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Tahsin Çoşkan (Gümrük ve Tekel Bakanı, Tarım Bakanı)

2. BÖLÜM

3.2. ŞEHRE GELEN DEVLET ADAMLARININ FAALİYETLERİ

3.2.19. Tahsin Çoşkan (Gümrük ve Tekel Bakanı, Tarım Bakanı)

Ao contrário de outras espécies domésticas, as éguas possuem uma fase folicular longa, com duração do estro bastante variável. De um modo geral, a ovulação ocorre de 24 a 48 horas antes do seu término, estando, portanto, este momento mais relacionado com o fim do que com o início do estro (Pace e Sullivan, 1975). Sendo a duração do estro variável, a determinação precisa do momento de ocorrência da ovulação é dificultada nas fêmeas equinas.

Contudo, o exame contínuo, com quatro ou seis horas de intervalo, durante o período do estro poderá predizer, com relativa confiabilidade, o momento da ovulação em éguas (Kloppe et al., 1988), possibilitando a cobertura da égua o mais próximo da ovulação, de forma que tanto o gameta masculino quanto o feminino estejam viáveis no momento da fecundação (Jacob et al. 2000). Entretanto, o intervalo frequente entre palpações gera grandes desgastes aos animais e aos médicos veterinários responsáveis pelo manejo reprodutivo.

Apesar dos agentes farmacológicos indutores da ovulação serem capazes de induzir a ovulação em uma alta porcentagem de éguas, em até 48 horas após a sua administração, a amplitude de ocorrência das ovulações é grande (Barbaccini et al., 2000; Sieme et al., 2003; Berezowski et al., 2004). Assim, quando se utiliza sêmen com baixa viabilidade no sistema genital feminino, a implantação de protocolos de inseminação em tempo fixo é limitada na espécie equina, sendo que a utilização dos indutores de ovulação reduz, mas não elimina a necessidade do acompanhamento folicular frequente.

O efeito do número de inseminações artificiais sobre a fertilidade das éguas é uma preocupação bastante antiga, desde que Caslick (1937) estabeleceu que, quanto maior o número de intervenções uterinas na égua,

maior a possibilidade de infecção. No entanto, Voss et al. (1982) constataram que várias inseminações artificiais por ciclo não resultaram em contaminação do útero. Assim, a utilização de técnicas de controle microbiológico e manipulação adequada do sêmen podem eliminar a taxa de contaminação uterina (Pickett et al, 1987). Há que se enfatizar que na natureza, as éguas são cobertas repetidas vezes durante o ciclo estral, em regimes de monta natural a campo que têm se mostrado eficientes, como observado por Bristol (1982). Em um estudo conduzido pelo último autor, obteve-se uma taxa de concepção, ao primeiro ciclo, de 85%, em 20 éguas cobertas, em média 4,6 vezes por ciclo em regime de monta natural a campo. Tradicionalmente, as éguas são cobertas ou inseminadas a partir do terceiro dia do cio, sendo o procedimento repetido a cada dois dias até o seu término. Entretanto, quando se trabalha com éguas susceptíveis a endometrite, cobertas com reprodutores de alto mérito genético, localizados a grandes distâncias das matrizes e/ou quando necessitam servir grande número de éguas durante a estação de monta, como nos condomínios de garanhões ou quando os garanhões apresentam baixa disponibilidade de doses inseminantes, o número de inseminações por ciclo deve ser reduzido. Para que se possa reduzir o número de inseminações por ciclo, sem prejuízo da fertilidade, torna-se necessária a utilização do sêmen de reprodutores com alta viabilidade espermática até o momento da fecundação, além de se desenvolver métodos mais precisos de controle folicular, que permitam a realização das inseminações o mais próximo possível da ovulação. Como a predição do momento exato da ovulação de éguas ainda não é uma realidade, até o presente momento, a utilização de hormônios indutores (gonadotrofina coriônica humana ou deslorelina), tem auxiliado na redução do número de inseminações. Quando se opta pela realização de inseminação ou cobrição únicas, após a ovulação, palpações frequentes (a cada 6 ou 12 horas) são necessárias para que a

fecundação aconteça antes que ocorra a degeneração do oócito liberado (Koskinen et al., 1990; Woods et al., 1990)

Estudos utilizando uma única inseminação artificial por ciclo com sêmen fresco em equinos (Burwash et al., 1974; Voss et al., 1982; Pickett et al., 1987), resultaram em fertilidade mais baixa que as obtidas de éguas submetidas a um maior número de inseminações. Ao trabalharem com sêmen fresco de garanhões da raça Mangalarga Marchador, Silva Filho (1994) não verificaram diferenças de fertilidade entre os grupos utilizando diferentes números de IA/ciclo. Resultados similares foram observados por Carvalho (1994) e Valle (1997), ao utilizarem sêmen resfriado de garanhões.

No mesmo sentido, Silva Filho (1994) comparou a taxa de gestação de éguas inseminadas com sêmen a fresco diluido ou in natura e não observou diferenças entre os tratamentos quanto ao número de inseminações/ égua gestante (2,12) e número de inseminações/ égua vazia (2,61). Além disso, Palhares (1997) obteve taxas de concepção/ciclo de 42,86% (6/14), 55,26% (21/38), 47,37% (9/19) e 58,33% (7/12) para éguas inseminadas uma, duas, três e quatro vezes ou mais, respectivamente, durante o ciclo estral, sem que houvesse diferenças entre os grupos.

Em estudo posterior, Sieme et al. (2003) observaram que éguas inseminadas com dose única de sêmen resfriado de garanhões, durante o estro, apresentaram taxas de concepção similares àquelas observadas em éguas inseminadas duas (48/85; 56,5%) ou três (20/28; 71,4%) vezes por ciclo, a intervalos de 24 horas. Entretanto, em estudo retrospectivo, éguas inseminadas com sêmen resfriado apenas uma vez por ciclo apresentaram menor taxa de nascimento (507/1622; 31,2%) que as inseminadas duas (791/1905; 41,5%), três (464/1064; 43,6%) ou mais de três vezes (314/714; 43,9%) durante o estro (p≤0,001). Ao utilizarem sêmen congelado e uma única inseminação realizada

entre 12 horas antes (31/75; 41,3%) ou 12 horas após (24/48; 50%) a ovulação, obteve- se taxa de concepção similar à observada para as éguas inseminadas duas (31/62, 50%) ou três (3/9; 33,3%) vezes, a intervalos de 24 horas (Sieme et al., 2003).

De acordo com Ginther (1992), repetidas inseminações poderiam aumentar a disponibilidade de espermatozóides no reservatório espermático no momento da ovulação. Entretanto, tal afirmativa torna-se difícil de ser sustentada diante dos resultados conflitantes da literatura tanto em relação ao número de inseminações/ciclo, quanto ao intervalo inseminação – ovulação. Pickett et al. (1987) observaram inter-relação entre essas variáveis, merecendo destaque a associação entre frequência de inseminações e a concentração espermática. De um modo geral, quando a frequência de inseminações for aumentada, o número de espermatozóides por dose poderá ser diminuído. Entretanto, como a fertilidade depende da viabilidade espermática no ambiente uterino, quando a mesma encontrar-se reduzida, a frequência e, provavelmente, o número de espermatozóides por dose inseminante deveriam ser aumentados. Por outro lado, quando a viabilidade espermática for mais longa, menor frequência e concentração espermática poderiam ser admitidas. Assim, na presença de uma concentração espermática adequada, a taxa de gestação das éguas dependerá mais do adequado intervalo IA/ovulação do que do número de inseminações artificiais por ciclo (Palhares, 1997).

No que se refere ao efeito do número de inseminação por ciclo sobre a fertilidade de éguas inseminadas com sêmen asinino, a literatura é escassa. Para jumentas, Palhares et al. (1986) encontraram uma relação inversa entre o número de IAs e a fertilidade. A taxa de concepção, ao primeiro ciclo, foi de 58,3%, sendo realizadas, em média, 1,6 IAs nos ciclos positivos e 2,8 nos ciclos negativos. Em um estudo conduzido por Ferreira (1993), o número de inseminações por ciclo (1 ou 2) afetou a taxa de concepção de éguas inseminadas com sêmen asinino

resfriado a 5°C de maneira contrária à descrita por Palhares et al. (1986). Neste estudo, obteve-se uma taxa de concepção de 69,6%, para éguas inseminadas uma vez por ciclo, que apresentou-se inferior (p<0,01) à obtida quando da realização de duas inseminações por ciclo (96,8%).

No que se refere à utilização do sêmen fresco diluído de asininos, Leite (1994) demonstrou que nem o momento nem a frequência de realização das inseminações, exerceram influência sobre as taxas de concepção de éguas inseminadas com sêmen fresco diluído. Discordando dos achados de Ferreira (1993), Rossi (2008) não observou efeito do número de inseminações (1, 2 ou ≥3) sobre a fertilidade de fêmeas equinas inseminadas com sêmen diluído e resfriado a 5°C de asininos. As taxas de concepção por ciclo estral foram de 50,00; 62,07 e 41,03% para éguas inseminadas uma, duas ou três vezes ou mais por ciclo, respectivamente.

2.1.2.5. Fertilidade de éguas ou jumentas