2.6 Semavi dinlerin İş Ahlakına Yaklaşımları
2.6.2 Hıristiyan İş Ahlakı
A questão do desenvolvimento nacional, com ênfase na industrialização, não surgiu com o ISEB, nem com o governo Kubitschek, ela já existia há algum tempo no interior da formação social brasileira, sendo uma das heranças que a República recebeu do Estado Novo. Segundo Celso Beisiegel:
“Os ideais de desenvolvimento nacionalista continuaram presentes na vida política da nação, mesmo quando a rearticulação do sistema capitalista internacional, após o encerramento dos conflitos na grande guerra, os fazia dificilmente praticáveis. (...) [Com o ISEB] o ideário nacionalista se afirmava a adquiria o status de doutrina oficial do Estado no exato momento em que o país novamente se abria à penetração dos grandes investimentos internacionais”36.
Entretanto, a expressão “ideologia do desenvolvimento” se tornaria o emblema do ISEB, “estando presente na quase totalidade de suas publicações e em todas as duas definições e ordem programática”37.
Para Caio N. de Toledo, as intenções governamentais no período JK eram fazer do ISEB um núcleo de apoio e sustentação à política econômica definida pelo Plano de Metas. Em discurso proferido na solenidade de encerramento do curso regular de 1956, o presidente Juscelino Kubitschek definiu a tarefa da instituição como sendo a de “formar uma mentalidade, um espírito, uma atmosfera de inteligência para o desenvolvimento”, e afirmou:
35 Caio Navarro de TOLEDO, ISEB: fábrica de ideologias, p. 41. 36 Celso BEISIEGEL, Política e educação popular, p. 09.
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“mais do que uma tribuna brilhante, o ISEB quer ser um laboratório de pesquisas da realidade brasileira, visando conhecê-la e dar direção feliz ao processo do seu desenvolvimento”38.
Duas razões são apresentadas por Caio Navarro de Toledo para justificar a promoção de uma ideologia por uma instituição criada pelo Estado. A primeira refere-se ao fato de que os estatutos do ISEB lhe conferiam uma autonomia que isentava o Estado de qualquer responsabilidade sobre suas posições políticas e ideológicas. A segunda razão estava relacionada à crença de que a ideologia do desenvolvimento nacional promovida pelo ISEB representava os interesses gerais da nação como um todo, estando acima de disputas políticas ou ideológicas.
2.1.1. Algumas noções básicas da ideologia isebiana.
Quase todos os intelectuais conhecidos como “isebianos históricos” – Alberto Guerreiro Ramos, Cândido Mendes, Hélio Jaguaribe, Roland Corbisier e Álvaro Vieira Pinto (excetua-se Nelson Werneck Sodré) – concordavam com a necessidade de elaboração de uma ideologia que contribuísse para o desenvolvimento nacional.
Essa ideologia seria fruto da consciência crítica que teria condições de surgir naqueles países subdesenvolvidos que conseguiram romper com a estrutura colonial ou com a estagnação do subdesenvolvimento. Entretanto, essas transformações nas estruturas básicas somente levariam a nação como um todo a um estágio superior de desenvolvimento se estivessem amparadas por uma ideologia do desenvolvimento, que lhe conferiria clareza e precisão de metas a serem alcançadas. Roland Corbisier afirma:
“Se é verdade, como já se disse, que não há movimento revolucionário sem teoria do movimento revolucionário, não haverá desenvolvimento sem a formulação prévia de uma ideologia do desenvolvimento nacional”39.
Um elemento considerado pelos isebianos como fundamental para a formulação da ideologia do desenvolvimento é a autenticidade. Caio Navarro de Toledo afirma que as discussões a respeito da natureza dessa autenticidade geraram dois posicionamentos distintos dentro do ISEB: um defendido por Hélio Jaguaribe, Roland Corbisier, Cândido Mendes e Guerreiro Ramos; e, outro defendido por Álvaro Vieira Pinto.
Para o primeiro grupo, a autenticidade da ideologia do desenvolvimento surgia da fase ou estrutura faseológica que estava sendo vivida pela história brasileira. Para Hélio Jaguaribe,
38 Juscelino KUBITSCHEK, Discursos, Rio de Janeiro, ISEB, 1957, p. 48 apud Caio N. TOLEDO, ISEB: fábrica
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essa estrutura faseológica abria caminho para o desenvolvimento independente, uma vez que, a partir de 1930, “a linha de maior representatividade ideológica para todas as classes sociais corresponde também à linha de maior autenticidade histórica”40, ou seja, os interesses das classes dominantes (ideologia representativa) correspondem aos interesses da comunidade como um todo (ideologia autêntica). A burguesia industrial progressista teria conseguido conquistar as camadas populares, tendo em vista o desenvolvimento.
Álvaro Vieira Pinto, por outro lado, acreditava que a ideologia autêntica deveria ser extraída da consciência das massas, pois são elas que “impõem a exigência de desenvolver-se o país”41. Para o autor, “a ideologia do desenvolvimento só é legítima quando exprime a consciência coletiva, e revela os seus anseios em um projeto que não é imposto, mesmo de bom grado, às massas, mas provém delas”42. Entretanto, Álvaro Vieira Pinto reconhece a necessidade de existência de quadros intelectuais capazes de ordenar e explicitar esse projeto de desenvolvimento.
Celso Beisiegel, analisando essas concepções, destaca o fato de que o desenvolvimento, apesar de entendido como uma imposição das massas, somente seria atingido através da “atuação privilegiada das classes dominantes, desde que estas classes se fizessem também dirigentes, autênticas, identificadas com as necessidades orgânicas de transformação da sociedade”43.
Da mesma forma, Caio Navarro de Toledo aponta para o fato de que apesar das diferenças apresentadas entre os autores isebianos, elas se atenuam “quando se tem em conta que ambos pensam o desenvolvimento nacional como convergindo para a definitiva consolidação do capitalismo nacional”44. Além disso, esses autores acreditavam que a ideologia do desenvolvimento nacional possuía uma hegemonia, ou seja, a existência de ideologias dominantes e dominadas em conflito não era considerada um problema. Os isebianos acreditavam que não havia contradição de interesses na sociedade, uma vez que o projeto de desenvolvimento correspondia ao projeto de toda a nação.
Outro elemento fundamental da ideologia do desenvolvimento é a sua concepção de classes sociais e antagonismo de classes. Segundo Caio Navarro de Toledo, os autores isebianos entendiam que a sociedade brasileira do pós-30 encontrava-se dividida entre setores
39 Roland CORBISIER, Formação e Problema da Cultura Brasileira, p. 87. 40 Hélio JAGUARIBE, Condições institucionais do desenvolvimento, p. 13. 41 Álvaro Vieira PINTO, Ideologia e desenvolvimento nacional, p. 33. 42 Ibidem, p. 34-35.
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“dinâmicos e produtivos” e setores “estáticos e parasitários”, sendo que cada um desses setores poderia abrigar parcelas das três classes fundamentais (burguesia, classe média e proletariado).
Essa contradição entre “estagnação” e “desenvolvimento” representava, para os isebianos, o principal antagonismo existente na formação social brasileira que somente seria superado com o desenvolvimento, em termos capitalistas.
Entretanto, os isebianos divergiam quanto à composição desses “setores” antagônicos existentes na sociedade brasileira. Caio Navarro de Toledo acredita que para Vieira Pinto, Roland Corbisier e Nelson Werneck Sodré o principal agente das forças de estagnação era o
imperialismo. Assumindo essa postura, esse grupo é contrário à entrada de capital estrangeiro
no país. Segundo Vieira Pinto:
“A proteção ao capital estrangeiro, que até há pouco apresentava uma política de certo modo útil, tornou-se, agora, orientação nefasta. Desde que se produziram no âmbito interno do país condições favoráveis à acumulação do capital autóctone, toda a política que proteja o derrame de capital alheio no incentivo ao nosso desenvolvimento assume sentido antinacional por estabelecer concorrência desnecessária, além de prejudicial, por ser esmagadora dos nossos esforços próprios ao introduzir interferências estranhas num campo de decisões que, se nacionalmente puro, criará projetos fecundos para a comunidade”45.
Assumindo uma posição diversa, Hélio Jaguaribe acreditava que as forças de estagnação eram formadas por setores improdutivos ou decadentes da burguesia, classe média e proletariado. No seu entender, o nacionalismo – ideologia racionalizadora do comportamento político-social – era basicamente “um meio para atingir um fim: e como tal deve ser exercido, mediante o emprego dos instrumentos mais adequados para a realização desse fim”46. Nesse sentido, aceitava-se a entrada de capitais estrangeiros no país, sendo que não haveria a necessidade sequer da existência de um monopólio do petróleo, desde que ele fosse explorado de forma eficaz e se proporcionasse à economia nacional o seu pleno uso e controle.