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C. KONYA EKONOMİSİ

II. MAKROEKONOMİK GÖSTERGELER

13. ENERJİ

RESPONSABILIDADE CIVIL AMBIENTAL

O Direito Ambiental, não custa repetir, tem três esferas básicas de atuação: a preventiva, a reparatória e a repressiva. Cuidaremos, aqui, da reparação do dano

ambiental, por meio das normas de responsabilidade civil, que, na sociedade pós- industrial, marcada pela proliferação de riscos, funcionam como mecanismos simultaneamente de regulação social335 e de tutela patrimonial da vítima.336

335 . No âmbito de regulação social, segundo averba Annelise Monteiro Steigleder, “a responsabilidade

exerce a função de prevenir comportamentos antissociais, dentre os quais aqueles que implicam geração de riscos; de distribuir a carga dos riscos, pelo que se torna otimizadora de justiça social; e de garantia dos direitos do cidadão” (Responsabilidade civil ambiental... cit., p. 156).

336 . “Como mecanismo para a indenização da vítima, a responsabilidade deve objetivar a superação da

desigualdade entre a vítima, que pode ser difusa, e o produtor do dano, percebendo-se, que a debilidade da vítima não consiste em sua inferioridade econômica, mas de sua impotência e fragilidade frente às fontes modernas dos danos tecnológicos” (GUTIÉRREZ, Graciela Messina de Estrella. La responsabilidad civil en la era tecnológica:tendencias y prospectiva. 2. ed. Buenos

179 Com a Constituição de 1988, os princípios da dignidade da pessoa humanae da solidariedade, previstos em forma prefacial e expressamente nos arts. 1º, III e 3º, I acarretaram verdadeiro processo de constitucionalização das relações privadas, impondo ao intérprete a releitura das normas civilísticas sob novo viés, “com vistas à obtenção de um sistema mais seguro e eficiente nas incontáveis ações de reparação civil”.337

Daí que a Constituição de 1988, ao reconhecer o direito ao meio ambiente como direito fundamental da pessoa humana, sobre impor um norte à responsabilidade civil por dano ambiental, deu-lhe também, por incidir diretamente sobre as relações privadas, o necessário fundamento axiológico.338 Destarte,

enfatiza a autora, “a partir do momento em que se busca a fundamentação para a responsabilidade civil na Constituição Federal, alargam-se ainda mais as suas funções, voltando-se o instituto, teleologicamente, à consecução dos valores protegidos na Constituição, tais como o bem social e a dignidade da pessoa humana – não apenas do lesado individual – mas do gênero humano. Assim, o conteúdo da função social da responsabilidade civil, voltada para a proteção do meio ambiente, vincula-se aos princípios da responsabilidade social e da solidariedade social, concebidos a partir da superação do individualismo no âmbito das relações econômicas. E deve ser apreendido a partir da noção de ‘publicização do privado’, que conduz para a ampliação funcional e de conteúdo dos institutos tradicionais do direito privado, como é o caso da responsabilidade civil”.339

O reflexo dessas ideias, entre nós, permite concluir que a responsabilidade civil ambiental “resulta de um sistema próprio e autônomo no contexto da responsabilidade civil, com regras especiais que se aplicam à matéria, em detrimento das normas gerais do Código Civil. Nesse sentido, a responsabilidade civil por danos ambientais está sujeita a um regime jurídico específico, instituído a partir de normas da Constituição Federal e da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, derrogatório do regime geral do Código Civil. Nessa matéria, portanto,

Aires: Abeledo-Perrot, 1997. p. 210-218). Ver também: RODOTÀ, Stefano. Introduzioni. La

responsabilità dell’impresa per i danni all’ambiente e ai consumatori. Milano: Giuffrè. 1978 p. 16. 337 . MERGULHÃO, Maria Fernanda Dias. Indenização integral na responsabilidade civil. São Paulo:

Atlas, 2014, p. 1.

338 . STEIGLEDER, Annelise Monteiro. Responsabilidade civil ambiental... cit. p. 155. 339 . Idem. p. 156 e 157.

180 como se pode perceber, o sistema de responsabilidade civil por danos ambientais configura um ‘microssistema’ dentro do sistema geral da responsabilidade civil, com regras próprias e especiais sobre o assunto”.340

1. OS REGIMES DA RESPONSABILIDADE CIVIL NO DIREITO COMUM

O Código Civil de 2002, atento à crescente complexidade das relações presentes na moderna sociedade brasileira, introduziu importantes modificações nas normas que disciplinam a responsabilidade civil.

Migrou do sistema único do Código Civil de 1916, de proeminência do tradicional modelo dogmático fundado na culpa (art. 159),341 para um sistema

dualista que, sem prejuízo desse princípio básico, reproduzido agora no art. 186,342 agregou, com igual força de incidência, a responsabilidade sem culpa, esteada apenas no risco pelo desempenho de uma atividade (art. 927, parágrafo único).343 Despreendeu-se, a bem ver, do elemento “perigo”, considerado restritivo para as hipóteses de aplicação de responsabilidade objetiva.344

Assim, a partir do Código Civil de 2002, independentemente de normas específicas, passam a conviver, em termos amplos, o sistema tradicional da culpa com o de risco inerente à atividade.

340 . MIRRA, Álvaro Luiz Valery. Responsabilidade civil pelo dano ambiental e o princípio da reparação

integral do dano. Revista de Direito Ambiental. vol. 32. p. 74 e 75. São Paulo: Ed. RT, 2003.

341 . “Art. 159. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito,

ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano.”

342 . “Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e

causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.”

343 . “Art. 927. (...)

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.”

344 . De fato, segundo Teresa Ancona Lopez, “perigo é tudo aquilo que ameaça ou compromete a

segurança de uma pessoa ou uma coisa. É conhecido e real. Perigo é concreto. Às situações de perigo deve ser aplicado o princípio da prevenção (...). O risco é o perigo eventual mais ou menos previsível, diferentemente da alea (imprevisível) e do perigo (real). O risco é abstrato. A ele se aplica o princípio da precaução.” (Princípio da precaução e evolução da responsabilidade civil. São Paulo: Quartier Latin, 2010, p. 24 e 25).

181

1.1 A responsabilidade baseada na culpa

No Direito comum, o princípio clássico que caracteriza a responsabilidade extracontratual é o da responsabilidade subjetiva ou aquiliana, fundada na culpa ou no dolo do agente causador do dano.

Como se disse, continua a viger a regra de que o dever ressarcitório pela prática de atos ilícitos decorre da culpa lato sensu, que pressupõe a aferição da vontade do autor, enquadrando-a nos parâmetros do dolo (consciência e vontade livre de praticar o ato) ou da culpa stricto sensu (violação do dever de cuidado, atenção e diligência com que todos devem se pautar na vida em sociedade). Neste sentido, os dizeres do atual Código Civil: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”, ficando “obrigado a repará- lo”.345

O comportamento do infrator será reprovado ou censurado quando, ante circunstâncias concretas do caso, entender-se que ele poderia ou deveria ter agido de modo diferente. Portanto, o ato ilícito, para fins de responsabilização civil, qualifica-se pela culpa. Não havendo culpa, não há, em regra, qualquer responsabilidade reparatória.346

1.2 A responsabilidade baseada no risco da atividade

A expansão das atividades econômicas da chamada sociedade de risco – marcada pelo consumo de massa e pela desenfreada utilização dos recursos naturais – haveria de exigir um tratamento da matéria com o viés de um novo Direito, e não pelos limites da ótica privada tradicional.347

Nessa linha, como que atendendo a esse clamor, avançou o Código Civil Brasileiro, que, em tema de responsabilidade civil, concebeu-a não mais apenas no elemento subjetivo da culpa, mas, também, no da objetividade, “nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor

345 . Arts. 186 e 927, caput, do CC/2002.

346 . DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro (Responsabilidade civil). 22. ed. São Paulo:

Saraiva, 2008. vol. 7, p. 39 e 40.

347 . ATHIAS, Jorge Alex Nunes. Responsabilidade civil e meio ambiente – Breve panorama do direito

182 do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem”.348 Sim,

porque, “pensar em prever todas as situações fáticas que naturalmente implicam riscos mais acentuados é tarefa deveras impossível. Não se pode contar as estrelas. Só o julgador, pois, caso a caso, ao subsumir o fato à norma, divisará que atividades hão de merecer o trato de uma responsabilidade tida por objetiva em prol da cabal proteção da vítima”.349 É a teoria do risco, fincada num sistema

aberto, que entende a responsabilidade como decorrente do próprio fato emanado do risco da atividade desenvolvida, sem qualquer perquirição quanto a eventual negligência ou imprudência do seu explorador.

Ao assim dispor, o diploma da cidadania reconheceu campo próprio de incidência à teoria objetiva de responsabilidade civil, segundo o cânone da teoria

do risco criado, que se fundamenta no princípio segundo o qual se alguém introduz na sociedade uma situação de risco para terceiros deve responder pelos danos advenientes, uma vez comprovado o seu liame com a atividade, mesmo lícita, do agente.

2. A RESPONSABILIDADE CIVIL NO DOMÍNIO DO DIREITO DO AMBIENTE

2.1 Da culpa ao risco

Desde o alvorecer das preocupações com o meio ambiente até o início da década de 1980, imaginou-se que seria possível resolver os problemas

348 . Art. 927, parágrafo único, do CC/2002.

Segundo Silmara Juny Chinelato, “o art. 927 é uma das grandes inovações no âmbito da responsabilidade civil, pois agasalha verdadeira ‘cláusula geral de responsabilidade civil objetiva’, atribuindo ao juiz definir o que seja atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano que implique, por sua natureza, risco para os direitos de outrem” (Tendências da responsabilidade civil no direito contemporâneo: reflexos no Código de 2002. Em DELGADO, Mario Luiz; ALVES, Jones Figueiredo (Coords.). Novo Código Civil – Questões controvertidas: responsabilidade civil.

Série Grandes temas de direito privado. São Paulo: Método, 2006, v. 5, p. 592). Com efeito, “fala-se em cláusula geral porque tais disposições normativas não ousam descrever casos específicos, previamente selecionados pelo legislador, senão que, servindo-se de conceitos indeterminados (negligência, imprudência, risco), firmam mesmo um audacioso enunciado genérico, de livre trânsito com a realidade, oportunizando que o julgador, na multiplicidade de circunstâncias passíveis de análise, possa realizar a devida subsunção do fato à norma”. (MARANHÃO. Ney Stany Morais. Responsabilidade civil objetiva pelo risco da atividade: uma perspectiva civil constitucional. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2010, p. 240).

349 . MARANHÃO, Ney Stany Morais. Responsabilidade civil objetiva pelo risco da atividade... cit. p.

Benzer Belgeler