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1.3. Araştırmanın Amacı

3.2.2 Tabiiye Öğretim Programının İncelenmesi

Articulou-se acima que a conduta moral do Estado pressupõe a publicidade que – na doutrina corrente – é instrumental para a realização dos demais princípios constitucionais da Administração Pública.

Entretanto, a inter-relação entre publicidade e moralidade pode ser explorada por outro prisma. Trata-se da projeção da moralidade sobre a publicidade, ou, por outras palavras, de se perquirir se o conteúdo da publicidade é moralmente aceito. É que a publicidade deve se realizar moralmente, ou seja, espelhar valores sociais que a sociedade tem a expectativa de serem adotadas pelo Estado como diretrizes obrigatórias ao divulgar e prestar informações.

Revolvendo uma situação que linhas atrás foi descortinada, pergunta-se: reverencia o princípio da moralidade a divulgação de informação que falta à verdade?

Com efeito, não se trata de se referir à verdade no sentido filosófico, entendimento daquilo que é o melhor e o mais correto na conduta das pessoas e de quais os fins a serem buscados pelo Estado. Por verdade, refere-se simplesmente à fidedigna descrição e registro dos fatos pela informação tal como ocorridos.

Ninguém razoavelmente duvida de que é imoral divulgar informação falsa a quem quer que seja. Portanto, é patente que o princípio da moralidade também concorre para a significação do princípio da publicidade, o qual pressupõe a

divulgação de informação veraz.124 A propósito do dever dos Governos de agir com

honestidade e verdade, não somente com relação às informações que divulgam, mas em seus atos em geral, é emblemático o art. 73 da Constituição mineira de 1989, o qual estabelece:

Art. 73. A sociedade tem direito a governo honesto, obediente à lei e eficaz. [...]

§2º É direito da sociedade manter-se correta e oportunamente informada de ato, fato ou omissão, imputáveis a órgão, agente político, servidor público ou empregado público de que tenham resultado ou possam resultar: I – ofensa à moralidade administrativa, ao patrimônio público e aos demais interesses

legítimos, coletivos ou difusos;

II – prestação de serviço público insuficiente, tardia ou inexistente; III – propaganda enganosa do Poder Público;

IV – inexecução ou execução insuficiente ou tardia de plano, programa ou projeto de governo e de programas e projetos priorizados em audiências públicas regionais;

A verdade não é um dever moral cuja reverência se reduz ao âmbito estatal. É um valor, de acordo com reflexão de Germana Moraes (1999, p. 108), que

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O dever de a informação se apresentar veraz é afirmado por Germana de Oliveira Moraes, na seguinte passagem: “O princípio da publicidade assegura ao administrado não apenas o direito à informação, à transparência da atuação administrativa, à visibilidade do poder, mas também o direito à informação verdadeira: „o direito a uma informação exata e honesta dos governados‟”. (MORAES, Germana de Oliveira. Controle Jurisdicional da Administração Pública. São Paulo: Dialética. 1999. p. 108).

preside todas as relações humanas, “em que os comportamento devem ser frontais e não ocultos, sinceros, e não mentirosos; sejam autênticos e verazes, e não simulados ou dissimulados”.

A inverdade e desonestidade são rejeitadas pelo direito em diversas realidades da vida social em que ele intervém. No direito privado, são considerados vícios que anulam declarações de vontade125. A boa-fé, sem a qual não há verdade, é princípio norteador das relações contratuais em geral126. É também a inverdade

causa de sanções contratuais.127 Nas relações de consumo, a verdade é expoente

valor, protegida contra publicidade enganosa128.

Enfim, ela é um referencial objetivo de moralidade que ninguém pode seriamente discordar. Em consequência, a publicidade por meio da veiculação de informação emanada do Estado não pode ser meio (imoral) de fabricação de mentiras. Nesse sentido, aduz Onofre Batista (2013, p.589-630) que

De nada adiantariam as exigências do princípio da publicidade, ou mesmo o direito de informação do art. 5º, XXXIII, da CRFB/88, se as informações dadas fossem inverídicas, maquiadas ou torcidas. Com relação à eficiência administrativa, estar-se-ia, assim, inviabilizando o próprio feedback na atuação administrativa, o que fatalmente conduziria à ineficácia da atuação dos órgãos de controle, que contariam com relatórios e dados inúteis.

Além disso, a prestação de informação mentirosa, sem correspondência entre fatos e decisões a respeito deles tomadas, em que a realidade é deliberadamente omitida, é atitude frontalmente ofensiva à democracia, pois expõe o povo à simulação: a aparência da conduta disfarça sua real natureza e seus reais propósitos.

A falta de verdade descredencia o debate público racional entre sociedade civil e Estado como instância transformadora da realidade. Sem acesso ao real conteúdo das informações prestadas pelo Estado não se consegue realizar

125 Exemplifica-se aqui que o Código Civil prevê a nulidade de negócio jurídico, no preceito do art. 167. “É nulo o negócio

jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.§ 1o Haverá simulação nos

negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira”;

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Nesse sentido, estabelece o art. 422 do Código Civil: “Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato como em sua execução, os princípios da probidade e boa-fé”.

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Esta hipótese é bem retratada no contrato de seguro, disciplinado pelo Código Civil. Prevê seu art. 766. “Se o segurado, por si, ou por seu representante, fizer declarações inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito à garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido”.

128 Nesse sentido, são diversos os preceitos do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90). “Art. 6º São direitos do

consumidor[...] IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva; Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal; Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva”.

ações para promoção de igualdade, bem estar e emancipação na vida das pessoas na medida esperada. Nesse contexto, a divulgação mentirosa da informação, com deturpação dos fatos, emperra a realização de reformas institucionais e de políticas públicas ou tomadas de decisões do modo mais fiel possível ao desejo e necessidade social e aos interesses públicos cravados na Constituição e nas leis.

Da manipulação pelo Estado dos fatos – mentira – ou mesmo da sua ocultação – sigilo – avulta a realidade ilusória, aquela apresentada ao público com embuste à opinião pública, que dá suporte a aplicação fraudulenta da lei, em atentado ao Estado de direito e deslealdade à democracia. Submersa à realidade ilusória, campeia a realidade inconfessável. Trata-se da dissimulada realidade que, invisivelmente, à margem da lei e dos interesses públicos democráticos, consegue fazer prevalecer e prosperar, à custa de mentira e sigilo, interesses políticos e eleitoreiros do Governo, ou interesses econômicos de classes e grupos – isso tudo, em desprezo pelos interesses públicos.

Por isso, reafirma-se: a falta de publicidade é risco à estabilidade democrática. Ela expõe o Estado à captura de interesses privados e partidários que marginalizam e postergam a realização dos interesses públicos.

Por certo, no rastro de prestação mentirosa de informação segue-se o que a doutrina administrativista denomina desvio de poder ou desvio de finalidade. De acordo com Hely Lopes Meirelles (2006, p. 112), verifica-se o desvio de poder quando a autoridade, nos limites de sua competência, pratica ato movido por fins diversos daqueles previstos em lei ou exigidos pelo interesse público. Há uma violação moral da lei, pois se emprega meios imorais para a prática de um ato administrativo aparentemente legal. Não há uma violação direta da lei, mas aquilo que Hely Lopes Meirelles (2006, p.113) diz “violação ideológica da lei, pois é consumado às escondidas ou se apresenta disfarçado sob o capuz da legalidade e do interesse público”.

Assim, a inverdade da publicidade é sinal de disfarçada afronta à legalidade.