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3. Eğitimi, Hocaları ve Talebeleri

3.3. Talebeleri

O comportamento relacionado à alimentação tanto quanto o tipo e o modelo de apresentação quanto aos costumes que envolvem o ato de alimentar são narrados. Sabe-se que a arte da mesa torna-se um lugar de investimento privilegiado da cultura burguesa que

também sofreu a influência do gosto italiano. Assim impôs-se a sucessão dos pratos, desde o salgado ao doce362.

A mesa é um dos locais preferenciais da sociabilidade. O comportamento à mesa segundo Daniela Romagnoli, “é regido por uma dupla preocupação: trata-se ao mesmo tempo de controlar e conter os gestos, os movimentos do corpo e zelar pelos movimentos do espírito e guiá-los, com o objetivo ético e social que as circunstâncias exigem”363.

Para Palombini, o ato de comer era revestido de importante significado e envolvia noções de civilidade, como relata em seus encontros com os indígenas. Constata a maneira diversa de apresentação dos alimentos no Rio Grande do Sul e na Itália:

No campo não se usa mudar de prato para cada alimento, nem trazer os víveres à mesa, um por vez, embora nos banquetes de núpcias ou por ocasião de outras festas todos os pratos sejam expostos sobre a mesa de uma só vez e cada um se sirva conforme seu gosto, começando por onde mais lhe agrade e pondo no prato diversos tipos de comida364.

Outro detalhe que observa é a falta de guardanapos que o obrigava a usar a borda da toalha ou limpar as mãos e os lábios no lenço.

Para ele, a alimentação ordinária no campo compõe-se de feijão, arroz, farinha de mandioca ou aipim em raiz, carne, leite, café, canjica. Os condimentos são poucos, há apenas sal, a pimenta, o cravo, a manjerona e a banha. Compara o feijão ao “caldo preto dos espartanos” por ser fervido sem mudar de água. Os alimentos mais raros, seja por dificuldade de obtenção ou por preço alto, são os doces em geral e o café365.

Entretanto, é no churrasco que Palombini mais se detém. Para ele, este nada mais é do que uma carne assada muito saborosa. Verifica que não é colocado nenhum tempero, e que a carne é somente molhada com água salgada em sua preparação. Fica impressionado pela ampla inclusão desse alimento “em toda festa familiar, política ou social, em qualquer piquenique de amigos, seja em casa ou ao ar livre”366.

362

BURGUIÈRE, ANDRÉ. A Antropologia histórica. In: LE GOFF, Jacques. A história nova. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 136-7.

363

ROMAGNOLI, Daniela. Guarda no sii vilan: as boas maneiras à mesa. In: FLANDRIN, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo (Orgs.). História da alimentação. São Paulo: Estação Liberdade, 1998. p. 497. 364

PALOMBINI, Giovanni. Usos e costumes do Rio Grande do Sul e suas riquezas naturais. p. 79. 365

Ibid., p. 79. 366

No ritual da preparação e do consumo do churrasco, destaca aspectos da convivência social:

No local do churrasco, havia quem trazia a lenha, quem cuidava do fogo, quem molhava a carne com água salgada, com um ramo fresco, tirando-a de uma grande balde; outros viravam os espetos de carne e, todos juntos saltavam e gritavam de alegria, dando ordens uns aos outros e experimentando, antecipadamente, algum pedaço de carne; e bebiam, para “enxugar” a garganta, o infalível trago de cachaça de um recipiente de chifre, aumentando, assim, o bom humor e a algazarra, que pouco a pouco se ia comunicando aos convidados.

A seguir descreve como a carne é consumida:

O verdadeiro sistema de comer churrasco é de aferrar com os dentes uma orla de carne, segurar com a mão esquerda o grosso do pedaço e cortá-lo rente aos lábios, empunhando a faca com a direita.

Nem pão nem vinho, nem cerveja, mas sempre um saco de farinha de mandioca, da qual cada um enche o seu pedaço de papel, ou uma folha, ou o chapéu, para enfarinhar o assado. Quase sempre, como contorno, serve-se uma salada de cebolas cortadas em fatias e imersas em vinagre, em alguma vasilha, na qual cada um pesca como pode.

O churrasco termina, quase sempre, com discursos políticos e, mais tarde, talvez com briga ou rolo, fermentados pelas discussões políticas e pela cachaça, que freqüentemente não falta367.

Registra que, nas viagens, encontra-se a rapadura e o aguardente em qualquer venda de gêneros alimentícios do Brasil:

Nem uma só vez me aconteceu de perguntar, nas mais desguarnecidas bodegas, sem que reproduzisse este diálogo:

- Tem alguma coisa de comer? -Tem, sim senhor.O que tem? -Rapadura e cachaça368.

As conseqüências do freqüente consumo de rapadura são flagradas nas lesões dos dentes que reconhece habitualmente: “E, infelizmente, tenho visto famílias inteiras, que diariamente comem rapadura, com a boca quase completamente desguarnecida de dentes e com o resto deles negros, de mau aspecto e cheiro, com as gengivas inchadas e ulceradas”369.

367

PALOMBINI, Giovanni. Usos e costumes do Rio Grande do Sul e suas riquezas naturais. p. 81-3. 368

PALOMBINI, op. cit., p. 84-5. 369

Em relação ao pão, registra que o seu consumo era recente. Acredita que, com as modificações dos hábitos decorrentes de maior contato entre citadinos e camponeses e devido, especialmente, às estradas de ferro, o pão já se encontre, por enquanto, em famílias abastadas. No entanto, suas características são distintas, “pouco se assemelha àquele higiênico das cidades, porque quase sempre é pálido, quase cru e sem fermento, doce ou sem gosto”370.

Nas festas aparecem alimentos diversos dos habituais como leitões, perus assados, catetos, pacas. Espanta-se, também, do consumo excessivo de doces nas mesmas festas:

É hábito estar à disposição dos convidados uma quantidade enorme de doces, em bela disposição artística sobre mesas apropriadas: em forma de pirâmides, de cone, de flores, em pratos, bandejas, papéis coloridos e bizarramente recortados...em cem maneiras alegram a vista, antes de satisfazer ao paladar371.

Faz um paralelo entre a vida na Itália e no Brasil em relação ao consumo de doces sobre a forma de balas. Admira-se que seja possível “Comprá-las e comê-las, uma após a outra, com a mesma gravidade como entre nós se fuma o cachimbo”372.

Benzer Belgeler