YARGITAY CEZA GENEL KURULU
TÜRK MİLLETİ ADINA CEZA GENEL KURULU KARARI
Mediante relato dos operários observamos que o trabalho na indústria de construção naval é uma atividade que exige muitas especialidades profissionais e múltiplas habilidades (manuais/artesanais, cognitivas, aptidão para operar modernos equipamentos, para trabalhar em grupo) consequentemente, isso demanda investimentos em qualificação.
No tocante a oferta de cursos de qualificação no estaleiro, os trabalhadores destacam, inicialmente, o papel do Senai:
No Senai, a gente teve tanto aula teórica como aula prática, na área de solda, montagem e encanamento industrial. O estaleiro pagou ao Senai para que a gente se qualificasse na parte de solda, caldeiraria... cursos específicos para cada área. Ninguém entrou como ajudante leigo, primeiro tinha que passar pelo Senai, pra depois entrar (Operário 1: Encanador industrial).
Antes o estaleiro tinha parceria com o Senai para formar e qualificar o pessoal aqui da região, depois ele montou um centro de treinamento que oferecia
qualificação básica na área de solda. Nesse centro de treinamento ia sendo implantado também a disciplina, a organização, todo esse sistema para que o profissional chegue na empresa bem adaptado (Operário 3: Soldador).
Um dos cursos oferecidos pelo EAS, desenvolvido em parceria com o Senai e a Petrobras, é o curso de formação de encarregados, com foco em qualidade e SMS (Saúde, Meio ambiente e Segurança). O objetivo desse curso, conforme descrição dos dirigentes da empresa é “aprimorar as habilidades de gestão dos líderes de grupo da área industrial e uniformizar práticas” (“EAS realiza curso de formação de líderes em parceria com a Petrobras e Senai”, Releases EAS, 05/10/2010).
Além de contribuírem para a formação técnica dos trabalhadores, os cursos de formação internos oferecidos pela empresa são dotados de uma carga ideológica e, portanto,
utilizados para incutir nos operários os valores, os objetivos da organização. Esta situação pode ser ilustrada a partir do seguinte relato:
Porque quando o cara me coloca dentro de uma sala de aula para dizer: olha, você vai atuar dessa forma! Lá dentro da empresa dele, para atender o lado burocrático, ele vai botar um bocado de gente dentro de uma sala, vai dar um documento para você assinar como se você tem conhecimento, você vai responder por aquilo se você atuar de forma diferente do que está escrito... Só que eles mesmos te obrigam a fazer... é... pregar o que não pratica! [Prescrevem
um coisa e na prática é outra?] na prática é outra... E isso é o que eu passo no dia a dia, e eu acho que a maioria também... Eu só quero o mínimo de respeito! Respeito pela atividade (Operário 5: Operador de transportes).
Neste relato um operário, que também é membro da CIPA, aponta os limites de sua atuação. Conforme descreve, a responsabilidade da empresa em promover o treinamento para os membros da Comissão seria apenas para cumprir questões burocráticas, o prescrito, o que deve ser, mas, quando os Cipeiros buscam efetivamente, o respeito pela atividade e por condições de segurança no estaleiro, a ação deles é inibida.
Recentemente o estaleiro investiu na criação de um Centro de Desenvolvimento Humano, que conta com equipamentos para realizar treinamento em altura e em espaços confinados, além de laboratórios de solda, caldeiraria e tubulação, mecânica, elétrica, entre outros (“EAS inaugura Centro de Desenvolvimento Humano”, Releases EAS, 31/01/2013).
Por meio deste centro o EAS pode oferecer cursos de capacitação e aprimoramento ao quadro de funcionários da empresa, todavia quando perguntamos aos entrevistados se eles já haviam participado de algum desses cursos os mesmos destacaram:
Hoje eles já investem no Centro de Desenvolvimento Humano [Você já
participou de algum curso ou treinamento lá?] De lá não, só curso para trabalhar
na área mesmo, para trabalhar como operador de máquinas (Operário 1:
Encanador industrial).
[A empresa oferece cursos?] oferece de encanador, da área que você tá, de
solda... Eu fiz uma entrevista faz mais ou menos uns dois meses. Você faz uma entrevista lá com a menina do RH, aí você faz uma prova e se você passar nessa prova, você ganha um curso pra fazer, que é o de encanador, de solda... Eu fiz essa prova, passei, mas até agora não me chamaram pra fazer o curso não.
(Operário 2: Meio oficial de montagem de tubulação).
Não contamos com informações que nos permitam dimensionar os recursos destinados a esses cursos, a proporção dos trabalhadores treinados, sua regularidade e efetividade. No entanto, as práticas do EAS de recorrer à subcontratação, como já comentado, a contratação de profissionais de outras regiões com experiência em carteira e mesmo a prática da elevada rotatividade parecem nos permitir argumentar que a empresa não prioriza a política de formação e valorização de seu mercado de trabalho interno. Este seria um
caminho, inclusive, por onde ela poderia buscar formar uma cultura organizacional que desse base à construção do comprometimento de sua força de trabalho, tendo em vista que, “muitas formações destiladas pelas empresas a título de formação profissional têm por objetivo a difusão de métodos padronizados de reflexão e um certo tipo de racionalização do pensamento” (LINHART, 2000, p. 20).
No que se refere à maneira com a qual os operários aprendem a executar as atividades, o entrevistado destaca a importância da prática, do aprendizado diário ou o ‘aprender fazendo’:
A função que eu exerço é a mesma que a de um Profissional, faço a mesma coisa... Eu corto com o maçarico, eu lixo, eu ponteio com o cordão de solda, faço bisel... tudo o que um profissional faz, a gente faz... [Você fez algum curso?] Não,
aprendi lá, fazendo na área mesmo, aprendi fazendo mesmo. Pra mim curso não influencia muito não, a escola mesmo é na área, fazendo, praticando
(Operário 2: Meio oficial de montagem de tubulação).
Constata-se, portanto, que os processos de aprendizagem e de formação profissional no EAS resultam, em grande parte, desse aprendizado diário ‘on the job’ e confirmam os argumentos destacados por Lima (2007, p. 517) de que a qualificação na indústria de construção naval assenta em conhecimentos concretos ou na utilização de materiais e equipamentos muito simples, com uma grande dose de formação manual, artesanal e empírica.