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TÜRKİYE BÜYÜK MİLLET MECLİSİ BAŞKANLIĞINA Aşağıdaki sorularımın Sanayi ve Ticaret Bakanı Sn. Ali COŞKUN tarafından

Abreu e Lima (2010) resgatam que a história do Brasil rural é marcada pela exploração de classe e opressão de gênero e destaca a figura da mulher nesse contexto como um ser social coadjuvante. Tal condição se expressa claramente nas palavras de Arantes (2010, p. 109-110);

[...] essas mulheres plantam de sol a sol, colhem, vendem, são (má) empregadas no comércio, nos lares alheios [...], recebendo menos salário, usufruindo de menos direitos...Mantêm a produção do mundo, não têm tempo para si. No sonho da igualdade, entre um tempo e outro, se associam, vão para o sindicato, formam cooperativas, fazem artesanato, se reúnem na igreja, grupo de mulheres, pelejam para o mundo girar de outro jeito, mas a cordialidade acaba e, de novo, vida invisível. Quando tudo finda, voltam para casa, noite quase alta, e recomeçam. Lavam, passam, cozinham, varrem, cuidam dos filhos/as, dos maridos [...] Mantém o mundo girando, já estão perdidas de si.

Esmeraldo (2011), afirma que até a década de 1970 as mulheres rurais se mantinham quase que exclusivamente associadas a sua condição familiar e conjugal, não sendo assim reconhecidas nos espaços públicos enquanto ser atuante na luta pela terra ou no processo produtivo junto à unidade agrícola familiar. Tal situação também fazia com que fosse invisibilizada no cenário político e social sendo então representada politicamente junto ao movimento sindical rural pelo seu marido. Essa invisibilidade social e produtiva obrigou as mulheres a criar seu espaço e a serem reconhecidas junto à classe de trabalhador rural para assim pleitear os direitos que são garantidos a estes trabalhadores.

Assim, acrescenta Esmeraldo (2011), as mulheres começam a se organizar em várias regiões do país, especialmente a partir da década de 1980, criando espaços de discussão e problematização de suas demandas buscando a construção de sua identidade produtiva e social. Iniciando assim, ainda que modestamente, sua participação nas Comunidades Eclesias de Base (CEBs), Romarias da Terra, Reuniões Sindicais, espaços de discussão sobre direitos trabalhistas, entre outras situações que impulsionaram as mulheres a reconhecer esses espaços

como também de mulheres e culminaram na criação do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR), em 1982, além de outros movimentos de mulheres agricultoras nos diversos estados do país.

O MMTR-NE tem a finalidade de coordenar ações voltadas para articular mulheres nos estados, municípios e comunidades rurais, e de conduzir campanhas de sindicalização, de documentação, de movimentos reivindicatórios junto ao Estado para o acesso das mulheres às políticas previdenciárias (ESMERALDO, 2011, p.124).

Nesse sentido, Heredia e Cintrão (2006) ressaltam a contribuição dos movimentos sociais, especialmente no meio rural, rumo ao acesso a direitos e a políticas públicas, dentre os quais merece destaque o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR). Assim, ressalta a importância desses movimentos na luta pela terra, na efetivação da política de assentamentos, na conquista de direitos como a Previdência Social Rural, na busca pelo crédito agrícola, especialmente para a agricultura familiar, entre outros. Assim, coloca-os como indispensáveis no processo de busca da redução das desigualdades entre as zonas rural e urbana, influenciando positivamente na vida de homens e mulheres trabalhadores rurais, sendo, especialmente no caso das mulheres, cruciais no acesso delas a direitos e as políticas públicas.

Esmeraldo (2011) acrescenta que o MMTR surgiu no sertão do estado de Pernambuco, nordeste do Brasil, no ano de 1982, mas foi precedido por uma organização de mulheres também do nordeste, mais especificamente na região do Agreste e do Brejo paraibano, em que se promovia um trabalho educativo e organizativo com as mulheres do campo e que acabou culminando na criação do MMTR.

Nesse sentido, os movimentos de mulheres assim como o MMTR vêm travando uma luta permanente pela cidadania das mulheres, buscando inicialmente os direitos ligados a propriedade da terra (lutas gerais dos trabalhadores rurais) e a partir dos anos 1970 incorporando questões mais específicas das mulheres como o reconhecimento da identidade de trabalhadora rural, direito à sindicalização, ao mercado de trabalho e aos direitos previdenciários. Destaca-se a visibilidade obtida na década de 1990 pelo MMTR que reivindicou a definição da profissão agricultora nos Censos Demográficos e Agropecuários e a mobilização da Caravana das Trabalhadoras Rurais à Brasília que reuniu mulheres de 16 estados da federação. (MAGALHÃES, 2007).

Heredia e Cintrão (2006) apontam que as principais reivindicações que fundamentaram o início do movimento de mulheres rurais estão ligadas ao reconhecimento da

profissão de agricultora, e não somente de dona de casa, para assim romper com a invisibilidade existente no trabalho por ela desenvolvido na agricultura; busca por direitos sociais, destacando-se o direito à aposentadoria e ao salário maternidade; à sindicalização; à saúde; e ao acesso à terra por meio da Reforma Agrária. Nesse último, dá-se destaque a busca mais recente pela incorporação das reivindicações específicas de gênero como a titulação conjunta da terra em nome do casal e em sendo solteiras ou chefes de família a titulação em seu nome.

Para o MMTR, a concessão dos direitos previdenciários representou a confirmação da capacidade política do movimento e, assim, das mulheres agricultoras. Essa capacidade refletiu-se também no maior prestígio do movimento entre o conjunto de movimentos rurais depois da concessão dos direitos. A concessão, ainda, foi importantíssima na identidade do movimento atual, pois as trabalhadoras rurais, pela primeira vez na história brasileira, tinham reivindicado “o direito a ter direitos” e exigiam voz, vez e voto na arena política. Sua inclusão na Constituição foi, portanto, considerada pelo próprio movimento MMTR-RS como uma “recompensa” por seu esforço, como também a concessão concreta dos direitos, que representou um processo árduo e difícil de vários anos e que ainda continua (SCHAAF, 2003 p. 422).

Para Schaaf (2003), a participação política das mulheres nesses diversos espaços de discussão foi indispensável para garantir a inserção social das agricultoras de forma adequada e promover o reconhecimento de sua cidadania e papel econômico e social historicamente invisibilizado. Além disso, individualmente as mulheres são invisíveis e desprotegidas das estratégias obscuras dos governos, o que torna essencial a existência de uma organização coletiva que leve o governo a ceder diante da pressão feita por grupos organizados. Desse modo, as mulheres se tornam importantes sujeitos na transformação da sociedade civil e política.

Não foi o movimento que ganhou esses direitos, mas esse contribuiu substancialmente para a formulação dos pedidos, sendo a única organização independente com uma agenda para as mulheres rurais num quadro de agricultura muito complexo. Através do movimento, as mulheres rurais e sua problemática se tornaram visíveis e representadas no âmbito público; passam fazer parte do âmbito público em muitos lugares no interior e se formam politicamente (SCHAAF, 2003.p.437).

Assim, acrescenta que a participação no movimento permitiu uma redefinição do papel das agricultoras, contrastando com seu papel tradicional na esfera doméstica e no interior das entidades rurais, com conseqüências importantes para seu bem-estar e de sua

família. No entanto, defende que, apesar do contexto de lutas travadas pelas agricultoras ter sido essencial para a formulação das demandas da classe, na prática a ampliação de direitos se deu muito mais como forma de evitar maiores instabilidades e conflitos que na perspectiva de reconhecimento de cidadania (SCHAAF, 2003).

Observando a concessão dos direitos previdenciários de um ponto de vista político, fica evidente que a concessão dos direitos para as agricultoras fez parte da estratégia de “tranqüilizar” o meio rural e não representou, na verdade, uma expansão da cidadania. Além disso, a garantia desses direitos, na prática, tem sido obtida apenas parcialmente [...] o início da ampliação dos direitos previdenciários para a população rural acontecera durante a ditadura militar (1964-1984), através da criação do Funrural. No início da década de 70, fora concedido o direito de aposentadoria aos homens trabalhadores rurais, na forma de meio salário mínimo. Em comparação com os trabalhadores urbanos, a concessão dos direitos previdenciários aos trabalhadores rurais foi muito mais tardia. A expansão da cobertura previdenciária no campo aconteceu pelo valor estratégico do setor rural no modelo desenvolvimentista e pelo temor do governo de que o sacrifício do setor dos pequenos produtores iria resultar em importantes mobilizações rurais. Enquanto o governo apoiava o empresário rural com grandes subsídios, os pequenos agricultores ficavam abandonados à sua sorte, com poucas perspectivas (SCHAAF, 2003, p. 423).

Resgatando o longo processo de luta pelo acesso aos direitos previdenciários por parte das mulheres, Choinacki (2007, p.196) cita as trabalhadoras rurais como exemplo de mobilização e articulação social em busca de tais direitos. Citando os avanços e regressos vivenciados por essas mulheres discorre.

[...] nós, mulheres trabalhadoras, aprendemos que, quando reconhecemos que trabalhamos, que participamos da construção da riqueza deste país, nosso trabalho, independente de onde ocorre, é trabalho. Quando nos organizamos para lutar, é possível transpor os limites da elite brasileira e conseguir direitos. Na época, diziam que nós, trabalhadoras rurais, também não tínhamos direitos. Fomos à luta e provamos o contrário.

Reafirmando a existência de uma obtenção parcial de direitos, no que cerne a efetivação dos direitos trabalhistas e previdenciários por parte das trabalhadoras rurais, Butto (2010) nos faz refletir acerca dos percalços que tiveram que ser superados, especialmente pelas trabalhadoras rurais, que mesmo após a conquista dos direitos previdenciários, ampliada pela Constituição de 1988, viam-se na prática excluídas do acesso diante da realidade de muitas trabalhadoras que não possuíam sua documentação civil. Assim, surge em 2004, como resposta a essa demanda dos movimentos sociais rurais, o Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural que articulou organismos governamentais e não-

governamentais em busca de efetivação e acesso às políticas públicas para as mulheres do campo.