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4.6.3   takipFormuSil Metodu

Inicialmente, cumpre destacar o texto do art. 9°, § 1° da Lei 9.868/99118, que prevê a realização de audiência pública, em sede de ação direta de inconstitucionalidade, nas hipóteses em que for necessário um maior esclarecimento acerca da demanda, ou caso não haja informações suficientes nos autos. Serão ouvidas pessoas que possuem experiência ou autoridade na matéria discutida. Deverá ser realizada no prazo de trinta dias, que são contados a partir da data em que foi efetuada a solicitação pelo Relator. Para a doutrina, o mencionado dispositivo conferiu ao Supremo Tribunal Federal um importante meio para a obtenção de informações, além de possuir relevância para o controle de constitucionalidade119.

Com efeito, a audiência pública convocada pela Ministra Carmen Lúcia teve o objetivo de discutir a questão das biografias não autorizadas, ouvindo-se a opinião de diversos setores da sociedade, como juristas, especialistas, historiadores, escritores, a fim de que pudessem ser obtidos mais subsídios para o julgamento de mérito da ação. Justificou a Relatora que o objeto da ação “ultrapassa os limites de interesses específicos da entidade autora ou mesmo apenas de pessoas que poderiam figurar como biografados, repercutindo em valores fundamentais dos indivíduos e da sociedade brasileira”120. Dessa forma, devido à repercussão das questões jurídicas envolvidas, se tornou necessária e conveniente a realização da audiência pública.

As seguintes entidades se pronunciaram: Ministério Público Federal, Academia Brasileira de Letras (ABL), Associação Brasileira dos Constitucionalistas Democratas (ABCD), União Brasileira de Escritores, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão, Comissão Autoral da Ordem

118 Art. 9º, § 1º, da Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999: “Em caso de necessidade de esclarecimento de

matéria ou circunstância de fato ou de notória insuficiência das informações existentes nos autos, poderá o relator requisitar informações adicionais, designar perito ou comissão de peritos para que emita parecer sobre a questão, ou fixar data para, em audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com experiência e autoridade na matéria”.

119 MENDES, Gilmar. Controle abstrato de constitucionalidade: ADI, ADC e ADO: comentários à Lei

9.868/99. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 249.

120 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Despacho convocatório da ADI 4815 DF. Biografias não autorizadas.

Arts. 20 e 21 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. Relatora: Min. Cármen Lúcia, despacho de 11/10/2013, DJe 15/10/2013. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoPeca.asp? id=176677444&tipoApp=.pdf>. Acesso em: 26 out. 2016.

dos Advogados – Seccional de São Paulo (OAB-SP), Instituto Palavra Aberta, o deputado federal Newton Lima, Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual, o deputado federal Ronaldo Caiado, o deputado federal Marcos Rogério, Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Ministério da Cultura, Associação Eduardo Banks, Conselho de Comunicação Nacional do Congresso Nacional, Associação Paulista de Imprensa, o advogado João Ribeiro de Moraes e a Ordem dos Advogados do Brasil.

Cabe, então, destacar algumas das manifestações que foram expostas pelos participantes da audiência pública, a título ilustrativo.

A ABL, representada por Ana Maria Machado, aduziu que as biografias são gênero literário e fonte histórica, de modo que conhecer as vidas dos antepassados, em todas as sociedades, se mostra fundamental para a construção do futuro e para a elaboração da identidade cultural. A ABCD, através de Roberto Dias, destacou que a democracia é um modelo político jurídico pelo qual todos têm o direito de dizer o que pensam, e que somente a

posteriori se podem adotar medidas judiciais protetivas de direitos da personalidade.

A UFRJ, por meio de José Murilo de Carvalho, argumentou que a censura prévia das obras biográficas, que são extensão, por meio da escrita, da História, priva o leitor e o cidadão do acesso ao conhecimento, visto que a Carta Magna assegura aos que se consideram ofendidos o direito de resposta e à indenização.

Os representantes da Comissão de Direito Autoral da OAB-SP afirmaram que o Supremo Tribunal Federal não teria firmado um posicionamento nas questões que envolvem disputa entre a liberdade de expressão e a proteção aos direitos da personalidade, enfatizando, em várias oportunidades, a relevância do caso concreto. Indicaram como precedentes a ADI n° 4451121 e o Habeas Corpus n° 82.424122, referente ao caso Ellwanger.

O SNEL afirmou que a vida de figuras públicas faz parte da historiografia nacional, que contá-las é um direito de todos, independente de censura ou licença.

O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional ressaltou a aprovação do Projeto de Lei n° 393/11 na Câmara dos Deputados, posicionando-se a favor do direito de

121 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Plenário. Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.451/DF. Relator

Min. Ayres Britto. Julgamento em: 02 set. 2010. Brasília-DF: STF, 2010. Disponível em: <http://stf.jus.br/portal/jurisprudencia/>. Acesso em: 26 out. 2016.

122 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Plenário. Habeas Corpus n° 82.424/RS. Relator Min. Moreira Alves.

Julgamento em: 17 set. 2003. Brasília-DF: STF, 2003. Disponível em: < http://stf.jus.br/portal/jurisprudencia/>. Acesso em: 26 out. 2016.

se fazerem biografias sem a autorização prévia. Mencionou a primeira parte do art. 13 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos123, que veda a censura prévia.

A OAB, representada por Marcus Vinicius Furtado Coelho, argumentou no sentido de que a publicação de biografias independe de consentimento, pois assim seria estabelecida a censura prévia. Arguiu ainda que questões negativas sobre ídolos são algo que pode influir positivamente no país, para poder ser demonstrado que estes também são seres humanos e cometem equívocos a serem evitados pelas pessoas.

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