I. BÖLÜM
6. MUHASEBE SİSTEMİ İÇERİSİNDE ÖNEMLİ OLAN
6.1. Nakit - Kasa Hareketlerinde İç Kontrol Sistemi
6.1.1. Tahsilâtlar
O direito brasileiro tradicionalmente reconhece o Ministério Público, por sua própria natureza, como a instituição que detém atribuição para exercer o controle externo das entidades privadas sem fins lucrativos integrantes do Terceiro Setor.
O artigo 26 do revogado Código Civil de 1916 já estabelecia o velamento das fundações pelo Ministério Público.
Desde a Lei 91, de 28 de agosto de 1935, há previsão legal (artigo 5º)
17 Conforme interpretação das súmulas 208 (compete à Justiça Federal processar e julgar prefeito
municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal) e 209 (compete à Justiça Estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba transferida e incorporada ao patrimônio municipal) do STJ.
de representação a cargo do Ministério Público para cassação do título de utilidade pública federal, nos casos em que as entidades civis deixarem de preencher os requisitos legais exigidos para a obtenção e manutenção do referido título.
O Código de Processo Civil de 1939 estabelece que a sociedade civil com personalidade jurídica, que promover atividade ilícita ou imoral, será dissolvida por ação direta promovida pelo parquet (artigo 670 do Decreto-lei 1608/39).
Em relação ao controle do recebimento de verbas públicas pelas entidades do Terceiro Setor, a atribuição do Ministério Público é reconhecida desde a Lei 1.493, de 13 de dezembro de 1951, que estabelecia a atribuição do “promotor público” de atestar o regular funcionamento das entidades privadas de caráter assistencial ou cultural recebedoras de subvenções ordinárias. O Decreto-lei 41/66 prevê a atribuição ministerial, por ofício ou por provocação, de requerer a dissolução da sociedade civil de fins assistenciais que receba auxílio ou subvenção do Poder Público ou que se mantenha, no todo ou em parte, com contribuições periódicas de populares.
A Lei Orgânica Nacional do Ministério Público e a Lei do Ministério Público da União também conferem atribuição ao Ministério Público para controlar o Terceiro Setor, prevendo a incumbência de o parquet adotar as medidas necessárias para garantir que os serviços de relevância pública respeitem os direitos assegurados na Constituição. 18
Comentando essa atribuição ministerial, Emerson Garcia esclarece: 19
Além das entidades que sejam reconhecidas como de utilidade pública, das organizações sociais e das organizações da sociedade civil de interesse coletivo, tem o Ministério Público o dever de fiscalizar a atividade de todos os entes que prestem serviços de relevância pública, ainda que não ostentem nenhuma qualificação especial concedida pelo Poder Público ou recebam qualquer subsídio deste. Tal dever advém do art. 27, IV, da Lei 8.625/93 (...). Esse preceito, aliás, é mero desdobramento da regra do art. 127, II, da Constituição da República (...). À guisa de ilustração, tanto estará enquadrada nessa categoria uma associação de moradores que, de forma contínua e sistemática, desenvolva programas sociais em prol de determinada comunidade carente, como uma entidade privada de proteção ao crédito, pois, em ambos os casos, é indiscutível a relevância pública do serviço prestado. Detectada qualquer irregularidade, está o Ministério Público legitimado a utilizar os meios necessários à sua cessação (termo de ajustamento de conduta, ação civil pública etc.). Poderá, ainda, pleitear a própria dissolução da associação ou da sociedade civil em sendo divisado o desvirtuamento de seu objeto e a sua utilização para a consecução de fins ilícitos.
18 Por exemplo, é o que dispõem o artigo 2º, artigo 5º, IV e V, artigo 6º, XX, e artigo 11, todos da Lei
Complementar 75/93, e o artigo 27, IV, da Lei 8.625/93 (supra, I-3).
19 GARCIA, Emerson. Ministério Público. 3ª edição, rev. amp. e atual. Rio de Janeiro: Lumen Juris,
A Lei 8.625/93 prevê também a atribuição do parquet de promover o inquérito civil e a ação civil pública para a anulação ou declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio público ou à moralidade administrativa do Estado ou de Município, de suas administrações indiretas ou fundacionais ou de entidades privadas de que participem (artigo 25, IV, “b”). A Lei Complementar 75/93 confere legitimidade ao Ministério Público da União para defender o patrimônio nacional, o patrimônio público e sociale o patrimônio cultural brasileiro (artigo 5º, III, “a”, “b” e “c”) e para promover o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente, dos bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico (artigo 6º, VII, “b”).
O Ministério Público tem ainda atribuição legal para: zelar pelos direitos de assistência social (artigo 31 da Lei 8.742/93), fiscalizar a escolha dos nove representantes da sociedade civil que compõem o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e apurar irregularidades em entidades do Terceiro Setor certificadas como entidades beneficentes de assistência social (Lei 12.101/2009, artigo 27).
Por fim, a Lei 9.637/99 impõe aos responsáveis pela fiscalização da execução do contrato de gestão o dever de comunicação ao TCU de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilização de recursos ou bens de origem pública por Organização Social (artigo 9º). No mesmo sentido, a Lei 9.790/99 (artigo 14) impõe aos responsáveis pela fiscalização dos termos de parceria a obrigação de comunicação, nesses mesmos termos, ao TCU e ao Ministério Público. Em ambos os casos, a omissão de comunicação aos órgãos de controle externo acarretam a responsabilidade solidária do responsável pelo sistema de controle interno.
Mais uma vez, colha-se a lição de Emerson Garcia: 20
Em que pese o fato de a Lei 9.637/98, que trata das organizações sociais, não ter previsto de forma expressa a iniciativa do Ministério Público no processo de desqualificação, a Instituição tem o dever de fiscalizar a atividade dessas entidades sob uma dupla vertente: a) a aferição da correta utilização dos bens, serviços e rendas oriundos do Poder Público nas atividades a serem executadas por essas entidades, o que possibilitará a preservação do patrimônio público e o exato cumprimento das regras e princípios regentes da atividade estatal; e b) a efetividade do princípio da eficiência, assegurando a qualidade dos serviços prestados e a consecução dos direitos fundamentais da população, não raras vezes condicionados à correta prestação dos referidos serviços.
Vale lembrar que o servidor público tem o dever de provocar a
20 GARCIA, Emerson. Ministério Público. 3ª edição, rev. amp. e atual. Rio de Janeiro: Lumen Juris,
iniciativa do Ministério Público, ministrando-lhe informações sobre fatos que constituam objeto de ação civil e indicando-lhe os elementos de convicção (artigo 6º da Lei 7.347/85). Ademais, se o fato constituir crime definido na lei de licitações, os titulares dos órgãos integrantes do sistema de controle interno deverão comunicá-lo ao Ministério Público, nos termos do artigo 102 da Lei 8.666/93.
O artigo 66, I, do Decreto-lei 3.688/41, tipifica como contravenção penal, punível com multa, “deixar de comunicar à autoridade competente crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação”.
A análise textual dos dispositivos constitucionais e legais que preveem o controle do Terceiro Setor pelo Ministério Público demonstra a coexistência entre o sistema de controle interno, de responsabilidade dos órgãos repassadores de recursos públicos que celebram os convênios, contratos de repasse, contratos de gestão e termos de parceria, e o sistema de controle externo atribuído ao Ministério Público e ao TCU (supra, III-6.1).
É importantíssimo que haja célere intercâmbio de informações entre os sistemas de controle interno e externo para assegurar que os fatos configuradores de crimes e atos de improbidade administrativa sejam apurados em tempo hábil e os responsáveis sejam efetivamente punidos.
2.3 A fiscalização ministerial das associações integrantes do