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1.3. Araştırmanın Amacı

3.4.3 Modern Biyoloji Öğretim Programının İncelenmesi

público?

Os capítulos deste trabalho são costurados pela ideia do debate público.

Examinou-se a realização do Estado democrático pela comunicação pública, “cujas

origens remontam a redes de comunicação que se estabelecem na esfera pública” (MORAES, 2006, p.175). O objetivo é a sociedade discutir, com liberdade e acesso à informação, seus problemas e seus projetos de futuro. Seria fundamental à consolidação do funcionamento democrático do Estado que temas de relevância social e ações governamentais de maior impacto ganhassem domínio público por arenas amplificadas de discussão, que incluem a mídia, organizações da sociedade civil, partidos políticos e órgãos de representação do Estado (Parlamento, Administração Pública e outros órgãos constitucionais de controle).

Contudo, vimos que há disfunções e defecções do sistema político- jurídico que reduzem as possibilidades de fazer o Estado democrático pelo debate público, o que acaba por esvaziar a legitimidade da sua produção legislativa e dos resultados de suas ações administrativas.

Rememora-se, em breve síntese, o que já foi afirmado em capítulos anteriores. Os meios de comunicação de massa não conseguem ser porta voz de causas ligadas a setores historicamente marginalizados da sociedade ou que representem culturas que constituem identidades de grupos minoritários. Dessa forma, muitas demandas de grupos socialmente marginalizados ou que são minorias não conseguem espaço para debate na esfera pública de dimensões mais amplas, capaz de despertar a atenção da opinião pública. Nem sempre também os meios de comunicação são neutros a pressões de ordem comercial e política, o que compromete o dever ético de compromisso com a verdade na divulgação de fatos manifestamente relevante à opinião pública.

O Poder Legislativo, cooptado pela força política e financeira do Poder Executivo, não consegue exercer com desenvoltura o controle político da atividade burocrática do Poder Executivo. Ao contrário, é o Poder Executivo quem domina o

debate público realizado no Parlamento143. É ele que fixa e orienta a pauta de

discussões nas atividades parlamentares. Por esse prisma, o protagonismo político do Executivo conduz à fragilidade do sistema político-constitucional de prestação de contas, o que torna os governantes insuficientemente responsáveis pela gestão pública que dirigem.

Além disso, a burocracia, que faz o Estado presente na vida social, tem sido historicamente entrave à aproximação estatal da sociedade. Ela monopoliza o conhecimento técnico da informação que subsidia a tomada de decisões políticas e administrativas. Isso torna a atuação da burocracia, e, por consequência, a atividade do Estado, opaca. A opacidade burocrática inviabiliza, sobretudo, a participação popular e o controle social – na mão contrária ao discurso de democratização da Administração Pública.

O debate público, que não é pleno e ostensivo sem livre fluxo de informação entre Estado e sociedade, é amordaçado pela arraigada cultura burocrática do segredo. Servidores públicos consideram que a informação e os dados que eles produzem ou recebem não são públicos. Entendem que as informações por eles retidas pertencem ao Estado, a quem devem a fidelidade funcional que exige a guarda e segredo de dados. Enfim, o Estado não é naturalmente disposto a ser transparente. Compartilhar a informação e trazer a conhecimento público a forma pela qual conduz sua atividade político-administrativa implica empoderamento da sociedade e maior controle sobre o Estado.

Por essas razões, não há garantia de que a sociedade seja suficientemente bem informada da forma pela qual os agentes do Estado utilizam os meios (competências constitucionais e legais) de que dispõem para desincumbirem de seus deveres constitucionalmente fixados, desdobrados em fins legalmente recortados. Da mesma forma, com pouca transparência e escassez de debate público a sociedade não tem certeza da legalidade e eficiência da ação governamental em prover utilidades públicas e supressão de carências sociais. E

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Sobre a inoperância do controle político sobre o Executivo, afirma Odete Medauar: “há que se notar que, em geral, quer no parlamentarismo quer no presidencialismo, o Executivo detém a hegemonia entre os três poderes e domina a máquina governamental. Em decorrência, embora o ordenamento discipline atuações de controle do Legislativo sobre o Executivo, inexiste interesse político na realização concreta e eficaz da vigilância, para não desagradar o detentor do Poder Executivo. A deterioração da atividade legislativa e a submissão cega ao Executivo propiciam a inoperância da função de controle, em vez de acentuá-la.(MEDAUAR, Odete. Controle da Administração Pública. 2 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012, p. 97).

pior: a informação divulgada é mascarada por propagandas e dados inverídicos, que distorcem a realidade e enganam cidadãos.

O quadro acima desenhado é agravado com a corrupção endêmica que acomete o Estado refratário à transparência. Isso descortina o cenário de inépcia estatal na prestação de serviços públicos de qualidade, incapacidade de desenvolvimento econômico com socialização da riqueza e descontrole sobre o Governo, que expõe a severa contestação e descrédito popular o regime democrático representativo.

O descontrole sobre o Estado gera graves inconstitucionalidades, que minam a legitimidade da ação governamental e dos poderes constituídos, o que abala a estrutura democrática do Estado. Sem controle, o Estado é mais propenso a agir em desconformidade com o direito. E o mais grave: o Estado que não é controlado, que não se responsabiliza em prestar contas à sociedade daquilo que faz, e de como o faz, e dos resultados obtidos com aquilo que faz, é um Estado irresponsável.

A irresponsabilidade do Estado decorre da carência de meios institucionais e sociais capazes de fazê-lo agir na conformidade dos preceitos jurídicos que regem sua conduta e da incapacidade de órgãos de controle em punir as transgressões do Estado à ordem jurídica. O Estado irresponsável, que não tem verificada a constitucionalidade de sua ação, não é democrático. Como já se articulou neste trabalho, afirma-se que a investidura no poder político por eleições não é suficiente para configurar a democracia144. A legitimidade da investidura no poder político por meio de eleições regulares e periódicas precisa ser acompanhada por uma legitimidade do exercício do poder, que pressupõe um agir estatal responsável, susceptível a ser controlado.

O Estado irresponsável está a um passo do autoritarismo, que se traduz na transgressão das liberdades civis individuais e no desenvolvimento de políticas públicas desconexas dos reais interesses sociais, aparelhando o Estado a serviço de interesses privados. Esse Estado, possivelmente autoritário, é aquele que ainda

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Sobre a responsabilidade como condição de regime democrático, escreve José Afonso da Silva, reportando-se a Paulo Brossard: “Nos regimes democráticos não existe governante irresponsável. Não há democracia representativa sem eleição. „Mas a só eleição, ainda que isenta, periódica e lisamente apurada, não esgota a realidade democrática, pois, além de mediata ou imediatamente resultante de sufrágio popular, as autoridades designadas para exercitar o Governo devem responder pelo uso que dele fizerem uma vez que Governo irresponsável, embora originário de eleição popular, pode ser tudo, menos Governo democrático‟”. (SILVA, 2000, p. 548).

exerce, potencialmente, influência sobre temas que as pessoas publicamente debatem, manipulando a formação da opinião pública, pela propaganda oficial e pela ingerência nos meios de comunicação de massa.

A incapacidade do Estado, por meio de seus órgãos políticos, em se autocontrolar e exigir responsabilização por gestões ineficientes, eternizam promessas e frustram a universalização de direitos fundamentais. Avulta, portanto, conjunto de fatores que justifica pensar mecanismos alternativos de controles mais efetivos e democráticos, que possam dotar a sociedade de instrumentos hábeis a verificar a legitimação da atuação do Estado.

Daí surge a oportunidade de se repensar as funções dos Tribunais de Contas, órgãos eminentemente técnicos, dedicados exclusiva e permanentemente ao controle da atuação governamental. Podem esses órgãos serem vistos como canais de comunicação e fontes de informação para a sociedade, numa tentativa de promover o debate público necessário ao satisfatório controle do desempenho estatal?

A aposta nos Tribunais de Contas como instância promotora do debate público engendra questionamento a ser enfrentado. Como é possível os Tribunais de Contas, que carecem de visibilidade e sofrem duras críticas pela ineficiência de seu desempenho como guardião dos recursos públicos, se credenciarem a alargar o debate público necessário ao controle da atuação estatal e ao seu aprimoramento democrático?

Para a compreensão das potencialidades dos Tribunais de Contas em protegerem os recursos públicos e, por conseguinte, o Estado democrático, na perspectiva de ser fonte de informação para a realização do debate público, partir- se-á de breve excurso sobre razões que motivaram o desenvolvimento desses órgãos de controle.

12.4 A importância dos Tribunais de Contas funcionarem como potencial