fazia dois anos que eu não a via, hoje ela veio e disse que se separou dele, mas assim, faz dois anos que eu não atendo ela. Não sei o que de repente aconteceu com toda aquela situação. Eu acompanhei ela uns três anos no atendimento. Ele veio, o autor de violência, ele quis vir, eu como profissional via claramente que tinha que haver uma separação, mas assim, que sou eu para dizer e fazer isso, né? Chegou o tempo dela e aí ela realmente fez o seu tempo, hoje ela veio pra contar que se separou, o que será que rolou? Às vezes, no trabalho, você não vê o resultado imediato, nem naquele momento que você está acompanhando. Não é a primeira vez que aconteceu isso, já teve outras mulheres que aconteceu uma situação parecida. Quando ela resolveu se separar, ela disse que ficou com vergonha inclusive de procurar o serviço, porque como ela foi e voltou, foi e voltou, inclusive chegou ir à audiência litigiosa, chegou lá perante o juiz e não confirmou. Ela ficou com vergonha de voltar no serviço, aí, quando ela resolveu se separar de novo, ela disse: eu já sabia o caminho, não precisava mais vir no CEAMO para procurar nada, porque eu já sabia aonde eu tinha que ir. Então, ela veio um dia só para contar que ela tinha se separado, mas assim, ela já tinha deixado de vir no serviço há uns dois anos. Esperei dois anos para saber que deu certo, dois anos. (E-1)
Nessa fala podemos perceber a importância do vinculo entre técnica e usuária, além do comprometimento da mulher em voltar no serviço para contar que se libertou do ciclo da violência. Outra coisa que chama atenção no depoimento é que durante o atendimento o desejo da vítima não era a separação; com o término do acompanhamento e com passar do tempo, as informações e as orientações obtidas ganharam consistência e, na hora que decidiu romper com enlace, foram utilizadas com eficácia. Esse caso demonstra o impacto positivo do trabalho prestado pelo serviço na dinâmica de vida da mulher vítima de violência.
E-1 relata outro caso de êxito, em que o tempo trouxe a resposta e amadurecimento para rompimento com a violência.
(...) uma fala de uma mulher que está no abrigo nesse momento me chamou a atenção, porque ela disse que só estando fora um pouco do casamento está podendo olhar de fora a situação, como se ela fosse expectadora da relação dela, que ela está podendo enxergar melhor as coisas do seu casamento; ela disse: quando estava com ele, eu estava envolvida nesse balaio de gato, nessa roda vida. Então, ela não conseguia mesmo; no momento em que ela precisou ser abrigada, ela pôde pensar. Agora ela está conseguindo, hoje ela não está mais com ele. Então ela conseguiu se lembrar de todos os fatos, o que ele fez e o que ele não fez, então ela diz que está podendo enxergar um pouco melhor, do que ela tem que fazer ou não; estando com ele, ela disse: estava muito difícil. (E-1)
A entrevistada E-3 expôs sua leitura das repercussões positivas na sociedade ao longo do tempo.
É surpreendente, porque ontem a gente fez uma capacitação e estava fazendo uma observação durante o nosso curso, me lembrando de quatro anos atrás, quando eu fui nessa primeira capacitação, quantas diferenças já vieram. Ontem, em relação a esses quatro anos atrás, a diferença está na cultura, na fala das pessoas, isso é o resultado do nosso trabalho, não só do CEAMO, mas de todas as pessoas que estão falando sobre violência de gênero. Entendendo que este é um processo cultural e que cultura estamos escolhendo e queremos, e toda essa fala de cultura de paz, paz, vem trazendo. Ontem ficou bastante claro, um novo olhar das mulheres para a violência, um novo entendimento dessa população, como sendo mesmo esse processo cultural, como sendo mesmo uma construção. Parece que se você não está naquele momento, você não consegue olhar a trajetória do processo. Você já percebe que já tem diferença, tem muita coisa ruim acontecendo, tem tudo isso que a gente fala no nosso dia a dia, de falta de recurso, isso, aquilo; claro tem muita coisa para fazer, tem muita mulher sofrendo, muito, muito, porém o processo está diferente, não é mais igual. Eu estou falando de uma vivência de quatro anos que eu estou aqui, não é de muito tempo, e eu já observo diferença (E-3).
Nota-se na fala da depoente uma observação de mudança na conscientização das mulheres sobre seus direitos e, consequentemente, início da transformação da cultura. Podemos citar entre muitos avanços a promulgação da Lei Maria da Penha, que resgata a violência contra mulher do privado de sua ocorrência para o público, tornando-a crime. Os serviços de atenção, a partir da Lei, aprimoraram-se, contribuindo para os primeiros resultados positivos dessa conquista.
Os Avanços e as Dificuldades de Interlocução Com a Rede Sócio-
Assistencial
As depoentes expuseram suas dificuldades em dialogar com a rede sócio- assistencial e a falta de compreensão em relação à dinâmica do trabalho executado no SOS e CEAMO. Essa sequência de falas elucida os desafios enfrentados.
(...) a gente está aqui pra fazer a nossa parte, mas se ela não tiver o comprometimento da parte dela... mas existe muita cobrança no sentido de quando você fala dos resultados, são números, os resultados são números. Às vezes, acontece uma situação de violência no bairro, estoura lá no CRAS48, elas ligam aqui questionando: como a pessoa passou o final de semana com a família, sendo que muitas vezes esses serviços estão acompanhando essa família, mas como o CEAMO está acompanhando essa pessoa, elas (profissionais do CRAS) querem saber por que a gente não abrigou e não fez nada, eu fico indignada. (E-1)
È uma coisa que tem que ser no tempo dela e não no nosso tempo. (E-4)
Às vezes a gente fica realmente na berlinda. (E-1) Acho difícil a rede entender isso. (E-2)
O nosso trabalho não é entendido. (E-1)
Não, você tem que atender! Você tem que preencher os papéis! (E-2) Como se fosse coercitivo, como se nós fossemos obrigadas. Você vai ter que separar essa mulher, você vai ter que romper com a violência. Elas (profissionais da rede) não entendem que é a mulher. Na verdade, é uma coisa pra mulher romper, mas ela vai romper na hora que ela sentir isso, e não a gente. Parece que tem uma obrigação, é você que tem que ir e resolver e interferir. (E-4)
Você, como profissional, tem que ter uma ação eficaz e resultados numéricos. (E-1)
Isso é desrespeito, é desumano, porque vai contra os direitos primordiais do ser humano, tem que ser respeitada a vontade dela, então tem gente da rede que liga e fala: ela ta sofrendo violência, vocês não tiraram ela de casa! Gente, mas ela voltou para o marido e essa e a escolha dela, ela quis, a gente está fazendo um trabalho de fortalecimento, estamos, mas a gente não vai obrigar ela. Sabe, elas tem esse conceito, mas ela vai falar eu sei que ele é assim, mas como elas falam, ruim com ele, pior sem ele; nosso trabalho está
sendo feito, elas (profissionais da rede) não entendem, não depende de nós. (E-4)
E quando a gente fala com a rede que não trabalha diretamente com a violência de gênero, trabalha com outros segmentos, básica, a gente passa como boba, isso porque nós falamos da dificuldade do atendimento e, às vezes, a rede toda vê essa família no território, a gente não consegue. A gente passa como descomprometida, como se nós não demos conta, então são vários sentimentos, impotência, a esperança é a ultima que morre! Em outro serviço você é descomprometida, irresponsável, então assim, de todos os lados você recebe pedrada, é muito difícil. (E-1)
Justamente porque você conhece essa complexidade e sabe que depende da mulher, que recebemos pedradas de quem não entende, é cansativo. (E-2)
Esse diálogo no grupo de reflexão revela o grande desafio dos outros serviços de assistência, compreender que toda intervenção depende do tempo e da disponibilidade interna de cada sujeito. Podemos perceber nas falas que o poder hierárquico dos órgãos domina, e exploram os serviços de atenção, colocando as profissionais no papel de submissa, reproduzindo a cultura patriarcal - dominador x dominado, violentamente. A violência estende-se para aqueles que deveriam ser parceiros.
Quando a gente liga na delegacia em prol de uma pessoa, vítima de violência, às vezes eu me sinto uma idiota, porque eu acho e avalio que a mulher corre risco, porque do jeito que a delegada fala, parece assim: coitadinha ela é tão ingênua, ela é tão bobinha. (E-1)
A delegada fala: você sabe que ela vai desistir? Sei, mas é direito dela e, ela quer fazer! - é difícil o diálogo. (E-4)
As entrevistadas são técnicas que trabalham com a erradicação da violência contra mulher, mas são vítimas da violência institucional e da rede que deveria apoiar. A pergunta que fica, sem resposta, é: quem irá cuidar das profissionais que estão sendo vítimas?
A Intervenção: seus Pontos Positivos e Negativos
Tanto o CEAMO como o SOS tem suas intervenções pautadas no empoderamento da mulher como forma de rompimento com o ciclo da violência. Essa metodologia apresenta resultados favoráveis, entretanto, provoca desconforto em relação ao tempo. Para elucidar, vejamos alguns depoimentos.
Eu acho assim, a mesma característica que é fantástica, também é muito ingrata, nesse tipo de atendimento, que é exatamente você pegar a pessoa que não sabe decidir e ao invés de tomar a decisão por ela, você dá a base para que ela encontre a própria decisão. Isso é fantástico no atendimento, mas é muito ingrato, porque a gente