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C. KONYA EKONOMİSİ

II. MAKROEKONOMİK GÖSTERGELER

3. DIŞ TİCARET

Na hipótese de a restauração in natura se revelar insuficiente ou inviável – fática ou tecnicamente –, admite-se a indenização em dinheiro, como forma indireta de sanar a lesão.

A percepção do meio ambiente como bem de uso comum do povo (art. 225,

caput, da CF/1988) ou, na linguagem do legislador infraconstitucional, como um

patrimônio público (art. 2.º, I, da Lei 6.938/1981), faz supor que qualquer agressão a ele implica lesão aos interesses de incalculável número de pessoas, de toda a coletividade.

Impossível, portanto, nesses casos de amplíssima indeterminação das vítimas, distribuir eventual indenização, haurida via ação civil pública, entre todos os prejudicados. Nem seria razoável e lógico destiná-la ao Estado (ao Erário), que sempre será indiretamente responsável pelo dano, quando não seu causador direto. Nem teria sentido, por outro lado, utilizá-la para outra finalidade que não a de reparar o mal ocasionado, de repor as coisas, sempre que possível, no seu estado anterior.

Atento a isso, determinou o legislador que, quando a decisão impuser condenação em pecúnia – caso de aplicação de multa diária ou condenação final em dinheiro –, deve o recurso reverter a um Fundo gerido por um Conselho do qual participam, necessariamente, o Ministério Público e representantes da comunidade, ficando afetado a uma finalidade social específica: permitir a efetiva reconstituição dos bens lesados, verdadeira restitutio in integrum.165

De qualquer modo, releva registrar que em ambas as hipóteses de reparação do dano ambiental busca o legislador a imposição de um custo ao poluidor, com o que se cumprem, a um só tempo, dois objetivos principais: dar uma resposta

econômica aos danos sofridos pela vítima (o indivíduo e a sociedade) e dissuadir

comportamentos semelhantes do poluidor ou de terceiros. A efetividade de um e

165 . Art. 13, caput, da Lei 7.347/1985: “Havendo condenação em dinheiro, a indenização pelo dano

causado reverterá a um fundo gerido por um Conselho Federal ou por Conselhos Estaduais de que participarão necessariamente o Ministério Público e representantes da comunidade, sendo seus recursos destinados à reconstituição dos bens lesados”.

105 de outro depende, diretamente, da certeza (inevitabilidade) e da tempestividade (rapidez) da ação reparatória.166

166 . ALBAMONTE, Adalberto. Danni all’ambiente e responsabilità civile. Padova: Cedam, 1989, p.

106

TÍTULO III

REAÇÃO JURÍDICA À DANOSIDADE AMBIENTAL

A ordem econômica brasileira, “fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa”, adota, entre seus princípios, a “defesa do meio ambiente”, nos termos do art. 170, caput e VI, da CF/1988.

Para corrigir e/ou coibir eventuais ameaças ou lesões ao ambiente, o art. 225, § 3.º, da CF/1988 prevê que “as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados”.167

Está a se falar, portanto, na materialização do princípio da responsabilização integral do degradador, que o sujeita, cumulativamente, a sanções repressivas e reparatórias. Deveras, os atos atentatórios ao ambiente têm (ou podem ter) repercussão jurídica tripla, já que ofendem o ordenamento de três maneiras distintas. Nesse sentido, uma contaminação do solo, por exemplo, pode deflagrar a imposição de sanções administrativas168 (pagamento de multa de R$ 5.000,00 – cinco mil reais – a R$ 50.000.000,00 – cinquenta milhões de reais –, com base no art. 61, caput, do Dec. 6.514/2008), sanções criminais (condenação à pena de reclusão, de um a cinco anos, com base no art. 54, § 2.º, V, da Lei 9.605/1998) e

sanções civis (cumprimento de obrigações de não fazer, impondo-se a cessação da atividade poluidora; de fazer, consistente na remedição do solo, para a integral

167 . A Lei Ambiental argentina 25.675, de 06.11.2002, também é clara nesse sentido: “La

responsabilidad civil o penal, por daño ambiental, es independiente de la administrativa. Se presume

iuris tantum la responsabilidad del autor del daño ambiental, si existen infracciones a las normas ambientales administrativas” (art. 29).

168 . Não custa ressaltar, desde logo, que a sanção administrativa, mesmo a pecuniária (multa), não é

restauração de direito alheio, individual ou coletivo, mas é pena pela violação de um dever imposto pelo ordenamento jurídico (ALBAMONTE, Adalberto. Danni all’ambiente... cit., p. 41). Nesse

sentido o caminhar da jurisprudência, verbis: “O fato de a ré ter sofrido a imposição de multa administrativa não exclui a responsabilidade civil pelo mesmo fato. A primeira decorre de comportamento adverso aos regulamentares, enquanto a segunda, da ocorrência do dano” (TRF-3.ª Reg., ApCiv c/ Ag Retido 95031002486/SP, 1.ª T., j. 19.06.2001, rel. Juiz Federal convocado David Diniz, DJU 23.10.2001).

107 reparação do dano; ou, se irreversível a contaminação, pagamento de indenização em pecúnia).

Isso decorre do princípio insculpido no art. 935 do atual CC,169 que estabelece a independência da responsabilidade civil em relação à criminal, e que já havia sido incorporado por norma constitucional para fins de defesa do meio ambiente.170

Esquematizando:

169 . “Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais

sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”.

108

Responsabilidade por dano ambiental (Art. 225, § 3º, CF) PENAL Natureza Jurídica SUBJETIVA – (culpa presumida – art. 70, caput, da Lei SUBJETIVA – (inocênc ia presumi da – art. OBJETIVA – (independente de culpa, informada pela teoria do risco integral – art. 14, § 1º da Lei Não induz solidariedade, ante o traço da pessoalidade da sanção, inerente à sua Não induz solidariedade, ante o traço da pessoalidade da pena, Possível a solidariedade, inerente à sua índole reparatória e à natureza propter rem da Possível a incidência de excludentes de Possível a incidência de excludentes de Não incidência de excludentes de causalidade e possibilidade de CIVIL ADM. Proc. Administrativo

109 É desta matéria que trataremos nas páginas seguintes.

Capítulo I

RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA AMBIENTAL

Seguindo tendência universal, a Carta brasileira erigiu o meio ambiente à categoria de um daqueles valores ideais da ordem social, dedicando-lhe, a par de uma constelação de regras esparsas, um capítulo próprio que, definitivamente, institucionalizou o direito ao ambiente sadio como um dos direitos fundamentais da pessoa humana.

Com efeito, no Capítulo VI do Título VIII, dirigido à Ordem Social, a Constituição define o meio ambiente ecologicamente equilibrado como direito de

todos, dando-lhe a natureza de bem de uso comum do povo e essencial à sadia

qualidade de vida, e impondo a corresponsabilidade dos cidadãos e do Poder Público por sua defesa e preservação.171

Dentre os mecanismos capazes de conjurar o dano ambiental, proclamou, no art. 225, § 3.º, da CF, que “as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e

administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados”. Nestes termos, resulta claro, como já dito, que a danosidade ambiental tem repercussão jurídica tripla, certo que o poluidor, por um mesmo ato, pode ser responsabilizado, alternativa ou cumulativamente, nas esferas penal,

administrativa e civil.

Assim, por exemplo, a emissão de efluentes ou o carreamento de materiais para um manancial, comprometendo a fauna ictiológica e as condições sanitárias do meio ambiente, pode ensejar: (i) pagamento de multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais), com base no art. 62,

110 VIII, do Dec. 6.514/2008 (âmbito administrativo); (ii) condenação à pena de detenção, de 1 a 3 anos, ou à de multa, ou ambas cumulativamente, com base no art. 33 da Lei 9.605/1998 (âmbito penal); e (iii) pagamento de indenização ou cumprimento de obrigação de fazer ou de não fazer, com base no art. 14, § 1.º, da Lei 6.938/1981 (âmbito civil).

Na esfera civil, o repúdio do ordenamento jurídico à danosidade ambiental já era uma realidade mesmo antes da entrada em vigor da Carta de 1988, porquanto a obrigação reparatória de danos, segundo a regra da responsabilidade objetiva, estava disciplinada, desde 1981, na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente.172

Faltava, para a plena efetividade daquela norma constitucional programática, tratamento adequado das responsabilidades penal e administrativa, espaço este preenchido com a incorporação ao ordenamento jurídico da Lei 9.605, de 12.02.1998, que dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.

Cuidaremos, aqui, da responsabilidade administrativa ambiental, tomando por base os dispositivos aplicáveis da referida Lei 9.605/1998, e seu regulamento, aprovado pelo Dec. 6.514/2008, bem como de outras normas do ordenamento jurídico, consideradas relevantes para a compreensão do assunto.

Benzer Belgeler