O Hospital Maternidade Santa Helena (FIG. 34) presta atendimento à população em clínica ginecológica e obstétrica, tendi sido aberto ao público em 1976. O PAPI (FIG. 35) é especializado em pediatria, atuando nas clínicas médica e cirúrgica desde 1982. Os dois hospitais têm seus programas espaciais semelhantes quanto aos serviços de atendimento aos pacientes, ambos apresentando centro cirúrgico, laboratório de análises clínicas, raios- x e consultas médicas.
No caso do Santa Helena as atividades de apoio apresentavam-se de modo estruturado, com farmácia, serviço de nutrição, lavanderia, vestiários para funcionários, central de esterilização, almoxarifado e atividades administrativas. No PAPI, as atividades de apoio eram menos estruturadas pois não contava com lavanderia ou com vestiários para funcionários.
Os dois hospitais têm como principal figura dos seus esquemas geométricos o retângulo. No Santa Helena são dois retângulos que se interceptam segundo um ângulo de 45o. O retângulo paralelo à rua representa três pavimentos iguais superpostos, enquanto o oblíquo representa apenas dois.
No PAPI são dois retângulos próximos, de tamanhos distintos, que estão posicionados paralelamente. Esses dois retângulos se tocam na parte da frente por meio de aproximação de suas faces longitudinais; na parte de trás do retângulo menor eles estão interligados por meio de uma circulação perpendicular a seus eixos. Entre as duas ligações, forma-se uma espécie de poço de iluminação. Ambos os retângulos da planta do PAPI representam três pavimentos iguais superpostos.
Em que pese o fato de, em ambos os casos, ser possível verificar um afastamento entre os retângulos formadores da planta, a aproximação entre eles coaduna com a observação de que podem ser entendidos como um bloco contínuo. Na verdade, podem ser aproximados ao tipo torre sobre pódio: no Santa Helena, a linha vertical é pouco expressiva; no PAPI a horizontal que destaca o pódio da torre é inexistente.
Isso é resultado do porte pequeno que têm esses hospitais. No caso do Santa Helena, que apresenta proporcionalmente poucos leitos, não foi necessário empilhar tantos pavimentos de internação para abrigá-los, de modo que a “torre” não se destaca da base. No PAPI, o “pódio” é reduzido porque o hospital não conta com tantos serviços de apoio (faltam-lhe a lavanderia e os vestiários de funcionários, por exemplo) que requeressem espaço em planta para posicioná-los.
Observando as plantas de locação dos dois hospitais verifica-se que os esquemas geométricos das plantas foram condicionados pelas formas dos terrenos, pois os edifícios se encaixam perfeitamente aos lotes, salvo pelos recuos obrigatórios e estacionamentos. Os dois hospitais possuem duas vias de acesso, uma localizada na parte frontal (para pacientes e visitas), e outra na parte posterior do edifício, para funcionários e abastecimento.
Eles também apresentam esquemas circulatórios internos semelhantes. Em cada pavimento, na área de encontro dos dois retângulos, estão posicionadas as circulações verticais, escadas e elevadores. No eixo longitudinal de cada pavimento retangular foram posicionadas as circulações que fazem a comunicação horizontal. No centro cirúrgico, há uma ramificação de circulações para segregar áreas e disciplinar os fluxos de entrada nos ambientes mais críticos. No Santa Helena também acontecem soluções dessa natureza nos serviços de apoio como lavanderia e cozinha.
O principio organizador dos espaços é funcional e sistêmico. As atividades estão reunidas em unidades segundo sua natureza funcional. No entanto, nem todas as unidades foram organizadas espacialmente seguindo o rígido esquema de zoneamento dos hospitais tipo do período modernista. As unidades de centro cirúrgico foram deslocadas da zona clínica, localizada no térreo, e foram posicionadas no último (caso do Santa Helena) ou no penúltimo (caso do PAPI) pavimento. No Santa Helena, parte dos leitos de internação foi retirada dos pavimentos superiores e posicionada no térreo.
No PAPI, os leitos estão distribuídos em apartamentos individuais, com dois, três e seis leitos, todos com banheiro anexo. No Santa Helena, apenas há apartamentos individuais e enfermarias de quatro leitos, sempre com banheiro anexo.
Outro caso é o do Hospital Memorial (FIG. 36), operativo desde 1990. Especializado em ortopedia, com internação, serviço de pronto socorro, raios-x e laboratórios de análises clínicas, centro cirúrgico atendimento de fisioterapia, o Memorial é dedicado à clientela particular e de convênios, sendo todos os apartamentos de internação de apenas um leito, com banheiro anexo. As atividades de apoio não registram a lavanderia, nem se apresentam bem estruturadas.
O esquema geométrico da planta é aproximado à figura de um quadrado. No interior desse quadrado há um vazio retangular, conformando uma espécie de poço de iluminação. As pequenas dimensões desse poço são insuficientes para garantir ventilação para toda área da planta, o que faz com que o edifício dependa quase completamente de climatização artificial.
Aproximadamente no centro do quadrado passa um eixo transversal de distribuição de quatro escadas e dois elevadores. Esse eixo divide a planta em dois retângulos, desnivelados entre si em meio pé-direito. De um lado do eixo, na direção do acesso principal, estão distribuídas as atividades administrativas e ambulatoriais. Do outro lado do eixo, na direção do acesso de serviço, meio pé-direito acima, estão as atividades de pronto socorro e de apoio. Esse desnivelamento segue por mais duas plantas, uma com as atividades de internação, e outra com centro cirúrgico e salas de exames para diagnósticos. Esses desnivelamentos, associados à distribuição das escadas e elevadores ao longo de um eixo, espalha os fluxos do hospital de modo indisciplinado e descontrolado.
A implantação do edifício no terreno foi influenciada pelo formato deste e pela relação com as vias do entorno. A forma da planta se encaixa no terreno, com a ressalva do recuo, das vias de acessos e dos estacionamentos.
Nos três casos, o princípio organizador dos espaços é similar. Seguiu-se a regra de reunir espacialmente as unidades funcionais, mas ao organizá-las no interior do edifício não foi seguido por completo o princípio de observar as inter-relações funcionais entre as unidades. Em conseqüência, foi gerada uma maior dificuldade para que houvesse uma
eficiente separação e controle de fluxos, o que se agrava pelo fato de que a hierarquização desses fluxos não foi tão aprofundada.
A volumetria do Memorial é de um bloco compacto, aproximadamente um prisma de base trapezoidal com pouca significação da altura relativamente às dimensões da base. A volumetria do Santa Helena corresponde a dois paralelogramos que se interceptam a 45o, sendo que um deles possui a dimensão vertical maior. O PAPI tem sua volumetria aproximada a um prisma vertical de base retangular. Em todos eles, o centro cirúrgico foi deslocado de sua posição na base para ser posicionado nos andares superiores.
Assim, as volumetrias dos dois hospitais podem ser comparadas às do tipo torre sobre pódio, levando em conta que a mudança de posição do centro cirúrgico, ausência de elementos da zona de apoio e até o porte do hospital se refletiram na desconficguração do volume e sua assimilação a um bloco sem torre e sem pódio. Assim, essas volumetrias dos três hospitais são uma variação simplificada, onde a torre o pódio se unificam em um só volume. Essa simplificação é evidentemente sentida também na estrutura, em que a característica comum aos três hospitais vai ser uma solução de modulação em planta, com pilares igualmente espaçados, mas com vigas de contorno salientes e lajes com pequenos vãos.