Figura 41 – Capa do volume 1, destinado ao 6º ano do Ensino Fundamental.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009.
A coleção Linguagem – Criação e Interação foi elaborada por Cássia Leslie Garcia de Souza e Márcia Paganini Cavéquia e publicada pela editora Saraiva, no ano de 2009.
Cada volume da coletânea se organiza em oito unidades temáticas, a saber: “Histórias mitológicas”, “O humor está em alta”, “Um saber que vem do povo”, “Histórias do cotidiano”, “Esporte: interação e superação”, “Cidadania e ação”, “Jogue essa fumaça pra lá”, “Racismo? Tô fora”. Cada unidade temática é dividida em capítulos.
Em cada um dos volumes são apresentados três projetos, na seção “Espaço de criação”, que visam articular os eixos de leitura, produção e oralidade, com propostas de discussões, seminários, elaboração de livros, construção de painéis, entre outras.
Conforme a síntese elaborada pelo Guia de Livros Didáticos 2011, a coleção privilegia a diversidade de temas e de gêneros textuais, entre os quais se encontra o e-mail. As atividades de leitura privilegiam a estrutura e organização do gênero e tipo
textual, explorando, por exemplo, o tempo, o espaço e o foco narrativo, nas narrativas; as características do texto argumentativo; a estrutura da notícia; os elementos do texto teatral. Há propostas variadas de produção escrita que, de modo geral, indicam o que escrever e a estrutura que o texto deve ter. O Guia aponta como ponto forte da coleção a seleção textual e os projetos da seção “Espaço de criação”.
O manual do professor é organizado em linguagem simples e direta, com sugestões sobre o trabalho dos diversos eixos de ensino e, ainda, com a descrição minuciosa de cada uma das unidades. A seção “Uma ideia a mais” apresenta informações adicionais, textos e sugestões complementares para o enriquecimento do trabalho. As seções “Momento do texto”, “Painel do texto”, “Estudo do texto” e “Ampliação do vocabulário” são destinadas ao trabalho com a leitura.
As autoras comentam no manual do professor que formar leitores proficientes deve ser um dos objetivos do ensino de Língua Portuguesa e que a capacidade de ler criticamente garante ao indivíduo condições de interferir no meio em que está inserido, permitindo, inclusive, que ele transforme a realidade. Para isso é importante o trabalho com a diversidade textual, a partir do enfoque dos gêneros textuais, que amplia o nível de letramento dos alunos, isto é, o domínio dos usos sociais da escrita, sendo este fator determinante para o pleno exercício da cidadania.
Souza e Cavéquia (2009) apresentam no manual do professor orientações didáticas, que discutem aspectos relacionados ao trabalho realizado pelo professor em sala de aula. Entre os tópicos abordados encontra-se “A utilização de recursos tecnológicos na educação”, no qual as autoras discutem as transformações ocorridas a partir do desenvolvimento tecnológico. Elas apresentam o computador como um valioso instrumento pedagógico, justificando, assim, a sua posição:
os alunos podem criar seus próprios arquivos, produzir materiais impressos – como a edição de um livro com textos elaborados pela turma – entre outras possibilidades. Pela internet, também podem trocar mensagens com estudantes de outras regiões do Brasil e até mesmo de outros países, realizar pesquisas especificas, visitar bibliotecas e museus, ler notícias nacionais e internacionais etc. Afinal, esta é uma fonte de informações bastante rica, atualizada e dinâmica (SOUZA; CAVÉQUIA, 2009, p. 28).
Para as autoras, cabe à escola e ao professor, portanto, o papel de utilizar da melhor maneira possível os recursos tecnológicos, como fonte de informações ou como recurso didático, a serviço da Educação. Elas sugerem aos professores algumas
referências bibliográficas relativas ao tema tecnologia e práticas de ensino; sugerem também alguns endereços eletrônicos que podem ser bastante úteis para pesquisas didáticas e culturais dos professores.
2.3.4.1 Levantamento de atividades sobre a leitura de textos digitais
A seguir apresentamos as atividades relacionadas ao texto digital da coleção Linguagem – Criação e Interação. Após análise dos quatro volumes, encontramos algumas atividades de leitura e escrita em contextos digitais nos livros destinados ao 6º e 7º anos.
O livro do 6º ano da coleção Linguagem – Criação e Interação apresenta no primeiro capítulo, um pequeno texto intitulado “Painel do Texto”, que conta a história do livro desde o início até os dias de hoje; no trecho final as autoras comentam que hoje não lemos apenas as impressões em papel, mas também os livros eletrônicos na tela do computador.
Figura 42 – Fragmento “Painel do Texto”.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 15.
Ainda no volume do 6º ano, Souza e Cavéquia (2009) indicam nomes de livros e de sites como sugestões de pesquisa aos alunos.
Figura 43 – Pesquisa de textos poéticos de origem popular.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 53.
Na página 237, há o gênero e-mail. O objetivo principal da apresentação desse gênero é a comparação entre ele e a carta pessoal, o bilhete e outros gêneros que servem para a troca de mensagens entre as pessoas. É apresentada ainda uma proposta de produção de texto escrito, levando em consideração as características encontradas no e-mail, tais como elementos básicos (local e data, destinatário, saudação, conteúdo, despedida e assinatura), linguagem adequada, pontuação etc.
Figura 44 – Questões textuais.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 237.
Já o livro do 7º ano da coleção Linguagem – Criação e Interação apresenta na abertura da unidade 1, intitulada “Mensagens”, fragmentos de páginas virtuais com diálogos em salas de bate-papo. O objetivo da atividade, segundo as autoras, é provocar discussões em sala de aula logo no início da unidade. O tema comunicação/interação foi escolhido para conduzir o trabalho desta unidade.
As autoras comentam que atualmente existe uma maneira bastante ágil de enviar e receber mensagens e que a internet possibilita a conversa e a troca de mensagens entre pessoas de qualquer parte do país ou do mundo.
Figura 45 – Capa do volume 1, destinado ao 7º ano do Ensino Fundamental.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009.
No manual do professor, Souza e Cavéquia (2009) afirmam que existem muitos sites próprios para quem quer se corresponder com pessoas das mais variadas partes do mundo com o objetivo, principalmente, de fazer contatos amistosos.
Figura 46 – “Mensagens”.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 13.
As autoras propõem algumas questões para que os alunos abram a discussão acerca da temática: “Você já teve a oportunidade de se comunicar pela internet? Caso sua resposta seja negativa, gostaria de experimentar? O que você pensa a respeito dessa forma de estabelecer contatos e fazer amizades?” (SOUZA; CAVÉQUIA, 2009, p.13).
Os textos e as atividades propostas nas páginas 20 e 21, do livro do 7º ano, destacam elementos do contexto digital: 1) internet; 2) e-mail; 3) endereço eletrônico; 4) emoticon; 5) homepage e 6) provedor de acesso. Há também informações sobre o que significa o símbolo @ e as abreviaturas: com., br., www., org., gov.
Figura 47 – Momento do texto.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 20.
Figura 48 – Painel do texto.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 21.
As autoras dedicam a página 22 do livro do 7º ano à continuação das informações referentes ao universo de contexto digital, apresentado anteriormente nas páginas 20 e 21. Elas organizam atividades que abordam a questão da linguagem utilizada no gênero e-mail. No manual do professor, Souza e Cavéquia (2009) recomendam que o professor discuta com os alunos que a economia de caracteres digitados e o desprendimento das normas gramaticais de grafar as palavras confere
agilidade à comunicação. Recomendam, também, que o professor atente à linguagem informal empregada no gênero e-mail, às palavras abreviadas e ao uso de emoticons.
Figura 49 – Estudo do texto.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 22.
A atividade proposta na página 28 tem como objetivo a criação de um e-mail. As autoras propõem duas opções para a realização do trabalho: 1ª opção - o professor vai averiguar que alunos de outras turmas ou de outras escolas querem participar dessa atividade e possuem endereços eletrônicos para distribuí-los entre os colegas de sua sala que também usam a internet; 2ª opção - o professor vai observar se o aluno possui ou
não acesso à internet, se não tiver acesso à internet, o professor poderá propor atividades em que o aluno possa imaginar que está escrevendo um e-mail pelo computador. As atividades propostas são: escreva a mensagem em uma folha de papel, crie um endereço eletrônico e um nome de provedor fictício. O aluno também poderá utilizar em seu texto abreviações e emoticon.
As autoras sugerem que o professor converse com o professor de outra escola para que repasse os textos aos alunos dele que também não tiverem acesso à internet.
Figura 50 – Criação de e-mail.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 28.
As páginas 120 e 121 apresentam o gênero reportagem, que traz como temática de discussão os diários virtuais – blogs.
Figura 51 – Reportagem Revista Veja.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 120.
Figura 52 – Continuação Reportagem Revista Veja.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 121.
As atividades propostas na página 122 destacam a compreensão do texto anterior e as questões relativas ao gênero blog; o objetivo das autoras é discutir a reportagem da revista Veja sobre os diários virtuais. Logo depois, as autoras apresentam questões sobre a versão eletrônica do diário pessoal, ou seja, o gênero blog. São destacadas também as palavras e expressões relacionadas diretamente à internet e a seus usuários, tais como blog, internautas, weblog, internet, sites, on-line, e-mail, blogueiros etc.
As autoras comentam no manual do professor que o sucesso dos blogs deve-se a dois fatores: são fáceis de fazer e possibilitam a interação entre textos, fotos, desenhos, animações, vídeos e músicas. Elas propõem a discussão dos alunos a respeito das vantagens e das desvantagens do blog em relação ao antigo diário de papel.
Figura 53 – Estudo do texto.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 122.
No Quadro 5 abaixo expomos de forma sintética as atividades de leitura e escrita de textos digital encontradas na coleção Linguagem – Criação e Interação, bem como os seus objetivos e as orientações presentes no manual do professor.
Quadro 5 – Atividades de leitura de textos digitais da coleção Linguagem – Criação e Interação.
ATIVIDADES DOS VOLUMES DOS 6º E 7º ANOS QUE ABORDAM A
LEITURA DE TEXTOS DIGITAIS
OBJETIVO ORIENTAÇÕES
MANUAL DO PROFESSOR
1) Painel do texto. Ler o texto para descobrir que, hoje, não lemos apenas as impressões em papel, mas também os livros eletrônicos.
Desperta a curiosidade no aluno. A leitura pode proporciona o prazer.
Apresenta o papel social
desempenhado pelos livros ao longo dos tempos.
2) Sugestão de sites para
pesquisa de alunos. Sugerir sites para a pesquisa de alunos. Apresenta sites com o intuito de promoção e incentivo à pesquisa. 3) Tipos de
correspondência. Comparar a estrutura do gênero e-mail com a carta pessoal.
O professor pode mostrar aos alunos alguns gêneros textuais que possibilitam a troca de mensagens entre as pessoas.
4) Leitura –
“Mensagens”. Ler o texto e discutir as questões propostas pelas autoras.
Atualmente, uma nova forma de fazer a amizade tem-se tornado cada vez mais comum: as amizades virtuais, feitas pela internet. Existem muitos sites próprios para quem quer se corresponder com pessoas das mais variadas partes do mundo com o objetivo, principalmente, de fazer contatos amistosos. Essa é uma forma muito ágil e extremamente moderna de estabelecer
comunicação. 5) Leituras Ler os textos que destacam
informações do contexto digital.
Discuta com os alunos que a forma de grafar as palavras utilizadas na internet é para conferir agilidade à comunicação. Podemos notar uma economia de caracteres digitados e o desprendimento das normas
gramaticais. 6) O diálogo entre os
textos. Comparar as diferentes linguagens utilizadas nos textos.
Discuta com os alunos que a diferença na situação comunicativa interfere na linguagem dos textos, pois o produtor de um texto
geralmente adequa a linguagem que utiliza ao seu interlocutor,
compondo um texto que permita ao leitor a construção do sentido. 7) Criação de e-mail. Criar um e-mail. O professor pode aproveitar a
ATIVIDADES DOS VOLUMES DOS 6º E 7º ANOS QUE ABORDAM A
LEITURA DE TEXTOS DIGITAIS
OBJETIVO ORIENTAÇÕES
MANUAL DO PROFESSOR
oportunidade para debater com os alunos a respeito do “internetês”, isto é, a linguagem própria dos usuários de sites de relacionamento de internet.
8) Momento do texto 2
“Meu querido blog”. Apresentar um texto do gênero reportagem que traz como temática de discussão os diários virtuais.
Apresenta a diferença entre o
blog e o antigo diário pessoal. O professor pode refletir com os alunos que, graças à difusão de novas tecnologias, principalmente a informática, surgiram dezenas de neologismos nas últimas décadas no Brasil. São exemplos disso:
internautas, blogueiros, spamers, cliques, etc.
Fonte: SOUZA, C. L. G. de; CAVÉQUIA, M. P. Linguagem – Criação e Interação. São Paulo: Saraiva, 2009.
2.3.4.2 Discussão dos resultados
A coleção 4 – Linguagem – Criação e Interação das autoras Cássia Garcia de Souza e Márcia Paganini Cavéquia, apresentam atividades com o trabalho de leitura de texto digital nos volumes do 6º e 7º anos. Nos volumes do 8º e 9º anos, a abordagem se dá na apresentação de algumas sugestões de sites da internet como forma de enriquecimento do conhecimento dos alunos.
Destacamos, assim, que em relação à leitura de textos digitais as atividades se diversificam, trazendo informações sobre o que significa o símbolo @ e as abreviaturas: com., br., www., org., gov.. As autoras indicam sites para que os alunos e os professores consultem e façam leituras.
Souza e Cavéquia (2009) se preocupam em proporcionar aos alunos e aos professores discussões e atividades relacionadas ao letramento digital6, haja vista que na
primeira leitura do livro do 6º ano elas discutem a ideia “Hoje, não lemos apenas as impressões em papel, mas também os livros eletrônicos na tela do computador” (SOUZA; CAVÉQUIA, 2009, p. 15). Esse discurso revela a preocupação das autoras
6 Para Xavier (2005) letramento digital amplia capacidade de [...] assumir mudanças nos modos de ler e escrever os códigos e sinais verbais e não verbais [...] se compararmos às formas de leitura e escrita feitas no livro, até porque sobre o qual estão os textos digitais é a tela, também digital.
em provocar discussões sobre os livros eletrônicos, com o objetivo de aproximar o aluno desta nova realidade.
O letramento digital consiste em estabelecer práticas de leitura e escrita diferentes das formas tradicionais, devendo ser realizado pelo professor em sala de aula para que não aconteça o “analfabetismo digital” (SILVA, 2003, p. 13). Xavier (2002, p. 53) destaca que considerar que um indivíduo é letrado digitalmente pressupõe mudanças nas perspectivas de leitura e escrita, orientadas pelo uso de diferentes recursos verbais e não verbais proporcionados pelas possibilidades oferecidas pelas mídias digitais (a tela do computador, o caixa eletrônico, celular, etc).
Há, no livro do professor, nas orientações pedagógicas, o tópico “Utilização de recursos tecnológicos na educação”, no qual as autoras abordam a importância da tecnologia na prática escolar:
Temos à disposição uma série de recursos tecnológicos: rádio, televisão [...] computador e tantos outros. Tais recursos também podem e devem ser utilizados pela escola como instrumentos auxiliares no processo de ensino e aprendizagem. O computador, por exemplo, pode servir como um valioso instrumento pedagógico (SOUZA; CAVÉQUIA, 2009, p. 28). Elas destacam, também, que cabe à escola e ao professor acompanhar o avanço das tecnologias de informação e comunicação para proporcionar aos alunos metodologias que ampliem a capacidade de explorar um novo espaço de produção de linguagem.
As atividades de leitura e de produção escrita relacionadas ao contexto digital nessa coleção são significativas, valorizando as atividades realizadas pelos alunos no letramento digital, ampliando a competência comunicativa deles, atendendo a um dos objetivos do ensino de Língua Portuguesa previstos nos PCN (BRASIL, 1998), assinalado no capítulo 1 do trabalho.
O gênero e-mail é destacado no material analisado como um novo gênero que herdou características dos gêneros tradicionais, mas diferencia-se por pertencer ao suporte virtual. As autoras apontam que o e-mail apresenta características bem semelhantes às de outros gêneros tradicionais: a informalidade, encontrada no gênero bilhete, o cabeçalho de uma carta a rapidez e a objetividade de muitos gêneros orais.
Para Paiva (2010), o e-mail é
[...] um gênero eletrônico escrito, com características típicas de memorando, bilhete, carta, conversa face a face e telefônica, cuja representação adquire ora a forma de monólogo ora de
diálogo e que se distingue de outros tipos de mensagens devido a características bastante peculiares de seu meio de transmissão, em especial a velocidade e a assincronia na comunicação entre usuários de computador (PAIVA, 2010, pp. 77-78).
Coscarelli (2007, p. 34) comenta que, como esse gênero do discurso desperta muito interesse dos alunos, o envio de e-mails entre os alunos pode constituir-se como uma atividade prazerosa e ainda contribuir para o letramento digital. Paiva (2010, p. 87) destaca que “as mensagens eletrônicas são hoje, possivelmente, o tipo de texto mais produzido nas sociedades letradas.”
Podemos dizer, então, que seria interessante que o professor ficasse atento às características do ambiente digital e aproveitasse o momento para discutir com os alunos sobre a dinamicidade, imediatismo e agilidade do gênero nesse contexto.
As autoras apresentam nesses volumes analisados atividades que reconhecem as variações de uso da escrita por meio das abreviações e do uso de emoticons para expressar sentimentos. Essas atividades adotadas por Souza e Cavéquia (2009) nos livros apontam a possibilidade de um trabalho com a linguagem adequada ao contexto digital e utilizada pelos usuários da rede. Elas ressaltam aos alunos a utilização da linguagem em situações de informalidade na escrita, dizendo que a linguagem informal não é recomendada dependendo do destinatário ou assunto do e-mail.
As autoras consideram, na atividade de criação de e-mail, a possibilidade de o aluno não possuir acesso à internet, e para isso propõem que o aluno crie em papel um e-mail fictício. Embora essa sugestão seja de produção escrita, a leitura, concomitantemente, se fará presente na elaboração do e-mail. Dessa forma, podemos dizer que a atividade proposta é relevante e poderá desenvolver as capacidades dos alunos por meio de um modelo de didatização funcionando como objeto e instrumento de trabalho.
Para Marcuschi (2005), a comunicação mediada pelas novas tecnologias digitais vem transformando e ampliando as práticas discursivas, destacando a multimodalidade de recursos semióticos e a dinamicidade interativa; por isso, não há como considerarmos um trabalho eficaz de leitura de texto digital baseado na substituição do gênero e do suporte digital pelo impresso, uma vez que isso se configuraria como um trabalho de “faz de conta”.
No livro do 7º ano, trabalha-se o gênero blog, que é apresentado para os alunos por meio da leitura de uma reportagem disponível na revista Veja. O blog é considerado pelas autoras como uma modalidade de diário virtual.
O material didático analisado desenvolve as atividades referentes ao blog apenas para discussão de aspectos relevantes do uso desse gênero, como podemos observar no estudo do texto, que tem como objetivo extrair a opinião do aluno sobre o blog. Não há no livro um exemplo do gênero blog que possa ser explorado pelos alunos em suas especificidades reconhecidas, ou mesmo a sugestão de uma atividade de produção do gênero blog em contexto digital. Segundo Komesu (2010, p. 146), “a prática dos blogs difere de uma prática tradicional [...]. É de fundamental importância a problematização do suporte material para a avaliação de novas relações com as práticas de escrita”.
Os espaços comunicativos conquistados por meio das tecnologias de informação modificaram as atividades sociais e as formas de construção de sentido, tornando a tecnologia uma aliada no processo educativo. Para tanto, é necessário e urgente o trabalho com leitura e escrita de textos digitais no espaço da sala de aula, configurando- se em uma nova prática pedagógica voltada ao dinamismo e à flexibilidade. Parece-nos que a proposta de mudança não está só nos conteúdos a serem administrados em sala de aula, mas, sim, no modo de apresentar as atividades de maneira atual, moderna e contextualizada à vida dos alunos.