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3. KAMU POLİTİKASI ÖRNEĞİ: TURİZM POLİTİKASI

3.2.2.1.1. Tanımlama Aşaması

É preciso que compreendamos que a cultura e o conhecimento dos professores de artes têm origens bem diversificadas em virtude de um caótico sistema de formação docente na área, fazendo com que características pessoais sejam um forte condicionador de sua prática docente.

Para Nilda Alves, em Cultura e Conhecimento de Professores: “(...) nossa formação/educação cotidiana se faz em processos complexos de contatos com saberes e com os sujeitos que os criam e recriam, permanentemente”. (2002, p. 17).

Deste modo, tendo hoje um complexo sistema de informação e comunicação, não podemos desconsiderar uma rede de subjetividades que compõem a formação deste nosso professor, sendo esta pesquisa mais um elo no tecido da rede que o professor urde.

Tais reflexões nos fazem lembrar o fato de que todo este sistema de interações deve ser usado a favor de um projeto de formação continuada de professores na área de Arte e é isto que garantimos por intermédio da pesquisa.

Encontramos, porém, todo um aparato ideológico de reprodução das ideologias dominantes nos media eletrônicos. Como negar que a televisão comercial influencia decisivamente na mentalidade e comportamento de pessoas em nossa sociedade (e os nossos professores não são exceções)?

Os meios de propagação coletiva são importantes formadores do gosto. Em se tratando da sensibilidade do professor, verificamos que esse gosto é trabalhado pela televisão todos os dias com imagens apelativas, mercadológicas e, na maioria das vezes, sem nenhuma criatividade. É comum no grupo se citar programas da TV comercial.

As múltiplas redes sociais penetram as casas, as escolas, e transmitem uma percepção superficial da existência humana aos nossos jovens. Com certeza, o maior contato com a Arte vivido por nossos professores é a TV, companheira diária. A música que se ouve nas emissoras de rádios, as páginas da internet, os DVDs também estão muito presentes em nosso dia-a-dia, porém, em menor proporção.

Santos, no artigo “Processos de desenvolvimento de 'novas práticas': apropriação e uso de novas tecnologias”, no livro Cultura e Conhecimento de Professores, diz:

O avanço e a disseminação das tecnologias da informação e da comunicação estão causando perplexidade e impacto nas formas de convivência social, alterando a organização do trabalho e estabelecendo novas considerações de cidadania. (2002, p. 47).

Sem dúvida nenhuma, a tecnologia é um tema importantíssimo da atualidade e a escola não o pode ignorar, porém, há que se fazer uma proposta de apropriação desses bens tecnológicos em favor de uma educação da sensibilidade e do fazer artístico.

Ainda segundo Santos,

A questão que nos apresenta é: como estimular as crianças e os jovens a buscar novas formas de pensar, de procurar e selecionar informações, de construir sua maneira própria de trabalhar com o conhecimento e de reconstruí-lo continuamente numa sociedade invadida pelas notícias e por aceleradas transformações em alguns campos do conhecimento? (2002, p.47).

Usando a metáfora da rede como opção epistemológica Santos assinala que “(...)estas novas práticas são inventadas, conquistadas, construídas coletivamente e não no isolamento individual.” (2002, p. 48).

Desta maneira, a formação do professor deve considerar estas mudanças sociais, incorporando um projeto de formação continuada com o uso destas tecnologias, na qual as universidades articuladas com a rede de ensino tenham papel decisivo. No caso da pesquisa em foco, realizamos uma iniciação à formação continuada, e nos propomos mantê-la de forma aberta e participativa por meio do grupo formativo, mesmo depois do término desta pesquisa.

A rede pública de ensino fez investimentos em laboratórios de Informática para as escolas, equipamentos estes que podem potencializar a formação docente, implantando uma formação continuada ocorrente no cotidiano, ousando vislumbrar novos caminhos para a profissionalização docente.

A rede de computadores permite que haja na escola suporte para um estudo que ofereça ampla gama de informações. Se acompanhados os estudos e suas experimentações pedagógicas, os professores de Artes podem fazer grandes alterações no ensino, como fazem aqueles que estiveram envolvidos na presente pesquisa.

O estudo individual pelo docente e as reflexões coletivas, orientados por uma direção atuante e participativa, contribuíram, na prática, para elevar o padrão cultural ofertado aos jovens. A Arte na escola depende de uma formação de professores que aconteça em serviço, ou seja, o processo de ensino é pensado pelo docente no cotidiano escolar em uma reelaboração permanente, sendo capaz de oferecer melhorias significativas. Foi o que aconteceu com os professores desta pesquisa, ao relatarem em depoimentos a idéia que muito têm aperfeiçoado sua prática com a participação no grupo.

A formação inicial no contexto dos docentes da educação básica já devia ter ocorrido. Os professores já deviam trazer graduação na área, o que, como sabemos, pouco acontece nas escolas no Estado do Ceará quando pensamos em ensino de Arte. Encontramos, assim, duas realidades que se demonstram na prática docente de Artes. Há aqueles com graduação inicial que não em Artes, podendo ser em Letras, Teologia, ou outra área, mas lecionam Artes na escola. Assim, também, existem docentes habilitados em Artes, mas que se sentem isolados e desorientados e estão em busca de formação continuada.

Ambas as categorias são carentes de formação profissional. Os primeiros têm graduação em outras áreas, mas querem se preparar para as Artes. Os outros, mesmo tendo formação na área, não se sentem seguros para ensinar sem nenhum acompanhamento.

É preciso atuar em muitas frentes para melhorar o ensino básico, não só em Artes, mas, principalmente, na integração dos conteúdos. A Arte tem grande papel para desempenhar, pois, como linguagem universal, pode unir as pessoas para juntas criarem a beleza.

Pensamos que diante dos desafios é preciso “arregaçar as mangas” e arregimentar as possibilidades de formação. Primeiro, é necessário que se ofereçam cursos de licenciatura na área, pois em Fortaleza só existe o curso de Música. Depois, é indispensável que se desenvolva um processo de formação continuada e em serviço para os professores de Artes, bem como é necessário que aquele com bacharelado na área encontre oportunidade de ter uma formação

pedagógica para poder atuar no ensino, se assim o quiser. E, finalmente, a universidade precisa rever seu currículo de formação docente, incluindo aí uma formação geral, cultural e estética.

No presente trabalho, quanto ao espaço da Cultura e da Arte na universidade faremos maiores inferências somente no âmbito da Universidade Estadual do Ceará, pois é aí o campo de atuação da pesquisa ora relatada. Não que as reflexões aqui apresentadas não se apliquem às demais instituições de ensino superior, porém elas se baseiam nos dados reais da UECE.

É possível sistematizar quatro ações a desenvolver: 1 criação de Licenciatura em Arte;

2 formação continuada de professores de Arte;

3 formação pedagógica para bacharéis e tecnólogos; e 4 programa artístico-cultural no âmbito da Universidade.

O universo artístico e cultural de professores poderia ser assim enriquecido de forma satisfatória, envolvendo o futuro professor no universo do patrimônio cultural da humanidade de maneira a preencher o saber de professores com os conhecimentos significativos nas Artes e na Cultura.

A grande queixa dos professores é terem praticado a autodidaxia em Artes. Com a exceção dos professores que atuam na Música, a maioria teve que percorrer outras trilhas acadêmicas e desenvolver sozinhos as habilidades artísticas. Muitos cursaram Letras ou Filosofia, entre outros cursos, de graduação e tiveram que fazer percurso paralelo.

A título de exemplo apontaremos três casos de dentro do grupo formativo. No primeiro, a professora é diplomada em Letras e leciona Artes também; já no segundo exemplo, o profissional tem graduação em Filosofia, mas é professor de Artes Plásticas; e, na terceira situação, a professora formou-se em Pedagogia e é atriz e professora de Arte. Dentro do grupo formativo, existem outros (quatro) casos dos que lecionam Arte porque, individualmente, desenvolveram

habilidades e saberes nas Artes, por conta própria, porém não receberam formação acadêmica na área, por falta de oferta, tendo assim que trilhar caminhos bem tortuosos.

Já que em Fortaleza só há Licenciatura em Música, é indispensável que se criem licenciaturas em Teatro, Artes Visuais e Dança. Os Parâmetros Curriculares da Educação Básica determinam estas áreas de atuação no ensino de Arte e desta forma, as universidades devem criar cursos de licenciatura na área.

A LDB exige que, a partir de 2007, os professores, para lecionar, devem ser habilitados para a disciplina de ensino em que atuam, portanto, o docente tem de cobrar dos órgãos gestores responsáveis que se faça cumprir a lei e se ofereçam oportunidades de formação inicial na área.

Em termos de escolas do Estado, de ensino fundamental e médio, segundo o anuário de 2006, há 18.332 em todo o Ceará. Se, hipoteticamente, tivermos um professor de Arte para cada escola, somaríamos igualmente o número de 18.332 professores de Artes para atender à demanda do Estado.

Assim, o conjunto das escolas básicas expressa a demanda para a sociedade da ordem de mais de dezoito mil professores de Artes, no entanto, só se formam em Fortaleza professores de Música e nenhum nas outras áreas, como Teatro, Dança e Artes Visuais. Assim, é indispensável que sejam criados cursos de licenciaturas plenas nas outras áreas das Artes.

As faculdades privadas começam a se movimentar no sentido da criação destes cursos. A Faculdade Grande Fortaleza oferta cursos variados nestas áreas, porém, a demanda é da escola pública, ou seja, temos vagas para o cargo de professor de Arte nas escolas públicas que não foram preenchidas nos últimos concursos porque não existem professores habilitados.

As universidades públicas precisam se posicionar ante a esta situação. Se a legislação exige formação específica, então, pensamos que as universidades públicas, agindo cooperativamente, deviam ofertar pelo menos um curso em cada área. Professores de Teatro, Artes Visuais e Dança devem ser formados por instituições públicas de ensino superior no Ceará.

A demanda de professores deve ser uma preocupação das universidades públicas. Como se pode formar somente alguns poucos professores de Música pela UECE e futuramente pela UFC, se o Estado demanda teoricamente mais de dezoito mil professores para atender ao público discente?