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Üçüncü Alt Probleme Göre Bulgular (Türk Mitolojisindeki Sembollerin Grafik

O tiers como argumento de autoridade é uma das estratégias discursivas mais utilizadas pelas instituições para a sustentação e comprovação de seu ponto de vista acerca dos transgênicos. Em geral, esse tipo de argumento advém de outras instituições que compartilham do mesmo posicionamento, formando um grande ‘bloco’ de terceiros que se associam na luta argumentativa instaurada nos espaços de discussão sociais.

Considerando todos os discursos das instituições, fizemos uma quantificação geral das ocorrências de discurso relatado, considerando as ocorrências no caso de refutação, as ocorrências marcadas por aspas e dois pontos, as ocorrências marcadas por referências bibliográficas em nota de rodapé e as marcadas por introduções do tipo, ‘Segundo um estudo”, “Levantamentos indicam”, “O cientista...conclui”, etc. A tabela abaixo aponta os resultados obtidos.

TABELA 3 - quantificação comparativa das ocorrências de discurso relatado

AS-PTA CIB GREENPEACE MINISTÉRIO MONSANTO

Ocorrências de discurso

relatado

11 22 22 0 33

É curioso notar o desequilíbrio existente no número de ocorrências de discurso relatado do

uma diferença considerável, já que, com relação ao CIB e ao Greenpeace, aponta para uma diferença de 100% e, com relação à Monsanto, essa diferença sobe para 200%.

Uma possível explicação para essas diferenças pode originar do fato de que o MA utiliza o discurso da OMS, que se caracteriza como uma instituição de referência no assunto, ou seja, seu discurso acaba se tornando fonte de argumentos, dos quais as demais instituições se apropriam. Isso porque a OMS é um órgão internacional de fiscalização e de pesquisas na área de saúde e, dificilmente, utiliza o discurso de outras instituições quando o assunto é segurança alimentar, por exemplo.

A AS-PTA, por outro lado, distancia-se das outras instituições, no número de ocorrências, porque adota citações longas e aspadas, o que acaba ocupando uma boa parte do material. A citação longa só aparece no material dessa ONG e isso acaba diminuindo a diferença de ocorrências com relação às outras instituições.

Já a Monsanto parece adotar a estratégia contrária, ou seja, utiliza muitas citações curtas que aparecem repetidamente ao longo do material. A exemplo das citações recorrentes no discurso da Monsanto, podemos citar o discurso da FAO/OMS (07 ocorrências) que aparece como um poderoso tiers-aliado da Monsanto, por meio da explicitação de pesquisas, realizadas por essas instituições, sobre equivalência substancial entre plantas convencionais e transgênicas, que garantiriam a segurança alimentar e ambiental quanto aos transgênicos. Vale ressaltar que a Monsanto, o CIB e o Ministério são as únicas instituições que se referem ao discurso da Organização Mundial de Saúde, sendo que as duas primeiras instituições sempre colocam a referência à OMS como uma projeção de um tiers-aliado, que possui autoridade suficiente para afirmar que os transgênicos são seguros para a saúde e para o meio ambiente. O Ministério, no entanto, utiliza o discurso da OMS em todo o material, projetando a imagem de um tiers-aliado com poderes de um porta-voz na íntegra de todo o discurso do Ministério, como se a instância governamental não precisasse dizer sequer uma palavra que complementasse ou contradissesse a voz da OMS, numa tentativa, enquanto lugar de deliberação em torno do bem-estar social, de suprir todas as reivindicações e polêmicas provenientes dos espaços de discussão na sociedade.

Existem outras formas de se perceber a presença de um tiers-aliado, além daquela ligada ao

discurso relatado como argumento de autoridade. A ONG CIB, por exemplo, apresenta-se

como “uma associação civil”, sem “qualquer conotação político-partidária e ideológica”, cuja finalidade é divulgar informações sobre a biotecnologia. Entretanto, o que verificamos textualmente é uma série de ocorrências, ora explícitas, ora apenas de forma aludida, de um diálogo intertextual com a Multinacional Monsanto, numa relação de cumplicidade entre as instituições. Encontramos, inclusive, a ocorrência de uma propaganda explícita da soja Roundup Read da Monsanto no discurso do CIB, o que acaba reforçando o diálogo de aliança que se estabelece entre as duas instituições. Vejamos o trecho abaixo, extraído da cartilha do CIB (A1, p. 209).

Exemplo 12 – CIB

De acordo com dados da Universidade de Reading, na Inglaterra, se o produtor brasileiro plantasse 90% (800 mil hectares) da área cultivada no País com algodão Bt, haveria uma economia de 4,3 milhões de diesel e 700 toneladas de inseticidas por ano. E, se 10 milhões de hectares fossem plantados no Brasil com a soja RR,

economizaríamos 31 milhões de litros de diesel só com a menor aplicação de defensivos agrícolas.

A ONG utiliza dados da Universidade de Reading para afirmar as possíveis vantagens do cultivo de plantas transgênicas no Brasil, desde que o produtor brasileiro investisse na ampliação da área cultivada com sementes geneticamente modificadas. Mas, o que marca a proximidade de posicionamento das duas instituições (CIB e Monsanto) está no trecho por nós negritado (linhas 4-6), o qual explicita uma relação entre enunciados hipotética, marcada pela forma verbal no subjuntivo “se fossem plantados”, colocando a soja RR, da Monsanto, no centro da asserção de partida que culminará nas prováveis e benéficas conseqüências, a saber: diminuição no uso de defensivos agrícolas e diminuição no uso de diesel.

Quanto ao diálogo intertextual, ao cruzarmos o texto da seção perguntas e respostas do site da empresa e da ONG, encontramos um trecho de enunciados muito semelhantes, tanto na resposta à pergunta 02, do CIB (“A biotecnologia na agricultura torna o produtor dependente

de poucas variedades de sementes e das empresas de biotecnologia?”); quanto na resposta à pergunta 27, da Monsanto: (“A biotecnologia na agricultura torna o produtor dependente de poucas variedades de sementes?”). Os trechos são:

Exemplo 13 – Monsanto

A idéia de uma única variedade de sementes sendo cultivada em larga escala não corresponde à realidade. Na prática, quem define qual semente será plantada é o

agricultor. Ele pode adquirir variedades com características incorporadas pela biotecnologia, ou pode optar por sementes desenvolvidas apenas pelo melhoramento tradicional. Ou, ainda, plantar sementes guardadas, ou de paiol. E

há também os agricultores que investem na agricultura orgânica.

Exemplo 14 – CIB

Não. O mercado agrícola e de sementes brasileiro é bastante competitivo e, na

prática, quem define qual semente será plantada são os próprios agricultores, os quais têm liberdade de escolha. Eles poderão adquirir variedades com características incorporadas pela biotecnologia ou optar por sementes desenvolvidas apenas pelo melhoramento tradicional. O mesmo ocorrerá em

relação às empresas de biotecnologia, pois no Brasil existem instituições públicas e privadas, além de universidades, pesquisando e desenvolvendo variedades geneticamente modificadas que serão colocadas à disposição dos agricultores.

Diante dos enunciados em negrito, fica evidente a proximidade do discurso das duas instituições, apesar das diferenças sutis encontradas entre os trechos, a saber: no exemplo 13, temos o sintagma (“é o agricultor”) e (“são os próprios agricultores”), no exemplo 14; a forma (“Ele pode adquirir”), no exemplo 13, e a forma (“Eles poderão adquirir”), no exemplo 14.