• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

3. İHRACATÇI FİRMALARIN MUHASEBE SİSTEMLERİ

3.3. İhracatçı Firmaların Muhasebe İşlemleri

3.3.7. İhracatçı Firmaların Ödeme Şekillerine Göre

De uma forma geral, os serviços de relevância pública são oferecidos gratuitamente ao cidadão cliente.

Os serviços de promoção da educação e da saúde prestados pelas OSCPIs deverão, necessariamente, ser gratuitos por imposição legal (artigo 3º, III e IV, da Lei 9.790/99). Em relação às OS e às demais finalidades legais buscadas pelas OSCIPs, a lei não proíbe expressamente a cobrança de contraprestação do cidadão,

71 Fernando Borges Mânica refere-se à função do artigo 22 do CDC de equiparação da proteção

jurídica do cidadão usuário dos serviços públicos e do cliente consumidor dos serviços privados de saúde. A observação do autor é procedente, mas em termos: a aplicação do CDC aos serviços públicos justifica- se somente enquanto não promulgada a lei dos usuários dos serviços públicos e a responsabilidade objetiva dos prestadores de serviços públicos decorre diretamente do artigo 37, §6º, da Constituição Federal, não do CDC. Mas em relação à aplicação das normas processuais do CDC, o autor está coberto de razão. Seguem suas próprias palavras: “Nos casos em que o serviço é prestado de forma gratuita, o serviço público deve submeter-se apenas ao que dispõe o artigo 22 do CDC que, em uma análise acurada, não trata de relação de consumerista, mas de relação decorrente de lei, de índole estatutária, mesmo porque, nos termos do parágrafo 2º do artigo 3º da lei em referência, a prestação de serviços objeto de disciplina pelo Código do Consumidor há de ser remunerada. Nesse prisma, pode-se perceber que a disposição constante do artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor tem como objetivo fazer com que o cidadão usuário dos serviços públicos de saúde não fique menos protegido do que o cliente consumidor dos serviços privados de saúde. Como assinalado neste trabalho, a garantia do direito à saúde e o cumprimento do dever do Estado realizam-se pela oferta de serviços de saúde a todos que dele necessitam no Brasil – como serviços públicos ou como serviços privados, gratuitamente ou mediante remuneração. (...) Considerando que a prestação dos serviços públicos de saúde tem sido promovida em caráter gratuito, ainda que assim não determine a Constituição Federal, não se verifica na hipótese a incidência das regras estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor. No caso dos serviços de saúde, a proteção dos usuários foi estabelecida por ato normativo, intitulado Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde (...). MÂNICA, Fernando Borges. O setor privado nos serviços públicos de saúde. Belo Horizonte: Fórum, 2010, p.152-153.

embora a gratuidade integral dos serviços oferecidos por tais entidades seja a medida que mais se adeque aos objetivos sociais que justificam suas qualificações jurídicas especiais.72 Afinal, os recursos públicos devem ser utilizados pelos entres privados para o atendimento do cidadão cliente e não para beneficiar também consumidores que possam pagar por tais serviços em outros estabelecimentos privados que operem no mercado visando lucro.

Cite-se a Lei Complementar 1.131/2010 do Estado de São Paulo, que possibilita o direcionamento de 25% dos leitos e demais serviços hospitalares do Estado, sob contrato de gestão com Organizações Sociais, para o atendimento de pacientes particulares ou de planos e seguros de saúde privados. Ou seja, no Estado de São Paulo, as Organizações Sociais de Saúde poderão prestar atendimento médico diretamente ou por plano de saúde, mediante o pagamento de contraprestação pelo cidadão.

Partindo desse exemplo, é importante deixar claro que em todos os casos em que as entidades do Terceiro Setor exigirem contraprestação do cidadão, sob qualquer título (taxa, tarifa, preço, mensalidade, plano de saúde, etc.) pelos seus serviços, estará plenamente configurada relação de consumo nos termos do CDC.

O STJ já se posicionou nesse sentido, como se verifica na ementa abaixo transcrita:

Processual civil. Recurso especial. Sociedade civil sem fins lucrativos de caráter beneficente e filantrópico. Prestação de serviços médicos, hospitalares, odontológicos e jurídicos a seus associados. Relação de consumo caracterizada. Possibilidade de aplicação do código de defesa do consumidor. - Para o fim de aplicação do Código de Defesa do Consumidor, o reconhecimento de uma pessoa física ou jurídica ou de um ente despersonalizado como fornecedor de serviços atende aos critérios puramente objetivos, sendo irrelevantes a sua natureza jurídica, a espécie dos serviços que prestam e até mesmo o fato de se tratar de uma sociedade civil, sem fins lucrativos, de caráter beneficente e filantrópico, bastando que desempenhem determinada atividade no mercado de consumo mediante remuneração. Recurso especial conhecido e provido. 73 (grifo nosso).

72 Para a professora Cristiana Fortini, como o texto constitucional elegeu a dignidade da pessoa

humana como direito fundamental, a única interpretação possível é a proibição da cobrança de contraprestação pelas Organizações Sociais. FORTINI, Cristiana. Organizações sociais: natureza jurídica da responsabilidade civil das organizações sociais em face dos danos causados a terceiros. Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado. Salvador, nº 6, junho/julho/agosto, 2006. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com.br>.Acesso em: 25 mai. 2011.

73 STJ, Acórdão RESP 519310/ SP; Recurso Especial 2003/0058088-5. Fonte DJ Data: 24/05/2004

PG:00262. Relator Min. Nancy Andrighi (1118). Data da Decisão 20/04/2004. Órgão Julgador T3 – Terceira Turma.

A ausência de finalidade lucrativa, conquanto considerada pela ordem constitucional indispensável para o recebimento de isenções, para o estabelecimento de preferência na prestação dos serviços de relevância pública e para a obtenção da qualificação jurídica especial, é irrelevante para a configuração da relação de consumo nos termos do Código de Defesa do Consumidor. Por serem atividades privadas prestadas mediante remuneração ao destinatário final, a relação de consumo é plenamente estabelecida. A consequência jurídica é que o cidadão será considerado consumidor, tutelado pelo CDC, e as entidades privadas consideradas fornecedoras no mercado de consumo.

5. Responsabilidade civil do Estado pelos danos causados pelo