2. KURAMSAL ÇERÇEVE
2.1.2.4.3. Melez (Hibrid) Uygulama Modeli
Ao analisar as concepções dos professores sobre as artes na escola, Almeida (2003), em um artigo intitulado Concepções e Práticas Artísticas na Escola, assinala existir dupla visão, pois, por um lado, estão os contextualistas, aqueles professores que atuam particularmente nas séries iniciais da educação básica e afirmam que as atividades artísticas são necessárias porque constituem um poderoso fator de desenvolvimento emocional e social da criança, além de
impulsionar a imaginação e a criatividade. Por outro lado, a autora encontra em sua pesquisa um grupo de educadores que defendem “(...)a idéia de que as artes devam estar presentes no currículo escolar não por suas contribuições nesses campos de desenvolvimento, mas pelos benefícios que apenas as artes, e nenhuma outra área de estudo, podem oferecer à educação”. (2003, p. 12). Almeida (2003) posiciona-se entre os dois enfoques. Segundo ela, os professores que assumem o ensino de Arte nas escolas não têm clareza do porquê da presença de Arte no currículo escolar. Para ela, mesmo os professores especialistas não apresentam justificativas para sua crença sobre o papel da Arte na escola. Em suas palavras,
A maioria dos professores acredita que desenhar, pintar, modelar, cantar, dançar, tocar e representar é bom para os alunos, mas poucos são capazes de apresentar argumentos convincentes para responder. Por que essas atividades são importantes e devem ser incluídas no currículo escolar? (2003, p.13).
Acreditamos que os projetos educativos logram êxito quando se articulam com a formação do professor que deve pô-los em prática, bem como quando é constituído por um processo de participação decisiva deste professor que traz para o processo de ensino também suas experiências e conhecimentos adquiridos nos mais variados espaços culturais. Encontramos em nossa pesquisa um professor consciente de seu papel em busca de formação autonomamente e pronto para atuar no ensino de maneira mais criativa.
No nosso entendimento, não é de estranhar que alguns professores da educação básica não percebam o porquê do ensino de Arte na escola, uma vez que ele não encontra em seu currículo acadêmico nada que o desperte para a importância de incluirmos uma abordagem do patrimônio cultural da humanidade em sua formação.
Retomando as duas concepções detectadas por Almeida (2003) nos professores, uma contextualista e outra essencialista, devemos reafirmar a necessidade de ambas em contexto escolar, pois tanto se ensina Arte para desenvolver integralmente os alunos (afetivo, emocional, social ou criativamente), como para desenvolver as habilidades ligadas às linguagens artísticas que devem também ser exploradas e apreendidas pelos mais jovens na escola básica.
Alguns dos objetivos das Artes na educação básica poderiam, sem dúvida nenhuma, ser aplicados à formação de professores, como conhecer o patrimônio cultural de seu país, e também o universal, desenvolver um pensamento autônomo, tornando-se moral e intelectual livres, já que pela Arte se incentiva e se concedeu subsídios para a criação individual e coletiva.
É inevitável concordar com Almeida, ao denunciar o fato de que os professores em geral têm dificuldades para definir a função de Arte na escola, bem como os métodos mais adequados para seu ensino ou quais os conteúdos mínimos da área.
Assim, ao visitarmos inúmeras escolas de ensino fundamental, comprovamos que não há nenhuma unidade no ensino de Arte entre elas, pois não há consensos sobre seus conteúdos. Na verdade, os professores definem as atividades escolares de acordo com suas possibilidades pessoais e não seguindo uma proposta definida institucionalmente.
Ao que parece, as instituições fecharam os olhos para a questão do ensino de Arte no Ceará. A Escola não oferece condições de tempo ou de espaço e tampouco de orientação didática para os professores de Artes. Os depoimentos dos professores confirmam a falta de planejamento e das condições para a realização das aulas de artes. Consoante I.
Arte é uma disciplina que se planeja sozinho, pois na escola não há outro professor com quem eu possa discutir e também é uma área com a qual ninguém se importa.
Compreender o papel da Arte na escola é algo duplamente justificado, pois sua dimensão contextualista, ou seja, o fato de a Arte atingir a pessoa no componente formativo amplo (social, emocional e criativamente) não dispensa o desenvolvimento de habilidade específica para a Arte, a aprendizagem de seus instrumentos e modos próprios de expressão.
É imprescindível arrebatar todos em nome do lugar da Arte na escola. A Arte deve ser vivida por todas as disciplinas na escola, pois, assim como a Arte esteve presente em todos os tempos históricos e em qualquer lugar, há de estar presente no lugar em que a cultura desenvolvida pela humanidade deve ser perpetuada.
Além dos pontos destacados do texto, anteriormente citado, Almeida parte de indagações fundamentais para uma reflexão sobre Arte e educação, como:
Em Arte, o que pode e o que não pode ser ensinado? Ou O que os professores de Arte podem fazer por seus alunos?
A primeira pergunta lembra a letra Feitio de Oração, de Noel Rosa e Vadico, quando estes acentuam a idéia de que samba não se aprende no colégio. O grande compositor brasileiro, Noel Rosa, autor de tantos sambas antológicos, sabia o que dizia, pois ninguém mais do que ele sabia que fazer samba não é contar piada, e quem já viveu uma paixão saberá que o samba nasce é do coração; ou seja, não se ensina a criação, somente o modo de poder criar.
Ensinar Arte é garantir as condições de possibilidades de que um jovem aprenda sua linguagem, seus códigos, mas o ato criativo é algo singular, impossível de ser transmitido. Oferecer, no entanto, aos educandos conhecimentos elementares da Arte é indubitavelmente o papel da escola básica.
O fato de não se ensinar o insight não quer dizer que não devamos aprender Arte na escola, pois mesmo como uma cópia repetitiva de obras consagradas já se justificaria o ensino de Arte. A mera reprodução de obras de Arte, no entanto, deve ser evitada pelo professor. As infinitas fontes de criações artísticas, sem dúvida, podem e devem ser apresentadas às crianças e adolescentes, porém não como modelos a serem copiados fidedignamente e sim para servir de inspiração para que os educandos exercitem a criatividade.
Variadas fontes podem ser usadas pelos professores, na Música, na Dança, no Teatro ou nas Artes Visuais. Ao mesmo tempo em que a apreciação e a descoberta de expressões dos gênios imortais da Arte universal devem ser realizadas nas aulas de Artes, também elementos constitutivos das Artes hão de ser apresentados e conhecidos pelos alunos durante as aulas.
Quanto ao segundo ponto enunciado os professores podem sim fazer muito por seus alunos no ensino básico como professores de Artes; porém, não é o professor de Arte sozinho que
vai garantir a educação estética de nossas crianças e adolescentes. É preciso que a escola toda se abra para a importância da Arte no currículo escolar.
É urgente que o estabelecido por lei seja confirmado na prática. Deste modo, sendo a Arte obrigatória em todos os níveis de ensino, as instituições responsáveis devem assegurar as condições para a sua viabilização. Portanto, os professores, primeiramente, devem cobrar dos órgãos competentes formação docente, acompanhamento e elaboração conjunta de uma proposta pedagógica coerente com a realidade educacional brasileira. A escola, os professores e os alunos devem se sentir representados nesta proposta, fazendo parte de sua elaboração. A reconceptualização do papel da Arte na escola é uma tarefa de todos, pois a Arte é linguagem humana, como a fala ou a escrita, e deve ser vivida por todos na escola.
Apesar de todos terem papel dentro da proposta de Arte a ser constituída para as escolas, contribuindo para elevar o status desta área do conhecimento, redefinindo seu modus operandi, o papel do professor de Arte é diferenciado porque, além de vivenciá-la como os demais, cabe a ele lecionar a disciplina que dará fundamento para o domínio da linguagem das Artes pelos alunos.
Assim, o professor de Arte deve ser um protagonista na constituição de uma proposta de Arte na escola. Nossos professores envolvidos na pesquisa reforçam nas escolas esta prática de pensar ali o papel da Arte junto aos demais saberes.
O professor de Arte deve contribuir para que o aluno seja capaz de se expressar pela Arte, conhecendo e fruindo expressões artísticas. É nas aulas de Artes que os alunos devem se apropriar dos meandros da linguagem artística, conhecendo instrumentos, materiais, desenvolvendo formas e imagens nas Artes. Assim, dentro e fora de sala de aula, o professor de arte deve fomentar o debate sobre o lugar da Arte na escola.