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Figura 24 – Capa do Volume 1, destinado ao 9º ano do Ensino Fundamental.

Fonte: AZEREDO, C. S. de L. Projeto Eco – Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2009.

A coleção Projeto Eco – Língua Portuguesa, elaborada por Cristina Soares de Lara Azevedo, foi publicada pela Editora Positivo, no ano de 2009. A coleção é composta por quatro volumes, cada um dividido em quatro unidades, e estas subdivididas em três capítulos. Portanto, são doze capítulos por volume, distribuídos de maneira a organizar o desenvolvimento das aulas em cada bimestre do ano escolar. A

autora organizou didaticamente os capítulos por seções, que contemplam os eixos de ensino; além dessas seções, há duas esporádicas que propõem atividades relacionadas ao conteúdo abordado. Ao final de cada volume, há uma lista de sugestões de leitura, de sites e de filmes.

No desenvolvimento das atividades e das leituras do livro, foram criados espaços para apresentação de informações que enriquecem e favorecem a compreensão leitora e ampliam o repertório linguístico e cultural dos alunos.

Segundo a síntese apresentada no Guia de Livros Didáticos 2011, as principais qualidades desta coleção estão na diversidade das propostas de leitura e de produção escrita, na articulação dos eixos de ensino e na abordagem do ensino de gramática.

O Guia aponta também que os livros da coleção favorecem o desenvolvimento da proficiência em leitura de textos escritos por meio de estratégias, como, por exemplo, ativação de conhecimentos prévios, predição e checagem de hipóteses, identificação e comparação de informações, inferências e sínteses.

A seleção textual contempla significativa variedade de gêneros e tipos textuais para leitura, como crônica, reportagem, notícia, classificado, tira em quadrinhos, textos didáticos, poema, biografia, conto, anúncio, lenda, mito, anúncio publicitário, artigo de opinião, verbete, entrevista, letra de rap e blog, entre outros.

A síntese apresentada no Guia de Livros Didáticos 2011 considera que as atividades de leitura da coleção colaboram para a formação geral do leitor, embora apresentem limitações por nem sempre resgatarem o contexto histórico e a finalidade dos textos. Considera também que há um conjunto significativo de atividades que chama a atenção para informações sobre o suporte e o gênero do texto, o que pode levar o leitor a acionar estratégias de leitura. Há também oportunidades para o aluno realizar apreciações dos textos, relacionando os temas com suas experiências, a fim de refletir mais criticamente sobre eles.

2.3.2.1 Levantamento de atividades sobre a leitura e a escrita de textos digitais

Na análise dos quatro volumes da coleção Projeto Eco – Língua Portuguesa, constatamos que as atividades de leitura e escrita em contextos digitais são abordadas no volume do 9º ano, na unidade 3.

A unidade 3 do livro do 9º ano, intitulada de “Cultura e Lazer”, enfatiza em um de seus capítulos a temática comunicação digital, cujas atividades de leitura se iniciam na página 138. Na abertura do capítulo há três questionamentos com o propósito de iniciar um debate acerca da temática internet, como indicado no texto a seguir.

Figura 25 – Comunicação digital.

Fonte: AZEREDO, C. S. de L. Projeto Eco – Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2009, p. 138.

Após os questionamentos na página 138, o capítulo 2 toma como ponto de partida o texto “AKI A GENTE TAH EM KSWA”, retirado da Revista Veja, de junho de 2004, que discute questões sobre blogs e programas de comunicação instantânea.

Ressaltamos que o texto “AKI A GENTE TAH EM KSWA” também estava presente no volume do 8º ano da coleção analisada anteriormente, embora se diferencie no ano do volume e na disposição da página, nas cores, nas imagens e nos aspectos gráficos. Acreditamos que a escolha desse texto por autores diferentes se deva pela relevância da temática apresentada.

Figura 26 – “AKI A GENTE TAH EM KSA!”.

Fonte: AZEREDO, C. S. de L. Projeto Eco – Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2009, p. 139. Nas atividades propostas nas páginas 140 e 141, o conteúdo do texto anterior é usado para trabalhar a interpretação do texto e para diagnosticar o conhecimento do aluno a respeito da linguagem da internet. Na página 141, há referências ao “bloguês”, bem como à definição do gênero blog; segundo a autora, a palavra blog é a abreviação

de weblog. web, dentre outras significações, designa “o ambiente da rede, da internet”. Log, por sua vez, significa “diário de bordo”. O blog permite ao usuário da internet não apenas a inclusão de conteúdo na rede, mas também a interação com outros usuários. Os exercícios propostos enfatizam a discussão do uso de blogs pelos jovens.

Figura 27 – Continuação do texto.

Figura 28 – Exercícios propostos.

Fonte: AZEREDO, C. S. de L. Projeto Eco – Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2009, p. 141.

Na página 142, há informações e questionamentos sobre o blog, destacando-se o uso desse gênero para fins educativos, portanto, com uma linguagem mais formal.

Figura 29 – Continuação dos exercícios propostos.

Fonte: AZEREDO, C. S. de L. Projeto Eco – Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2009, p. 142.

Nas atividades propostas na página 143, a autora sugere a discussão sobre a interação entre comunicadores e blogs, ressaltando que eles possibilitam a ampliação do processo de globalização. Nas sugestões de respostas, há instruções para o professor levar os alunos a perceberem que, conforme conhecimentos vão sendo trocados entre jovens de vários países, amplia-se o processo de globalização cultural.

O gênero blog também é utilizado, nas páginas 143 e 144, para o trabalho com o conteúdo gramatical (formas verbais e classes de palavras).

A autora usa a temática do gênero blog, discutida no decorrer do capítulo, para questionar os recursos e a linguagem usados no gênero.

Figura 30 – Gênero Blog.

Figura 31 – Continuação Gênero Blog.

Fonte: AZEREDO, C. S. de L. Projeto Eco – Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2009, p. 144.

Na página 145, há a continuidade das atividades, abordando a discussão a respeito de termos do universo de comunicação digital: blog, bloguês, blogueiro, internetês, e ainda questões de morfologia: formação de palavras, radical, derivação sufixal, afixos e neologismos.

Figura 32 – Continuação Gênero Blog.

Fonte: AZEREDO, C. S. de L. Projeto Eco – Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2009, p. 145.

Nas páginas 145, 146 e 147, a autora aborda o gênero entrevista, enfatizando a temática da internet. O entrevistado Don Topscott, cientista social canadense e autor do livro “Geração digital”, faz uma análise otimista da relação entre jovens e internet. Ressaltamos que o fragmento dessa entrevista também estava presente na coleção analisada anteriormente.

Figura 33 – Gênero entrevista.

Fonte: AZEREDO, C. S. de L. Projeto Eco – Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2009, p. 146.

No final da página 147 e nas páginas seguintes, 148 e 149, a autora propõe atividades para a discussão de 1) jovens e internet; 2) família e computadores; 3) Geração Net; 4) escola, professor, alunos e tecnologia; 5) número excessivo de horas na frente do computador.

Na página 149, os questionamentos são voltados para a exploração do gênero entrevista.

Figura 34 – Continuação Gênero entrevista.

Figura 35 – Texto em estudo.

Figura 36 – Continuação e a linguagem do texto.

No Quadro 3 abaixo expomos de forma sintética o volume da coleção Projeto Eco – Língua Portuguesa que aborda a leitura de textos digitais, as atividades apresentadas, os objetivos e as orientações presentes no manual do professor.

Quadro 3 – Atividades de leitura de textos digitais da coleção Projeto Eco – Língua Portuguesa.

ATIVIDADES DO VOLUME DO 9º ANO QUE ABORDA A

LEITURA DE TEXTOS DIGITAIS

OBJETIVOS ORIENTAÇÕES

MANUAL DO PROFESSOR

1) Discussão para a abertura da unidade 2: Comunicação digital.

2) Questionamentos sobre

blogs e os comunicadores instantâneos.

 Discutir questões sobre a internet, sites, blog e

comunicadores instantâneos.

Apresenta:

 Conversa para ativação de conhecimentos prévios e levantamento de hipóteses. 3) Leitura da reportagem da Revista Veja. 4) Questionamentos e compreensão do texto.  Aprender o que é neologismo.  Conhecer a linguagem da internet “bloguês”.

 Definir o que é blog.

Apresenta:

 Conclusão de que os blogs e os sistemas de comunicação instantânea são espaços onde os jovens se expressam livremente.

5) Respostas às questões que estão abaixo da ilustração de um blog. 6) Conhecimento e discussão dos diferentes pontos de vista sobre questões da internet. 7) Levantamento de opiniões: os blogs produzidos por alunos a partir de pesquisas e estudos realizados na escola podem transformar a internet em um meio cultural. 8) Leitura da reportagem “Quer TC?”. da revista Época. 9) Leitura da entrevista de Dan Topscott para

responder questões de compreensão do texto. 10) Conhecimento e exploração dos aspectos estruturais do gênero entrevista.

 Observar a ilustração do

blog com as linguagens utilizadas, percebendo que o

blog produzido para fins educativos usa uma linguagem mais formal.  Identificar questões de

estrutura da língua: referentes, período, forma verbal, tempo verbal etc.  Reconhecer a linguagem

utilizada na internet.

 Refletir sobre o processo de criação das palavras

(blog, bloguês, blogueiro, internetês).

 Conhecer os processos de formação de palavras: derivação sufixal.

Discussão com os alunos:  Referentes às questões de

relacionamento pessoal na internet.

 Referentes à percepção dos alunos. Conforme os conhecimentos vão sendo trocados entre jovens de vários países, amplia-se o processo de globalização cultural.

 Referentes às questões

abordadas na entrevista: jovens e internet; família e

computadores; Geração Net; escola e tecnologia e o tempo dedicado ao uso da internet.  Conhecimento da composição

do gênero entrevista.  Organização, preparação e

realização de entrevista.

2.3.2.2 Discussão dos resultados

Conforme o levantamento de atividades de leitura e de escrita com textos digitais e a análise dos dados, podemos avaliar que a coleção 2 – Projeto Eco – Língua Portuguesa, de Cristina Azeredo, apresenta o trabalho de leitura e de escrita de texto digital no volume do 9º ano. Nos demais volumes (6º, 7º e 8º anos) a abordagem se dá para referenciar algumas sugestões de sites da internet como forma de enriquecimento do conhecimento dos alunos.

A autora relata no manual do professor, composto por folhas anexas ao final do volume, que esta coleção oferece grande variedade de gêneros textuais e apresenta uma diversidade temática relevante para os tempos atuais, garantindo ao professor um trabalho amplo e dinâmico com a leitura. Isso pode ser exemplificado por meio do tema da unidade 2 do livro do 9º ano, comunicação digital, que atende também às orientações dos PCN (BRASIL, 1998, p. 25): “Os gêneros existem em número quase ilimitado [...] é preciso priorizar os gêneros que merecerão abordagem mais aprofundada. [...] os textos a serem selecionados são aqueles que, por suas características e usos, podem favorecer a reflexão crítica [...]”.

A unidade 2, “Comunicação digital”, tem como propósito a discussão de questões sobre a internet, sites, blog e comunicadores instantâneos. A autora comenta no início da unidade, no box “Para ler”, que os adolescentes de hoje formam uma geração que se identifica plenamente com a internet e está transformando a rede não somente em fonte de informação e conhecimento, mas também em um espaço destinado à convivência. Nesse aspecto, um dos recursos mais utilizados é o blog. E para conversar na internet os jovens usam uma linguagem criada para agilizar e simplificar a comunicação: o bloguês.

Nas palavras de Marcuschi (2010, p. 24): “a tecnologia do computador, em especial com o surgimento da internet, criou uma imensa rede social (virtual) que liga os mais diversos indivíduos pelas mais diversificadas formas em uma velocidade espantosa e, na maioria dos casos, em uma relação síncrona”. Como já dissemos, as recentes tecnologias favorecem a criação de novas formas de interação, de novas redes de interesse, como, por exemplo, comunidades virtuais; também favorecem o uso de uma nova linguagem que possibilita a produção de sentidos diversificados.

Ainda, Marcuschi (2010, p. 21) ressalta que a escola pode indagar se deverá ocupar-se de como se produz um e-mail e outros gêneros do “discurso eletrônico” ou

pode, num discurso vazio, tranquilamente continuar analisando como se escrevem cartas pessoais, bilhetes e como se produz uma conversação. Para o autor, a escola já está percebendo essas mudanças nos novos manuais didáticos do Ensino Fundamental, que trazem reflexões sobre e-mail, blog, chat e outros gêneros, aspectos que observamos na análise desta coleção e da anterior.

O gênero blog, apresentado no livro didático do 9º ano, reproduzido em uma página retirada da internet, é utilizado para trabalhar interpretação de texto, sua estrutura, suas características, mas, embora seja trabalhada a linguagem utilizada nesse contexto, não é explorada a relevância das escolhas lexicais, nem os três eixos - tempo, espaço e interatividade - que, segundo Komesu (2010, p. 144), são traços de grande relevância na prática de produção do gênero blog.

As atividades propostas pela autora, relacionadas à leitura e à escrita de texto digital, possibilitam ao aluno adquirir informações no que diz respeito à linguagem utilizada na internet, à interação proporcionada pelos novos espaços da rede e ao surgimento do novo gênero blog, bem como à sua utilização. No entanto, a abordagem de textos digitais ocorreu sem explorar aspectos. [...]”. Devemos considerar, no trabalho pedagógico em sala de aula, o suporte específico, a interatividade por parte do leitor e as múltiplas possibilidades de leituras, que são bem diferentes daquelas resultantes das interações com os textos impressos.

Concordamos com a afirmação de Araújo (2008. p. 37) de que “O conteúdo digital é um poderoso aliado para o ensino”, porque a leitura associada à internet abre perspectivas, não apenas ao acesso da informação, mas também a uma prática pedagógica transformadora, necessária na contemporaneidade.

Nesse sentido, estamos também de acordo com Araújo e Biasi-Rodrigues (2008, p. 13), que asseveram que “a escola deve promover, sempre que possível, experiências autênticas dos novos usos da linguagem na internet e oportunizar aos alunos um exercício frequente de reconhecimento e análise de gêneros (hiper) textuais que circulam na sociedade letrada, muitos dos quais fazem parte do cotidiano deles”.

2.3.3 Coleção 3: Projeto RADIX – Raiz do Conhecimento: apresentação e síntese da

Benzer Belgeler