2.6. Kentsel Yayılmanın Etkileri
2.6.3. Kentsel yayılmanın arazi ve doğal yaşam alanı üzerine etkisi
O Hospital Colônia São Francisco (FIG. 24), implantado em 1929 e só desativado nos anos 1990, era uma instituição dedicada à segregação de portadores de hanseníase. Não há registro ou testemunho de que o hospital contasse com atendimento médico ou de enfermagem, nem mesmo com a presença de irmãs religiosas. O elemento mais significativo na definição da instituição era o isolamento da sociedade, conduzindo a uma preocupação em possibilitar aos internos as condições mínimas necessárias para a vida em comunidade.
Dispunham os internos de três diferentes arranjos residenciais, para contemplar diferentes tamanhos de família, além de acomodações individuais para solteiros. Como equipamento comunitário, havia uma pequena capela, cine-teatro, biblioteca, cozinha comunitária, além de delegacia e dependências administrativas para o exercício da autogestão.
A localização do hospital proporcionava o isolamento do grupo de enfermos com respeito ao meio urbano, reforçando-se esse isolamento com a presença de um muro que contornava toda a área do terreno, exceto para os limites com o Rio Potengi, fonte de água para os banhos e alimentação. No único portão de acesso ao interior, localizava-se um parlatório, de modo que os contatos entre internos e pessoas externas pudessem ser realizados sem que o visitante entrasse no hospital.
A forma geométrica dominante no arranjo do hospital é o retângulo. Trata-se de retângulos independentes, representando as plantas dos cinco blocos de residência e dos equipamentos comunitários.
A implantação das unidades construídas no terreno se deu compondo uma forma assimilável a um semicírculo, com centro na posição ocupada pela capela e, secundariamente, pela biblioteca. Nesse semicírculo, pode-se identificar uma posição mais central para os blocos de residências familiares e uma mais periférica para os pavilhões de doentes individuais.
Havia três blocos de residências geminadas, cada um deles correspondendo a um arranjo residencial distinto. As unidades residenciais desses blocos continham compartimentos de estar, dormitório, banheiro, cozinha e varanda, esta na parte da frente da unidade residencial. Além dessas construções dedicadas a famílias de enfermos, dois pavilhões –
um para mulheres, outro para homens – estavam divididos em pequenos quartos individuais.
Os edifícios dedicados à vida em família e em comunidade compõem um núcleo que evoca o tipo colônia. Ainda mais porque a implantação não se refere ao portão de entrada, indicando que o isolamento era o ponto central para organizar todo o hospital. É na verdade a capela, apesar de ser uma construção modesta, que serve de referencial para a disposição espacial das unidades. Para ela se voltam as residências, valorizando sobremaneira o espaço comunitário interior ao semicírculo.
A volumetria do conjunto se obtém pela soma de paralelepípedos de pouca altura, com destaque para os blocos de residências, devido ao fato de ser baixo o adensamento das construções. Esse fato, decorrente de implantação em terreno que evoque a vila rural, se registra da mesma forma na tecnologia estrutural e construtiva. Alvenarias estruturais de tijolos, cobertura de telhas francesas de cerâmica, estrutura de telhado em madeira, soluções técnicas e materiais rústicos correntes na região ajudam a compor o quadro reconhecível da pequena comunidade rural.
A vida comunitária em isolamento social e em contato com a natureza, o princípio ordenador do espaço, o muro segregador e o rio, as residências familiares geminadas e a tectônica do Hospital Colônia São Francisco são indicadores claros de sua afiliação ao tipo colônia.
5.3. O tipo casa de campo
O empreendimento que resultou na Maternidade (FIG. 25) foi de iniciativa de um médico de Natal, Januário Cicco, que liderou um movimento da sociedade para chegar a construí- la. Com rifas, quermesses e festas beneficentes, a construção se fez entre 1932 e 1940. A idéia subjacente ao empreendimento era prover assistência médica a parturientes sem condições de pagar por serviço médico privado. O perfil assistencial definido no projeto era de assistência médica especializada em ginecologia e obstetrícia, em regime ambulatorial e de internação.
Observando a totalidade das atividades previstas na planta, nota-se que os cuidados terapêuticos prevalecem sobre os religiosos. Esses estão representados apenas pelos aposentos das irmãs e pela presença da capela, representando cerca de 10% da área total da
planta. As atividades terapêuticas marcam a presença das ciências médicas no hospital, não somente pela presença de atividades diretamente ligadas aos cuidados dos pacientes, mas também por atividades de natureza técnico-científica, como demonstra a existência de um anfiteatro em que seriam apresentados e discutidos casos médicos.
O esquema geométrico é formado por vários retângulos que se conectam face a face, sem a intermediação de uma circulação, formando um só corpo. Assim, a um retângulo principal mais alongado se conectam ortogonalmente, segundo seus eixos longitudinais, outros retângulos menores, secundários, regularmente espaçados. Essas conexões se dão de forma a que o conjunto apresenta simetria com relação a um eixo transversal, dando como resultado uma figura semelhante a um “E”. Esse esquema geométrico da planta se repete nos primeiros pavimentos – térreo e primeiro –; no segundo pavimento são subtraídos os retângulos das extremidades. A implantação do edifício é solta no centro do terreno, de modo que não há implicações da forma irregular do lote sobre a geometria externa do edifício. Quanto aos acessos ao prédio, há dois deles: um acesso social pela frente do lote e um acesso de serviços, pela lateral sul.
Podem ser observados três princípios na maneira com que se organizam as atividades na planta. O primeiro princípio é o da organização de grupos funcionais de atividades, ou seja, grupos de atividades, por natureza funcional, que foram reunidas espacialmente. Entre os grupos funcionais claramente formados estão: o da internação, o centro cirúrgico, o centro obstétrico, a central de esterilização e o de atividades de apoio (cozinha, lavanderia, almoxarifado), exceto as administrativas. Essas atividades administrativas estão posicionadas de maneira descontínua, em todos os três pavimentos, sem que transpareça um princípio de como foi orientada a alocação de atividades pelos distintos espaços.
O segundo princípio observado é o de composição por hierarquia. Como o esquema geométrico da planta é definido a priori, então a distribuição dos distintos grupos espaciais de atividades obedece a uma regra pela qual os grupos mais importantes ocupam as posições frontais e centrais da planta, enquanto os menos importantes são alocados na parte posterior do edifício.
A capela posicionada centralmente na planta traduz ainda uma certa importância simbólica da religião na organização hospitalar, embora as atividades terapêuticas sejam mais importantes. Por outro lado, os compartimentos dedicados ao conforto médico estão
posicionados na parte central da planta com varandas, refletindo o fato de que os médicos são a autoridade máxima na organização hospitalar, como nos hospitais iluministas. O hall de entrada – associado à escada e aos elevadores –, também está posicionado centralmente na planta, enfatizando a importância simbólica do acesso ao hospital de caráter civil, aberto à sociedade, como nos hospitais renascentistas.
Os leitos de internação estão colocados, sejam em enfermarias ou apartamentos individuais, na face anterior do retângulo, exceto no último pavimento que é todo dedicado à internação. A opção de colocar preferencialmente os espaços de internação na face frontal do edifício é uma indicação de que a internação constituiu um outro grupo importante na hierarquia dos compartimentos.
Por outro lado, os grupos funcionais de cuidados de pacientes – centro cirúrgico, centro obstétrico, consultórios, entre outros – ou de serviços de apoio, tais como central de esterilização, cozinha e refeitório, considerados em segundo nível da hierarquia, foram posicionados nos retângulos secundários, compondo ou preenchendo os espaços da figura geométrica.
Um terceiro e último princípio é o da distribuição por níveis de privacidade. Pode-se notar a valorização da privacidade dos leitos nos arranjos espaciais internos das enfermarias, que são feitos de três maneiras distintas: enfermarias coletivas com leitos separados por uma parede divisória; apartamentos com dois leitos e banheiros coletivos; e, por fim, apartamentos individuais com banheiros privativos.
A distribuição desses compartimentos no edifício é feita de maneira que, à medida que se sobe nos pavimentos, a privacidade aumenta. Assim no pavimento térreo estão as enfermarias, no primeiro pavimento estão os apartamentos com dois leitos e os apartamentos individuais com banheiros anexos estão no terceiro pavimento.
As circulações internas têm apenas dois níveis de hierarquia. No primeiro nível estão as circulações coincidentes com os eixos longitudinais do retângulo maior e que fazem a conexão entre os grupos funcionais de um mesmo pavimento. No segundo nível estão as circulações coincidentes aos eixos longitudinais dos retângulos menores que fazem a conexão dentro de cada grupo funcional.
Não há diversificação de traçados da circulação, sugerindo a intenção mais de distribuir os compartimentos do que de disciplinar os fluxos. A circulação vertical pode ser considerada como estando no primeiro nível, pois exerce função de prover conectividade e acesso entre grupos funcionais de distintos pavimentos.
É importante também ressaltar que a circulação vertical (escada e elevadores) localizada centralmente na planta reforça a simetria do conjunto. Com respeito às circulações externas ao edifício, também estão estruturadas de maneira simples visando apenas à separação de fluxos social e de serviço e vinculando-se espacialmente, de forma direta, aos acessos do prédio.
A volumetria consiste de uma série de quatro interseções de um paralelepípedo de dimensão horizontal alongada com paralelepípedos menores, iguais dois a dois, que se desenvolvem na ortogonal do eixo principal do paralelepípedo maior. Destaca-se na volumetria a largura do edifício, mais de quatro vezes maior que a altura, e cerca de duas vezes maior que a profundidade máxima do prédio. Na frontal do edifício, ressalta-se um volume central de maior altura que marca a entrada, a qual também funciona como eixo de simetria do conjunto.
A solução volumétrica está articulada com a estrutural, mediante o uso predominante de alvenarias autoportantes e vigamento de contorno para os panos de laje plana, em concreto armado. Pode-se verificar no contorno do edifício, quase como regra, o uso da alvenaria estrutural, configurando sempre volumes maciços. Excetua-se desse padrão o acesso principal e o saguão, em que pilares e vigas, bem como arcos, configuram um espaço mais vazado.
Pode-se apontar que o projeto da Maternidade revela marcos de diferentes tipos arquitetônicos hospitalares. Com respeito ao esquema geométrico de sua planta e à volumetria, apresenta soluções que equivalem ao tipo casa de campo. No entanto, na definição programática das atividades e na organização de seus compartimentos, foram utilizados princípios organizadores do funcionalismo utilizado no hospital de tipo pavilhonar em suas vertentes do início do século XX – a agrupação de atividades segundo a natureza funcional.
No que concerne à distribuição dos grupos no interior do edifício segundo as relações entre eles, pode-se notar que o projeto não mostra o resultado de uma análise sistêmica, na qual
os grupos sejam localizados relativamente de forma a otimizar o funcionamento do conjunto. Em verdade, o projeto denota que esse posicionamento relativo se deu por principio de composição da forma geométrica, hierarquizando os compartimentos mais importantes em locais centrais da planta e considerando uma privacidade crescente do centro para as laterais e do térreo para o último pavimento. Nesse sentido, a solução organizadora dos espaços bebe na fonte do tipo casa de campo.
Reitere-se que também aponta nessa direção a presença da capela em posição ainda relevante no corpo mesmo do edifício, ainda que a importância da religiosidade na atividade hospitalar seja minimizada. Cabe destacar também, uma vez mais, o fato de o Hospital Maternidade ter sua gênese relacionada a uma atuação organizada da sociedade civil – o que é caracteristicamente de inspiração renascentista.
Decorre da análise que o Hospital Maternidade Januário Cicco apresenta mais fortemente características do tipo casa de campo, a que se somam algumas soluções tipológicas que remontam ao tipo pavilhonar em sua variante do final do período iluminista.