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Türkiye’de İş Ahlakı İle İlgili Yapılan Bazı Araştırmalar

Para Juscelino Kubitschek o desenvolvimento significava crescimento econômico realizado através da industrialização da produção brasileira. Somente o desenvolvimento econômico superaria o atraso do Brasil em relação aos países do primeiro mundo. No seu entender, a industrialização proporcionaria o aumento da riqueza nacional e, consequentemente, a prosperidade de toda a população.

Entretando, o fim da miséria gerado por esse desenvolvimento econômico não era a principal finalidade da ideologia desenvolvimentista. Conforme Miriam L. Cardoso4, a sua finalidade última era a manutenção da democracia, ou seja, a manutenção da ordem através da segurança do sistema político, econômico e social vigente.

A pobreza (sinônimo de subdesenvolvimento) era vista como um perigo à democracia, uma vez que instigava a revolta e a subversão entre a população desfavorecida. A luta contra a miséria e contra a subversão significava uma luta em defesa da democracia e seus ideais de

3 Ibidem, p. 384-403. 4 Ibidem, p. 229.

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liberdade e igualdade de oportunidades à todos os membros da sociedade, indistintamente. Essa idéia de ordem como base de sustentação democrática era um elemento fundamental para o estabelecimento da transformação econômica pretendida, uma vez que controlava o sentimento de insatisfação das classes desfavorecidas ao acenar com a possibilidade de

ascensão social através do trabalho.

A origem da pobreza é identificada no tradicionalismo característico da nossa sociedade, baseada na exportação de produtos primários, que não permitia a expansão econômica. O desenvolvimentismo viria para modernizar esse modelo econômico, introduzindo a valorização da agricultura para o mercado interno e, sobretudo, a industrialização.

Conforme Míriam L. Cardoso, “os aspectos centrais da ideologia do desenvolvimento tal como a concebe JK são, como vemos, a prosperidade e a ordem. Os dois se fundem com seu conceito de soberania como equivalente da autodeterminação, identificada como igualdade com os grandes Estados”5. A soberania somente seria possível aos países que tivessem se afirmado no terreno econômico e onde houvesse democracia.

Nesse contexto, a cooperação do capital internacional no processo de desenvolvimento econômico era entendida como necessária e positiva, não representando problemas à soberania nacional. No discurso desenvolvimentista, o destino do Brasil era ser um país próspero, uma vez que a Nação era potencialmente rica em recursos naturais e humanos. O capital internacional somente colaboraria para que atingíssemos nossa

“velocidade de arranque” no desenvolvimento econômico. Portanto, nessa concepção, “a

cooperação internacional que ajuda a promover o desenvolvimento não interfere na soberania do país ao qual se dirige, mas, ao contrário, contribui positivamente para que ele a alcance”6.

Através da perspectiva desenvolvimentista, a soberania nacional e o sucesso político e social brasileiro seriam consequências do sucesso econômico que o País alcançaria através de um planejamento adequado de seu processo de desenvolvimento. A decisão política de incluir no discurso desenvolvimentista a questão da soberania nacional agradava tanto aos nacionalistas de direita, quanto aos de esquerda, contribuindo para conter as inquietações políticas características do período correspondente à posse de Kubitschek na presidência, em 1956.

5 Ibidem, p. 98. 6 Ibidem, p. 98.

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O Programa de Metas do governo Kubitschek visava uma “enorme e evidente aceleração do processo de crescimento”7, baseado no incremento das condições de investimento. Miriam L. Cardoso aponta que uma preocupação marcante na apresentação deste Programa era mostrar a viabilidade do projeto, apresentando-o como realizável e não exagerado. As pretensões governamentais justificavam-se através da defesa da idéia de racionalidade econômica, na qual dava-se prioridade aos investimentos e restringiam-se as despesas; também havia uma política de incentivo às exportações, com defesa de preços; outro ponto era a defesa da necessidade de restrição do consumo, associado à inflação; o último e fundamental item desse plano era a necessidade de atração de capital estrangeiro, através das exportações, empréstimos ou de investimentos diretos.

“O Programa de metas foi montado contando com uma participação estrangeira da ordem de 1/3 dos seus investimentos globais”8. Essa afirmação de Míriam L. Cardoso dá uma noção da importância da necessidade de atração de capital público e privado externo para a viabilização do programa governamental. A ideologia desenvolvimentista criou diversas justificativas para que a opinião pública nacional entendesse como positivo o financiamento estrangeiro do desenvolvimento de setores importantes da economia do país e para que os órgãos de financiamento e investimentos do exterior se interessassem pelo Brasil.

Defendia-se a idéia de que a América Latina ocupava uma posição estratégica na defesa da democracia ocidental. No contexto da Guerra Fria, os países desenvolvidos e subdesenvolvidos se relacionariam tendo em vista esse objetivo comum de combate ao comunismo. Por um lado, os países subdesenvolvidos garantiriam a fidelidade aos ideais democráticos (entenda-se capitalismo) na medida em que os países desenvolvidos cooperassem com o capital necessário ao seu crescimento econômico e consequente enriquecimento nacional. Por outro lado, os países desenvolvidos colaborariam tendo em vista a manutenção do sistema em que são dominantes.

Com o objetivo de estabelecer essa cooperação mútua, o Brasil propôs a realização da “Operação Pan-americana”, um programa de desenvolvimento econômico que envolvia os Estados Unidos e toda a América Latina. Esse Programa previa a realização de “acordos de preços de produtos primários e empréstimos públicos a longo prazo”9. Entretanto, esses princípios são colocados em prática apenas quando os Estados Unidos rompem as relações

7 Ibidem, p. 187. 8 Ibidem, p. 187.

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com Cuba e propõem a “Aliança para o Progresso”. O Programa da “Aliança para o Progresso” dava ênfase à manutenção das garantias políticas, consideradas “indispensáveis à manutenção e expansão do poderio econômico ocidental”10.

De acordo com a análise dos programas da “Operação Pan-americana” e da “Aliança para o Progresso”, Míriam L. Cardoso observa que, para a ideologia desenvolvimentista, as nações subdesenvolvidas eram estratégicas na definição ideológica do mundo, mas para os países desenvolvidos, a questão do desenvolvimento econômico daqueles países não era prioritária, desde que as forças sociais locais pudessem manter a subversão sob controle. Com isso, o Brasil continuava a enfrentar dificuldades em captar recursos estrangeiros para sustentar seu desenvolvimento.

A ideologia desenvolvimentista procurava sustentar a idéia de que a cooperação dos países desenvolvidos não era questão de generosidade, mas de razão, uma vez que o Brasil acenava com a possibilidade de grande rentabilidade ao capital aqui aplicado, ao mesmo tempo em que esse capital contribuiria para o controle da subversão, para manutenção da ordem e para a manutenção da defesa de todo o continente contra os avanços do socialismo.

Por outro lado, além da necessidade de capital, o crescimento econômico também dependia da aquisição de técnica avançada, que “possa ser incorporada ao processo de desenvolvimento, tornando-o mais produtivo e mais eficiente, portanto mais rápido e menos oneroso”11. Esses recursos técnicos chegaram ao Brasil sob a forma de assistência técnica fornecida por organismos internacionais como a ONU, a OEA e o Ponto IV e, sobretudo, sob a forma de importação de novos equipamentos. Com a finalidade de encorajar as empresas estrangeiras a trazerem equipamentos industriais para o Brasil, “o governo fez uso liberal da Instrução 113 da SUMOC [Superintendência da Moeda e do Crédito], baixada durante o Governo Café Filho”12 (1955), que isentava as empresas estrangeiras “da necessidade de providenciar cobertura cambial externa para importar maquinaria, desde que estivessem associadas a empresas brasileiras – vantagem não gozada por firmas inteiramente nacionais”13. Essa regulamentação também liberalizava a entrada e saída de capitais externos no País, o que efetivamente serviu de incentivo para que se realizassem investimentos estrangeiros, sobretudo em indústrias-chave, como a de produção de veículos.

10 Míriam Limoeiro CARDOSO, Ideologia do Desenvolvimento no Brasil, p. 133. 11 Ibidem, p. 191.

12 Thomas E. SKIDMORE, Brasil, de Getúlio Vargas a Castelo Branco (1930-1964), p. 206. 13 Ibidem, p. 206.

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Em relação à política econômica interna, o Governo JK buscava conseguir uma colaboração entre a iniciativa pública e privada. O Estado propunha-se a atuar para estimular as primeiras etapas do processo de desenvolvimento econômico, substituindo a iniciativa privada em setores em que ela não atuaria por não ter seus interesses econômicos atendidos e incentivando-a onde esse interesse existisse.

O Estado também se responsabilizava por promover a produtividade, seja através do aperfeiçoamento tecnológico – utilizando-se do sistema educacional e dos centros de pesquisas existentes – seja através da “ideologia como instrumento de mobilização”14 – divulgando a crença em um futuro melhor para o trabalhador que viria com o desenvolvimento.

O planejamento era outra forma de estímulo aos investimentos, uma vez que, fundamentalmente, “se volta para a eficiência, com a atenuação dos pontos de estrangulamento – que tendem a diminuí-la, com a adoção de outras medidas que aumentam a produtividade do capital e do trabalho”15. Evaldo Vieira aponta que Kubitschek, mesmo antes de sua eleição, proclamava a planificação como assunto de sua preferência nos pronunciamentos16. Segundo esse autor, a “apologia da planificação” esteve presente em todo o período Kubitschek, sendo que o Presidente “louvava o fato de, pela primeira vez, haver um plano nacional em execução no Brasil”17.

A perspectiva desenvolvimentista, é interpretada por Míriam Cardoso como sendo transformadora e conservadora ao mesmo tempo: “mudar, dentro da ordem, para garantir a ordem” seria o slogan de sua política geral:

“A atitude desenvolvimentista é francamente transformadora, ela mostra um profundo inconformismo com o presente. Por outro lado, ela é abertamente conservadora, preocupada que está com a garantia da ordem, acima de tudo. Quanto ao campo econômico ela é marcadamente inovadora, impulsionando os setores emergentes, concentrando os investimentos em áreas novas, predominantemente industriais – mesmo que com isso esteja contrariando a hegemonia que vigorava anteriormente. Atua, pois, no sentido de propiciar o surgimento ou o fortalecimento de uma nova hegemonia. Essas transformações no âmbito da hegemonia, no entanto, se processam todas nos limites das classes dominantes. (...) O seu inconformismo com o presente só vai até aí: primeiro, ele se refere unicamente aos aspectos econômicos; segundo, ele só admite o confronto intra-classe dominante. São essas restrições, é essa fixação de limites ao seu caráter inovador que lhe assinalam sua outra característica, o conservadorismo. (...)Isto é, a atitude política do desenvolvimentismo

14 Míriam Limoeiro CARDOSO, Ideologia do Desenvolvimento no Brasil, p. 207. 15 Ibidem, p. 208.

16 Evaldo VIEIRA, Estado e miséria social no Brasil, p. 84. 17 Ibidem, p. 84.

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é conservadora na medida em que dá maior solidez aos processos hegemônicos mais importantes, aqueles que se exercem dos grupos globalmente dominantes para os dominados. Fazendo com que estes aceitem o projeto daqueles como o seu próprio, não só mantém, como estende o poder de direção e de domínio”18.

Benzer Belgeler