1. KAMU GELİRLERİ VE VERGİ
1.6. Türk Vergi Sisteminde Vergi Denetimi
1.6.2. Türkiye’de Vergi İdaresinin ve Vergi Denetiminin Yapısı
O flamenco é uma arte que não se exibe individualmente. Sua apresentação é composta por uma cena constituída por cante, executado pelos cantaores; baile, exibição da dança; e toque, ao som de guitarras flamencas, tendo ainda uma diversidade de cante, ritmos ou palos, assim qualificados: tonás, e siguiriyas (formas mais primitiva do flamenco), soleares, tangos, bulerías, cantes a pallo seco, fandangos, alegrias. As modalidades do flamenco estão relacionadas com as províncias que mais bem se adaptaram ao estilo, como, por exemplo, em Sevilla, foram desenvolvidas as soleares, siguiriyas, bulerías e cantes a pallo seco.
Do surgimento à afirmação como arte, o flamenco passou por várias etapas. Assim informam os registros de López Ruiz (2007)55. Da etapa inicial, registrada a partir do século XVIII, quase nada se conhece. Sabe-se que era vivenciado nas reuniões familiares dos gitanos e campesinos, também era apresentado nas cidades e tabernas.
A partir do século do século XIX (1840 – 1860) vivenciou-se a Edad de Oro del Flamenco, quando surge El Planeta, de Cádiz, o primeiro cantaor de fato conhecido. Entre os anos de 1860 a 1920, o flamenco adquiriu conceito artístico, passou a ser apresentado nos “Cafés cantantes” e bares onde havia "recitais" de arte flamenca. Foi o início da profissionalização do flamenco. Desse modo, várias figuras têm seu nome registrado nessa fase áurea, tais como Silverio, El Nitri, El Mellizo, Manuel Torre, o Chacón.
A partir dos anos 1920, a arte flamenca entrou em um período de divulgação, passando a ser uma arte extremamente comercial. Com a profissionalização, o flamenco passou a ser apresentado no teatro. Nesse período, Juan Breva foi o responsável por esse feito, que abriu as portas para artistas como a cantaora La Niña de los Peines, considerada uma das vozes femininas mais importantes do cante flamenco, e os cantaores Manolo Caracol e Pepe Marchena, entre outros. Importante registrar que as apresentações teatrais intrigavam os
profissionais, pois, para atender ao apelo do público que pedia canções populares, os artistas tinham de rebaixar o nível artístico e isso não correspondia ao projeto de afirmação do flamenco. Esse fato resultou na busca da revalorização e do retorno às origens dessa arte.
Em 1922, foi realizado o Concurso de Cante Jondo de Granada, produzido por intelectuais como o compositor Manuel de Falla e o escritor Federico García Lorca. O resgate da identidade da arte flamenca em sua maior pureza foi o objetivo principal do evento, em que se intentou resgatar a estética e o conceito do O cante jondo, considerado o cante primitivo andaluz. O concurso teve apenas uma edição, no entanto, foi muito significativa, pois proporcionou uma forte reflexão em vários níveis sobre a história da arte flamenca.
Por conseguinte, o interesse pela valorização do flamenco aconteceu de forma efetiva, de modo que os intelectuais não só participaram da realização do concurso como também compuseram peças dirigidas à arte flamenca. Como referência dessa participação, citamos os compositores Manuel de Falla (1876-1946), Andrés Segovia (1893-1987), o pintor Ignacio Zuloaga (1870-1945) e o poeta e dramaturgo García Lorca (1898-1936).
Nesse período, o músico e compositor Manuel de Falla compôs El amor brujo, um balé coreografado pela bailaora gitana de Sevilha, Pastora Império, uma das figuras mais representativas do folclore flamenco. A peça foi encenada em abril de 1915, no Teatro Lara, em Madri. Essa obra foi adaptada para várias concepções artísticas, como o concerto de câmera, em 1925, com libreto de Gregorio Martínez Sierra, além de inúmeras peças teatrais e cinema. El amor brujo foi adaptada, em 1986, para película pelo cineasta espanhol Carlos Saura.
No que diz respeito a García Lorca, poeta, músico e dramaturgo, sabe-se que a atração pela cultura popular inspirou o poeta granadino a manifestar em suas composições elementos da arte flamenca, citando, por exemplo, Bodas de Sangre (1933), também adaptada para o cinema, por Carlos Saura, em 1981. Lorca foi um grande pesquisador do folclore andaluz e apreciador do cante jondo, inclusive várias de suas composições tiveram motivações da tradição musical andaluza.
Como resultado dessas influências, Lorca recolheu elementos para compor o “Poema del cante jondo” (1921) e o “Romanceiro gitano” (1927), poemas que envolvem no seu ritmo a musicalidade da antiga poesia espanhola. Assim, pela especificação musical da poesia lorquiana, importantes artistas flamencos, tais como Camarón de la Isla, Paco de Lucía, Lola Flores, Carmen Linares e tantos outros deram voz aos poemas de Garcia Lorca, exibidos tanto por meio do cante como pela guitarra.
Como exemplo desse resgate da arte flamenca, segue a transcrição do poema La soleá,56 referência a um dos palos do cante jondo de origem cigana, que é considerado um dos estilos mais difíceis, em que o intérprete deve dominar tanto as formas como a capacidade artística de interpretação. Essa categoria de palo traz em sua expressão sentimento de dramaticidade, dor e angústia, como também configura um dos estilos mais antigo do flamenco.
La soleá
Vestida con mantos negros piensa que el mundo es chiquito y el corazón es inmenso.
Vestida con mantos negros. Piensa que el suspiro tierno y el grito, desaparecen en la corriente del viento. Vestida con mantos negros. Se dejó el balcón abierto y al alba por el balcón desembocó todo el cielo ¡Ay yayayayay,
que vestida con mantos negros!
Como o flamenco é considerado a arte da resistência, tornou-se uma arte popular de grande expressividade emocional e tecnicamente elaborada. Sua popularização ocorreu entre os séculos XIX e XX, denominada de era áurea. Nesse período, havia apresentações nos cafés de cante, teatros e arenas de touros da Espanha. Com a segunda guerra mundial, a guerra civil espanhola e a ditadura de Franco, veio mais um período de declínio provenientes das questões políticas desses acontecimentos.
Particularmente, durante a ditadura franquista, muitos artistas e intelectuais deixaram a Espanha. Esse processo de exílio parecia, por um lado, desfavorecer o fortalecimento da arte flamenca; por outro, ajudou a divulgá-la internacionalmente. Na transcendência das fronteiras, grandes nomes artísticos e intelectuais transformaram o flamenco na mais conhecida expressão da cultura espanhola.
56 LORCA, Federico García. Poema del cante jondo. In: Obra poética completa. Trad. William Agel de Mello. 4.
ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002. (A obra é bilíngue com a tradução do tradutor citado na referência). A Soleá
Vestida com mantos negros, Pensa que o mundo é pequenino E o coração é imenso.
Vestida com mantos negros. Pensa que o suspiro terno E o grito desaparecem Na corrente do vento. Vestida com mantos negros. Deixou o balcão aberto E à aurora pelo balcão Derramou-se todo o céu. Ai aiaiaiai!
Desse período, surgiram muitos nomes, os quais ficaria por demais extensivo nominar. Por essa razão, ficam aqui representados através de El Planeta (1789-1856); El Manolo Caracol (1909-1973); Antonio El Chaqueta (1918-1980); Pastora Império (1887- 1979); Ninã de los Peines (1890-1969); Carmen Amaya (1918-1963); Fernanda de Utrera (1923-2006); Bernarda de Utrera (1927-2009); Lola Flores (1923-1995); Camarón de la Isla (1950-1992); Paco de Lucía (1947-2014). No cinema, o cineasta espanhol Carlos Saura (1932) adaptou para o contexto flamenco obras da literatura, tais como: Bodas de sangre, El amor brujo, Carmen, Salomé, todos com a participação dos bailaores e coreógrafos Antonio Gades (1936-2004) e Cristina Hoyos (1946), ambos os artistas integraram o Ballet Nacional de España.
Uma arte que nasceu dos recônditos da periferia andaluza e tornou-se um signo de valor imaterial para a identidade histórica e cultural do povo andaluz, assim foi visto pela UNESCO que, em 16 de novembro de 2010, declarou o flamenco como patrimônio cultural imaterial da humanidade.
6.2 MATIZES FLAMENCAS NA POESIA CABRALINA
O extrato histórico sobre a arte flamenca anteriormente apresentado não objetiva um estudo antropológico sobre a cultura andaluza, mas tem como finalidade contextualizar a obra de João Cabral com a estética flamenca observando as matizes hispânicas que permeiam a obra do poeta pernambucano. Além de que, a partir dos elementos apresentados, busca-se inferir o perfil historicista na poética cabralina, tendo em vista as assimilações literárias, sociais e históricas apreendidas pelo poeta para a construção de sua tessitura.
Em relação à arte flamenca, as matizes que dialogam com a poesia cabralina recebem do poeta pernambucano um olhar não apenas de afinidade como também de crítica, sem qualquer conceito subjetivo na recusa dos resíduos românticos. Nesse sentido, fica a evidência da postura construtivista e do modelo metalinguístico característico da tessitura cabralina. Todavia, não é necessariamente uma construção de conceito metapoético, pois, por metaforização, o poeta toma por empréstimo elementos de suas experiências espanholas para dar vida à análise da sua própria escritura. Desse modo, ao construir uma relação da tessitura poética com a realidade do outro, apreende seu objeto poético no mais íntimo de suas convicções intelectuais que resulta em um trabalho de arte e de domínio poético.