• Sonuç bulunamadı

Türk Mitolojisi Sembollerinin Grafik Sanatında Kullanımına ĠliĢkin

5.2 Birinci ve Ġkinci Alt Probleme ĠliĢkin Bulgular (Türk Mitolojisindek

5.2.2 Türk Mitolojisi Sembollerinin Grafik Sanatında Kullanımına ĠliĢkin

Das categorias existentes no espaço situacional da enunciação, utilizaremos a do tiers no

dispositivo de concorrência, em que vemos o terceiro caracterizado como adversário,

presente ou não, sem o qual a troca comunicativa, baseada na argumentação, seria impossível. Para exemplificar esse dispositivo, observemos os dois trechos seguintes, extraídos, respectivamente, da cartilha do Greenpeace, e da seção perguntas e respostas sobre biotecnologia e meio ambiente do site da Monsanto:

Exemplo 9 – pergunta 6, cartilha Greenpeace

Consumo de herbicida aumenta com o uso de plantas transgênicas.

Uma avaliação após oito anos do cultivo de transgênicos nos Estados Unidos mostra um aumento dramático na quantidade de agrotóxicos usado (sic) nas lavouras de plantas transgênicas resistente a herbicida. (...) As empresas de transgenia afirmam que as atuais variedades de transgênicos reduzem substancialmente o uso de agrotóxicos. Entretanto uma avaliação recente feito (sic) pelo Dr. Charles M. Bendrook sobre o uso de agrotóxicos nos Estados Unidos ao longo dos primeiros oito anos (1996-2003) de cultivo comercial de transgênicos mostra resultados bem diferentes.

Exemplo 10 - pergunta 17, site Monsanto

Como fica o uso de agroquímicos nas culturas geneticamente modificadas?

As culturas geneticamente modificadas/transgênicas são um poderoso agente de redução do uso de agroquímicos. Levantamentos indicam que 75% dos produtores americanos que cultivam a soja Roundup Ready utilizaram uma única aplicação de herbicidas, o que possibilitou uma economia de 10% a até 40% desses produtos. Levantamentos feitos na região do Cotton Belt, nos EUA, indicaram que, pelo uso do algodão Bollgard, resistente ao ataque de pragas, os agricultores americanos já conseguiram reduzir em 12% a utilização de inseticidas desde que as primeiras variedades geneticamente modificadas\transgênicas foram introduzidas, de acordo com o National Center for Food and Agricultural Policy, de Washington.

A partir dos exemplos 9 e 10, podemos pensar em um esquema triangular, estruturado sob a forma de um dispositivo de concorrência, marcado pela presença, no caso do exemplo 9, por um lado, do sujeito comunicante Greenpeace, por outro lado, da instância cidadã e, por fim, de um adversário in absentia, que seria identificado como um terceiro.

Esse tiers-adversário, por sua vez, poderia, em alguma extensão, ser identificado como o enunciador do exemplo 10, já que o conteúdo do trecho faz alusão a uma informação oposta à

que foi dada no exemplo 9, pelo Greenpeace. Nesse sentido, o exemplo 9 apresenta, logo no enunciado-título, uma asserção ligada ao aumento no uso de herbicidas em lavouras transgênicas, que vai se confirmar em outras asserções ao longo do texto. Já o exemplo 10 apresenta justamente uma afirmação oposta à instaurada pelo exemplo 9, no momento em que evidencia, logo no início do trecho posterior à pergunta, o enunciado: “As culturas geneticamente modificadas/transgênicas são um poderoso agente de redução do uso de agroquímicos”. Embora o tiers-adversário não esteja explícito em ambos os exemplos, ele estaria estabelecendo um diálogo, mesmo que numa rede de possibilidades virtual. Segundo esse ponto de vista, podemos pensar em um esquema comunicacional, cujo dispositivo estaria marcado pela concorrência existente entre quem enuncia e um suposto tiers-adversário, tal como sugere a ilustração abaixo:

ILUSTRAÇÃO 18 - tiers-adversário no exemplo 9

Tiers-adversário

EU TU

Notemos que o dispositivo de concorrência se relaciona ao próprio mecanismo da argumentação, que coloca em cena um sujeito argumentante, um sujeito alvo, uma tese e um sujeito adversário, contrário à tese defendida. O mesmo acontece com o exemplo 10, da

Monsanto, no qual vemos implicitamente a presença de um opositor virtual.

Greenpeace Instância Cidadã

Opositores virtuais (Monsanto)

ILUSTRAÇÃO 19 - tiers-adversário no exemplo 10

Tiers-adversário

EU TU

É interessante notar que os trechos de ambas as instituições se constituem em torno da apresentação de dados estatísticos e discurso relatado para corroborarem as suas teses defendidas. No caso da Monsanto, o uso dessas estratégias reforça os benefícios dos transgênicos ao viabilizarem a redução no uso de agrotóxicos (“Levantamentos indicam que 75% dos produtores americanos que cultivam a soja Roundup Ready utilizaram uma única aplicação de herbicidas”) e, no caso do Greenpeace, reforçam os malefícios dos transgênicos com relação ao aumento do uso de agrotóxicos que proporcionam (“Uma avaliação após oito anos do cultivo de transgênicos nos Estados Unidos mostra um aumento dramático na quantidade de agrotóxicos usados (sic) nas lavouras de plantas transgênicas resistentes a herbicidade”). A presença de tais estratégias acaba marcando a existência de um embate no

dispositivo de concorrência, em que o discurso de uma instituição torna-se a antítese do

discurso da outra, sugerindo, por conseguinte a presença de um tiers-adversário.

A partir desses exemplos, pudemos visualizar, também, tal como afirma Chabrol (2003, p.43), que o espaço situacional é o lugar “onde se elaboram e se regulam as construções identitárias coletivas e individuais dos (inter)actates (estatus e papéis), as expectativas e os objetivos de

Monsanto Instância Cidadã

Opositores virtuais (Greenpeace)

ação partilháveis e seus valores e crenças comuns ao grupo”41. O Greenpeace, por exemplo, ressaltou o aumento no uso de herbicida como um malefício ao meio ambiente e ao ser humano, evocando um imaginário ligado à natureza e ao retorno a uma agricultura mais ‘natural’, mais orgânica. Ao contrário disso, a Monsanto afirma que os transgênicos proporcionam a diminuição do uso de agrotóxico nas lavouras. Esta asserção irá novamente resgatar, tal como o Greenpeace, um imaginário de retorno a métodos agrícolas mais naturais do que os usados até então. Apesar das duas instituições se apropriarem de um mesmo valor de ordem sócio-ambiental, elas o fazem de formas diferentes, à medida que refutam o discurso uma da outra, salientando, assim, posicionamentos opostos.

Essas construções identitárias, os objetivos e os valores partilhados, instaurados na troca comunicativa pelos interlocutores, reforçam ainda mais as características dos possíveis tiers-

opositores, além de chamar a atenção para um aspecto fundamental da troca: a questão dos

imaginários sócio-discursivos que a estrutura.