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C. KONYA EKONOMİSİ

II. MAKROEKONOMİK GÖSTERGELER

1. TARIM

Este valioso documento trilhou caminhos árduos e longos, até ser promulgado e entregue à Nação em 2002. Seu texto final resultou de ampla consulta nacional e passou pelo crivo de inúmeras discussões, nas quais se envolveram os mais diversos segmentos da sociedade.86

Na apresentação das Ações Prioritárias, exarou o então Presidente Fernando Henrique Cardoso: “O maior desafio da Agenda 21 Brasileira é internalizar nas políticas públicas do País os valores e princípios do desenvolvimento sustentável. Esta é uma meta a ser atingida no mais breve prazo possível. A chave do sucesso da Agenda 21 Brasileira reside na corresponsabilidade, solidariedade e integração

84 . Capítulo 28, item 28.3.

85 . Há casos de ramificação da Agenda 21 até mesmo em escolas e segmentos da sociedade e setores de

uma cidade (bairros, quarteirões etc.): Aparecem até em uma pequena publicação, a “Agenda 21 do Pedaço”.

86 . A Agenda 21 Brasileira compreende dois volumes: 1. Agenda 21 Brasileira – Resultado da Consulta Nacional; 2. Agenda 21 Brasileira – Ações Prioritárias, Brasília, DF: MMA/PNUD,

66 desenvolvidas por toda a sociedade ao longo de sua construção. O próximo desafio é implementá-la, para que o Brasil alcance novo padrão civilizatório em um contexto mundial de profundas transformações”.87

O especialista em comunicação social e em sustentabilidade André Trigueiro assim se expressou: “O atual Governo (2005) não precisa encomendar estudos ou designar comissões para verificar os caminhos da sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Um amplo diagnóstico, sem precedentes na história do País, mobilizou 40 mil pessoas em todos os Estados, representando diversos setores da sociedade civil. Depois de três anos de trabalho, esse movimento – o mais amplo processo de participação popular para definir políticas públicas do Brasil – produziu um documento chamado Agenda 21 Brasileira, que se divide em seis temas básicos: Agricultura Sustentável; Cidades Sustentáveis; Infraestrutura e Integração Regional; Gestão e Recursos Naturais; Redução das Desigualdades Sociais; e Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento.

Esse imenso estoque de informações (os documentos podem ser acessados no site do Ministério do Meio Ambiente: www.mma.gov.br) deveria inspirar as discussões do Plano Plurianual, os programas de desenvolvimento do BNDES, os critérios para a liberação de crédito para indústria, agricultura e construção civil, as compras governamentais e, principalmente, os esforços no sentido de emprestar a essas ações um caráter interministerial, ou transversal, como prefere chamar a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.”88

Por sua vez, a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional – CPDS, antevendo naturais dificuldades na implementação da proposta e das Ações Prioritárias, antecipa-se às objeções prováveis a respeito da objetividade do documento. Assinala a CPDS:

“A Agenda 21 Brasileira é uma proposta realista e exequível de desenvolvimento sustentável, desde que se levem em consideração as restrições econômicas, político-institucionais e culturais que limitam sua implementação. Para que essas propostas estratégicas possam ser executadas com maior eficácia e velocidade será indispensável que:

87 . Em Agenda 21 Brasileira – Ações Prioritárias cit., abertura. 88 . Ob. cit., p. 81-82.

67 – o nível de consciência ambiental e de educação para a sustentabilidade avance; – o conjunto do empresariado se posicione de forma proativa quanto às suas

responsabilidades sociais e ambientais;

– a sociedade seja mais participativa e que tome maior número de iniciativas próprias em favor da sustentabilidade;

– a estrutura do sistema político nacional apresente maior grau de abertura para as políticas de redução das desigualdades e de eliminação da pobreza absoluta; – o sistema de planejamento governamental disponha de recursos humanos

qualificados, com capacidade gerencial, distribuídos de modo adequado nas diversas instituições públicas responsáveis;

– as fontes possíveis de recursos financeiros sejam identificadas em favor de programas inovadores estruturantes e de alta visibilidade.

As ações prioritárias da Agenda 21 Brasileira ressaltam o seu caráter afirmativo, condizente com a legitimidade que adquiriu em virtude de ampla consulta e participação nacional. Esse compromisso político com os conceitos e as estratégias propostas poderá contribuir, de forma significativa, para que sejam mais facilmente superadas as restrições à sua implantação”.89

Num momento da vida nacional, caracterizado pela premência de se buscar um novo pacto social, busca-se também um instrumento adequado para alcançar o objetivo maior, aliás preconizado pela nossa Carta Magna em seus Princípios Fundamentais.90 É o que se pode conferir na advertência da CPDS, que coroa a Introdução:

“Por fim, é preciso ressaltar, uma vez mais, que a Agenda 21 Brasileira não é um plano de Governo, mas um compromisso da sociedade em termos de escolha de cenários futuros. Praticar a Agenda 21 pressupõe a tomada de consciência individual dos cidadãos sobre o papel ambiental, econômico, social e político que desempenham em sua comunidade. Exige, portanto, a integração de toda a sociedade na construção desse futuro que desejamos ver realizado. Uma nova

89 . Idem, p. 4.

90 . “Art. 3.º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – construir uma

sociedade livre, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

68 parceria, que induz a sociedade a compartilhar responsabilidades e decisões junto com os governos, permite maior sinergia em torno de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável”.91

A Agenda 21 Brasileira foi precedida de muitas outras tentativas e experiências, seja no âmbito de alguns Estados, seja em escalas locais dos Municípios. Não tem sido possível aferir se essas Agendas lograram resultados práticos e efetivos ou se, lamentavelmente, ficaram reduzidas a papéis sem maior significação e sem alma.

Alguns requisitos são essenciais para o seu êxito: adequação às respectivas realidades, objetividade das propostas, disponibilidade de recursos, participação da sociedade mediante seus segmentos representativos e, sem sombra de dúvida, vontade política.

Muito acertadamente avisa a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável:

“A Agenda 21 Brasileira sugere que, para tornar realidade tantos e diversos objetivos, sejam ampliados os instrumentos de intervenção, por meio de negociação entre as instituições públicas e privadas, ou de mecanismos efetivos de mercado, ou ainda com as conhecidas estruturas regulatórias de comando e controle. Entretanto, é preciso entender que esta Agenda não se resume a um conjunto de políticas imediatas, de curto prazo. Ela deve introduzir, em relação às questões mais delicadas, compromissos graduais de médio ou de longo prazos, com tempo e condições para que as empresas e os agentes sociais se adaptem à nova realidade e sejam capazes de superar, paulatinamente, os obstáculos à sua execução”.92

Em termos de rigor metodológico, as Agendas 21 estaduais e locais deveriam partir da Agenda Nacional, ou em sua elaboração ou em sua revisão. Isso garantiria maior sintonia e coesão às ações propostas pelos entes federativos e facilitaria seu acompanhamento e avaliação. No entanto, os acontecimentos atropelam métodos e prazos; assim, a Agenda 21 Brasileira chegou com lamentável atraso, dez anos depois da Agenda 21 Global de 1992.

91 . Agenda 21 Brasileira – Ações Prioritárias cit., p. 5. 92 . Idem, ibidem.

69 Nesta altura da nossa introdução, elencar as Ações Prioritárias da Agenda 21 Brasileira, em número de 21, distribuídas em cinco blocos, tal como apresentadas no texto oficial:93

(I) A economia da poupança na sociedade do conhecimento

Objetivo 1: Produção e consumo sustentáveis contra a cultura do desperdício Objetivo 2: Ecoeficiência e responsabilidade social das empresas

Objetivo 3: Retomada do planejamento estratégico, infraestrutura e integração regional

Objetivo 4: Energia renovável e biomassa

Objetivo 5: Informação e conhecimento para o desenvolvimento sustentável (II) Inclusão social para uma sociedade solidária

Objetivo 6: Educação permanente para o trabalho e a vida

Objetivo 7: Promover a saúde e evitar a doença, democratizando o SUS Objetivo 8: Inclusão social e distribuição de renda

Objetivo 9: Universalizar o saneamento ambiental, protegendo o ambiente e a saúde

(III) Estratégia para a sustentabilidade urbana e rural

Objetivo 10: Gestão do espaço urbano e a autoridade metropolitana Objetivo 11: Desenvolvimento sustentável do Brasil rural

Objetivo 12: Promoção da agricultura sustentável

Objetivo 13: Promover a Agenda 21 Local e o desenvolvimento integrado e sustentável

Objetivo 14: Implantar o transporte de massa e a mobilidade sustentável (IV) Recursos naturais estratégicos: água, biodiversidade e florestas

Objetivo 15: Preservar a quantidade e melhorar a qualidade de água nas bacias hidrográficas

Objetivo 16: Política florestal, controle do desmatamento e corredores de biodiversidade

(V) Governança e ética para a promoção da sustentabilidade

70 Objetivo 17: Descentralização e o pacto federativo: parcerias, consórcios e o poder

local

Objetivo 18: Modernização do Estado: gestão ambiental e instrumentos econômicos

Objetivo 19: Relações internacionais e governança global para o desenvolvimento sustentável

Objetivo 20: Cultura cívica e novas identidades na sociedade da comunicação Objetivo 21: Pedagogia da sustentabilidade: ética e solidariedade

Resta uma observação final: a simples existência de uma Agenda 21 não assegura a sua efetividade e eficácia. O que importa são as ações concretas. Por isso, podemos inferir que há documentos estéreis, por uma parte, ao passo que há muitas realizações efetivas, por outra parte, ações estas que vêm sendo realizadas no espírito da Agenda 21, mesmo que seus agentes não tenham tido notícia prévia dos respectivos documentos. Este é um dado importante a considerar quando cidadãos, ambientalistas e gestores do meio ambiente e da coisa pública se interrogam sobre o destino da Agenda 21. Seria pessimismo injustificável pensar que tudo caiu no vazio ou no torvelinho das palavras.

A nossa Agenda 21 Brasileira não teve a acolhida e a repercussão que lhes eram devidas. Talvez porque no tempo se distanciou muito da Agenda 21 Global. Pode parecer um papel morto, porém não é verdade. Os que acompanham a política ambiental brasileira saber que houve empenho em sua conscientização. O festejado movimento da Agenda ficou muito para trás – quase vinte anos – e seu espírito impregnou muitas áreas e autores da Gestão ambiental.

A nossa Agenda Nacional partiu da Agenda Global e as realizações acumuladas desde os tempos do ecodesenvolvimento, incorporou programas, projetos e ações que foram postos em prática por gestores ambientais e militantes ambientalistas, no decorrer das últimas décadas. Em verdade, o seu espírito continua vivo. Resta uma observação final: o texto da Agenda 21 Brasileira que, na antevisão do terceiro milênio e do nascimento do novo século, sintetizou as aspirações nacionais em 21 objetivos, quis dar uma estrutura pedagógica e uma fisionomia própria no qual poderíamos chamar de “carta magna do desenvolvimento nacional”, assim como a Agenda 21 global pode ser considerada

71 como a “cartilha do desenvolvimento sustentável”. Cabe aos cidadãos conscientes, à militância ambientalista esclarecida, aos gestores ambientais ativos e, por fim, ao Poder Público responsável nela e por ela conduzirem as suas ações.

Mesmo que o Poder Público tenha se omitido ou venha a se omitir, forças vivas da sociedade mantêm aceso o ideal e impulsionam para frente essa mesma sociedade. Em última análise, é isso o que conta.

72

TÍTULO II

O DANO AMBIENTAL NO CONTEXTO JURÍDICO BRASILEIRO

A devastação ambiental não é privilégio de nossos dias. É um fenômeno que acompanha o homem desde os primórdios de sua história. De fato, conforme já anotado, “um dos mitos que caracterizam a civilização ocidental é o do Jardim de Éden, onde o homem vivia em harmonia com a natureza e do qual foi expulso por seus pecados e sua falta de virtude... A expulsão se deveu à utilização predatória dos recursos naturais, e a História poderia ter sido diferente. Nesse sentido, a

Bíblia talvez não seja tão explícita como seria desejável. Não é o fato de ter comido uma maçã que levou à expulsão do Paraíso. O fato de o homem ter exaurido o solo e perturbado a sua capacidade de manter as macieiras produtivas é que destruiu o Jardim de Éden e redundou na sua expulsão de lá”.94 Apenas a

percepção jurídica desse fenômeno – até como consequência de um bem jurídico novo denominado meio ambiente – é que é recente.

Vejamos, então, a conformação que o nosso Direito tem dado à matéria, diante da crise ecológica que vivenciamos hoje.

Benzer Belgeler