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O Hospital Walfredo Gurgel (FIG. 33) é um hospital geral de referência regional, inaugurado em 1971, com a população em geral como clientela. Conta com internação, atendimento de urgência e emergência, centro cirúrgico, raios-x, laboratório de análises clínicas, ambulatório e serviços de apoio. Esses já são bastante estruturados e

diversificados: farmácia, serviço de nutrição, serviço de lavanderia, almoxarifado, vestiários para funcionários, central de esterilização, manutenção e administração.

O esquema geométrico da planta é formado por três retângulos paralelos de dimensões aproximadamente iguais, conectados por uma circulação. O retângulo do meio representa a planta de um bloco de seis pavimentos. As plantas do primeiro pavimento e do térreo conformam uma base por possuírem dimensões maiores do que os pavimentos restantes, que são menores e se repetem até o último pavimento. O retângulo mais próximo da rua representa um bloco de três pavimentos de mesmas dimensões. O último retângulo representa um bloco de um só pavimento.

O terreno apresenta um desnível no sentido do eixo transversal dos blocos: as cotas vão diminuindo na medida em que se vai aproximando da rua. Em função disso, o teto do bloco frontal de três pavimentos está no mesmo nível que o teto do segundo pavimento da base do bloco do meio. Este é também o nível do teto do terceiro bloco. Vistos de perfil, portanto, o conjunto dos três blocos – pouco afastados um do outro – tem a aparência de um “T” invertido, semelhante ao esquema geométrico do hospital tipo torre sobre pódio. O terreno tem forma estreita e alongada nos primeiros dois terços a partir da rua que são dedicados ao estacionamento e vias de acessos. No ultimo terço, o terreno se alarga e aí são implantados os três blocos. Entre os três blocos e entre eles e as divisas do terreno, há um enlaçado de vias que dão acesso a cada bloco, sempre separando os fluxos por tipo de acesso como abastecimento, urgência e emergência, paciente externo e admissão de pacientes internos. Observando o desenho da implantação pode-se perceber que o formato do terreno interferiu nas dimensões e posicionamento dos blocos, no traçado das vias de acessos e estacionamentos.

O principio organizador dos espaços é funcionalista e sistêmico. As atividades são agrupadas em unidades segundo sua natureza funcional e, depois, posicionadas obedecendo a um zoneamento onde são observadas as inter-relações entre as unidades e também a de cada unidade com o conjunto total das unidades.

Comparativamente ao tipo torre sobre pódio, não se usou radicalmente no Walfredo o principio da concentração na organização de seus espaços. A base, ou pódio, está dividida em três partes, conectadas entre si por uma circulação. Por outro lado, o formato da base da torre se aproxima mais a um retângulo alongado do que a um quadrado, sendo possível

posicionar quase a totalidade dos leitos de um mesmo lado da circulação – aquele que recebe os ventos dominantes. Do outro lado da circulação, são posicionadas as atividades de apoio. Assim, a dependência da climatização artificial fica minimizada, tanto na internação quanto nos ambientes localizados na base. Outro efeito dessa “concentração moderada” na organização dos espaços é no alcance da eficiência na execução das tarefas: menos concentrado o arranjo espacial, as distancias percorridas serão maiores.

Os leitos de internação são organizados de três maneiras diferentes. A maioria das enfermarias contém dois ou seis leitos, mas há também um apartamento individual em cada pavimento de internação. Em todos os três casos, os banheiros são anexos ao espaço da enfermaria.

As circulações internas dão seqüência aos fluxos que chegam das vias externas de acesso, e distribuem esses fluxos no interior do edifício. As circulações internas têm três níveis de hierarquização. As circulações principais fazem a ligação entre os blocos e as circulações secundárias fazem as ligações entre atividades dentro de cada unidade funcional. Há um nível terciário de circulação, ainda pouco desenvolvido, que corresponde à estrutura de fluxos no interior da área destinada a algumas atividades de rotinas mais complexas – o centro cirúrgico, por exemplo.

As escadas e elevadores fazem as ligações entre os pavimentos. Há dois conjuntos de elevadores com funções distintas. Um deles vincula-se às circulações horizontais entre os blocos, ou seja, as de nível primário, sendo associado principalmente a movimentos de público externo. O outro está vinculado ao nível secundário de circulação nos pavimentos do bloco central, servindo então principalmente aos fluxos relacionados a serviços internos do hospital.

Observando a volumetria do conjunto verifica-se que ela corresponde à volumetria do tipo torre sobre pódio, onde o pódio é conformado pelos pavimentos semi-enterrado, térreo, e primeiro dos três blocos. Nesses pavimentos é que estão localizadas as zonas clínica e de suporte. A torre corresponde aos pavimentos-tipo das enfermarias do bloco do meio. A estrutura é modulada em concreto armado, com vãos modulados em paralelepípedos elementares que se repetem em todo o edifício, e que correspondem a um pórtico estrutural básico em três dimensões.

O esquema geométrico da planta, o princípio organizador dos espaços e a solução volumétrica correspondem ao hospital tipo torre sobre pódio. Entretanto, há elementos a destacar que, no Walfredo, divergem das características centrais do tipo. A principal delas é o fato de o Walfredo apresentar uma “concentração moderada”. Por outro lado, há que destacar o fato de que a solução estrutural indiferenciada entre base e torre não coaduna com a solução típica em que o pódio é estruturado de forma a garantir vãos mais amplos que na torre, uma vez que as zonas instaladas no pódio requerem maior flexibilidade nos espaços.